Especialistas debatem prós e contras da geração de energia nuclear

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Os novos rumos da energia nuclear, que representa apenas 2% da matriz energética no Brasil, foram discutidos durante o 12º Encontro Internacional de Energia, nesta terça-feira (16), entre especialistas e representantes de entidades do setor.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Ângelo Padilha, afirmou que a área nuclear não está só na energia, mas também na medicina, em aplicações na indústria e agricultura.

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Antonio Müller (ao centro): "A energia nuclear é a tecnologia que menos provoca risco de construção e implantação"

Antonio Müller, presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), destacou que entre 2025 e 2030, novas grandes hidrelétricas não serão mais disponíveis, o que vai gerar a necessidade de novas tecnologias de geração de base.

Segundo Müller, o custo de implantação e operação de uma usina nuclear é o mesmo de uma hidrelétrica, bem como seus prazos de licenciamento e construção (5 anos). “Ao contrário das usinas nucleares, as hidrelétricas não têm mais capacidade de armazenar energia”, afirmou.

Ele ainda defendeu a energia nuclear como segura e ambientalmente amigável, e emendou: “O acidente de Fukushima [ocorrido em março no Japão] não acontece aqui no Brasil, pois nosso País está distante das bordas das placas tectônicas”.

Sobre o futuro da geração nuclear no Brasil, o presidente da Abdan ressaltou que a indústria nuclear aplica lições aprendidas antecipadamente aos requisitos dos órgãos reguladores. “A energia nuclear é a tecnologia que menos provoca risco de construção e implantação”, alegou.

Outros países

A nova geração de reatores nos Estados Unidos está aumentando a potência e a extensão da vida útil de 40 para 60 anos. Cerca de 70 usinas já tiveram esta ação autorizada, 20 unidades estão em avaliação e 14 em estudo.

A afirmação de Paulo Cesar da Costa Carneiro, assessor técnico da Eletronuclear, sinaliza também a presença dos BRICs (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) na lista de países com reatores em construção em quantidade expressiva: China se destaca com 27 e Rússia, com 11.

Outro lado

Na visão de Joaquim Carvalho, pequisador do IEE/USP, as usinas nucleares não agridem o meio ambiente, mas implicam graves riscos de acidentes. “O perigo é grande, visto que nenhuma seguradora aceita cobrir possíveis sinistros”, revelou.

Ele defende que se o País implantar um sistema integrado hidro-eletrico-biotérmico para aproveitar racionalmente o potencial disponível, serão desnecessárias as usinas a gás, a carvão e nucleares. “Mas a isso opõem-se os lobbies da indústria nuclear”, afirmou. E concluiu: “Por ser o terceiro maior em reserva de urânio do mundo, o Brasil não precisa ter uma escala de consumo interno do minério, portanto, poderia exportá-lo”.

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