‘As inovações radicais são as que trazem resultados excepcionais e isso às vezes não tem nada a ver com novas tecnologias’, afirma diretor da Fiesp em workshop

Graciliano Toni e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de discutir a inovação, debatendo como abrir caminhos no mercado. Com esse foco, foi realizado, na tarde desta quinta-feira (29/11), na sede da Fiesp, em São Paulo, o workshop “Casos Reais de Aplicação da Indústria 4.0 no Brasil”. O evento reuniu representantes do mercado, da academia e de entidades de classe. A abertura ficou a cargo do vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Rafael Cervone.

“Estamos trabalhando para aumentar a produtividade das empresas e ampliar a competitividade do país”, disse. “Reconhecemos o caráter disruptivo da quarta revolução industrial”.

Segundo ele, “todos os portes de empresas serão impactados”. “Nesse cenário, o Senai-SP é parceiro estratégico desse movimento de mudança”.

Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto Ferreira lembrou que a Indústria ainda responde por 30% ou mais dos impostos arrecadados pelo Governo Federal. “Ou a inovação faz parte do desenvolvimento da indústria ou ficaremos de fora da manufatura 4.0”, destacou.

Para o diretor executivo da International Chamber of Commerce (ICC), Gabriel Petrus, “a inovação precisa estar no centro da agenda de inovação do país”.

Inovação horizontal

A primeira palestra do workshop foi feita pelo diretor financeiro e diretor adjunto do Departamento de Economia, Tecnologia e Competitividade (Decomtec) da Fiesp, Antonio Carlos Teixeira Alvares. Ele falou sobre inovação horizontal e indústria 4.0.

“As inovações radicais são as que trazem resultados excepcionais e isso às vezes não tem nada a ver com novas tecnologias”, disse.

Alvares citou alguns exemplos que provam o que ele diz. “A companhia aérea Southwest Airlines tinha um serviço similar ao das outras”, disse. “Até o dia em que começou a vender passagens por US$ 69 o trecho”.

No México, a fabricante de cimento Cemex conseguiu fazer a diferença em um mercado aparentemente sem muitas novidades, como é a indústria de cimento. “Eles inovaram na gestão”, disse. “Criaram uma rede ao estilo GPS que monitorava todo o trânsito da Cidade do México muito antes do o aplicativo waze existir”, contou. “Com isso, sempre garantiu a entrega de uma betoneira de cimento em meia hora em qualquer ponto da capital mexicana, onde o trânsito é tão pesado”.

Para Alvares, a inovação “deve ser de todos, não de responsabilidade de pequenos grupos de cientistas nas empresas”. “A prática deve se infiltrar por toda uma organização: isso é inovação horizontal”.

Competitividade

Gustavo Bonini, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Scania, destacou, no segundo painel do workshop, que, para ser sustentável, um produto precisa ser competitivo. A sustentabilidade começa no chão de fábrica, disse. Foi uma questão de sobrevivência fazer a interconexão de tudo na produção da fábrica, declarou, mencionando a possibilidade de mais de 3 milhões de combinações na fabricação, que só começa depois do pedido fechado.

A Indústria 4.0, afirmou Bonini, traz qualificação e demanda treinamento. Ela substitui o que chamou de novas atividades que poderiam afetar a segurança das pessoas. E, além disso, incentiva a criação de empregos de qualidade.

Entre os exemplos do que é feito na Scania, citou os AGVs, veículos autoguiados, criados na própria fábrica à razão atual de um por mês e responsáveis pelo transporte no setor de produção de chassis, em diferentes rotas. Há, explicou, uma “fábrica dentro da fábrica” para os AGVs. Bonini fez palestra intitulada “Aplicação das tecnologias da Indústria 4.0 e a capacitação da mão de obra”, apresentando o case da Scania, em painel que teve também a participação de Manuel Cardoso, professor da Ufam, Bruno Di Clemente dos Santos, coordenador de Marketing Business da Schneider Electric, e Fernando Pimentel, presidente da Abit.

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Cervone, ao centro: mais produtividade em nome de um país mais competitivo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Painel 2: Aplicações reais nos setores de aeronáutica e tecnologia assistiva (laboral)

Bruno Jorge Soares, coordenador da Indústria 4.0 da ABDI, conduziu o painel e ressaltou que os cases apresentados desfilam tecnologias e processos que já podem ser aplicados. Ilustram quanto custa essa tecnologia e quanto ela custa na prática.

