Retrospectiva 2013 – Fiesp reforça contatos internacionais e apoio aos exportadores

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“O Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex)  se empenhou para dar encaminhamento à agenda de competitividade e inserção internacional da indústria brasileira. Acredito que cumprimos o nosso papel”, analisou Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do departamento, sobre o desempenho da área em 2013.

Ao longo do ano, o Derex realizou 220 reuniões, dentre elas, 56 seminários, que contaram com a presença de sete chefes de estado, de governo e autoridade real, 15 ministros, sete governadores e 37 embaixadores.

De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, 2013 trouxe grandes desafios para o Derex que “desempenhou um importante papel na coordenação da ampla agenda internacional e de comércio exterior da Fiesp. Em sintonia com o objetivo de fortalecimento da indústria, o departamento intensificou os contatos internacionais da entidade”.

Além disso, o departamento esteve envolvido em muitas outras iniciativas, que contaram com autoridades de grandes países.

Encontro Econômico Franco-Brasileiro

Em dezembro, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu a visita da presidente Dilma Rousseff e do presidente da França, François Hollande. Os dois participaram do Encontro Econômico Franco-Brasileiro.

Dilma afirmou durante o evento que um futuro acordo entre o Mercosul e a União Europeia vai contribuir para o potencial “ainda inexplorado” de intercâmbio comercial entre o Brasil e a Europa. Ela acrescentou que o Mercosul e os parceiros brasileiros estão prontos para fazer uma “oferta comercial”.

“Esperamos que a troca de ofertas se realize em janeiro”, afirmou. O evento também contou com o presidente da federação, Paulo Skaf.

Skaf, Hollande e Dilma no Encontro Econômico Franco-Brasileiro, realizado na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Skaf, Hollande e Dilma no Encontro Econômico Franco-Brasileiro, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Já Hollande afirmou que a França espera dobrar o intercâmbio monetário com o Brasil até 2020. “Quero ver maiores investimentos franceses no Brasil, que já são elevados, em torno de dois bilhões de euros”, disse.  “Desejo, também, multiplicar o investimento brasileiro na França”, acrescentou o presidente da nação europeia.

Para Skaf, é fundamental que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia prospere. O pre3sidente da Fiesp destacou a importância da França enquanto “uma das fundadoras da União Europeia” e uma das nações “líderes do grupo” para o fechamento de um acordo comercial entre os dois blocos de países. “Uma posição francesa favorável vai fazer uma grande diferença”.

31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha

Dilma e Paulo Skaf também participaram do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, ao lado do presidente da Alemanha, Joachim Gauck.

Na ocasião, Dilma reiterou o interesse em aprofundar parcerias estratégicas com a nação germânica e aumentar a reciprocidade de comércio entre os dois países.

“Esse encontro, com líderes da indústria e da economia dos dois países, é uma grande ponte entre a maior nação econômica da América Latina e a maior nação do ponto de vista econômico da Europa”, enfatizou Gauck.

Para Gauck, o evento reúne pessoas importantes para que a relação entre os dois países se consolide. “São testemunhas e atores da amizade entre Brasil e Alemanha, porque puderam conviver com os bons frutos dos contatos entre os dois países desde o início”, afirmou.

Skaf afirmou que o Brasil deve aprender com modelo alemão que fortalece pequenas e médias empresas. “O modelo alemão das pequenas e médias empresas é muito importante e devemos trazê-lo para o Brasil e aprender com ele”, afirmou Skaf. Segundo ele, as PMEs representam 66% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão. “Estudos mostram que uma das razões para a resistência à crise da Alemanha é graças à política de pequena e média empresa”, completou.

Expo 2020

Ao longo de 2013, a Fiesp apoiou a candidatura da cidade de São Paulo para receber a Expo 2020 – terceiro maior evento internacional em termos de impacto cultural e econômico, atrás apenas da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

As cidades concorrentes, além de São Paulo, foram: Dubai (Emirados Árabes Unidos); Ecaterimburgo (Rússia) e Izmir (Turquia).

Em novembro, Dubai foi escolhida como a cidade-sede.

Roberto Azevêdo visita Fiesp

Em maio, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Roberto Azevêdo, se reuniu com Paulo Skaf e outros representantes do setor produtivo.

No encontro, representantes do agronegócio e da indústria de transformação falaram sobre negociações internacionais como a Rodada de Doha e incremento da participação da indústria brasileira como competidora no mercado global.

