Mato Grosso tem condição de produzir 100 mi t de grãos se mudar logística, diz coordenador da Aprosoja

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Edeon Vaz Ferreira, coordenador da Aprosoja. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Com estrutura para armazenar e escoar, a produção de soja e milho do Mato Grosso pode chegar a 100 milhões de toneladas, afirmou nesta terça-feira (07/05) o coordenador da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Edeon Vaz Ferreira.

Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos do estado na safra 2012/2013 deve ultrapassar os 40 milhões de toneladas.

“Podemos produzir 100 milhões de toneladas de grãos (soja e milho), mas para isso é necessário que se mude a infraestrutura de logística”, disse Ferreira.

Ele participou do painel “Mineração e Agronegócio: Superando Obstáculos para o Escoamento da Produção”, moderado por Helder Gosling, diretor da Divisão de Logística e Transportes do Deinfra, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Helder Gosling, diretor da Divisão de Logística e Transporte do Deinfra/Fiesp. Foto: Luis Benedito/FIESP

Ferreira afirmou que ao principal dificuldade para elevar a produção no Mato Grosso é o alto custo do frete.

Segundo ele, para transportar um carregamento de Sorriso (MT) para o porto de Santos (SP), por caminhão, o embarcador vai pagar um frete de 145 dólares por tonelada. Na Argentina, o frete de uma carga saindo de Córdoba para o porto de Rosário custa 36 dólares por tonelada. A diferença ainda é mais alarmante se comparado ao frete dos Estados Unidos, US$ 25 por tonelada de um carregamento transportado por hidrovia de Illinois até Nova Orleans.

Ferreira defendeu o uso de ferrovias na região para reduzir as distâncias rodoviárias e, consequentemente, o custo do frete.“Reduzir o custo do frete, é isso que a gente precisa. E para isso precisamos da Ferrovia Norte-Sul em operação, a Ferrovia de Integração Centro Oeste (Fico) e da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol)”, afirmou.

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Desempenho logístico do Brasil tem 67% de defasagem em relação à melhor infraestrutura do mundo, mostra estudo da Fiesp

Alice Assunção e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

No que diz respeito à infraestrutura de transportes, o desempenho de regiões metropolitanas do Brasil apresenta defasagem de 67% em comparação com as regiões mais avançados do mundo, apurou o Índice Comparado de Desempenho da Infraestrutura de Transportes (IDT) elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em trabalho desenvolvido com a colaboração com professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Elaborado pela Fiesp nos últimos três anos, o IDT/Fiesp compara o desempenho de 18 indicadores de logística do Brasil em relação a líderes do setor no mundo.

O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (07/05) pelo diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da entidade.

Entre os 18 indicadores de logística avaliados estão disponibilidade de rodovias, número médio de pousos e decolagens, quilômetros de ferrovias e hidrovias, número de óbitos em rodovias, porcentagem de rodovias pavimentadas e outros segmentos.

“O Índice é um exame, um diagnóstico que mostra a gravidade dos problemas que temos em  logística e estrutura. Mas sou otimista que esses problemas podem ser curados”, disse Carlos Cavalcanti, durante o encerramento do 8º Encontro de Logística e Transportes, após apresentar os números do Índice.

“O IDT mostra que o Estado precisa se afastar da tarefa de ser engenheiro – estado não deve contratar obra. O Estado deve planejar e regular, e deixar por conta do empresariado buscar as melhores condições de mercado e gerir.”

Segundo Cavalcanti, o IDT/Fiesp mostra que “a insatisfação do brasileiro é justa” e que o Brasil precisa enfrentar os problemas apontados pelo estudo o quanto antes. “O desafio fundamental é entender qual a distancia que o Brasil se encontra das potências. Quantificar tal defasagem. O índice serve para isso”, afirmou.

