Setor portuário carece de investimentos privados, afirma diretor da Antaq

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Fernando Fonseca: ' MP 595 visa destravar os investimentos no sistema portuário.' Foto: Everton Amaro/Fiesp

O setor portuário sofre com a falta de investimentos portuários. A opinião é de Fernando Fonseca, diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Fonseca participou do 8º Encontro de Logística e Transporte da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o painel  “Oportunidades de Investimento no Brasil”, o diretor da Antaq abordou as principais oportunidades de investimentos nos portos do país.

“Com o novo marco regulatório, que deve virar lei em breve, o setor portuário é ainda mais atraente ao capital privado, mas ainda carecemos de investimentos. Os portos movimentaram 904 milhões de toneladas em 2012. Há muitas oportunidades de investimentos”, acrescentou.

 

Marcelo Bruto: '2013 é o ano de licitações de obras públicas.' Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Fonseca, com a Medida Provisória 595, a MP dos Portos, o objetivo é eliminar as preocupações do setor privado. “Há muitos benefícios para o setor privado. A MP 595 visa destravar os investimentos no sistema portuário. Até o fim deste ano serão feitas 160 licitações no setor”, garantiu.

Marcelo Bruto, diretor de Logística da Secretaria do Programa de Aceleração do Crescimento do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, também esteve presente ao encontro e falou sobre os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em logística.

“O PAC se propôs a ser um conjunto de medidas de estímulos ao crescimento privado, com mudanças tributárias e de financiamento. E a melhorar as condições institucionais e dos processos de licitação para o investimento público e das etapas de implantação de uma obra”, disse.

Fernando Ferreira. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Na área de logística, temos 100 bilhões de investimentos até 2014, com bastante foco em rodovias, com 50% desse valor”, disse. “Se 2012 foi o ano da manutenção rodoviária, 2013 é o ano de licitações de obras públicas, de duplicações de rodovias, principalmente”.

“Temos obras rodoviárias acontecendo em diversos pontos do país”, encerrou Bruto.

O encontro foi presidido por Fernando Xavier Ferreira, vice-presidente do Conselho Superior de Infraestrutura da Fiesp.

 

Observatórios logísticos demandam planejamento integrados de setores público, acadêmico e privado

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Orlando Fontes Lima Júnior. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Brasil e diversos países da América do Sul não contam com informações precisas e sistemáticas sobre o setor de transportes, fator que dificulta a análise de problemas e a formulação de políticas públicas adequadas.

Para melhorar este diálogo, o 8º Encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), programou o painel “Observatórios Logísticos”, instrumento para gerar informações e estatísticas de qualidade que facilitem o planejamento estratégico do setor.

Representando o Centro de Logística Urbana do Brasil (Club), o professor doutor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Orlando Fontes Lima Júnior, disse que os problemas de logística são grandes em ambientes desorganizados como no Brasil.

 

Segundo ele, existem projetos em desenvolvimento que avaliam o estágio da logística urbana brasileira em itens como tempo, composição e evolução da frota. O resultado é o prejuízo gradual no setor. Segundo Lima Júnior, é fundamental analisar os impactos dos congestionamentos nos custos logísticos e potencializar o planejamento e ações de políticas públicas e privadas.

Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico

Manuel Poppe Correia Barros. Foto: Everton Amaro/Fiesp

De acordo com Manuel Poppe Correia de Barros, coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), é preciso que a criação de uma empresa de logística use competências do século XXI.

Uma delas é a necessidade de gerar indicadores de desempenho da infraestrutura do setor de transportes, visando realizar estudos e planos de investimentos para expandir a cadeia logística de forma integrada, incluindo rodovias, ferrovias, postos e aeroportos. “É importante termos informações planejadas e integradas”.

Roubos de veículos e mercadoria, acidentes na estrada, perdas médias dos grãos produzidos no país, idade média da frota de caminhões autônomos e de empresas, são muitos dos prejuízos discutidos na sua análise.  “Precisamos mudar esta realidade. Não temos informações do tempo médio do caminhão parado nas nossas rodovias. Para isso é importante mais infraestrutura de conectividade e base de dados atualizados.”

“O Convênio ICMS, criado este ano, dispõe sobre a criação do sistema nacional de identificação, rastreamento e autenticação de mercadorias ou Brasil-ID e institui um conjunto de instrumentos”.

Para Poppe, ao trabalhar em cima de um padrão único, é possível massificar a tecnologia, tornando-a mais barata e acessível. Exemplo disso são os produtos com tags, que têm todas as informações e facilitam a identificação – mesmo quando  roubado. “Temos muitas vantagens quando usamos este sistema, pois conseguimos planejar e melhorar a nossa inteligência logística de rodovias e ferrovias nacionais.”

BID

Pablo Guerrero. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A proposta do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID) é que a logística seja inteligente por naturalidade, diz Pablo Guerrero, especialista em transportes. “Os observatórios têm a função de acompanhar dados gerados pelos outros. E para isso, a cooperação é fundamental para o andamento dos mesmos”.

Guerrero disse acreditar ser preciso haver uma integração do diálogo entre o poder público, as instituições privadas e os pesquisadores.  “Sair do papel é nosso grande desafio. Os países investiram e agora é necessário ter observação da logística. O diálogo constrói o valor a partir da informação. Se vocês querem fazer geradores, identifique observatórios nacionais.”