Segundo Azevêdo, o principal desafio levantado durante a reunião foi a inserção da indústria brasileira no mundo.

“Toda conversa foi exatamente em imaginar como melhorar a competitividade da indústria e como fazer que esse seja o caminho que vamos traçar daqui para frente”, afirmou o diretor da OMC.

Necessidade de reformulação da OMC

Para o embaixador Rubens Barbosa, a OMC precisa passar por reformulação. A opinião foi dada durante reunião do Conselho de Comércio Exterior em dezembro.

Segundo Barbosa, o problema atual da OMC não é isolado. “O multilateralismo como um todo vive uma crise geral”, afirmou Barbosa.

A sobrevivência da Organização Mundial do Comércio (OMC) é importante, mas a instituição precisa passar por mudanças, opinou o dirigente.

Acordo entre Mercosul e União Europeia

Acordo entre Mercosul e UE só acontece se houver vantagens para o Brasil, afirmou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC )Daniel Godinho na Fiesp.

O governo brasileiro decidiu avançar nas negociações da proposta de acordo comercial do Mercosul com a União Europeia (UE), mas ainda falta muito para que o acesso ao mercado europeu seja garantido, disse ele.

Visitas de autoridades e missões empresariais

Japão

Ao menos 80 empresários japoneses visitaram a sede da Fiesp no dia 30 de janeiro, para um encontro com Paulo Skaf. Em pauta, o incremento das relações comerciais entre o Japão e o Brasil.

Representantes de empresas japonesas estiveram na sede da Avenida Paulista para discutir temas como competitividade, tarifas de importação, infraestrutura e processos jurídicos.  O encontro culminou na apresentação de uma ampla proposta de acordo de parceria econômica entre os países, liderada pelas entidades industriais de ambas as partes.

Nova Zelândia

Primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key, encontrou-se com o presidente da entidade, Paulo Skaf, e com o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad.

Na ocasião, Skaf concedeu medalha da Ordem do Mérito Industrial ao premiê da Nova Zelândia.

O comércio entre Brasil e Nova Zelândia tem muito espaço para expansão, afirmou o 2º vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, na ocasião.

“O Brasil, que atualmente é uma das maiores economias do mundo, não está nem um pouco satisfeito em ser o 47º principal parceiro comercial da Nova Zelândia. Queremos avançar e temos certeza que esse é também o objetivo dos senhores”, disse Ometto.

Pensilvânia, Estados Unidos

Em abril, o governador Thomas Corbett, do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, visitou a entidade para conversar com o empresariado local. No encontro, Corbett apresentou as oportunidades de investimentos existentes na região e as possibilidades de cooperação entre o estado e empresas brasileiras.

Thomas Corbett apresentou as vantagens competitivas da Pensilvânia na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Novo decreto antidumping

O Derex presta assistência técnica aos sindicatos no combate às práticas desleais no comércio exterior e na interlocução de seus interesses perante o governo.  Também busca contribuir para a formulação de políticas públicas que defendam a indústria brasileira em face de irregularidades nas importações, bem como o acesso a mercados.

Dentre as principais ações promovidas pela área em 2013, destaca-se a publicação do “Guia antidumping”, visando apresentar ao público empresarial os principais aspectos relativos ao mecanismo antidumping.

O documento foi inserido no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (MDIC) para consulta e solicitado pela Receita Federal para disponibilizar aos seus servidores. O trabalho foi precedido de uma consulta pública na qual a Fiesp coordenou uma manifestação com entidades do setor privado para alterar a principal regra relativa às medidas antidumping.

Para aprofundar o conhecimento sobre a questão, a Fiesp promoveu o seminário “Novo Decreto Antidumping: mudanças e impactos”, em setembro.

Para Felipe Hees, diretor do Departamento de Defesa Comercial (Decom) do ministério, o decreto é uma etapa na evolução da defesa comercial no Brasil, afirmou durante o seminário “Novo Decreto Antidumping: mudanças e impactos”.

195 mil certificados de origem

A Área de Certificado de Origem, cujo objetivo é fornecer aos exportadores um dos principais documentos nos processos de vendas externas, beneficiando os empresários com a redução ou isenção do imposto de importação nos países com os quais o Brasil possui acordos de comércio, foi outra área que conquistou ótimos resultados em 2013.