Conheça o estudo na íntegra

Índice Comparado de Desempenho da Infraestrutura de Transporte (IDT/Fiesp)

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Brasil vai continuar sendo ‘rodoviário’ pelos próximos quinze anos, afirma professor da Esalq

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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José Vicente Caixeta, professor titular da Esalq. Foto: Luis Benedito/Fiesp

A reversão da matriz de transporte de cargas deve demorar ao menos 15 anos. E até lá o país será predominantemente rodoviário. A tese é de José Vicente Caixeta, professor titular da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

O docente citou alguns dos trajetos mais longos de commodities agrícolas feitos por caminhões. A soja, por exemplo, percorre 3.283 quilômetros para chegar de Campo Novo (RS) a Porto Velho (RO).  O milho viaja 2.037 quilômetros de Nova Mutum (MT) para Maraú (RS), enquanto o arroz sai de Bagé (RS) e percorre 3.595 quilômetros até Recife (PE), também de caminhão.

“Não podemos nos iludir que da noite para o dia vamos ter ferrovias, hidrovias ou qualquer outro modal. Vamos continuar sendo um país ‘rodoviário’ pelos próximos quinze, vinte anos”, alertou Caixeta no painel “Mineração e agronegócio: superando obstáculos para o escoamento da produção”, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Temos de ter um plano muito bem estruturado para usar rodovias nos próximos 15, 20 anos, e ao mesmo tempo fazer as coisas acontecer nos outros modais”, explicou.

Caixeta também engrossou o coro de que não há um planejamento integrado no Brasil para logística e os transportes.

“Não há uma ação orquestrada para o país. Nós percebemos uma série de esforços importantes, mas liderados principalmente por embarcadores que querem resolver seu problema, como o caso da mineração, que em função de ter um pequeno numero de agentes envolvidos na produção daquele tipo de carga deu-se uma solução muito interessante”, disse.

Capacidade de armazenagem

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil conta com uma capacidade estática instalada para 143 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira de grãos deve chegar a 184 milhões de toneladas, 460 mil toneladas a mais que o previsto pela companhia anteriormente.

O Brasil está despreparado logisticamente tanto para escoar quanto para armazenar sua produção de grãos, uma vez que a localização dos depósitos nem sempre é adequada, segundo o professor Caixeta.

“Do final de janeiro até início de maior existe essa concentração muito forte de colheita no país e todo mundo quer movimentar seu produto, se a demanda pelo transporte aumenta, naturalmente o valor do frete também vai ser elevado”, explica Caixeta. “Então, se tivéssemos uma rede armazenagem bem localizada, isso amenizaria o problema no curto prazo”, completou.

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Especialista da USP defende explorar potencial de portos já existentes em vez de construir outros novos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Rui Botter. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Os portos Vila do Conde (PE) e Baía de São Marcos (CE) ainda são áreas potenciais para expansão, afirmou o professor Rui Botter, coordenador do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Clip) da Universidade de São Paulo (USP).

A favor de esgotar os recursos portuários existentes antes de construir novos terminais, Botter também citou os portos de Rio Grande (RS), Sepetiba (RJ), Santos (SP) e Aratu (BA) como áreas potenciais.

“É de fundamental importância que a gente tente esgotar os recursos portuários já existentes, de modo que a gente continue impactando o que já está impactado. Porque construir em novas áreas envolve impacto ambiental e socioeconômico”, afirmou Botter nesta terça-feira (07/05) no hotel Unique, em São Paulo.

Ele participou de painel “Mineração e Agronegócio: superando obstáculos para o escoamento da produção”, durante o 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Botter também destacou a adoção de portos sustentáveis, com redução de emissões, ruídos, tráfego e investimento em novas fontes de energia para abastecimento de embarcações.

“É possível, talvez, que a questão de integração porto-cidade seja minimizada com uma nova visão portuária, de portos mais sustentáveis”, afirmou.

Logística falida

O professor da USP fez um alerta sobre a falta de planejamento nacional de logística com um capítulo dedicado especialmente a setor portuário. “Ou se faz um plano de Estado ou vamos a uma falência logística”.

Botter reiterou que a MP 595/2012, a MP dos Portos, é um “instrumento de marco regulatório, não de planejamento”.

Prioridade para grãos

O Brasil precisa de mais terminais e na produção de grãos se concentra a maior necessidade, segundo o coordenador do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Clip) da Universidade de São Paulo.