O BID investe no diagnóstico, diálogo e execução. “Somos o principal fomentador de entendimento de logística no Brasil. Se pensarmos a questão urbana daqui uns 10 anos, a situação será impossível. É preciso fazer uma atuação inteligente entre todos. Se as prioridades das empresas não estão de acordo com as prioridades do País, não tem diálogo.”

 

Palestrantes apresentam caminhos para sucesso das PPP’s

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Formas eficientes de implantar projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) no país foram apresentadas no painel “PPP’s em projetos de infraestrutura”, realizado na manhã desta terça-feira (07/05) como parte da programação do 8º Encontro de Logística e Transporte da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Luis Fortuño, ex-governador de Porto Rico. Foto: Everton Amaro/FIESP

Ex-governador de Porto Rico e, atualmente, sócio da consultoria Steptoe & Johnson, em Washington (EUA), Luis Fortuño deu um panorama das PPP’s no mundo.

“Reino Unido, Austrália e Canadá são exemplos de programas bem desenvolvidos de PPP’s, com uma legislação atual e adequada”, disse Fortuño.

Além da questão legal, ele citou pontos importantes para o sucesso das parcerias como transparência do processo, garantia do retorno ao investidor e evidenciar  benefícios para o público.

Para Fortuño, trabalhar com o setor privado é o caminho mais sensato para garantir a competitividade de um país. “A China anunciou que vai investir US$ 3 trilhões em infraestrutura nos próximos cinco anos. E a Índia afirmou que vai fazer o mesmo investimento. Isso mostra que a infraestrutura é fundamental para mostrar quão competitivo é um país”, alertou.

“Mas sabemos que nenhum país tem esse dinheiro para investir. Só há uma forma de fazer isso: parceria privada. Há muito dinheiro no mundo procurando por oportunidades e os países e estados que oferecerem essas oportunidades vão se manter competitivos.”

Acesse as apresentações do 8º Encontro de Logística e Transporte

Rosane Menezes Lohbauer, da MHM Advogados. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Rosane Menezes Lohbauer, da MHM Advogados, apresentou um breve histórico das PPP’s no Brasil, desde a lei 8666, de 1993, até a atual 11079/04. Segundo ela, a legislação acerca dessas parcerias evoluiu, com ganhos de eficiência, mecanismos de gestão contratual e maior atratividade à iniciativa privada.

Nos projetos de logística e transporte, Lohbauer acredita que há espaço para as parcerias. “É possível desenvolver PPP’s no setor rodoviário, já que tem rodovia saindo por concessão comum. Pode ser feito um contrato maior, incluindo a manutenção da malha rodoviária, por meio de uma concessão administrativa. Também tem a possibilidade de ferrovias, apesar de no primeiro modelo o governo federal ter optado pela concessão comum. E há o metrô, BLTs, VLTs, que estão começando a sair com PPP’s. Hidrovias ainda não existem, mas é modal interessante para viabilizar por meio dessa parceria.”

Alberto Zoffmann, do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Apresentando o ponto de vista do parceiro financeiro, Alberto Zoffmann, do Itaú BBA, explicou por que acredita nos projetos de PPP’s. “Além de conhecer a eficiência do setor privado como prestador de serviço para a população, acreditamos que o setor privado pode assumir riscos de forma mais eficiente em alguns casos e a contratação de PPP’s oferece mais flexibilidade com relação às outras opções.”

Nos últimos cinco anos, o Itaú participou de obras públicas como a Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo (SP), o projeto Bairro Novo (DF) e o Complexo Prisional de Minas Gerais.

Coordenador do portal PPP Brasil, Bruno Pereira falou sobre a sua visão do papel da indústria nessa questão. “A indústria pode participar não só no mapeamento de externalidades negativas decorrentes dos gargalos logísticos, que já é feito hoje, mas também se engajee em Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (MIP) e Procedimento de Manifestação de Interesse (PMIs).

Segundo ele, há um espaço grande para que os órgão setoriais da indústria tenham uma postura mais ativa. “Outra provocação é que coloquem recurso em um veículo com objetivo de estruturar projetos de PPP para o setor, que seria como uma EBP [Estruturadora Brasileira de Projetos] da indústria.”

 

Agilidade no licenciamento ambiental é fundamental na execução de obras para Copa e Olimpíadas

Solange Solón Borges, Agência Indusnet Fiesp

Uma das ferramentas para a execução de investimentos é o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), aplicável a licitações e contratos de obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Esse foi um dos temas tratados no painel “RDC e licenciamento ambiental: a racionalidade nos processos licitatórios”, realizado nesta terça-feira (07 /05), no 8º Encontro de Logística e Transportes, realizado no hotel Unique pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Décio Michellis, coordenador do núcleo de Meio Ambiente da EPL. Foto: Luis Benedito/Fiesp

A execução simultânea de vários estudos ambientais para rodovias e ferrovias federais é um desafio para os editais que estão em fase de lançamento. A opinião de Décio Michellis, coordenador do núcleo de Meio Ambiente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), veio acompanhada do questionamento se é necessária uma revisão ampla de contratações de licitações.

Outras inquietações são relacionadas à classificação de propostas técnicas, à qualificação de licitantes sem limitar a competitividade e a uma revisão ampla da metodologia de contratação. “A legislação precisa ser atualizada”, assinalou Michellis.

