Resiliência, competitividade e empreendedorismo no último painel do MPI 2014

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

No último painel do 9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) na tarde desta segunda-feira (26/05), foram apresentados casos de sucesso e experiências empresariais de ganhos em produtividade. O evento foi realizado no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Humberto Salvador Afonso, dono da Alibra Alimentos, contou sua história profissional, recheada de resiliência e força de vontade. Atualmente, ele é sócio proprietário de 11 unidades de negócios, dez delas voltadas para os segmentos alimentícios e de bebidas. Filho de pais portugueses e comerciantes, Afonso afirmou que sempre quis ter um negócio próprio. Por isso, cursou Engenharia de Alimentos na Unicamp, em Campinas, e se especializou em finanças pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV), já pensando em empreender no futuro.

Afonso trabalhou em grandes empresas, inclusive na área comercial e de vendas.  Ao abrir sua pequena empresa e elaborar planos de negócio, o empresário encontrou muitas dificuldades. “Com problemas em ingredientes dos produtos, precisamos recuperar não só a parte financeira, como também nossa credibilidade com os clientes”, contou.

Na década de 90, Afonso sofreu com a inflação descontrolada, com a ineficiência de gestão e com pouco capital de giro. Ao se recuperar dessa crise, com o crescimento de seu negócio, vendeu sua empresa para uma multinacional estrangeira e assumiu o cargo de diretor executivo. “Essa mudança foi um incentivo e um reforço para minha vocação empreendedora”. A partir dos anos 2000, Afonso fundou a Alibra, e hoje o grupo emprega cerca de 900 funcionários, com previsão de faturamento para este ano de R$ 350 milhões.

Para Afonso, o que faz a diferença nos negócios em busca de crescimento é o tripé vendas, inovação e produtividade. “Produtividade é a expressão da eficiência em qualquer negócio. E, infelizmente, a produtividade do Brasil não avançou praticamente nada em 50 anos”, afirmou.

Como um todo

Para obter sucesso nos negócios, ou recuperar empresas de possíveis crises, a empresária e diretora do Dempi na Fiesp, Beatriz Cricci afirmou que é preciso mapear pontos principais de vendas e investir em cursos que beneficiem os funcionários e os negócios como um todo. “Existem muitos recursos para explorar”, disse. De acordo com ela, sempre existem chances de mudanças e é possível, sim, se recuperar das dificuldades sofridas, que são muito comuns no meio empreendedor.

Beatriz: sempre há possibilidades de mudança. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Beatriz: sempre há possibilidades de mudança. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Manoel Canosa Miguez, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), falou sobre empreendedorismo, oportunidades, inovação, competitividade e associações familiares.  O palestrante narrou suas experiências no mundo dos negócios e deu dicas para a solução de problemas. Para Miguez, existem defesas comerciais para situações nas quais existe concorrência desleal, por exemplo. “Às vezes falta conhecimento. É preciso sair um pouco do chão de fábrica e ir atrás do conhecimento”, afirmou.

Miguez: em busca do conhecimento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Miguez: em busca do conhecimento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Miguez afirmou que fontes de informação, diagnóstico e planejamento são pilares fundamentais para uma boa estrutura nos negócios. “São pequenas coisas que conseguem colocar uma empresa de volta ao mercado”, disse. Produtos de inovação, tecnologia, conhecimento e pesquisa também são fatores importantes. “Precisamos acreditar mais em nosso produto e acreditar no que fazemos”, concluiu Miguez.

Ministro anuncia portal único para abertura e fechamento de empresa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A partir de julho, um portal único deve ser lançado pela Secretaria da Micro e Pequena Empresa com a intenção de reduzir o prazo de abertura de uma empresa para até cinco dias, informou nesta segunda-feira (26/05) o ministro da pasta, Guilherme Afif Domingos.

“O portal fará a unificação em um balão único por meio das juntas comerciais. Vamos baixar o prazo de abertura para no máximo cinco dias em média. O fechamento [da empresa] será na hora”, afirmou Afif Domingos durante o 9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

O evento segue até o final desta segunda-feira (26/05), no Hotel Renaissance, na capital paulista, sendo organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

Segundo o ministro, a criação do portal atende a uma demanda do setor por agilidade nos processos de criação de um CNPJ e, sobretudo, no encerramento dele.

