Saúde e qualidade de vida são fatores de competitividade para empresas brasileiras

Agência Indusnet Fiesp 

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Eliane Belfort, diretora do Cores da Fiesp. Foto: Arquivo/Fiesp

Sem saúde não se produz. Esta foi uma das conclusões unânimes do evento A gestão da saúde como estratégia para as empresas,realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na última quinta-feira (6), com a participação de diversos atores envolvidos no processo. “O tema nos remete ao Sou Legal, primeiro programa do Cores, enfocando a qualidade de vida”, opinou Eliane Belfort, diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, ao fazer um raio-x setorial.

“É preciso assumir o protagonismo da gestão da saúde no setor produtivo”, pediu o médico Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida-ABQV e diretor-adjunto do Cores.

Ogata revelou o que esconde uma das pontas do iceberg, quando o assunto é gestão da saúde: custos indiretos relacionados à produtividade, tais como faltas, aposentadoria precoce, adoecimentos e acidentes do trabalho, fatores que inevitavelmente comprometerão a competitividade de uma empresa.

Ele alertou o resultado de estudos recentes, segundo inclusive o Ministério da Saúde: de 2006-2009, o cenário de qualidade de vida não melhorou no país, nem em termos de atividade física nem da alimentação. Apenas quanto ao tabagismo houve avanço positivo, mais pelo efeito das restrições impostas.

Estilo de vida

“A nossa população permanece sedentária e com maus hábitos quanto ao estilo de vida. Pesquisa do Sesi indica que cada fator do estilo de vida impacta a produtividade em pelo menos 2%”, revelou. E foi além: 1/3 dos trabalhadores faz uso abusivo do álcool – cinco ou mais doses por dia.

“Como se não bastasse, após uma jornada exaustiva, o trabalhador chega à sua casa e come demais e erradamente. Mais de 80% dos trabalhadores não ingerem a quantidade adequada de frutas, verduras e legumes e, pior, depois passam três ou mais horas em frente à TV todos os dias. O resultado é inevitável: o crescimento de doenças crônicas, como enfarte, derrame, câncer e diabetes”, avaliou o médico.

Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo-Abramge Nacional, enfatizou que é preciso uma mudança de postura, da curativa – quando se aguarda que o doente procure o sistema – para a preventiva, evitando o aparecimento das doenças.

Prevenção

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Ruy Salvari Baumer, coordenador do Comsaude da Fiesp. Foto: Arquivo/Fiesp


Apesar de o plano de saúde ser objeto de desejo dos trabalhadores, segundo Ruy Salvari Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Fiesp, apenas 1/3 dos beneficiados usa ativamente o plano e 2/3 ficam em casa, os dependentes, quando deveriam apostar na prevenção a fim de evitar o aparecimento de doenças futuras.

Fabio de Souza Abreu, CEO da empresa AxisMed, sugeriu ações coordenadas a longo prazo em função do panorama encontrado: “As doenças crônicas representam 80% de todo o custo da saúde nos Estados Unidos. No Brasil os números são similares. Nos planos de saúde, 15% da população invariavelmente respondem por 60/70% do custo total, quando se faz um mapeamento de utilização nos últimos três anos. A pesquisa realizada pela empresa avaliou quatro milhões de vidas”.

Walter Vicioni Gonçalves, superintendente operacional do Sesi-SP, alertou que o setor produtivo se preocupa com o tema e citou programas pioneiros, como o Programa Indústria Saudável – cujo diagnóstico revela que 23% dos trabalhadores sofrem de hipertensão e a metade nem sabe que tem a doença –, Prazer de Estar Bem e Alimente-se Bem.

Competitividade

Um ponto crítico para a manutenção da competitividade do País foi apontado por João Lins, sócio-diretor da PricewaterhouseCoopers: o custo. Existe perda também do capital intelectual, pois há cada vez menos jovens na base da pirâmide da atividade econômica e o envelhecimento crescente da população ativa. A atual expectativa de vida gira em torno de 70 anos.

Nesta pirâmide invertida, há o desafio de repor a mão de obra, driblando o previsto “apagão”. Lins encerrou sua participação pedindo que os métodos de gestão sejam repensados e deixou um questionamento no ar: como trazer investimentos para uma cidade doente como São Paulo?

Um exemplo vem do setor químico: “mesmo forte, a área enfrenta problemas de competitividade. O Brasil tem balança comercial deficitária em US$ 20 bi, apesar de suas vantagens em termos de matéria-prima”, apontou Ricardo Neves, presidente da Fosbrasil S/A.

Dados setoriais

De acordo com dados fornecidos pela Abramge (tendo como base a ANS-Agência Nacional de Saúde Suplementar), o sistema de saúde suplementar cobre aproximadamente 56 milhões de usuários, sendo assim composto:

  • Medicinas de grupo – 34%
  • Cooperativas médicas – 27%
  • Planos exclusivamente odontológicos – 18%
  • Seguradoras de saúde – 12%
  • Autogestão – 9%

Em relação ao número de operadoras de Medicina de Grupo: os 593 grupos médicos abrigam 19 milhões de beneficiários (sendo 13,7 milhões ou 72,04% do total) em planos coletivos e 5,3 milhões (27,96%), em planos individuais/familiares.