Visão do Ibama

Para outra participante do painel, a diretora de licenciamento ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos (Ibama), Gisela Forattini, a celeridade no licenciamento ambiental se dá com a apresentação de bons estudos. Ela informou que 10 estudos técnicos foram devolvidos em 2011 e cinco no ano de 2012. A média atual é de 3,2 licenças ambientais/dia.

Gisela Forattini, diretora de licenciamento ambiental do Ibama. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Forattini apontou que a implementação do Sistema Integrado de Gestão Ambiental foi uma conquista, além da Lei Complementar 140/2011 que estabelece as competências federal, estaduais e municipais em matéria de licenciamento ambiental, dirimindo dúvidas.

A diretora do Instituto apresentou a carteira ativa de empreendimentos que agrega 1.772 projetos, do quais 17% são vinculados a rodovias e 12%, a vias de transmissão. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) representa apenas 17% do total.

Hoje, o Ibama tem 591 processos em licenciamento somente no âmbito dos transportes. Segundo Forattini, estão chegando mais 34 mil megawatts para serem licenciados e as linhas de transmissão, em 2012, somaram quase 15.000 km licenciados. As áreas de produção de petróleo e de gás passam necessariamente pelo Ibama e estão sendo licenciados agora 34% da produção de minério de ferro e 79% de cobre de todo o país. Em 2012, foram licenciados 50.000 km de rodovias e 35.000 de ferrovias.

Para ela, o Plano de Investimento de Logística (PIL) traz o desafio de duplicar 5.700 km de rodovias e a construção de 10.000 km de ferrovias. No balanço, oito hidrovias a serem regularizadas. Nos portos, os produtos brasileiros movimentam 940 milhões de toneladas/ano e foram licenciados 55% do total. Em relação ao RDC, há 44 empreendimentos sem licença prévia a serem contratados, sendo 31 de competência do Ibama e 13 dos órgãos estaduais de meio ambiente, que dependem de acordo de cooperação técnica. “A gestão ambiental é importante para essas obras e responsabilidade na condução desses estudos”, na opinião da diretora do Ibama.

Como reduzir a burocracia

O RDC cria oportunidades de competição dentro do processo licitatório com propostas abertas via leilão eletrônico ou viva voz, sistema já usado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Maurício Portugal, professor da-FGV-SP. Foto: Luis Benedito/Fiesp

“Se reduz a burocracia e abrem-se oportunidades”, conforme avaliou Maurício Portugal (sócio da Portugal Ribeiro e Navarro Prado Advogados e professor da Fundação Getúlio Vargas-FGV-SP).

Na avaliação do especialista, um dos problemas nos projetos de logística é o falso cumprimento e o não cumprimento dos contratos. E a sugestão seria o ente público aumentar a linha de corte, ainda que isto reduza a concorrência.

Para ele, os requisitos de habilitação técnica e os atestados exigidos dizem que a empresa está apta a prestar serviços semelhantes ao que está sendo contratado, mas nada diz a respeito da qualidade, ou seja, olha-se para um passado formal, e o problema surgirá no futuro.

 

Painel debate melhorias e alternativas para a malha rodoviária no Brasil

Agência Indusnet Fiesp

Dorival Pagani. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Novas concessões e a expansão da malha rodoviária, ” foi tema em discussão na manhã desta terça-feira (07/05), no 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Representando o presidente da Triunfo, Carlos Alberto Bottarelli, o executivo Dorival Pagani afirmou acreditar que a malha rodoviária é um dos maiores desafios do Brasil.

“O setor de logística brasileiro tem uma expectativa de crescimento acima do PIB [Produto Interno Bruto], com a previsão de dobrar a cada 10 anos. Um setor desses tem que ter investimento constante”, afirmou Pagani.

Para ele, os programas anunciados pelo governo federal são reflexos desse crescimento porque o modal rodoviário representa 60% do total brasileiro. “Qual é a rede disponível para atender esse modal?”, questionou ao explanar que dos 65 mil km de rodovias federais, apenas 5 mil Km têm pista dupla, o que representa menos e 10% do total. “Do total das rodovias da iniciativa privada, 15 mil km em pista dupla”, acrescentou.

Segundo Pagani, é preciso analisar as ferrovias e a cabotagem como vetores alternativos importantes. “A eficiência logística de um país está intrinsecamente ligada aos seus modais de transporte”, afirmou.

Na opinião de Pagani, o governo acerta em investir em qualidade. “Isso, na nossa opinião, é muito inteligente porque vai gerar uma redução de tempo e de custo para os usuários, aumentando a competitividade do país”, explicou.

Ao concluir, Pagani afirmou que 80% das rodovias administradas pelas concessões tem avaliação de ótimo para bom. Com as melhorias propostas pelo governo, a expectativa é de que essa avaliação se amplie a todas as rodovias, refletindo em segurança, conforto e velocidade para os usuários”, finalizou.

Pedágios

Ricardo Castanheira. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ricardo Castanheira, da CCR – concessionária responsável por 2.500 km de rodovias brasileiras – disse que o Brasil está perdendo parte relevante da riqueza que produz com a falta de logística e transporte.