João Zerbini, gerente sênior de Tecnologia de Manufatura e Engenharia Digital da Embraer, destacou que a empresa é a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo, em mercado altamente competitivo, o que a obriga a ter muita eficiência.

Altamente complexo, um avião, para ser bem-sucedido, precisa da conjugação de vários aspectos atendidos pela Indústria 4.0. Com mais de 200 computadores, 55 km de fiação e mais de 3.000 sensores, um avião pronto, em operação, usa também conceitos da Indústria 4.0.

No projeto de uma aeronave já há a preocupação com a forma como será feita a automação da produção.

Na empresa a tecnologia é chamada de Manufatura Embraer 4.0, baseada nos pilares engenharia digital, automação de chão de fábrica e inteligência de manufatura.

São feitas simulações intensivas em todas as disciplinas de desenvolvimento, porque não é possível fabricar rapidamente um protótipo de avião. Com o design virtual se acelera muito a maturidade do projeto. Diminui o tempo de chegada ao mercado e se aceleram o atendimento e o gerenciamento dos requisitos. No design generativo, outra característica da indústria aeronáutica, há destaque para a manufatura aditiva, que permite redução de peso, elimina ferramentas, reduz o tempo de desenvolvimento, fabricação e entrega.

A fábrica digital permite simulação de processos, gestão de informações do chão de fábrica e integração disso à engenharia. As informações em tempo real ficam disponíveis para todos os stakeholders envolvidos no processo produtivo. E não se usa mais papel.

Com automação intensiva há flexibilidade nas mudanças, aumento da qualidade e possibilidade de reuso de recursos.

Há algum tempo a Embraer trabalha com realidade aumentada. Também aplica inteligência artificial. Há, explicou, trabalho muito forte no mestrado profissional de engenharia da Embraer com tecnologias de manufatura. Para gestão do conhecimento há uma comunidade de prática de Indústria 4.0 e um programa de mentorias sobre o tema.

Thiago Rotta, diretor de Inovação e Transformação Digital da Microsoft Brasil, explicou o uso de sensores em motores aeronáuticos produzidos pela Rolls-Royce. Graças a eles e à análise dos dados coletados, foi possível reduzir o consumo de combustível em aviões.

Outro caso apresentado por Rotta foi da Thyssen-Krupp, em manutenção preditiva e realidade aumentada. O tempo de manutenção de elevadores foi reduzido à metade. O sistema, disse, está disponível em cerca de 100 elevadores no Brasil.

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Painel 3: Aplicações reais nas pequenas e médias empresas

Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, apresentou o tema e procurou tranquilizar as pequenas empresas, dizendo que há luz no fim do túnel em relação à tecnologia da Indústria 4.0, que já encontra aplicações nas indústrias de menor porte.

Destacou que o capital humano tem enorme importância na quarta revolução industrial, ao lado do comprometimento da direção e da adoção de tecnologia, que deve também ser ferramenta de alavancagem da venda do produto.

Maia citou conclusões interessantes da Sondagem da Indústria 4.0, realizada pela Fiesp. Há predisposição de industriais de pequeno porte de adotar a Indústria 4.0, mesmo que isso não seja feito atualmente.

Maia explicou a metodologia do Senai-SP (Rumo à Indústria 4.0), que, frisou, deve começar pelo lean manufacturing (manufatura enxuta). Apresentou caso de indústria de médio porte, a 3A, em que houve a adoção de sensores, painel digital de controle e etiquetagem, destacando que respeitada a escala, a aplicação é a mesma. “A filosofia é a mesma.” Há controle do produto e de quem produziu, o que é essencial para a rastreabilidade, afirmou. Ponto importante, segundo Maia, é a manutenção preditiva.

Há diversas aplicações da Indústria 4.0 para pequenas e médias empresas, possibilitando melhor gestão da produção, aumento da produtividade e melhoria de aspectos de manutenção industrial. É preciso, alertou, qualificar os funcionários.

Maia destacou que sem a colaboração e a visão dos empresários nada é possível. “Tem que ter energia, coragem.”

Marcos Andrade, CEO da EXPOR Manequins, que há 50 anos produz manequins, explicou que ao iniciar a exportação de seus produtos, a empresa se deu conta do desafio de adotar tecnologia para ser competitiva. A fábrica adota manufatura aditiva e laboratório 3D, por exemplo.