Empresas de mineração como Vale, CSN e EBX conduzem encorpados projetos para armazenagem e transporte de minério. No Maranhão, a Vale opera o Pier 4 e conduz estudos de expansão em seus sistemas Sul e Sudeste e explora possibilidades de novo terminal no Pará.

Em contrapartida, após 15 anos de maturação do projeto, a construção do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto do Itaqui, foi iniciada em2012, com previsão de conclusão para 2019. O aumento de demanda, explicou, é originado pelo escoamento da produção de grãos.

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Ministério do Planejamento prevê US$ 130 bilhões para projetos de integração na América Latina

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp  

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João Carlos Parkinson, do Ministério das Relações Exteriores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“É expressiva a brecha entre a infraestrutura existente e a desejada”, admitiu o diplomata do Ministério das Relações Exteriores (MRE), João Carlos Parkinson, na tarde desta segunda-feira (06/05) durante o 8º Encontro de Logística e Transportes, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ao abrir o painel “Projetos de integração de infraestrutura na América do Sul”, Parkinson chamou a atenção para o fato de o Brasil investir apenas 2,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, quando “o ideal seria 4%”.  Se o país quiser, contudo, ocupar a posição de líder no setor, disse ele, o mesmo índice deve chegar a 7%.

Os valores empregados no transporte de mercadorias no Brasil encarecem os produtos nacionais, que perdem espaço frente à concorrência. Dados do BID mostram que, na América Latina e Caribe, a redução em 10% dos custos logísticos, aumenta em 10% as exportações e em 9% as importações.

“A questão da logística se torna não só prioritária, mas tende a se acentuar em um futuro quase imediato, pois a importância da competitividade decorre não necessariamente de acessos por via de redução tarifária, por exemplo, mas sobretudo por uma logística competitiva” , explicou Parkinson.

Os Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento (EIDs) foram criados justamente para melhorar a integração, competitividade e desenvolvimento socioeconômico dos países sul-americanos.  São zonas multinacionais que concentram fluxos de comércio atuais e potenciais, nas quais se busca estabelecer um padrão mínimo comum de qualidade de serviços e infraestrutura de transporte, energia e comunicações.

Segundo dados do Ministério de Planejamento, estão previstos 544 projetos para os EIDs, com investimentos estimados em US$ 130 bilhões.

Desafios

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André Arantes, gerente de projetos do Ministério de Planejamento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A integração dos países da América do Sul resultará na total relação física de 400 milhões de pessoas que vivem nesse continente.

Mas o plano não é tão simples. Obstáculos de caráter normativo e institucionais podem impedir o desenvolvimento da infraestrutura básica da região, sendo necessárias ações coordenadas entre os países para remover possíveis travas ao desenvolvimento e promover o uso eficiente da infraestrutura para a integração.

Para o gerente de projetos do Ministério de Planejamento, André Arantes, há muitas barreiras não comerciais que prejudicam o processo de integração como a circulação por passagens de fronteira e a maior abertura na navegação marítima e no transporte aéreo, entre outros.

“Essas são grandes dificuldades. E é preciso muita negociação, muitas mesas laterais, para que essas etapas sejam vencidas”, explicou Arantes. “É preciso uma simplificação dos processos regulatórios”, resumiu.

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Pedro Pinilla. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O painel “Projetos de Integração de Infraestrutura na América do Sul” contou ainda com a participação do chefe de operações do Fundo de Desenvolvimento para a Bacia do Prata (Fonplata), Pedro Pinilla, e da diretora titular adjunta da Fiesp, Maria Celina Rodrigues.

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Especialistas discutem alternativas para um ambiente portuário mais competitivo no Brasil

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“É impossível que o porto de Santos, o maior da América Latina, tenha sua estrutura dependente da questão rodoviária. É preciso modificar a matriz de transportes no Brasil”, afirmou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Pedro Brito Nascimento, durante o painel “Em busca de um ambiente competitivo para o setor portuário”, parte da programação desta segunda-feira (06/05) do 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Pedro Brito Nascimento, diretor-geral da Antaq. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“O Brasil depende 62% do modal rodoviário e apenas 13% do modal hidroviário. O país tem que fazer melhorias na sua estrutura logística para garantir eficiência no setor portuário”, completou o diretor da Antaq.