Foram cerca de 195.000 processos de certificação, permanecendo a Fiesp como a maior prestadora de serviço deste produto no Brasil.

Galeria de Arte Digital do Sesi-SP faz parte das comemorações do ano Brasil-Alemanha

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

A abertura da  nova exposição da Galeria de Arte Digital do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), na noite dessa quarta-feira (15/05), transformou a fachada do edifício-sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em plataforma para as comemorações do ano Brasil-Alemanha 2013-2014.

Walter Vicioni, superintendente do Sesi-SP. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

Com obras visuais e interativas, a mostra “Brasil-Alemanha: Culturas Conectadas” mistura culturas dos dois países. “Essa mostra busca um mundo bem melhor para o desenvolvimento da pessoa humana, conectando inovação e inteligência entre o Brasil e a Alemanha”, afirmou o superintendente do Sesi-SP, Walter Vicioni.

“Um aspecto muito importante dessa mostra é a interatividade porque não é apenas receptiva; ela envolve o público”, afirmou o presidente mundial do Goethe-Institut, Klaus-Dieter Lehmann, ao destacar o fato de a exposição não está num ambiente virtual, mas sim num espaço público.

Para ele, o papel das duas curadoras, uma de cada nacionalidade, trabalhando em conjunto para dar vida ao projeto, foi muito importante. “Elas tiveram um papel fundamental na escolha das obras e artistas, porque São Paulo e Berlim são cidades diferentes”, afirmou Lehmann.

Marilia Pasculi, da Verve Cultural/Brasil, Susa Pop, do Public Art Lab, curadoras da mostra 'Brasil-Alemanha: Culturas Conectadas'. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

A curadora Marilia Pasculi, da Verve Cultural/Brasil, explicou que essa mostra é a junção de obras de artistas dos dois países – quatro, no total, que são tratadas como uma única obra. “O nosso briefing para os artistas foi o e pensar nessa fachada como uma janela para o público interagir. A ideia era ser uma mídia urbana, como é”, afirmou.

“Essa mostra é uma plataforma de intercâmbio cultural, um palco digital para os cidadãos”, afirmou curadora Susa Pop, do Public Art Lab. Na opinião da alemã, essa oportunidade permitiu que os artistas mesclassem as culturas das nações. “Eles [os artistas] buscaram misturar as culturas dos dois países e criam algo totalmente novo”, completou.

Brasil-Alemanha 2013-2014

Klaus-Dieter Lehmann, presidente mundial do Goethe-Institut. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

O presidente mundial do Goethe-Institut, Klaus-Dieter Lehmann, lembrou que essa exposição faz parte de uma série de eventos que inauguram as comemorações do ano Brasil-Alemanha, que começou na segunda-feira (13/05) com a vinda do presidente da Alemanha, Joachim Gauck, que participou do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha.

Para Walter Vicioni, essa mostra materializa o tema do ano Brasil-Alemanha [Quando ideias se encontram”]. “É uma conexão da cultura de dois num formato inusitado que provoca um novo olhar dos artistas”, explicou Vicioni.

A curadora Marilia Pasculi concorda. “Esse é o nosso projeto dentro desse cenário. Além de aproximar a arte digital entre os dois países, o público é cocriador da obra e isso é muito importante.”

Clique aqui e conheça mais sobre a mostra “Brasil-Alemanha: Culturas Conectadas”.

Internacionalização é um dos maiores desafios para as PMEs brasileiras

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Reinhold Festge, presidente da Latin America Initiative of German Business (LAI). Foto: Everton Amaro/Fiesp

As quase seis milhões de pequenas e médias empresas brasileiras representam 20% do Produto Interno do Brasil (PIB) e 60% da mão de obra empregada no país. No entanto, com relação à importação, apenas 9,5 mil delas exportam. No workshop PMEs, realizado nesta terça-feira (14/05), no 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, profissionais dos dois países discutiram as possíveis soluções para essa equação.

Presidente da Latin America Initiative of German Business (LAI) e empresário no Brasil desde 1977, Reinhold Festge destacou as diferenças entre os países, que podem justificar por que a Alemanha exporta mais. Entre as razões está o apoio dado pelo governo alemão às PMEs e o tamanho do mercado interno de cada país. Mas Festge disse acreditar que os empresários brasileiros podem superar os obstáculos nacionais.