“A Receita quer um CNPJ aberto mesmo com a empresa encerrada, ela quer um balanço anual da não movimentação se você esquecer, é multado em R$560 reais”, disse ele. “Esse é um ponto da perversidade da polícia econômica que nos implantamos no Brasil e nós não precisamos de polícia econômica, mas de política econômica com essa função de desenvolvimento para os pequenos”, defendeu.

Afif Domingos: “Vamos baixar o prazo de abertura para no máximo cinco dias”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Afif Domingos: “Vamos baixar o prazo de abertura para no máximo cinco dias”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Segundo o ministro, com a criação do portal único, a secretaria pretende fazer “um grande enterro coletivo exatamente para poder baixar esse estoque que mascara a realidade do número do país”.

Sem programas

De acordo com Afif Domingos, a pasta de Micro e Pequena Empresa não foi criada para implantar programas mas para coordenar as políticas e ações para o setor. “O ministério está aqui para lembrar o tratamento diferenciado ao pequeno”.

O ministro avaliou ainda que o Brasil ainda amarga uma característica de “fazer regra ignorando” a realidade das micro e pequenas empresas, que representam mais 90% do empresariado brasileiro.

“A burocracia no Brasil é feita para o grande aguentar, o pequeno não aguenta. Aqui no Brasil jogam-se  verdadeiros entulhos burocráticos na cabeça dos pequenos”, completou.

Governos me lembram década de 1980, diz Skaf sobre falta de inovação para a indústria

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de o governo estar caminho correto de simplificar processos e baratear os custos para a micro e pequena indústria, algumas instituições públicas ficaram paradas na década de 1980, afirmou nesta segunda-feira (26/05) o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf.

Ele participou da abertura do 9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp e do Ciesp. O evento segue até o final desta segunda-feira (26/05), no Hotel Renaissance, na capital paulista.

“O caminho é simplificar, baratear. Mas os governos, em certo ponto, ainda me lembram a década de 1980, enquanto a sociedade está em 2014. Há uma mentalidade, uma deficiência de inovação tecnológica que acaba atrapalhando, sem falar na falta de seriedade de algumas pessoas quando se fala em repartições que deveriam simplificar”, criticou Skaf  na abertura do MPI.

Skaf na abertura do MPI: “O caminho é simplificar, baratear”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Skaf na abertura do MPI: “O caminho é simplificar, baratear”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp rebateu ainda o mau uso da substituição tributária, mecanismo de arrecadação de tributos que atribui ao contribuinte a responsabilidade pelo pagamento do imposto devido por seu cliente.

Segundo Skaf, um organismo que foi criado para setores com poucos fornecedores e muitos clientes como forma de evitar a sonegação “se espalhou para todos os setores e, em vez de o pequeno ser mais competitivo, ele passa a ser menos porque está comprando mais caro”.

Congresso MPI

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Milton Bogus: MPI propõe debate sobre o ganho de produtividade das pequenas e micro indústrias. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A edição deste ano do MPI deve propor discussões sobre o ganho de produtividade das pequenas e micro empresas.  De acordo com o diretor do Dempi, Milton Bogus, ao menos 1.800 participantes se inscreveram no congresso.

“Isso mostra que a Fiesp tem atendido às reivindicações da micro e pequena indústria. Mas ainda precisamos inovar a gestão e a produção para gerarmos melhores resultados por meio de ganhos de produtividade nas empresas”, afirmou Bogus.

Motor de aquecimento

Representando a Frente Parlamentar em Defesa das Microempresas da Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Floriano Pesaro trouxe um tom menos otimista à abertura do MPI.

“A despeito do cenário atual não ser dos mais estimulantes para o setor, sabemos que a atitude do empreendedor é o motor de aquecimento do país, por isso deve-se continuar fomentando as políticas industriais de incentivo”, afirmou Pesaro.

Durante seu discurso, ele citou uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2013. Segundo o levantamento, houve um crescimento de apenas 2% no faturamento real já com desconto da inflação em comparação com o ano anterior.

“A maior alta foi representada pelo comércio, atingindo 4,3%. Em segundo lugar se encontra o [setor] de serviços, com 1%, entretanto a indústria teve economia reduzida em 1%, primeiro ano negativo de 2009”, disse Pesaro.