Segundo Nascimento, o mapa portuário brasileiro é composto, atualmente, por 34 portos públicos, 129 terminais privados e 58 portos fluviais ou lacustres. “O modelo brasileiro difere um pouco do resto do mundo porque aqui conciliamos o porto público com o privado, o que não acontece em outros países da Europa e nem nos Estados Unidos, onde todos os portos são públicos”.

O diretor da Antaq fez um comparativo entre os portos brasileiros e alguns dos principais terminais do mundo e, na sequência, explicou que o investimento no setor de logística, especialmente no setor portuário, precisa andar sempre na frente do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), para que a infraestrutura logística não seja um empecilho no crescimento do país. “Portos modernizados promovem abertura econômica”, assinalou Brito Nascimento ao informar que, nos últimos 20 anos, o comércio exterior brasileiro cresceu 5,5% por ano, enquanto o PIB cresceu 3% por ano.

“Se não houver investimentos, a logística poderá ser um freio para o desenvolvimento do país”, ressaltou Brito Nascimento ao comparar o comportamento da economia brasileira frente aos países mais competitivos nas exportações e importações.

De acordo com o diretor da Antaq, a corrente de comércio brasileira em 1994 era de 80 bilhões de dólares, uma participação, segundo ele, inexpressiva na corrente de comercio global. Em 2011, essa corrente de comércio cresceu para 500 bilhões de dólares. “Entretanto, a nossa participação passou de 0,9% para 1,20%. Continuamos muito pequenos em comparação com o resto do mundo quando se trata de comércio global”, alertou.

O executivo da Antaq disse ainda que é impossível uma economia crescer sem investir na infraestrutura, principalmente na estruturação da cadeia logística.

Ao lembrar que a produção do centro-oeste brasileiro tem que viajar mais de dois mil quilômetros de estradas para chegar aos portos, Nascimento disse haver alternativas com caminhos mais baratos e menos poluentes por meio de hidrovias e ferrovias.

Comparativo

O diretor comparou o Brasil com outros grandes portos mundiais. “A China não tinha infraestrutura portuária há 20 anos. Hoje, dos 20 maiores portos do mundo, 13 são chineses. Isso prova que a China só cresceu na taxa de 12% porque seu planejamento público estratégico focou na logística, principalmente nos portos”, afirmou.

De acordo com o diretor, o porto de Roterdã, o mais eficiente da Europa, teve investimento de mais de 1 bilhão de dólares e tem produtividade de 55.300 toneladas/hora. Já o porto de Santos investiu 35 milhões de dólares e tem uma produtividade de 11.246 toneladas/hora. “Essa é a grande diferença entre um porto eficiente e moderno, e um porto que acumula filas. O porto de Santos precisa investir para poder modernizar sua infraestrutura”, afirmou.

Brito Nascimento alertou que os investimentos precisam acontecer por razões práticas como o rápido crescimento do tamanho dos navios. “Atualmente, já existem navios de 15 mil teus, que ainda não chegam ao Brasil porque nossos portos não estão preparados e porque o volume de carga não justifica”, explicou.

“Cada vez mais precisamos investir para tornar nossos portos eficientes. O caminho do crescimento é o caminho da logística”, concluiu.

Ponto de vista normativo

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Luis Felipe Valerim Pinheiro, subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil, Luis Felipe Valerim Pinheiro, fez um diagnóstico da situação jurídico-legal do setor, sob uma perspectiva histórica, além de pontuar os aspectos importantes do setor portuário e destacar as respostas e propostas do novo modelo.

“É necessária a adequação do regime portuário à abertura econômica”, afirmou.

Pinheiro enfatizou que o investimento privado tem papel importante nesse cenário e destacou os principais pleitos que estão em discussão da MP 595, a MP dos Portos, como especificação em lei de regras da chamada e processo seletivo público; possibilidade de expansão na área de arrendamentos; prorrogação de contratos de arrendamentos vigentes; e entre outros.