Volker Treier, vice-presidente executivo da DIHK. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Quando cheguei ao Brasil, há mais de 30 anos, era mais vantajoso produzir no Brasil do que na Alemanha. Hoje tenho uma desvantagem com relação à produção alemã. Já vi muita coisa acontecer, ondas econômicas que sobem e descem. Mas acredito que estamos em um bom caminho”, afirmou ele. Festge destacou que é fundamental que os pequenos e médios empresários invistam em profissionais qualificados, qualidade dos produtos melhores e na buscar de mais vantagens no mercado.

Bodo Liesenfeld, presidente do conselho da Lateinamerika E.V., também afirmou acreditar no desenvolvimento das PMEs brasileiras, mas isso depende da força do empresariado. “Tanto os empresários brasileiros quanto alemães precisam de coragem para assumir riscos e investir.”

Qualificação profissional foi um assunto reforçado por Volker Treier, vice-presidente executivo da DIHK. “Mão de obra especializada é um fator decisivo para as PMEs. Na Alemanha, temos o sistema de formação dual, em que as empresas assumem a formação de pessoal, em parceria com instituições, fazendo com que a formação aconteça diretamente nas fábricas.

Gutember Uchoa, secretário de Estado para o Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. Foto: Everton Amargo/Fiesp

Parceria entre Brasil e Alemanha

Tema central do encontro, a parceria entre os países também no caso das PMEs foi discutida. “Acredito que, para diminuir os riscos, a Alemanha busca diversificar e pulverizar seus destinos de exportação e investimentos, enquanto o Brasil precisa buscar novos mercados”, disse Gutember Uchoa, secretário de Estado para o Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. “Portanto, se não existem mecanismos proativos que estimulem os negócios recíprocos, precisamos aproveitar encontros como esse para refletir sobre o que pode ser feito e estimular esses investimentos.”

Alex Figueiredo, gerente do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex-Brasil) na Europa. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Do lado brasileiro, Alex Figueiredo, gerente do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex-Brasil) na Europa, apresentou sua organização que, entre outras atividades, desenvolve projetos e produtos para que as PMEs possam dar o passo da internacionalização. “Enquanto na Alemanha a empresa é aberta já pensando internacionalmente, no Brasil o foco inicial é no mercado interno.”

Foto: autoridades participam da abertura solene do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha

Agência Indusnet Fiesp 

A presidente da República, Dilma Roussef, o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, e os presidentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Skaf e Robson Braga de Andrade;  junto a autoridades brasileiras e alemãs, reuniram-se na tarde desta segunda-feira (13/05), para a abertura solene do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2013), que aconteceu no WTC, em São Paulo.

Na ocasião, a orquestra Bachiana do Sesi-SP interpretou os hinos da Alemanha e do Brasil,  regida pelo maestro João Carlos Martins.

Autoridades na solenidade oficial de abertura do Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Na foto, da esquerda para a direita:

1 – [encoberto] Robson de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
2 – Fernando Haddad, prefeito de São Paulo
3 – Helena Chagas, ministra-chefe da Comunicação Social da República Federativa do Brasil
4 – Harald Braun, secretário-executivo do Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros da da República Federal da Alemanha
5 – Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da República Federativa do Brasil
6 – David Gill, secretário-executivo e chefe do gabinete presidencial da República Federal da Alemanha;
7 – Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo
8 – Joachim Gauck, presidente da República Federal da Alemanha
9 – Dilma Rousseff, presidente da República Federativa do Brasil
10 – Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil
11 – Anne Ruth Herkes, secretária de Estado do Ministério da Economia e Tecnologia da República Federal da Alemanha
12 – Aloizio Mercadante, ministro da Educação da República Federativa do Brasil
13 – Hans-Jürgen Beerfeltz, secretário-executivo do Ministério Federal de Cooperação Econômica da República Federal da Alemanha
14 – Guilherme Afif Domingos, ministro da secretaria da Micro e Pequena Empresa da República Federativa do Brasil
15 – Ulrich Grillo, presidente da Confederação das Indústrias Alemãs (BDI)
16 – Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

EEBA 2013: debate trata de alternativas para agregar valor à matéria-prima brasileira

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Fiesp, moderou debate sobre valor agregado à matérias-primas Foto: Fiesp

O Brasil é grande produtor de recursos naturais, mas ainda agrega pouco valor a essa produção, afirmou nesta segunda-feira (13/05) o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, no 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2013).

O titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp foi um dos participantes do workshop “Agregando valor às matérias–primas: como e onde”.