Em sua opinião, há um esforço dos governos federal e estaduais para criar alternativas de modais. “Essas ações irão refletir no custo do frete e no tempo de transporte”, afirmou.
Segundo ele, a falta de um planejamento logístico inibe o desenvolvimento do país, aumenta o índice de acidentes nas estradas, amplia o tempo de transporte e sobe o custo de transporte de cargas e passageiros. “É importante que o governo cumpra o prazo com qualidade”, alertou.

Para o executivo da CCR, é importante repensar a questão do pedágio. “Como tornar o pedágio mais democraticamente cobrado?”, questionou ao afirmar que não há justiça na cobrança. “Vou usar o exemplo da Via Dutra [rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro), onde são realizadas 873 mil viagens por dia, mas apenas 76 mil dia pagam pedágio. Ou seja, 10% pagam pedágio e 90% do que utilizam, não pagam.

De acordo com os dados apresentados por Castanheira, de  1995 a 2012, o valor total arrecado nos pedágios sob concessão da CCR foi de R$ 88,9 bilhões, que se dividem em um terço para tributos, um terço para manutenção e um terço de curtos operacionais.
Castanheira enfatizou que a iniciativa privada está com vontade de ajudar e a construir. “Não estamos sentados esperando o governo entregar essas melhorias, nós somos parte da solução.”

E concluiu: “infraestrutura barata é aquela que funciona bem e permite que as empresas trabalhem com custos baixos, com segurança e conforto para os usuários. A iniciativa privada é parceira do governo, mas acima de tudo, é parceira do usuário.”

Marco regulatório

Erico Guzen. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Erico Guzen, representando a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), expôs os planos e premissas das concessões como escopo do projeto, financiamento, resultados e apontou os próximos passos.

O professor de Direito Econômico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Caio Mário da Silvia Pereira Neto, falou sobre os desafios regulatórios. “O plano do governo é um convite à inciativa privada a participar simultaneamente de diversos modais da infraestrutura”, afirmou.

Para ele, este momento é uma “janela de oportunidade para repensar   marco regulatório”, pois, atualmente, a “regulamentação é fragmentada, com diversos órgãos que cuidam dos mesmos modais. “O grande desafio é a integração das agências reguladoras e federativo.

 

8º Encontro de Logística: convidados discutem propostas para multimodalidade e cadeia de suprimentos

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Resende. Foto: Everton Amaro/Fiesp

É possível construir sistemas de multimodalidade no Brasil? Quando os empresários poderão contar com isso? Qual a melhor forma de criar essas conexões? Os problemas estruturais do transporte no país são conhecidos, mas durante o painel “Multimodalidade e cadeia de suprimentos”, os convidados do 8º Encontro de Logística e Transporte da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) abordaram na tarde desta segunda-feira, no hotel Unique, em São Paulo, novos pontos de vista sobre a questão.

“À medida que os anos passam, a matriz de transporte se consolida na integração das cadeias de suprimento, fazendo com que qualquer mudança seja extremamente difícil e de longo prazo”, explica Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral. “Nós vamos continuar dependendo de rodovias. A multimodalidade no Brasil vai crescer quando passarmos a ter a integração das rodovias com os outros modais.”

Nelson Fernandes. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Luiz Vieira, da Booz & Company, além de não haver projeto de interligação entre os modais, o Brasil sofre com a falta de plataformas que funcionem de acordo com as necessidades. “Só há uma forma de termos multimodalidade no país: ter pontos de conexão, como portos e aeroportos, extremamente eficientes”, afirmou Vieira.

Outro ponto de atenção são as mudanças de foco e as oportunidades que tem surgido no Brasil. “Temos uma novidade no cenário nacional com a privatização do aeroporto de Viracopos, que vai sair de 100 vôos diários para 1000. E o entorno? Cadê o investimento? De armazéns de transferência, paletização?”, alertou Nelson Fernandes, da Geodis.

“Também temos uma grande mudança de cadeia, que não inclui só o supply chain, o suprimento, mas também o supply value e o supply demand. E a logística no Nordeste, hoje, é uma ilha de consumo. O Centro-oeste, com a evolução do agronegócio, é outra ilha de consumo. É preciso mudar a logística para atender as três cadeias que se modificam e se ajustam diariamente.”

Reconhecendo os problemas do país,, da DHL Supply Chain, trouxe propostas possíveis para a questão da multimodalidade.

Douglas Tacla. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“A logística do futuro vai ter plataformas multimodais nas entradas da cidade. Teremos que trazer carga de contêiner de Santos para as plataformas logísticas em torno do ferroanel, ou usando o ferroanel e o rodoanel, e depois fazer distribuição urbana”, afirmou Tacla.

“Podemos ainda trabalhar a questão da sinergia, na criação do transporte colaborativo, pressionar o governo sobre a regulamentação, mostrar que a questão tributária é fundamental. Dessa forma, a gente começa a fazer algum progresso.”

 

 

Objetivo é ter apenas três minutos de intervalo entre trens em São Paulo, afirma presidente da CPTM

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“Nosso maior objetivo é fazer com que, em meados de 2015, o intervalo entre os trens em todas as linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) seja de apenas três minutos.

A afirmação é do diretor-presidente da CPTM, de Mário Bandeira, em sua exposição na tarde desta segunda-feira (06/05) durante o painel “Mobilidade Urbana – A expansão do Transporte Sobre Trilhos em Regiões Metropolitanas”. O painel fez parte do 8º Encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mario Bandeira. Foto: Luis Benedito/Fiesp

“Das seis linhas da CPTM, trabalhamos em duas com quatro minutos de intervalo. A meta é que todas elas operem em três minutos daqui a dois anos”, garantiu. O diretor falou também sobre os projetos de expansão e modernização em curso na CPTM.