A visão dos usuários

O diretor-executivo da Associação de Usuários de Portos da Bahia (Usoport), Paulo Villa, abordou a visão dos usuários. “A busca de um ambiente competitivo no setor portuário, vem desde os anos 80, mas ainda não encontramos esse ambiente competitivo”, afirmou.

Segundo Villa, a MP 595 tem três pilares importantíssimos: licitações de arrendamentos dos portos públicos; autorizações de terminais privados, movimentando cargas de terceiros; e critérios para as licitações e movimentação com menor tarifa. “Quem se apresenta contra a MP 595 deseja impedir a concorrência de terminais de containers. A única lógica de não aceitar essa MP é dificultar sua execução”.

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Paulo Villa. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ao final, Villa questionou: “de que lado vocês estão?”

Ao concluir, fez um pedido dirigido à presidente Dilma: “não desista e mantenha a MP 595 como ela está”.

Para o gerente do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Roberto Moussallem, fica claro que é muito importante nesse processo o fortalecimento da atividade de planejamento. “A Fiesp está apoiando este novo modelo porque acredita que ele trará melhorias”, afirmou.

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Trecho Rio-São Paulo é o mais adequado no mundo para implantar trem de alta velocidade, afirma presidente da ADTrem

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Foto: Luiz Benedito/Fiesp

A densidade populacional das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro faz do trecho um dos mais adequados para a construção de um trem de alta velocidade ligando os dois polos, segundo o presidente da ADTrem, Guilherme Quintella, em sua participação no 8º Encontro de Logística e Transportes, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Grandes trechos como Tóquio, com nove milhões de pessoas, e Osaka, com três milhões, foram ligados através de um trem de alta velocidade, em uma viagem com duração de 45 minutos. Com um trem de alta velocidade, o trecho entre o Rio de Janeiro, com 11 milhões de pessoas, e São Paulo, com 19 milhões, seria percorrido em 99 minutos. É o trecho mais apropriado, em todo o planeta, para a criação de um trem de alta velocidade”, afirmou Quintella nesta segunda-feira (06/05) no painel “Infraestrutura de Transporte Brasileira – Trens de Alta Velocidade e Trens Regionais”.

Para o presidente da ADTrem, o modal é o meio de transporte que mais beneficia a sociedade. “Sendo que as ferrovias possuem o melhor nível de eficiência energética”, garantiu.

“Para termos um projeto grande de ferrovias temos que ter a união entre os órgãos reguladores e dos poderes concedentes. O automóvel não pode ser considerado o único meio de transporte ligando as cidades de São Paulo. É hora de uma visão sistêmica e integrada para um novo ciclo de prosperidade, fortalecendo o crescimento econômico”, disse o executivo.

Investimentos do governo do Estado

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Secretário Jurandir Fernandes. Foto: Luiz Benedito/Fiesp

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, fez uma exposição sobre o atual estágio dos projetos e obras de transporte no estado de São Paulo. “Temos muitos desafios no setor de mobilidade de passageiros no estado. A região metropolitana de São Paulo está situada em uma área que representa apenas 0,5% do território nacional. Porém, temos trinta milhões de habitantes concentrados no local”, disse.

Jurandir Fernandes deu um panorama sobre a atual situação dos investimentos no setor. “Entre 2012 e 2015, 45 bilhões de reais serão investidos em obras no estado. Sendo que 23 bilhões já estão com contratos assinados”, informou.

Além disso, Fernandes mostrou como está o andamento das obras nas linhas de metrô e nos trens da Grande São Paulo. “Atualmente temos quatro grandes obras acontecendo. Uma das obras na Linha Amarela. Outra é o monotrilho que liga Congonhas até à Marginal Pinheiros. A linha Lilás, com 24 frentes de trabalho, está a pleno vapor e, por fim, a quarta obra é o monotrilho que vai até a Cidade Tiradentes. Até meados de 2014, teremos certamente sete grandes obras de mobilidade urbana acontecendo”, acrescentou o secretário.