O primeiro passo foi o controle da produção, segundo Andrade. Deu exemplos de adoção de tecnologia vinda da indústria aeronáutica (na tinta para os manequins) e da indústria automobilística (digitalização 3D).

A migração digital permitiu melhora da qualidade, produção de moldes melhores, maior controle e processo mais rápido.

A Expor tem até um aplicativo para que as lojas, graças à realidade aumentada, saibam como ficarão os manequins em suas vitrines. A empresa analisa a maturidade das tecnologias, para que o investimento seja rentável. É muito importante, alertou, decidir quando fazer os investimentos. A Extor faz medições objetivas e subjetivas e também procura envolver toda a equipe e garantir o comprometimento da alta gestão. “Estou envolvido em todo o desenvolvimento”, disse.

Guido Ganassali, diretor de Indústria 4.0 da empresa Cecil S/A  Laminação de Metais, empresa familiar com 57 anos de existência, explicou o que chamou de espiral de desenvolvimento, criada para atingir os objetivos da indústria. A solução para a Cecil foi buscar a tecnologia do Senai, que Ganassali considera muito interessante. O processo, iniciado em 2017, deve ser encerrado em 2022. A produtividade deve aumentar em 30%, afirmou. Nossa fábrica não é moderna, disse. “Vamos fazer isso com uma fábrica rodando.” A maneira de conduzir o processo vai permitir adotar tecnologia como a de sensores. O lean manufacturing é fundamental, destacou.

Os estoques serão reduzidos, o time-to-market cairá 89%, e o ebitda crescerá acima da média nacional. O projeto deve custar R$ 40 milhões, com payback conservadoramente previsto de 33 meses.

Há, lembrou, fontes de financiamento público com juros muito interessantes quando é feita parceria com institutos de ciência e tecnologia (ICTs), como o Senai-SP.

Waldir Bianco, diretor da empresa Engedom Artefatos de Metais, explicou mudanças feitas a partir de 2017, com coisas básicas como organizar caixas de ferramentas. A base foi o programa Brasil Mais Produtivo. Houve ganho de 237,5% na produtividade, com retorno do investimento em 35 dias. Isso, e depois o contato com o Senai-SP, levou à decisão de mirar a Indústria 4.0. Um primeiro desafio encontrado foi o envio de dados coletados.

Deixou como sugestões conscientizar a diretoria e envolver a equipe; fazer uma avaliação interna e “chamar o pessoal do Senai-SP”.

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‘Se não integrarmos tudo, não temos indústria 4.0’, diz professor da USP em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O debate foi sobre novos rumos. Para a economia brasileira e para a construção. Com esse foco, foi realizada, na manhã desta terça-feira (09/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, a reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da federação. O encontro foi coordenado pelo presidente interino do conselho, Manuel Carlos de Lima Rossitto.

“Não existe equilíbrio de sociedade nem avanço sem emprego”, disse Rossitto. “E um dos setores da indústria mais aptos a gerar emprego é o da construção”, explicou. “Temos que ver como começar a oferta de trabalho no Brasil em janeiro de 2019”.

Nessa linha de discussão, o conselheiro do Consic e representante da Cassol Pré-Fabricados, Antonio Cezar Testa Sander, fez uma apresentação com o tema “uma agenda de crescimento”.

“O Brasil teve um PIB de US$ 2, 3 trilhões em 2017 e tem 207 milhões de habitantes”, disse. “Números expressivos que convivem com 92,59% de taxa de alfabetização de adultos, um percentual muito ruim”, disse.

Sander comentou os resultados de um estudo da consultoria McKinsey – com 71 economias em desenvolvimento. Dessas, 18 se destacaram. E foi observado um papel importante das empresas nessa evolução.

“As grandes empresas impactaram positivamente o crescimento”, disse.  “Foram observadas no mínimo duas vezes mais grandes empresas entre aqueles países que mais avançaram economicamente”, explicou. “Estamos falando do aumento da renda e da poupança das pessoas, do estímulo ao lucro das corporações”.

Construção 4.0

O próximo tema em debate foi o impacto da indústria 4.0 na construção. O assunto foi conduzido por dois professores da Escola Politécnica da USP: Orestes Marraccini Gonçalves e Fabiano Correa.

Gonçalves mostrou a estrutura da escola aos conselheiros do Consic. A Politécnica foi uma das três primeiras faculdades da instituição. E possui hoje 17 cursos de graduação e 15 departamentos, como o de construção civil.