“Hoje, os serviços da CPTM se estendem por 255 quilômetros, transportando dois milhões e 800 mil pessoas por dia”, disse Bandeira.

O principal desafio enfrentado, segundo ele, é o de adequar-se às constantes mudanças de demandas da população. Para isso, o investimento para este ano é de 1,1 bilhão de reais.

Bandeira afirmou que em um período de sete anos, entre os anos de 2007 e 2014, a demanda pelos serviços da CPTM irá dobrar. “Teremos, até 2015, 164 trens com oito carros, cada, para atender a toda essa demanda.”

Rio de Janeiro

Delmo Pinho. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Outro participante do painel, o subsecretário de transportes do governo do Estado do Rio de Janeiro, Delmo Pinho,  falou sobre a situação da malha metro-ferroviária da capital carioca.

Pinho disse que o governo corre contra o tempo devido aos grandes eventos que a cidade do receberá até o ano de 2016. “Temos uma grande agenda de eventos nos anos vindouros. Para isso precisamos de uma rede de transporte de qualidade.”

De acordo com o subsecretário, mais de 15 bilhões de reais serão investidos pelo governo fluminense até 2016, modernizando todo o sistema metro-ferroviário com a criação de uma anel de alta performance, que consiste em quatro linhas de BRTs (bus rapid transit) ligando bairros como Barra da Tijuca, a região do estádio do Maracanã, Deodoro e Ipanema.

“Além disso, em setembro de 2010, iniciamos a construção de uma linha de metrô de 13 quilômetros que liga Ipanema e Barra da Tijuca. Ela realizará 230 mil viagens por dia”, disse.

Carlos José da Cunha, presidente da Supervia ,  empresa que administra a malha ferroviária urbana de passageiros da região metropolitana do Rio de Janeiro, falou sobre os serviços prestados pela empresa.

“Um dos problemas que temos é que o sistema de sinalização ainda é manual e temos grande intervalo de trens, entre oito e 12 minutos nas estações”, contou.

Carlos José Cunha. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Entretanto, com o novo sistema em funcionamento, o tempo de espera dos passageiros será reduzido para algo entre quatro e seis minutos, segundo Cunha.

“Na estação Marechal Deodoro, o objetivo é atingir três minutos.”

Cunha também disse que cem quilômetros de trilho em todo o sistema já foram trocados. “Agora usamos dormentes de concreto.”

Segundo o presidente da Supervia, a grande mudança de gestão é direcionar as ações para os passageiros. “Criamos bicicletários e contratamos 160 jovens de comunidades.”

Cunha chamou a atenção para um grave problema que acontece na malha carioca. “Muitas pessoas invadem as áreas próximas aos trilhos. Para acabar com isso, somos obrigados a investir muito na construção de muros e de passarelas”, disse.

“Um dos pontos interessantes da nossa gestão são os altos investimentos imobiliários nas áreas próximas estações. Teremos um dos maiores shopping centers do Rio próximo da Central do Brasil”, afirmou.

O debate teve a coordenação do diretor da divisão de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, José Ricardo Marar.

 

Harmonização na regulação é o grande desafio dos projetos transnacionais

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

João Mendes Pereira. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Ao participar do 8º Encontro de Logística e Transporte da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro João Mendes Pereira, coordenador-geral de Assuntos Econômicos da América do Sul, Central e do Caribe, falou dos avanços obtidos com o União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na constituição de uma agenda para viabilização de todos os projetos.

Mendes Pereira destacou a importância do desenvolvimento logístico que está no cerne da integração regional. “Infraestrutura é uma peça-chave ao processo de consolidação da Unasul”, disse Mendes Pereira nesta segunda-feira (06/05) no painel “Regulação em Projetos Transnacionais”.

O ministro relembrou a necessidade de estabelecer uma “sintonia fina” entre governo e sociedade nessa questão e que o assunto é também de grande importância para as empresas. “Os gargalos existentes são oportunidades para iniciativa privada.”

Maria Celina Rodrigues. Foto: Luis Benedito/Fiesp

A embaixadora Maria Celina Rodrigues, que coordenou o painel, relembrou a importância dos acordos entre os países da região e a habilidade do governo nessas negociações, pois sem esses acordos não é possível avançar. Citando o exemplo da grande burocracia existente, inclusive com os múltiplos formulários que são exigidos nos aeroportos sul-americanos, ela afirmou ser fundamental a harmonização dos procedimentos de forma a facilitar os processos, inclusive para estimular o turismo na região.

O professor da Fundação Getúlio Vargas, Arthur Barrionuevo, discorreu sobre as inúmeras dificuldades existentes para o investimento de infraestrutura em projetos transnacionais.

Apesar de haver boa intenção em regular, explicou Barrionuevo, não se pode perder a necessidade de incentivo econômico para os novos investimentos. Ele destacou alguns fatores que, em sua visão, tornam complicado nos países sul-americanos, como a presença de setores muito monopolizados, intensivo em capital, riscos políticos (mudanças de regras) e econômicos.

