Seminário na Fiesp apresenta experiência do Reino Unido em gestão de água e resíduos sólidos

Talita Camargo e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“Essa é uma oportunidade de compartilhar ideias e soluções para tantos desafios que nossos países enfrentam”, afirmou o ministro Richard Benyon, subsecretário parlamentar de Estado para Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais do Reino Unido, na abertura do seminário internacional “A experiência britânica em gestão de água e de resíduos sólidos”, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que aconteceu na tarde desta segunda-feira (30/09).

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Richard Benyon falou sobre compartilhar experiências "verdes" de Londres-2012 com o Brasil. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Estou muito satisfeito de trazer essa delegação de empresários que lida com esses problemas [de meio ambiente] no Reino Unido e globalmente”, completou.

De acordo com o ministro, o seminário proporciona um debate sobre desafios nos quais o Reino Unido tem muita experiência. “Nossas empresas estão projetando soluções para ajudar seus clientes e parceiros a aumentar eficiência e reduzir custos”, destacou Benyon ao ressaltar os laços comerciais já fortalecidos com o Brasil.

“Os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro serão tão grandes como os de 2012, em Londres, que foram aclamados como os mais verdes dos últimos tempos. E sei que o Brasil tem grandes expectativas nesse sentido. Estamos ansiosos para compartilhar essas experiências com vocês”, afirmou.

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John Doddrell destacou que seminário é boa oportunidade de negócios entre representantes dos dois países. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O cônsul-geral britânico em São Paulo, John Doddrell,  destacou que a Fiesp é uma grande parceira do Reino Unido. “Espero que este seminário seja útil para vocês e que essa seja uma boa oportunidade de negócios entre os representantes dos dois países”, apontou.

Na opinião de Benyon, desafios criam novas oportunidades para empresas ambiciosas com ideias inovadoras. “O que eu espero é que possamos construir relacionamentos e entender como vocês querem fazer negócios e fazer mais do que apenas trocar ideias”, disse.

Para o diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da entidade, Nelson Pereira dos Reis, o evento contempla discussões de temas relevantes para a indústria e a sociedade em geral.

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Nelson Pereira dos Reis: desafio é conciliar respeito ao meio ambiente sem emperrar necessidades das pessoas e a geração de empregos. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Na questão ambiental, a Fiesp sempre tenta harmonizar a legislação com o desenvolvimento do país”, afirmou, recordando a realização do Humanidade 2012, iniciativa da Fiesp em parceria com a Firjan em paralelo à Rio+20. E completou: “o desafio é termos o respeito ao meio ambiente, mas sem emperrarmos as necessidades das pessoas e a geração de empregos”.

Segundo o diretor do DMA da Fiesp, Eduardo San Martin, o Reino Unido está bastante avançado nas questões ambientais. “A temática ambiental é importante para o setor produtivo paulista e brasileiro. E o empresário que hoje cumpre a rigorosa legislação ambiental tem procurado, cada vez mais, reduzir seus custos. Essa é uma grande oportunidade para firmarmos parcerias com aqueles que, por estarem na estrada há mais tempo, são exemplo de sucesso”, afirmou.

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Eduardo San Martin: "investir em meio-ambiente não é gastar, mas sim ganhar dinheiro". Foto: Beto Moussalli/Fiesp

San Martin destacou que a questão de resíduos sólidos oferece ao empresário brasileiro muitas necessidades e, consequentemente, grandes oportunidades.

“Precisamos criar uma indústria de reciclagem em São Paulo e no Brasil. E o empresário precisa, cada vez mais, adotar práticas de reúso de água. Além disso, existem outros anseios de nossos empresários que poderão ser atendidos ao longo deste encontro”, afirmou.

E concluiu: “investir em meio-ambiente não é gastar, mas sim ganhar dinheiro”.

Um problema global

Em seguida, na abertura do painel ‘Gestão de Águas e Resíduos Sólidos’, a britânica Sandra Downes, professora de biomateriais da Universidade de Manchester, falou sobre as pesquisas realizadas na instituição.

“A água é um problema global. E se não trabalharmos em cima dele a situação ficará bastante complicada para 768 milhões de pessoas que não têm acesso à água limpa e para os 2, 5 bilhões de seres humanos que vivem sem saneamento básico”

Para a acadêmica, parte da solução do problema está no desenvolvimento de solução inovadoras em matéria de tecnologia. “Simples tecnologias podem ser aplicadas em algumas regiões do Brasil, por exemplo”, disse. “Materiais feitos de hidrogel, um polímero hidrofílico que absorve microrganismos e microbactérias, é uma solução para ajudar o processo de reutilização da água que estamos estudando na universidade”.

“O tratamento de água e resíduos sólidos é um mercado emergente que interessa à indústria, aos governos e à população”, concluiu.

Na sequência, Cris Walsh, diretor da Modern Water Monitoring, corporação britânica que monitora as tecnologias aplicadas aos tratamentos de água, falou sobre a atuação da empresa.   “Nós trabalhamos com a mensuração de metais pesados e de toxicidade em hidrovias, via transmissão online. Temos muitos clientes na indústria petroquímica. Se você não pode medir, você não pode tratar”, disse.

Dale Hartley, diretor de desenvolvimento de negócios da Syrinix, também falou sobre a sua empresa, que nasceu da colaboração entre uma universidade inglesa e uma pequena fábrica de produção de equipamentos de filtragem de líquidos. “Nossa atuação principal é a produção de equipamentos para o monitoramento de tratamento de água e resíduos”.

O brasileiro Gustavo Loiola Ferreira, diretor de infraestrutura da Arup, abordou as perspectivas e soluções da empresa em gerenciamento de água sob a perceptiva brasileira. “Os grandes projetos não são solução. No Brasil, a gestão de águas está com o poder publico. Há centralização dos projetos de gestão de água”.

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Seminário conta com delegação de empresários britânicos da área ambiental. Foto: Beto Moussalli/Fiesp