Prática de conservação da água aumenta nível de competitividade, afirma Nelson Pereira dos Reis

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Elevar a competitividade é um dos objetivos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao promover debates sobre o reúso da água, assinalou Nelson Pereira dos Reis, o vice-presidente da Fiesp e diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da entidade, em seu pronunciamento na abertura do Seminário Internacional Sobre Reúso da Água.

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(ao centro) O vice-presidente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, abre o Seminário Internacional sobre Reúso de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“[Queremos] Levar ao pequeno e médio empresário a consciência de que a prática de conservação leva à melhoria da sua competitividade”, afirmou Reis na manhã desta terça-feira (19/03), na sede da entidade.

“O tema água faz parte do nosso mapa estratégico e incorpora a nossa agenda, não só para o abastecimento industrial, mas para o abastecimento público em geral”, disse Reis, que representou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, na cerimônia.

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Nelson Pereira dos Reis: "Orientar as indústrias e valorizar as boas práticas estão entre as ações da Fiesp". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reis destacou que a Fiesp tem participado, no plano institucional, de todos os fóruns em que o tema é discutido. “Nossa participação é ativa para que, trabalhando em conjunto com o governo e sociedade, possamos avançar nos projetos de conservação e reúso de água”, afirmou, mencionando palestras, oficinas e seminários realizados pela Fiesp em parceria com universidades e setor público. “O objetivo é melhorar a capacitação de profissionais que atuam nas nossas empresas.”

O vice-presidente da Fiesp ressaltou que o seminário coroa o esforço da casa da indústria paulista. “Estamos trazendo a experiência internacional de países e de empresas que, com sucesso, têm obtido resultados importantes na questão da conservação e reúso da água”, afirmou Reis.

“Entre as atividades que nós realizamos, também elaboramos, junto aos parceiros, manuais e cartilhas, a fim de levar informações à indústria, sobre melhores práticas de gestão e informação científica e tecnológica”, explicou o diretor-titular do DMA.

Prêmio de Conservação e Reúso de Água

Para Reis, o Prêmio de Conservação e Reúso de Água, cuja oitava edição acontece na noite desta terça-feira (19/03), no Teatro do Sesi-SP, consegue mostrar a importância do papel da Fiesp.

“Somando todos os projetos já apresentados até hoje, significaria uma economia de consumo de água equivalente ao abastecimento de uma cidade de 100 mil habitantes”, exemplificou, acrescentando que esse número pode ser aumentado e que essa é apenas uma parte do trabalho realizado pela indústria paulista na área ambiental.

O diretor-titular do DMA destacou ainda que, com os projetos de certificação, essas empresas conseguem se inserir no quadro internacional. “Isso facilita as vendas através de produtos onde as práticas ambientais são exigidas. A Fiesp tem essa ação intensa e os resultados são mostrados diariamente”, afirmou.

Cerca de 65% das indústrias paulistas já praticam o reúso da água, revela Eduardo San Martin

Talita Camargo, Agência indusnet Fiesp

“O desenvolvimento das nações está diretamente ligado a uma gestão eficaz da água”, declarou Eduardo San Martin, diretor dos Departamentos de Meio Ambiente (DMA) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), durante abertura do Seminário Internacional Sobre Reúso da Água, realizado nesta terça-feira (19/03), na sede das entidades.

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Seminário Internacional sobre Reúso de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Para San Martin não é possível  pensar em desenvolvimento e na erradicação da miséria, sem pensar na água, o bem natural mais essencial à vida. Ele destacou que, embora o Brasil concentre 12% da água doce do Planeta, essa grande quantidade de água não é distribuída de maneira uniforme no território.

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Eduardo San Martin, diretor-titular-adjunto do DMA Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O protagonismo do Brasil na questão energética também foi lembrado pelo diretor do DMA: “47% da produção de energia é de fontes renováveis, com destaque para hidroeletricidade, que ocupa quase 80%. Em outros países, a média é de apenas 7%”.

O desafio do saneamento

No que se refere ao abastecimento público, San Martin pontuou que são utilizados 26% das águas superficiais. “Isso mostra que avançamos na oferta de água de boa qualidade, mas apenas 47% dos municípios brasileiros têm rede de esgoto; e desses, menos de 18% efetuam algum tipo de tratamento”.

Segundo ele, embora o Estado de São Paulo apresente números mais favoráveis, na questão de saneamento básico ainda há necessidade de maiores investimentos.

Reúso da água, o exemplo da indústria

A produção industrial utiliza 17% das águas superficiais. No estado de São Paulo, 65% das indústrias já adotam a prática de reúso de água. Esse resultado, segundo o diretor do DMA, se deve ao grande trabalho de conscientização que a  Fiesp tem feito junto às indústrias.

Além dos esforços de ampliar a prática do reúso e reduzir o consumo de água, a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo têm um contínuo empenho em incentivar e valorizar as práticas de produção mais limpa. Um exemplo é o próprio Seminário Internacional sobre Reúso de Água que está sendo realizado. “Estamos realizando este evento como parte das comemorações do Dia Mundial da Água e, dessa forma, entendemos que seria importante conhecer um pouco daquilo que se faz fora do Brasil”, conclui San Martin.

No encerramento do Seminário acontecerá a entrega do8º Prêmio Fiesp/Ciesp de Conservação e Reúso de Água, iniciativa da Fiesp que tem como propósito o reconhecimento e incentivo das indústrias que voluntariamente adotam medidas sustentáveis. São aproximadamente 20 projetos inscritos que apontam saídas criativas para reduzir o consumo e o desperdício de água, envolvendo benefícios ambientais, sociais e econômicos.

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