Arthur Barrionuevo. Foto: Luis Benedito/Fiesp

“Há um grande risco de investimento em projetos que vão demorar 30 anos para se ter retorno. E investimento em infraestrutura é de alto risco e, por isso, é mais caro”, explicou.

Barrionuevo citou que para haver maior coordenação entre os países uma solução que vem sendo praticada com sucesso na União Europeia e Ásia são as agências internacionais.

A embaixadora Maria Celina Rodrigues afirmou que é possível aprender com a União Europeia e na exploração da infraestrutura, citando o exemplo dos trens de alta velocidade (TAV) da Europa, em que as decisões são feitas de forma bilateral.

Maria Fernanda Pécora. Foto: Luis Benedito/Fiesp

A advogada Maria Fernanda Pécora citou que para haver um grau de sofisticação em infraestrutura é preciso existir harmonização dos sistemas Um grande entrave, no entanto, é a soberania dos países.

Ela citou como uma das soluções os tratados internacionais, as redes internacionais de agências reguladoras  e os organismos internacionais, como a Unasul.

“A criação da Unasul é uma ferramenta viável, mas o seu sucesso depende da vontade exclusiva dos Estados e do nível de cooperação entre eles para atingir o desenvolvimento da região como um todo.”

 

 

Transporte rápido de ônibus em Curitiba é apontado como solução de mobilidade urbana

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

No painel de “Soluções avançadas para mobilidade urbana” foram debatidas possíveis saídas para as metrópoles mundiais que têm um desafio comum pela frente: a oferta de transporte integrado e eficiente, de meios alternativos de locomoção e a resolução dos congestionamentos constantes que travam as cidades. Esse foi um dos debates ocorridos nesta segunda-feira (06/05), primeiro dia de programação do 8º Encontro de Logística e Transportes, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, em São Paulo.

Painel ´'Soluções avançadas para mobilidade urbana', no 8o. Encontro de Logística e Transportes da Fiesp. Foto: Luis Benedito/Fiesp

“Os Estados Unidos fizeram uma má escolha pelos carros, na área de transportes, e precisamos contar com a tecnologia para gerir o sistema. Hoje, é preciso buscar alternativas como veículos menores tocados a eletricidade ou biocombustível, além das bicicletas”, afirmou Michael A. Replogle, diretor do Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), instituição fundada em 1895 com sede em Nova York.

Replogle elogiou o Bus Rapid Transit, implantado em 1975, em Curitiba (PR), exemplo para países como China e Suécia (Estocolmo, mais precisamente).

Michael A. Replogle, diretor do Institute for Transportation and Development Policy. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O especialista lembrou que a eficiência é evitar a troca de linhas, que encarecem o transporte público, e frisou que São Paulo e Rio de Janeiro se esforçam neste sentido. A cidade chinesa Guangzhou já aprimorou o sistema curitibano a fim de atender seus 10 milhões de habitantes e colhe resultados positivos. O mesmo se fez em Bogotá, capital colombiana.

Entre as soluções apontadas estão o gerenciamento de estacionamentos, atenção às novas incorporações que causarão impacto no trânsito e a cobrança de pedágio em regiões centrais. Ele sugeriu o exemplo de Cingapura, cuja cobrança não é feita pelo governo, mas sim por gestores que elevam ou reduzem a tarifa conforme a necessidade. Estocolmo tem esquema similar e, em Londres, paga-se 20 dólares diários para ingresso na área central, mas este valor se reduz se o veículo contar com filtros antipoluentes ou outras tecnologias que respeitem o meio ambiente.

Replogle também discutiu a ideia de ruas compartilhadas, sem guias, como existem hoje na Dinamarca e na China. Os carros rodam com velocidade reduzida e convivem pacificamente com pedestres e bicicletas. Para ele, é fundamental garantir mobilidade para quem usa bicicleta, inclusive no transporte público, além de facilitar a locomoção do pedestre. Outra necessidade apontada por Replogle é se pensar na ecologia das rodovias, garantindo boa drenagem, além da criação de vias secundárias para escoar o congestionamento.

Otimista, o especialista norte-americano confia que o Brasil poderá liderar a gestão de tráfego nas cidades, a exemplo do que já fez criativamente na capital paranaense.

Investimentos privados

Rodrigo Carnauba. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O desafio nas grandes cidades é a oferta de transporte público de qualidade em contraponto ao uso do transporte individual. A Odebrecht Transport trabalha em projeto de 24 km de VLT – veículo leve sobre trilhos sem linhas aéreas, segundo o diretor de mobilidade urbana da empresa, Rodrigo Carnaúba. “Cada modal deve desempenhar papel complementar na rede de transporte, oferecendo capilaridade e redução do tempo de viagem, além de tarifa mais barata”, refletiu.

Em sua opinião, o desafio é implantar projetos que estão no portfólio das Parcerias Público-Privadas (PPPs), em São Paulo. Trata-se de uma estimativa de investimento de R$ 60 bi nos próximos cinco anos, em diversas cidades, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com grande participação do capital privado.

José Ricardo Marar, diretor da Infrapar Projetos. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Carnaúba lembrou que a rentabilidade deve ser compatível com o capital privado e o nível de risco do negócio, além de se ter estrutura de garantias públicas.

