Soluções para os entraves logísticos em Cubatão e Santos em debate na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Os entraves logísticos de Cubatão e as demandas do Porto de Santos foram tema do último painel da 8ª edição do Megapolo Cubatão – Fórum para o Desenvolvimento do Polo Industrial, realizado nesta quarta-feira (04/12), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o encontro, Carolina Lembo, gerente do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, ressaltou a necessidade de superar os entraves logísticos da região através do investimento em infraestrutura moderna e projetos de integração.

Segundo ela, os atuais entraves vistos na região de Cubatão e Santos causam prejuízos milionários. “A saturação das rodovias que ligam a cidade de Cubatão a Santos estrangula o potencial de crescimento da cidade”, analisou. “Os congestionamentos contribuem para e existência de um caos logístico”, analisou.

Carolina: “Os congestionamentos contribuem para e existência de um caos logístico”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Carolina: “Congestionamentos contribuem para a existência de caos logístico”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Carolina apontou algumas saídas para a situação. Uma das soluções listadas pela gerente é a criação de um novo acesso ferroviário ao Porto.  Outra possibilidade para a solução do caos logístico seria a construção de um túnel que ligasse Santos e o Guarujá.

Além disso, segundo ela, uma maior utilização dos 180 quilômetros de rios navegáveis poderia ajudar a desafogar a alta demanda do local.

Crescimento do Porto de Santos

Em seguida, o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Renato Barco, ressaltou a necessidade de modernização do Porto de Santos. “O porto necessita de uma rede de infraestrutura complexa para atender as demandas do país”, afirmou.

Barco informou que a previsão de movimentação de carga no Porto de Santos em 2014 é de R$ 230 milhões de toneladas. “No fim de 2014 devemos atingir 121 milhões de toneladas, segundo estudos recentes”, disse.

Para Barcos, as dificuldades de escoamento da produção na região santista dá-se devido a problemas de mobilidade, uma vez que o porto tem capacidade para movimentar essa quantidade prevista de carga.

O presidente da Codesp acredita que a construção de pátios reguladores e uma nova ligação da Rodovia Cônego Domenico Rangoni à Rodovia Santos Dumont possam contribuir para solucionar os gargalos do maior porto do país.

‘Governo não tem plano estratégico para desenvolvimento econômico’, afirma diretor da Fiesp no Megapolo Cubatão

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“O governo não tem um plano estratégico para o desenvolvimento econômico”, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (04/12),  em debate da 8ª edição do Megapolo Cubatão – Fórum para o Desenvolvimento do Polo industrial, realizado na sede da entidade, na capital paulista. O evento tem o apoio da Prefeitura de Cubatão.

Para o diretor-titular do (Decomtec) na Fiesp, a atual situação industrial brasileira prejudica o investimento e o crescimento da infraestrutura. “A indústria em 2012 atingiu o mesmo patamar que tínhamos em 1955, perto dos 13% de participação no Produto Interno Bruto (PIB)”, afirmou. “Continuando assim, levaremos 40 anos para nos tornarmos um país desenvolvido”, completou.

Segundo Roriz Coelho, o câmbio valorizado destruiu a malha industrial brasileira. “Com isso, Cubatão, tema deste encontro, sofre muito com essa série de eventos que retiraram a competitividade nacional”, disse. “O preocupante é que não há planos para sair dessa situação”, encerrou.

Roriz Coelho: . “Continuando assim, levaremos 40 anos para nos tornarmos um país desenvolvido”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Roriz Coelho: “Assim, levaremos 40 anos para nos tornarmos desenvolvidos”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Em seguida, o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Cubatão (Ciesp-Cubatão), Valdir Caobianco, falou sobre o desenvolvimento do polo da cidade, o qual considera “fundamental para crescimento do Brasil”.

De acordo com Caobianco, há a necessidade de um planejamento com visão a longo prazo. “Atualmente, as empresas do polo trabalham ao máximo de sua capacidade. E competem de igual para igual com quaisquer outras do mundo”, analisou. “O problema está fora das empresas, com os altos custos das matérias primas, as altas taxas tributárias, os custos logísticos e de infraestrutura e a  malha ferroviária insuficiente”, explicou.

Caobianco: “Atualmente, as empresas do polo trabalham ao máximo de sua capacidade”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Caobianco: “Atualmente, as empresas do polo trabalham ao máximo de sua capacidade”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Realizado na Fiesp desde 2009, o Megapolo Cubatão é uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação. Na edição deste ano, os participantes debatem temas voltados à economia verde em um cenário de desenvolvimento sustentável, formação e qualificação de mão-de-obra e entraves à mobilidade urbana e logística.