Iniciativas Sustentáveis: 3M – Forte investimento em inovação

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Por Karen Pegorari Silveira

A inovação é crucial para o desenvolvimento econômico sustentável, para a competitividade e a resiliência industrial, de acordo com o documento Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo, produzido pelo Conselho Superior de Inovação e Competitividade da FIESP. E, embora alguns estudos mostrem que o Brasil tem enorme potencial para a inovação e o empreendedorismo, as atuais políticas e práticas no país ainda não produziram os resultados desejados para estimular e apoiar a inovação nas empresas e instituições brasileiras.

Mas mesmo com esse contexto, muitas empresas têm feito altos investimentos, para gerar novos produtos e tecnologias que atendam às necessidades da sociedade, de olho na sustentabilidade/perenidade de seu negócio, como é o caso da 3M, que, nos últimos cinco anos, investiu mais de 7 bilhões de dólares em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento). Somente no ano de 2013 foram investidos US$ 1,7 bilhão (Global), sendo R$ 110 milhões só no Brasil. Neste mesmo ano, 8.400 pesquisadores da 3M trabalharam globalmente em P&D, sendo 4.400 nos Estados Unidos. No Brasil, no ano passado, foram investidos na expansão do Laboratório de P&D e do CTC (Centro Técnico para Clientes) US$ 13 milhões. O Laboratório de P&D e o CTC contam com 184 profissionais (dado de janeiro de 2014).

Todo esse esforço global vem apresentando ótimos resultados para a empresa, conforme indicadores desenvolvidos por eles, para medir os resultados financeiros das suas inovações. Esse índice é o NVPI (Índice de Vitalidade de Novos Produtos) e avalia qual o percentual de faturamento que os novos produtos representam dentro do total. Para isso, são considerados produtos lançados nos últimos cinco anos. O objetivo da 3M Mundial é que, até 2017, todas as subsidiárias tenham 40% do faturamento advindo de produtos novos. Em 2013, o Brasil atingiu o índice de 35,5%, o que representou R$ 1,2 bilhão do faturamento bruto anual, enquanto a média global foi de 34%.

De acordo com Alberto Gadioli, diretor de P&D da 3M no Brasil, não é apenas as metas que favorecem o crescimento da empresa, mas também o fato de eles questionarem seus próprios projetos para descobrir aqueles que realmente funcionam e alocar neles recursos para que tenham sucesso. “Avaliamos os projetos internamente em classes 3, 4 e 5. Os classe 3 representam nosso crescimento orgânico e são extensões de linha ou quando a inovação é pequena. Os classe 4 são inovações para mercados já existentes. Os classe 5 são realmente disruptivos e para mercados inexplorados”, conta Gadioli.

O diretor conta que na 3M, a cultura e o modelo de negócio voltado para inovação vêm desde o início das operações. “Tivemos líderes renomados como William L. McKnight (de 1926 a 1949 na 3M norte-americana e um dos responsáveis pela consolidação da cultura de inovação na empresa) que tornaram essa cultura muito forte e presente. Algumas frases dele da década de 1940 refletem o pensamento da 3M sobre inovação até hoje. Entre elas, eu destaco: Contrate bons funcionários e os deixe em paz’, ‘Lideranças extremamente críticas matam projetos’, e outra, que quando é adaptada ao português, vira algo como Quando o líder é extremamente controlador cria cercas ao redor das pessoas e as transforma em gado e não em pessoas criativas’”, relata.

Esses valores renderam à empresa prêmios renomados, como o Best Innovation, ranking feito pela A.T Kearney Consultoria em parceria com a revista Época, e o Prêmio Nacional de Inovação CNI.

Sobre a 3M

A 3M é uma empresa americana, fundada em 1902, criadora as fitas adesivas Scotch® e DurexMR, as esponjas Scotch-BriteMR , os blocos de recados Post-it®, as fitas isolantes Scotch 33+, os curativos MicroporeMR, da linha de cuidado pessoal NexcareMR, das películas refletivas usadas em placas de trânsito, os adesivos CommandTM, entre outros produtos.

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Metas ajudam a orientar processo de inovação da 3M, informa gerente de Exportação

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Empresa global especializada na tecnologia dos abrasivos com 55.000 itens que atendem múltiplos setores industriais – médico, metalúrgico, construção, automotivo, aeroespacial, entre muitos outros – a 3M impõe a si mesma metas de inovação que, de acordo com o gerente de exportação da empresa, Alexandre Borges, contribuem para a longevidade do conglomerado, originado em 1902 no Minnesota, nos Estados Unidos.

Segundo Borges, a 3M tem um índice incomum, em que se impõe uma meta primária de inovação.

“Ela diz que 40% de nossas vendas têm que vir de produtos lançados nos últimos cinco anos.  Faz com que além de entregar venda, lucro, a venda tem que vir de produtos novos. Fácil fazer isso? Não. Tem que correr atrás. A gente mede isso por unidade de negócio e por região”, disse o executivo na manhã desta quarta-feira (12/11) em palestra na 5ª edição do Acelera Startup, concurso realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Alexandre Borges, da 3M: chave está em buscar inovações conectadas às necessidades de clientes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Parte de êxito da companhia está no gerenciamento do processo de inovação, o New Product Introdution.  A gestão permite observar o esforço de inovação a cada etapa, das ideias ao conceito, do estudo de viabilidade ao desenvolvimento. “Com as devidas simplificações, dá para usar em um negócio pequeno. Como funciona? Cada unidade de negócio tem um pipeline”, explicou Borges.  “Não pode ter um monte [de projetos] aqui e um vazio aqui”, apontou, sinalizando os campos do gráfico.

Segundo Borges, para inovar, é necessário criar uma cultura propícia no modo de pensar a empresa, criar processos e métricas,  fazer investimentos, incentivar o empreendedorismo e, não menos importante, ter estratégia e objetivos.

Para incentivar o surgimento das ideias, a empresa incentiva que 15% do tempo de alguns colaboradores seja dedicado a projetos de interesse. Ele apontou que para cada 3.000 ideias registradas na empresa surge um produto de sucesso.

Uma das razões do sucesso da 3M, de acordo com o gerente de exportação, está no princípio de William McKnight,  que assumiu a presidência da companhia em 1929, 22 anos depois de ser contratado como guarda-livros.

Três princípios do líder se destacam: (1) Conforme florescem os negócios, é necessário que se delegue responsabilidade e que se encoraje os funcionários a exercitar suas próprias iniciativas; (2) Contrate bons funcionários e deixe-os trabalhar com liberdade, desde que sigam as políticas da companhia; (3) Erros serão cometidos e devem ser tolerados, pois se o gerenciamento age de forma intolerante e ditatorial, estará matando a iniciativa dos funcionários.

Cruzar mercados com tecnologias e trabalhar em rede também estão na estratégia da inovação, além de parcerias com as universidades e com os clientes.

A chave, segundo ele, está em buscar inovações conectadas às necessidades de clientes. Um caso de sucesso foi o desenvolvimento de um abrasivo para conter o desperdício de minério de ferro transportado pela vale entre a unidade de Itabira (MG) e o porto de Vitória (ES). Uma ideia que não tinha dado certo para outro projeto foi reaproveitada e desenvolvida, criando um liquido formador de película supressor de poeira. “Isso gerou um produtaço e vendeu bastante”, concluiu Borges.