Já Correa explicou o impacto das tecnologias associadas à indústria 4.0 na construção. “Temos a integração, a personalização em massa: fábricas inteligentes e flexíveis, com a construção se industrializando cada vez mais”, afirmou.

Por isso a tendência de “integrar softwares que trabalham em etapas diferentes do negócio, com as máquinas conversando entre si, sendo flexíveis”. “Agora temos fábrica e produtos digitalizados”, disse. “São os chamados sistemas ciberfísicos, a integração”.

E aí entram, segundo Correa, alternativas como os sensores nas casas entregues com garantia de 30 anos, com um “monitoramento de como o sistema funciona”. “Precisamos almejar práticas diferentes: se não integrarmos tudo, não temos indústria 4.0”.

Um cenário de “manufatura aditiva, impressão 3D, liberdade geométrica, personalização em massa”.

Nesse campo, o Japão é, de acordo com Correa, uma referência. “Existem módulos tridimensionais para atender arquiteturas diferentes”, disse. “No mercado japonês, é comum ver um prazo de dois meses desde a compra da casa até a entrega do imóvel”.

Um mundo de possibilidades que permite que “a cadeia da construção seja muito diferente”.

‘Muitas indústrias ainda estão na era 2.0’, afirma diretor presidente do Conselho Técnico da Fapesp no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O apoio às empresas e a construção de vantagens competitivas  no contexto da indústria 4.0 foram debatidos, na tarde desta terça-feira (05/12), no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0, aberto hoje no Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento segue até esta quarta-feira (06/12), com uma visita à Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul. A unidade é uma referência em pesquisa dos rumos da manufatura mundo afora.

A quarta revolução industrial ou indústria 4.0 envolve o aumento da informatização na indústria de transformação, com máquinas e equipamentos totalmente integrados em redes de internet.  Como resultado, tudo pode ser gerenciado em tempo real, até mesmo a partir de locais diferentes.

“Precisamos considerar fatores como mercado, infraestrutura e regulação”, afirmou o diretor presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Américo Pacheco. “Muitas indústrias ainda estão na era 2.0, faltam políticas de fomento e subsídios”.

Ele destacou ainda a coordenação de várias instituições para apoiar as empresas. “O foco da Fapesp está na pesquisa e no conhecimento tanto com viés acadêmico como tecnológico”, disse.

Nessa linha, Jorge Almeida Guimarães, diretor presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Emprapii), lembrou que a instituição presta serviços de fomento entre grupos de pesquisa aplicada e empresas no Brasil, com 42 unidades no país. “Um terço dessas unidades tem pesquisas sobre manufatura avançada”, disse.

Analista da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo foi outro participante do debate. E destacou a importância de avaliar a maturidade tecnológica das empresas. Prototipar, validar e multiplicar são passos seguidos pela ABDI em suas atividades com as empresas. “Para isso contamos com parceiros como a Fiesp”, disse.

A ABDI organiza workshops com o título “Rumo à Indústria 4.0” em diferentes cidades. Até hoje, 120 empresas já participaram da iniciativa.

Investimento privado

Para o superintendente regional da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Oswaldo Massambani, é importante estimular o aumento do investimento privado em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Isso é fundamental para o país”, disse. “O governo já faz muitos aportes, mas sem o investimento privado não vamos conseguir avançar muito”.

O painel foi mediado pelo vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. Ele também fez o encerramento do primeiro dia do congresso. “Está muito mais perto do que a gente imagina”, disse, em relação à Indústria 4.0, ao arrematar as atividades, após a mesa 4 do evento (Como Preparar sua Empresa para a Quarta Revolução Industrial? Passo a Passo e Lições Aprendidas).

Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, fez a moderação da mesa 4. Ele explicou que o convite às empresas foi feito para que mostrassem como a coisa é feita na prática.

Marcos Pinto do Amaral, gerente de Planejamento Powertrain da Volkswagen, disse que várias empresas podem trilhar o mesmo caminho. A Indústria 4.0, uma revolução, precisa estar na cultura da empresa. É necessário mudar o “mindset” das pessoas, sensibilizando todos na empresa, além de qualificar e requalificar todos seus níveis.

Há, explicou, ganhos também em células manuais de montagem. Indústria 4.0 não é sinônimo de robôs.

