‘O planeta depende da sua parte azul’, diz bióloga Sylvia Earle em lançamento de livro no Teatro do Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“A nossa existência depende do respeito ao mundo natural”. Foi com esse alerta que a bióloga norte-americana Sylvia Earle conduziu o debate a respeito da conservação da natureza durante o lançamento de seu livro A Terra é Azul. O título, publicado pela Sesi-SP Editora, foi apresentado ao público brasileiro na manhã desta segunda-feira (05/03), no Teatro do Sesi, na sede da Fiesp e do Sesi-SP, na Avenida Paulista, em São Paulo. A obra discute a urgência de preservar os oceanos. Ao lado de Sylvia no palco, o presidente da Fiesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, fez questão de acompanhar o debate. E de apresentar uma ação concreta a respeito do tema: o envio de uma carta ao presidente Michel Temer pedindo a criação de duas áreas de proteção ambiental (APAs) marinhas, uma em São Paulo e a outra no Rio de Janeiro.

Também participou ao lançamento do livro o jornalista e ambientalista João Lara Mesquita.

“Vivemos num planeta abençoado por oceanos cheios de vida”, disse Sylvia em sua apresentação. “Num espaço muito curto de tempo nós voamos mais rápido do que os pássaros e chegamos à lua. Sabemos o que as outras espécies da terra não podem saber”.

A bióloga destacou que “há muita vida morando no escuro, nos oceanos”. “Até a parte abissal dos oceanos é cheia de vida, mesmo sendo congelante”, disse. “Estamos começando a descobrir o planeta, a nossa vida depende disso”.

Sylvia e Skaf: hora de agir para preservar o planeta, com foco nos oceanos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

De acordo com Sylvia, as nossas vidas consistem em retirar tudo da natureza, mas não podemos “simplesmente levar tudo o que queremos”. “Temos que proteger as áreas de alimentação e reprodução das espécies”.

Ouça o áudio dessa notícia:

Parques azuis

Em encontro com o ex-presidente norte-americano George W. Bush, ela fez questão de frisar a necessidade de termos “parques azuis” assim como temos áreas protegidas de florestas. “Bush não sabia que houve um declínio muito grande de espécies marinhas, peixes que deixaram de existir”.

Os parques em terra, para se ter uma ideia, têm mais de 100 anos de existência. “Precisamos da ajuda de todos para proteger a terra”, afirmou Sylvia. “E basear esse esforço de conservação também nos oceanos”.

Segundo a bióloga, se não há peixes, não há pescadores. “O oceano é o direcionador do clima na terra. O planeta depende da sua parte azul”, explicou.

Sylvia encerrou a sua apresentação com um convite aos leitores brasileiros. “Temos que mergulhar juntos”, disse. “Quero mergulhar no Brasil e vou voltar aqui em breve”.

E não parou por aí. “Não deixem a vida passar sem dar bons mergulhos no mar”.

Pesquisadora apaixonada que é, ela disse ainda que, se pudesse, “levaria o livro para os peixes lerem”.

Ação concreta

Alinhado com o pensamento de Sylvia e disposto a agir no que se refere à proteção dos oceanos, Skaf leu para a plateia uma carta enviada ao presidente Michel Temer pedindo a criação de duas APAs marinhas.

No texto, ele citou inclusive a publicação do livro pela Sesi-SP Editora.

“Precisamos agir, apresentar medidas concretas”, disse Skaf.

 A Terra é Azul é uma mistura de relato pessoal com ensaio científico e resumo histórico sobre a urgência de preservar os oceanos, parando de ignorar o impacto da exploração dos mares.

O livro foi escrito depois do derramamento de petróleo no golfo do México em 2010. Por seu trabalho, Sylvia foi eleita pela revista Times “a primeira heroína do planeta”.

Para saber mais sobre a obra, é só clicar aqui.

 

Sylvia A. Earle, autora de A Terra é Azul, faz palestra na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

“O que podemos fazer para cuidar do mundo azul que cuida de nós?” Essa é a inquietante pergunta que Sylvia A. Earle faz em seu livro A Terra é Azul, best seller mundial com lançamento inédito em português pela Sesi-SP Editora, no próximo dia 5 de março, quando a bióloga marinha fará palestra exclusiva na Fiesp.

A revista New Yorker a apelidou de “Vossa Profundeza” e a Time a nomeou “Heroína do Planeta”. Essas elogiosas referências, além das mais de cem honrarias que recebeu ao redor do mundo, se originam na sistemática dedicação da bióloga marinha Sylvia A. Earle para desvendar e defender com obstinação os oceanos, não apenas por serem ambientes que abrigam ricos ecossistemas, mas pelo imprescindível papel que desempenham na preservação da vida do planeta.

Nascida em agosto de 1935, nos Estados Unidos, Sylvia é antiga e regular visitante das profundezas dos mares. Desde 1998, é expedidora em residência na National Geographic. As observações que recolheu em todos esses anos em que coordenou mais de 100 expedições e somou mais de 7.000 horas debaixo d’água resultaram na produção do livro A Terra é Azul.

Redigido em estilo agradável e fluido, sem, entretanto, negligenciar em nenhum momento a consistência das informações, a obra traça com detalhes o histórico da fúria extrativista com que os oceanos foram atacados, na crença irresponsável de que seria uma fonte inesgotável de alimentos. Essa visão imediatista e inconsequente levou ao extermínio de diversas espécies marinhas e deixou muitas outras em via de extinção.

“Acima de tudo, o fato de o mundo ser azul é importante porque nossa vida depende de um oceano vivo, que não contenha apenas água e rochas, mas também sistemas vivos estáveis, diversificados e resistentes, capazes de manter o mundo em um curso favorável à humanidade”, assinala a autora, para em seguida lançar o desafio: “o que podemos fazer para cuidar do mundo azul que cuida de nós?” É a resposta a essa questão o principal objetivo da obra, que já vendeu mais de 50.000 exemplares em língua inglesa e também foi traduzido para o espanhol, japonês e chinês.

Sobre a autora

Sylvia A. Earle é bióloga marinha, oceanógrafa, escritora e palestrante. É graduada pelo St. Petersburg College e pela Florida State University, com mestrado e Ph.D pela Duke University, além de ter recebido 19 doutorados honoris causa. Autora de mais de 175 publicações e palestrante em mais de 70 países, suas pesquisas concentram-se na ecologia e conservação dos ecossistemas marinhos, com destaque para algas marinhas e desenvolvimento de tecnologias para acessar e pesquisar o mar profundo.

Recebeu mais de 100 honrarias nos Estados Unidos e outros países, incluindo o Hall da Fama Feminino nos Estados Unidos, a Ordem da Arca Dourada na Holanda, o Prêmio Banksia na Austrália e o Prêmio Artiglio na Itália.

Clique aqui para se inscrever para a palestra de Sylvia A. Earle.