De 100 cidades brasileiras, 42 registram perdas de 45% no abastecimento de água, diz especialista

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Um estudo do instituto Trata Brasil apurou que das 100 maiores cidades brasileiras, 42 registraram perdas superiores a 45% no abastecimento e distribuição de água, enquanto 10 anotaram perdas de até 25%. As informações foram apresentadas pelo presidente da organização, Edison Carlos, durante workshop “Redução das Perdas na Rede de Distribuição de Água”, organizado nesta quarta-feira (24/6) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O problema é histórico, os indicadores mostram que as perdas são altas no país. Esta sensação de abundância de água ajudava a gente não se preocupar com isso. As empresas tocando seu dia a dia, a população nem pensando sobre isso, assim como formadores de opinião, imprensa”, avaliou Edison Carlos durante o debate.

De acordo com dados do Ministério das Cidades, de 2004 a 2013, as perdas no abastecimento de água no Brasil desaceleram apenas 8,7% em 10 anos. “Passamos do patamar de 45,6% de perdas para 36,9%. Isso significa que progredimos menos de um ponto percentual ao ano nesse período”, esclareceu Carlos.  São consideradas perdas no abastecimento de água fraudes, vazamentos e fornecimentos não registrados a determinados órgãos públicos.

“Historicamente falando, os números são decepcionantes, mas não podemos pensar no passado se quisermos projetar o futuro”, afirmou.

Ainda segundo Carlos, em 2013, as perdas nas cidades representaram 330 milhões metros cúbicos de água, em um custo aproximado de R$ 258 milhões ao ano, o que representou 11% dos investimentos nos serviços de abastecimento destes municípios.

Ao abrir o workshop, Eduardo Moreno, diretor da Divisão de Saneamento Básico do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, lembrou que, a grave crise hídrica e energética pela qual o país passa se configura num momento ideal para discutir o tema.

“Estamos vivendo um momento ímpar, apesar de todo o problema do país, este é um grande momento para discutirmos o assunto, desenvolvermos tecnologias e implantá-las”, disse Moreno.

Para melhorar o cenário de perdas no abastecimento de água no Brasil, é preciso que o cálculo do que é efetivamente consumido no sistema também seja aperfeiçoado e padronizado. “Olhando a série histórica, fica claro que esse é indicador estava esquecido. Houve pouco avanço, se analisarmos os últimos anos”,

Departamento de Infraestrutura da Fiesp promove debate sobre perdas no abastecimento de água no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Exemplo asiático

Representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que atua em mais de 150 países com cooperação técnica e financeira, Taku Ishimaru apresentou o exemplo do Camboja, país no sudeste asiático que superou a crise hídrica provocada pela guerra civil.

Com fim da guerra, a infraestrutura local estava “totalmente destroçada”, lembrou Ishimaru. Houve, então, o início da elaboração de um plano diretor em duas etapas e, ao mesmo tempo, um projeto de formação profissional, com parcerias com as prefeituras, uma vez que “a distribuição de água estava quase 100% nas mãos do setor público”.

Segundo ele, as perdas no abastecimento de água no Camboja superavam os 70%. “E agora desfrutamos com 8%, o que foi chamado de Milagre de Phnom Penh”, contou.

Ishimaru acrescentou que houve uma campanha de investimentos em infraestrutura no país, aliado a programas junto à comunidade e com a colaboração internacional.

“Então não foi milagre. Com apoio internacional veio nova estrutura, nova filosofia e profissionais treinados. Para reduzir perdas, não há remédio para melhorar de forma imediata. É um desafio que precisa de esforços contínuos de todas as áreas, para o mesmo objetivo”, concluiu.

Especialistas discutem soluções para distribuição e abastecimento de água na região metropolitana de SP

Marília Carrera e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Da esquerda para a direita: José Eduardo Cavalcanti, Giuliano Deliberador, Nadia Paterno e Julio Cerqueira Neto. Foto: Julia Moraes

O 2º Seminário de Saneamento Básico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizado nesta terça-feira (30/10), debateu o abastecimento e mananciais de água em São Paulo, durante o painel O futuro do abastecimento de água na macrometrópole de São Paulo, coordenado pela  diretora-adjunta do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Nádia Taconelli Paterno.

Giuliano Savioli Deliberador, chefe de gabinete da Superintendência do Daee. Foto: Julia Moraes.

O chefe de gabinete da Superintendência do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Giuliano Savioli Deliberador, apresentou o plano diretor de recursos hídricos para a macrometrópole paulista, cujo principal objetivo é garantir segurança hídrica para o território até 2035.

Ele destacou as vantagens locais da macrometrópole, como a infraestrutura mais desenvolvida do Brasil (rodovias, aeroportos e portos); e os tecnopolos, como São Carlos, Campinas e São José dos Campos, que possuem tradições universitárias de pesquisas. “A macrometrópole possui um território favorável para desenvolvimento econômico”, afirmou.

O chefe de gabinete ressaltou, ainda, que para garantir a salubridade hídrica da bacia é necessário um incremento de 60 m³/s em termos de demanda de água, sendo 25m³/s só na área urbana.

Deliberador alertou que para superar os conflitos regionais “há a necessidade de planejamento estratégico em nível estadual, porque soluções locais não têm mais condições de resolver problemas estratégicos”.

Além disso, ressaltou a necessidade de parcerias público-privadas. “O que vemos hoje é a iniciativa privada pouco comprometida com essa questão. É necessário que especialmente as indústrias e associações atuem com bastante força, a fim de elevar o patamar de discussão do tratamento e distribuição de água”, concluiu.