Para encerrar, o diretor da Infrapar Projetos, José Ricardo Marar, reforçou que desde a Lei de Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (n. 12.587/2012) as empresas trabalham para encontrar soluções no setor de transportes. “Mas é essencial buscar foco no processo de gestão de informações dos projetos, como os da Copa [do Mundo], por exemplo, com o apoio da tecnologia”, ressaltou.

 

Infraestrutura é o fundamento do crescimento econômico, aponta diretora da U.S. Chamber

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Janete Kavinoky. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A qualidade e o desempenho do transporte de um país estão diretamente conectados ao crescimento econômico e ao investimento estrangeiro. Porém, é fundamental que seja feito de forma planejada e eficiente, de acordo com os quatro especialistas que participaram do painel “Infraestrutura e competitividade da economia”, realizado nesta segunda-feira (06/05) no 8º Encontro de Logística e Transporte da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A diretora executiva de transportes da U.S. Chamber of Commerce [Câmara de Comércio dos Estados Unidos], Janet Kavinoky, defendeu que a infraestrutura é o fundamento do crescimento econômico. Para mostrar essa importância, a organização criou um índice de desempenho que mede o que o sistema de transportes faz pela economia com base em dados estatísticos e de qualidade.

Com isso, a U. S. Chambers constatou que para cada ponto a mais no índice de desempenho de transporte, o Produto Interno Bruto (PIB) aumenta 0,3%. No entanto, o índice não mede apenas o volume de investimento, mas também a forma como o dinheiro é aplicado.

De acordo com Kavinoky, os Estados Unidos têm feito investimentos em infraestrutura, mas não em pontos fundamentais. “O foco deve estar na capacitação para o futuro e em melhoria do tráfego urbano, reforma e adequação de pontes e hidrovias e na concentração no acesso de frete intermodal.”

Para a executiva, é preciso mudar o modo como os países encaram o transporte. “No caso do Brasil, que concorre com os Estados Unidos na exportação em vários produtos, se houvesse investimento em recursos hidroviários, por exemplo, o país teria vantagem nessas commodities.”

BID

Mauricio Mesquita. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Também destacando a necessidade do investimento estratégico, o economista Maurício Mesquita, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentou um estudo sobre os custos de transporte e as disparidades regionais das exportações na América Latina. No caso específico do Brasil, o estudo mostra que 0,2% do território brasileiro responde por 46% das exportações brasileiras e há uma correlação inversa no que diz respeito a valores: o custo do transporte é maior nas regiões que menos exportam.

Por meio de simulações, foi possível mensurar que cada 1% a menos no custo de transporte, aumentaria, por exemplo, 5,4% das exportações em agricultura e 3,5% em produtos manufaturados. Além disso, a redução do custo também aumentaria o número de produtos exportados. “Isso mostra que o maior obstáculo ao aumento da exportação e a diversificação de produtos exportados é a questão do transporte”, reforçou Mesquita.

IPEA

Carlos Campos Neto. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na sequência do painel, o especialista de infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Carlos Campos Neto, comparou a infraestrutura brasileira com relação aos outros países emergentes. Enquanto o Brasil cresce, mas mantém o investimento em 0,6% do PIB, países como Índia e Rússia investem uma média de 3,4% do PIB, mostrou Campos Neto.

“Crescemos, mas estamos longe de algo que seja razoável na nossa infraestrutura”, lamentou o representante do IPEA.

Ele aproveitou para destacar a importância dos investimentos privados e afirmar que o principal problema da infraestrutura não é a falta de recursos e de financiamento. “As razões para que os projetos não sigam adiante são outros: ajustes constantes nos marcos regulatórios, legislação complexa e recursos interpostos, projetos e contratos mal elaborados que elevam os custos, interveniência do TCU [Tribunal de Contas da União], necessidades de licenças ambientais e dificuldades nas desapropriações. O problema é de gerenciamento e gestão.”

Representante da PUC-SP

Antonio Correa Lacerda. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo o economista da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antônio Correa de Lacerda, o salto da competitividade brasileira depende da melhoria em infraestrutura. “Somos a sexta maior economia do mundo, mas, se considerarmos mercados específicos, estamos em posições até melhores. Estamos em quarto no mercado automobilístico, terceiro ou quarto em informática e estamos atingindo o primeiro lugar em cosméticos. Estamos evoluindo, mas ainda estamos longe de outros mercados na questão da infraestrutura.”

Lacerda também destacou a necessidade de buscar outras fontes além do financiamento público. “A redução da taxa dos juros ajuda, mas é preciso criar um mercado secundário de títulos, que possa viabilizar esse financiamento de forma mais rápida.”

Para o economista da PUC-SP, é preciso tornar a agenda da infraestrutura uma prioridade no Brasil. “A superação de todas essas questões é que pode garantir ao Brasil não apenas romper o gargalo que representa a infraestrutura, mas utilizar o crescimento do investimento na melhora da competitividade da economia, na geração de maior renda, empregos melhores e, sobretudo, superar os obstáculos para o desenvolvimento do Brasil.”

 

Investimento em modal rodoviário e transporte público é um dos meios para colocar o Brasil nas vias do desenvolvimento

Agência Indusnet Fiesp 

O anúncio do governo em investir R$ 42 bilhões na malha rodoviária para construção de 7.500 quilômetros de vias no Brasil, por meio do Programa de Investimento e Logística, é um dos temas que será discutido no 8º Encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nos dias 6 e 7 de maio, no Hotel Unique.