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Vicente Abate. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Sobre os trens regionais, o secretário afirmou que importantes linhas de trens estão sendo estudadas. Uma delas ligaria a capital à a cidade de Jundiaí, saindo da Estação da Barra Funda, com custo estimado de três bilhões de reais. “Com o trem em funcionamento, um usuário demoraria apenas 25 minutos para realizar o trajeto”, afirmou o secretário. “Além desta, estão em andamento a Linha São Paulo-Santos, saindo da Estação São Carlos.”

O painel foi presidido por Vicente Abate, diretor da Fiesp e presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).

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Modelo de leilão por menor tarifa é o mais adequado para a competitividade, diz gerente do BID

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Alexandre Rosa, endossou nesta segunda-feira (06/05) a posição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pelo modelo de leilão por menor tarifa.

Segundo Rosa, o regime favorece a competitividade do país.

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Alexandre Rosa, gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no 8o. Encontro de Logística e Transportes da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Acreditamos, assim como a Fiesp, que o modelo de leilão pelo menor preço é a melhor alternativa”, disse o gerente do BID ao participar do painel “O Novo Arranjo Institucional e os Investimentos em Infraestrutura”, que abriu o 8º Encontro de Logística e Transportes da entidade.

No critério de menor tarifa, o Estado renuncia o pagamento de outorga.

Mais cedo, em discurso de abertura do encontro, o diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra), Carlos Cavalcanti, havia afirmado que o leilão de concessões por menor tarifa garante uma competição entre empresas sem o custo de “sustentar mais uma receita aos cofres públicos” e um preço menor ao consumidor final.

“A Fiesp defende esta política. A prestação de serviços públicos, na área de infraestrutura, não pode servir para o Estado arrecadar mais. É para o consumidor pagar menos”, afirmou Cavalcanti.

O gerente do BID, Alexandre Rosa, acredita ser “adequado para a competitividade do país” transferir ao usuário final o ganho da competição no leilão.

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Trem de Alta Velocidade é melhor solução para transporte no eixo Rio-SP, afirma Bernardo Figueiredo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com investimento previsto em R$7,7 bilhões, o projeto Trem de Alta de Velocidade Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas é a melhor solução para superar problemas de logística de transportes na ligação entre os centros, afirmou nesta segunda-feira (06/05) o presidente da Empresa de Planejamento Logístico (EPL), Bernardo Figueiredo.

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Bernardo Figueiredo, presidente da EPL, durante a abertura do 8º Encontro de Logística e Transportes. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ele participou do painel “O Novo Arranjo Institucional e os Investimentos em Infraestrutura”, que abriu o 8º Encontro de Logística e Transportes, evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no hotel Unique, na capital paulista, onde apresentou projetos de investimento e estratégia para o setor de infraestrutura no Brasil.

Entre os planos apresentados, Figueiredo destacou o TAV Rio de Janeiro-Campinas, como importante projeto para elevar o patamar de competitividade do país.  O projeto conta com 45% de participação da EPL.

“Talvez esse seja o projeto que tenha o estudo técnico mais profundo de sua necessidade. Eu não conheço uma pessoa que tenha uma solução melhor”, afirmou Figueiredo.

Segundo presidente da EPL, o início da operação comercial do trecho Rio de Janeiro-Campinas, passando por São Paulo, está previsto para julho de 2020. O cronograma de implantação prevê o leilão da primeira etapa de licitação em setembro deste ano, com assinatura do contrato em fevereiro de 2014.

“Nós temos de fazer ferrovia e não vamos fazer uma ferrovia do século 19 ou 20. Temos que fazer uma ferrovia do século 21. A ferrovia se tornou competitiva porque ganhou velocidade”, afirmou.

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‘Fiesp não medirá esforços para fazer prevalecer o interesse da sociedade’, afirma diretor da Fiesp sobre MP dos Portos

Talita Camargo Agência Indusnet Fiesp

A redução das tarifas de energia implementada no início deste ano, resultado de uma campanha de mais de dois anos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é um exemplo para a luta pela aprovação da Medida Provisória 595, a MP dos Portos, e da melhoria da logística brasileira, de acordo com diretor titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Carlos Cavalcanti.