A Internet das Coisas (IoT) é ponto muito discutido na Volkswagen, afirmou. Destacou que apenas 27% dos projetos de IoT têm sucesso. Deu como receita redefinir o mindset, começar pequeno e adotar uma estratégia de longo prazo, selecionar parceiros que vão ajudar na pavimentação dessa estrada, reavaliar o negócio, inovar, pôr em foco um número limitado de tecnologias de IoT, daí construindo o próprio caminho.

Há, destacou, redução do custo das tecnologias disponíveis para a Indústria 4.0. Tanto grandes quanto pequenas empresas se beneficiam disso, afirmou. A renovação natural e o uso inteligente dessas tecnologias ajudam a pavimentar o caminho para a Indústria 4.0. Isso é feito a cada processo novo na Volkswagen, para depois tudo isso ser interligado.

A empresa espera atingir a produção autônoma interligada com o mundo todo em 2030, passando antes por soluções de manufatura inteligente, fábricas inteligentes, controle em rede de toda a linha, fábricas auto-otimizáveis.

Maia destacou que o Senai-SP acredita que vai haver no Brasil uma Indústria 4.0 verde-amarela, com a cara do Brasil, respeitando o que já está instalado nas fábricas.

Eduardo Almeida, vice-presidente para a América Latina da Unisys, disse que o software para permitir a interoperabilidade da cadeia de produção deixa de ser industrial. Há tendência cada vez maior de fim dos protocolos próprios e adoção de protocolos abertos, para permitir a interoperabilidade. A segurança precisa permear tudo, mas a superfície de ataque cibernético é muito maior, afirmou. As empresas precisam de colaboração entre equipes, de conhecimento, da criação de forças-tarefa para estudar vulnerabilidades. A segurança deve fazer parte de tudo que uma empresa faz, e é preciso ter em mente que ela sempre estará sob risco, deixou como recomendação.

Marcos Giorjiani, diretor geral da Beckhoff, explicou que o que interessa para uma empresa é fabricar bem. Lembrou que o caminho não poder ser complicado, demorado e caro para chegar à Indústria 4.0. A automação, disse, tem que estar integrada à tecnologia da informação. A Indústria 4.0 requer o mais alto desempenho, o mais alto grau de funcionalidade integrada, a melhor integração com TI, a plataforma de automação mais aberta, o mais alto grau de liberdade de engenharia.



‘Temos que enfrentar e tirar proveito dos avanços’, diz Skaf na abertura do 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0 na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de encarar as mudanças e entender a velocidade dos processos. Um debate que ganhou força no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0, aberto na manhã desta terça-feira (5 de dezembro), no Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento segue até esta quarta-feira (6/12), com uma visita à Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul. A unidade é uma referência em pesquisa dos rumos da manufatura mundo afora. O congresso foi aberto pelo presidente da Fiesp, do Ciesp e do Senai-SP, Paulo Skaf.

“Fiquei uma semana no Vale do Silício (EUA) recentemente. E fiquei impressionado com o que está acontecendo”, contou Skaf. “Vi a indústria brasileira tão longe do que está acontecendo no exterior, a transformação é grande, a exemplo de outras revoluções industriais”, disse. “A mudança assusta no primeiro momento, mas temos que enfrentar e tirar proveito dos avanços”.

Segundo Skaf, é agir ou “ficar para trás”. “As coisas estão acontecendo: ou nos preparamos para que as empresas se fortaleçam e o empreendedorismo cresça no Brasil ou ficaremos para trás”, afirmou.

Sobre ficar para trás, o presidente da Fiesp disse ter lido uma pesquisa a respeito do ritmo das mudanças no futuro que afirmava que, em breve, 100 anos vão valer por 20 mil anos de transformação no passado. “Os jovens que estão hoje na escola não imaginam as profissões que vão existir daqui a dez anos”, disse.

Para Skaf, acima de tudo é preciso ter coragem e visão do futuro. “Só assim vamos conseguir tirar as pedras do caminho”.

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Skaf: coragem e visão de futuro para entrar na era da indústria 4.0. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A quarta revolução industrial ou indústria 4.0 envolve o aumento da informatização na indústria de transformação, com máquinas e equipamentos totalmente integrados em redes de internet.  Como resultado, tudo pode ser gerenciado em tempo real, até mesmo a partir de locais diferentes.