Demandas

José Eduardo Cavalcanti, membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia. Foto: Julia Moraes.

O membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia, José Eduardo Albuquerque  Cavalcanti, afirmou que a carência de água da região metropolitana de São Paulo, já se faz sentir notadamente em setores da zona oeste, onde a produção dos sistemas Alto e Baixo Cotia é insuficiente. Em 2010 já havia um déficit de 1,5 m³/s entre demanda media estimada e oferta na região metropolitana da cidade.

O engenheiro  explicou que “não há  falta de água em São Paulo porque a situação hidrológica é favorável; as estações de tratamento de alguns dos sistemas podem produzir mais por algum tempo; e existe uma demanda reprimida de água, situação que atinge 3,7 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo”.

Segundo Cavalcanti, as ampliações em curso dos sistemas produtores que captam água de mananciais próximos à região metropolitana não serão suficientes para atender a demanda futura em curto prazo desta mesma região”.

De acordo com o engenheiro, a implantação do Sistema Produtor São Lourenço pela Sabesp, a partir da reversão das águas da bacia do Alto Juquiá, segundo uma vazão outorgada de 4,7 m³/s  também será insuficiente para atender a demanda da região metropolitana em questão e, mesmo assim, só estará disponível em 2017.

Como solução, ele defendeu o aproveitamento imediato de  toda a disponibilidade hídrica daquele manancial estimada em cerca de 22 m³/s com 95% de garantia, mas que está atualmente comprometida com a geração de energia elétrica para a extração da bauxita até 2016, quando expira a outorga.

Sistema crítico

Julio Cerqueira Cesar Neto, coordenador da Divisão Técnica de Engenharia Sanitária Ambiental do Instituto de Engenharia de São Paulo. Foto: Julia Moraes

De acordo com o coordenador da Divisão Técnica de Engenharia Sanitária Ambiental do Instituto de Engenharia de São Paulo, Julio Cerqueira Cesar Neto, o sistema de água na região metropolitana de São Paulo é extremamente crítico. Ao lembrar que São Paulo é a segunda metrópole do mundo em termos de população, frisou: “São Paulo já consome mais de 80m³/s de água”.

Cesar Neto lembrou que, na década de 1980, a região metropolitana de São Paulo conseguiu atingir a excelência de distribuição de água, com a inauguração do Sistema Cantareira, tanto no sentido de quantidade de água (atendia a mais de 100% da necessidade local) quanto na qualidade e segurança.

“A nossa deficiência hídrica é de quase 10m³/s. A providência seria o provável início da obra de São Lourenço, que começa em 2014 e que estará à disposição daqui a sete anos”, afirmou ao lembrar a necessidade do diálogo com as autoridades responsáveis.

Ao concluir, Cesar Neto alertou para o fato de que o atual sistema de tratamento de água é muito antigo e compromete sua qualidade. “Temos hoje mananciais de média e péssima qualidade”, afirmou.

Com risco de desabastecimento até 2015, reúso protagoniza conscientização ambiental

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp

Governo e setor privado concordam: o momento é de cooperação para se evitar um colapso no sistema de abastecimento de água no País. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 55% dos municípios brasileiros – que representam 70% do consumo – correm o risco de chegar em 2015 com problemas no fornecimento.

Investir em água de reúso para utilização industrial aparece como uma das alternativas para solucionar essa equação, que aponta o descompasso entre a oferta e o aumento da demanda. Fomentar a adoção dessa prática pelas empresas foi um dos objetivos do seminário “Ganhos econômicos e ambientais com Reúso de Água”, realizado pela Fiesp e o Ciesp nesta terça-feira (22), data em que se comemora o Dia Mundial da Água.

“A escassez preocupa, sem dúvida, mas o importante é tomar as providências e olhar para frente”, destacou Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp. “Mais do que lamentar a situação em que chegamos com relação à água, é preciso trabalhar para produzir mais com menos.”

Skaf ressaltou que o empresariado já tem a consciência de que investir em Produção mais Limpa não é apenas uma medida ambiental, e, no final das contas, representa economia e ganho de competitividade.

Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp

Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp, reforçou o alerta: “A redução dos custos de produção está diretamente atrelada à redução do consumo de água”, sublinhou.

Investimentos

A Agência Nacional de Águas (ANA) garantiu que os cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento da União para 2011, anunciados no mês passado pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não afetarão os investimentos da pasta em recursos hídricos.

“Desta vez não houve contingenciamento de recursos, e isso é histórico. O orçamento para esse fim saltou de R$ 80 milhões para R$ 250 milhões”, afirmou o diretor da ANA, Paulo Rodrigues Vieira.

A lei 9984/00 estabelece o percentual de 0,75% sobre a energia gerada pelo setor hidrelétrico, como pagamento pelo uso de recursos hídricos, destinado ao Ministério do Meio Ambiente/ANA para implementação da Política e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

Programas de córregos urbanos e mata ciliar em mananciais receberão verba para recuperação

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou nesta terça-feira (28) a reunião ordinária do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, presidida pelo Secretário de Estado do Meio Ambiente, Francisco Graziano.

Além da posse de 21 prefeitos, que representarão o segmento do Poder Público Municipal no Conselho, foi aprovada deliberação priorizando dois grandes programas que receberão, no mínimo, 20% de cada comitê:

  • Revitalizaçao de córregos urbanos;
  • Recuperação de mata ciliar em mananciais de abastecimento.