Os novos modelos de concessão representam a consolidação de ideia de que a participação do setor privado é fundamental para a reversão de deficiências acumuladas durante décadas. Comparativamente aos países com os quais disputa posições no cenário internacional, o Brasil está muito abaixo em todos os indicadores de extensão e qualidade de infraestrutura do setor.

Sendo responsável por mais de 60% do transporte de cargas e de 40% do transporte interestadual de passageiros, o setor rodoviário é apontado como predominante entre todos os modais. Isso representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto do País. No entanto, cerca de 30% de toda a extensão da malha viária brasileira está danificada pela falta de manutenção, o que resulta em prejuízos para o transporte de cargas fazendo o Brasil perder competitividade.

Outro assunto crítico que também será discutido durante o evento será a mobilidade urbana. O intuito do debate é encontrar soluções avançadas para a coletividade. Estratégias inovadoras devem ser implantadas para estimular novas formas de expansão e modernização do transporte coletivo. Em São Paulo, por exemplo, há um grande projeto para a ampliação do metrô com investimentos previstos de R$ 22 bilhões para beneficiar as linhas 5-Lilás, 15-Prata, 17-Ouro e 4-Amarela. A primeira fase vai ampliar os 74 quilômetros da malha para mais de 100 e deve estar pronta entre 2014 e 2016. A rede, que transporta 4 milhões de passageiros por dia, se expande em quatro frentes com 4.680 operários nos canteiros de obras.

Mas será que os investimentos previstos para o setor serão suficientes para pôr um fim no caos logístico brasileiro? “Com a atuação da  Empresa de Planejamento e Logística (EPL), esperamos que sejam feitos bons planejamentos. Se ela condicionar leilões de expansão da oferta, os investimentos forem feitos e os ativos construídos, bem geridos, isso resolverá os problemas do setor”, afirma Carlos Cavalcanti, diretor-titular do departamento de infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

Serviço

8º Encontro de Logística e Transporte
Data e horário: 6 E 7 de maio – das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique (Av: Brigadeiro Luis Antonio, 4700 – Jd Paulista – São Paulo)

Setor logístico necessita de investimento para impulsionar economia brasileira

Agência Indusnet Fiesp

Um dos grandes entraves para o desenvolvimento da economia brasileira é a deficiência no setor logístico, marcada pela baixa integração entre os diferentes modais e pelo baixo investimento. Para reaquecer sua economia, o Brasil precisa encontrar novas fórmulas buscando soluções que contribuam para desatar o “nó logístico” do setor de transportes.

Esse é um dos painéis que será discutido no 8º encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nos dias 6 e 7 de maio, no Hotel Unique. A ideia é debater quais são os desafios e perspectivas para o setor nesse sentido. Infraestrutura e logística são itens essenciais para competitividade e o País necessita de investimentos para suprir as deficiências que apresenta nessa área. A Sunrise – maior trading chinesa de soja -, por exemplo, cancelou compra de 2 milhões de toneladas de soja do Brasil em razão de atrasos nos embarques, fato que atinge diretamente a economia no Brasil de maneira depreciativa.

Para tornar o país mais competitivo, o Programa de Investimento e Logística anunciado pelo governo é um passo de mudança e reconhecimento de que, ou o Brasil investe pesadamente em infraestrutura, ou encontrará pontos de constrangimento e restrição ao seu crescimento econômico. “A Fiesp está de acordo com as medidas, e acredita que a decisão de não utilizar as concessões como instrumento de arrecadação do Estado vai ao encontro da necessidade de reduzir o custo logístico para a indústria e de restabelecer a competitividade da economia brasileira”, afirma Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp.

Serviço
8º Encontro de Logística e Transporte
Data: 6 e 7 de maio das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av: Brigadeiro Luis Antonio, 4700 – Jd Paulista, São Paulo

Veja a programação completa do evento.

Agronegócio e mineração sofrem com os gargalos de infraestrutura

Agência Indusnet Fiesp 

Recentemente, filas no Porto de Santos causaram perdas na ordem de US$ 4 bilhões na exportação da soja e milho. Considerados os setores mais fortes para a economia brasileira, o agronegócio e a mineração apresentam grande volume de carga transportado nacionalmente, além de seus produtos serem os mais exportados do País.

A exemplo disso, para 2013, a estimativa de crescimento para o agronegócio é de 5,4%. Já para o setor de mineração a perspectiva é de 2%, podendo chegar a 5%. No entanto, ambos os setores enfrentam sérios problemas no que diz respeito ao escoamento da produção brasileira.

Estudo elaborado pela Fiesp aponta que seis dos 17 portos brasileiros já operam acima de sua capacidade total. Revela também que, em 2022, o gargalo poderá continuar caso os modais logísticos continuem sendo utilizados inadequadamente para o transporte de cargas.

Com o Programa de Investimentos em Logística apresentado pelo governo, será que o Brasil vai conseguir mudar esse cenário até lá?

É o que será discutido no 8º Encontro de Logística e Transporte, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nos dias 6 e 7 de maio, no Hotel Unique, na capital paulista.

 

 

Serviço
8º Encontro de Logística e Transporte
Data: 6 e 7 de maio das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av: Brigadeiro Luis Antonio, 4700 – Jd Paulista, São Paulo

Veja a programação completa do evento