Também presente na abertura do congresso, o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, destacou a importância de olhar para as mudanças. “As empresas que já estão se preparando, não recuem. Qualquer indústria pode se inserir nesse processo, entrar na era da indústria 4.0”, disse.

Outro convidado, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto de Souza Ferreira explicou que “a indústria 4.0 traz uma completa transformação nas formas como entendemos os produtos, revê o conceito de competitividade”. E reforçou a importância do debate do tema na Fiesp. “Que possamos ter no evento um marco da revolução 4.0 no Brasil”, disse.

Também presente, Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, destacou a necessidade de começar a agir. “O Brasil está atrasado, temos que reconhecer e  recuperar o que é preciso, acho que já estamos tentando chegar lá”, disse. “A indústria do futuro depende da indústria do presente”.

Para conferir a programação completa do congresso, é só clicar aqui.

Indústria 4.0 exige, e Senai-SP forma profissionais capazes de interagir com novas tecnologias e processos de produção

Isabela Barros e Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

É preciso estar atento, forte e, principalmente, preparado. A indústria 4.0, na qual ferramentas digitais integram todas as etapas da produção, permitindo a automação e a integração de modo nunca visto antes, pede trabalhadores flexíveis, qualificados e, principalmente, abertos a novos aprendizados o tempo todo. Num cenário em que os bancos de dados de todas as plantas industriais podem ser acessados a qualquer hora, de qualquer ponto, a formação profissional na área também precisa mudar, se adaptar. Não à toa essa é uma das discussões mais importantes atualmente no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

O assunto foi tema do Workshop “Indústria 4.0”, realizado nesta quinta-feira (23/06), na Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Em palestra sobre “A Indústria 4.0 e o futuro dos empregos”, o gerente de inovação e de tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Maia, destacou que tantas mudanças têm reflexos na mão de obra que a instituição forma e que essa nova “revolução industrial” veio para mudar tudo. “O chão de fábrica vai mudar muito a partir dessa interação proporcionada pela tecnologia”, explicou. “Os profissionais precisam se adaptar”.

E como será essa adaptação? “Os alunos e trabalhadores da área precisarão ser mais críticos, flexíveis, aptos a usar as novas mídias e dispostos a aprender sempre”, disse Maia.

Segundo ele, a estimativa, nesse contexto de mudança, é de que, num prazo de cinco anos, 35% de todo o conhecimento assimilado seja descartável. “Quem faz Engenharia, por exemplo, já se forma tendo que descartar 35% daquilo que aprendeu no início da faculdade”, afirmou.

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Maia durante a palestra sobre a indústria 4.0: "Os profissionais precisam se adaptar". Foto: Divulgação


E tem mais: a estimativa é de que, em todo mundo, entre 2015 e 2020, 7 milhões de vagas de trabalho sejam eliminadas por conta da expansão da indústria 4.0.

Entre os novos conhecimentos que passarão, cada vez mais, a fazer parte do dia a dia das empresas do setor, estão a inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia.

Aos gestores e responsáveis por recursos humanos na área, Maia recomenda atenção a alguns pontos, como o incentivo ao aprendizado contínuo. “É preciso repensar os sistemas educacionais, integrar conhecimentos antes separados, como os de exatas e humanas, estimular a colaboração entre o público e o privado e a integração entre as indústrias”.

Segundo Maia, “a sobrevivência das empresas depende disso, porque o mundo está mudando, e a forma de fabricar e comercializar produtos também. Somente por meio da educação profissionalizante será possível preparar o futuro profissional para o novo mercado de trabalho.”

As ações do Senai-SP

O que o Senai-SP tem feito no sentido de formar profissionais para a indústria 4.0? Pelo menos três ações: a oferta, a partir de julho, de uma pós-graduação em Internet das Coisas na Escola Senai Mariano Ferraz, na Vila Leopoldina, em São Paulo; a abertura, em 2017, de um Centro de Tecnologia da Ciência da Computação em São Caetano do Sul e a inauguração de uma nova sede para a escola de Mecatrônica da instituição, também em São Caetano do Sul, no segundo semestre de 2016.

“Temos uma base forte em eletrônica e mecatrônica, áreas muito importantes da indústria 4.0”, explicou Maia. “Queremos estar no centro da discussão desse processo de mudança.”

O workshop teve apresentações também a cargo de representantes da Siemens, Lincoln, Festo e TecnoHow, além do diretor do Senai de São Caetano, Osvaldo Luiz Padovan.