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Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra da Fiesp, durante a abertura do 8º Encontro de Logística e Transportes. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Assim como o Brasil venceu o lobby do setor elétrico e reduziu 20% da conta de luz, a Fiesp  não medirá esforços para prevalecer o interesse da sociedade”, disse Cavalcanti em discurso durante a abertura do 8º Encontro de Logística e Transportes, evento realizado pela Fiesp.

Cavalcanti cumprimentou a presidente da República, Dilma Rousseff, pela edição da MP, e criticou o lobby pelo prolongamento do período de concessões dos portos por dez ou 25 anos, o que, segundo ele, tornaria inócua a MP.

>> Leia o discurso na íntegra

Um dos aspectos mais importantes da MP, de acordo com Cavalcanti, é que a medida acaba com a distinção entre carga própria e carga de terceiros e prevê “um amplo choque de oferta de serviços portuários, promovendo concorrência entre armazéns e terminais, que é exatamente o que o Brasil precisa”.

O diretor da Fiesp ressaltou que, no último ano, o noticiário passou a refletir o desconforto dos cidadãos brasileiros com o atraso da infraestrutura e lembrou as lutas da Fiesp pelas melhorias no setor de infraestrutura como um todo.

“Na Fiesp, temos um Departamento de Infraestrutura. O enfrentamento de todos os temas, por um único conjunto de diretores, permite-nos uma visão 360 graus sobre modelagem regulatória, planejamento, financiamento, investimento e gestão, que identificam problemas e soluções, para todos os subsetores da infraestrutura”, explicou.

Cavalcanti elogiou o planejamento do Estado brasileiro na área de energia, por meio da Empresa de Planejamento Estratégico (EPE), como exemplo de sucesso para a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Falou ainda sobre a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), pedágios, rodovias, ferrovias, aeroporto.

“Esses novos investimentos são urgentes. O Brasil maltratou até agora sua infraestrutura de transporte.  É preciso correr atrás do atraso. A infraestrutura de transporte adequada é aquela capaz de igualar as condições de competição de um país com seus concorrentes. O Brasil precisa adotar as melhores práticas internacionais de desempenho.”

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Planejamento, investimentos e boa gestão formam receita para resolver problema de logística do país, aponta diretor da Fiesp

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Fluxo atual da soja no país é erro logístico, segundo Carlos Cavalcanti. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em longo prazo, a participação do setor privado e a gestão eficiente devem colocar ponto final em gargalos logísticos do país, de acordo com Carlos Cavalcanti, diretor titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“A Fiesp afirmou [em anos anteriores] que tinha um monte de coisas para serem feitas. E o governo fez. Temos que elogiar”, assinala Cavalcanti em entrevista ao site da Fiesp às vésperas do 8º Encontro de Logística e Transportes, evento da entidade programado para os dias 6 e 7 de maio no hotel Unique, em São Paulo.

A agenda do setor deve ser conduzida com um pouco mais de otimismo depois de uma série de medidas que atenderam a reivindicações da Fiesp, entre elas a criação de um organismo para planejar e integrar a logística brasileira (a Empresa de Planejamento Logístico, sob liderança de Bernardo Figueiredo) e o pacote de concessões do governo federal para reformar e construir rodovias federais e ferrovias (o Programa de Investimentos em Logística, que prevê aporte de R$ 133 bilhões.

Segundo Cavalcanti, o novo modelo de logística e transportes, que aos poucos se configura, deve corrigir erros como os longos e ilógicos trajetos que uma carga precisa percorrer para ser exportada.

“A soja que sai da região centro-oeste do Brasil é exportada pelo Paraná. Ela sai do norte do Mato Grosso, mas é exportada pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP). Isso é um erro logístico”, exemplifica o diretor da Fiesp.

Projetada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para chegar a 183,5 bilhões de toneladas na safra 2012/2013 – volume 10,5% maior que a temporada anterior –, a soja é item fundamental da pauta de exportação brasileira e um dos principais desafios para o setor logístico.

“Com a EPL [Empresa de Planejamento e Logística], esperamos que sejam feitos bons planejamentos. Se ela condicionar leilões de expansão da oferta, os investimentos forem feitos e os ativos construídos, bem geridos, isso resolverá os problemas do setor”, conclui Cavalcanti.