“Somos conhecidos no cenário internacional como produtores de commodities como café, açúcar, carne, frango, suco de laranja etc. Somos os segundos maiores exportadores do mundo de soja, com uma safra que já passa de 180 milhões de toneladas de grãos; produtores de ferro e de inúmeros metais; e o maior produtor mundial de nióbio, um metal estratégico para indústria siderúrgica mundial”, explicou o diretor do Derex, ressalvando que o Brasil agrega pouco valor a esses recursos.

“A intenção do governo e do setor privado é sempre formular estímulos para que a produção brasileira cresça. Para isso, muitas vezes é necessário realizar parcerias internacionais”, afirmou Giannetti.

Segundo ele, as experiências de empresas alemãs podem apontar alternativas para o Brasil. “Alguns produtos estratégicos passam a preocupar a indústria em geral como as terras raras, que são 17 elementos minerais estratégicos para as indústrias siderúrgicas e metalúrgicas mundiais”, observou.

De acordo com Giannetti, a China conseguiu conquistar uma posição de hegemonia nas terras raras. “Desses 17 elementos, a China detém quase 90% e estabelece cotas para exportação. O Brasil tem um grande potencial nessa área, mas precisa de tecnologia para separar esses minerais dos outros. Precisamos de métodos de metalurgia de separação econômica que seja rentável e crie novas fontes de suprimentos”, explicou.

Para o diretor do Derex, a Alemanha possui essa capacidade tecnológica e “pode se associar às empresas brasileiras para explorar, não só terras raras, mas outras perspectivas naturais que estão em vias de escassez”.

Energia e transporte

O diretor da empresa alemã Siegener Verzinkerei Holding, Paul Niederstei, afirmou que tem interesse em conhecer mais o mercado brasileiro. “Há uma grande demanda por parte de vocês nos projetos de infraestrutura e energia. Esses são dois fatores-chave para garantir o sucesso do Brasil e de todos os mercados emergentes”, completou.

Na opinião do diretor alemão, nessas áreas é necessário grande volume de fornecimento de aço. “O aço tem um problema: ele oxida, enferruja, e deve ser galvanizado, coberto com uma camada de zinco. Para nós, isso é uma vantagem”, explicou, acrescentando que a corrosão do aço causa prejuízo de 30 a 40 bilhões de euro por ano na Alemanha. “É um grande prejuízo na economia”, afirmou.

Segundo Niederstei, no Brasil, 700 mil de toneladas de aço foram galvanizadas no ano passado, enquanto, na Alemanha, esse número gira na casa dos 2 milhões de toneladas. “Vemos grande oportunidade na indústria de construção civil. Mas a questão é: como podemos penetrar no mercado brasileiro, de forma responsável e sustentável?”, questionou ao concluir.

Case de sucesso

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, mostrou-se preocupado com a falta de valor agregado no Brasil. “Nós não somos mais nada do que o Brasil-Colônia. Exportávamos cana-de-açúcar, depois café e agora soja. Tudo isso in natura. Depois, importamos dos mais diversos países do mundo, os produtos acabados”, afirmou.

Figueiredo acredita que o Brasil precisa criar um conceito de agregar valor às matérias-primas. “É preciso ter o tripé: tecnologia, estímulo ao investimento e qualificação de mão de obra. Esse é um desafio para o Brasil se reposicionar”, alertou.

O diretor comercial da Agropalma, Marcello Amaral Brito, contou como a empresa que representa – ligada à indústria de matéria-prima básica – consegue agregar valor. “É preciso coragem, assumir posições não muito simpáticas para a indústria da qual você participa”, afirmou.

Brito explicou que a Agropalma adotou um processo chamado “Operação curiosidade”, que significa estar o mais próximo o possível de clientes e concorrentes. “Não economizamos em viagens para feiras, reuniões e encontros, pois isso nos traz os dados para que implementemos em nossa empresa”, explicou.

Como resultado de um investimento de 15 anos, Brito contou que a empresa foi líder no setor num ranking elaborado pelo Greenpeace no último ano. “Todo nosso investimento socioambiental se paga e dá lucro”, afirmou ao ressaltar que todas as pesquisas e estudos valeram a pena.

“Todo investimento socioambiental, se bem aplicado, vira um bom lucro”, concluiu.

PPPs são foco da Investe São Paulo, aponta Luciano Almeida, presidente do organismo estadual de fomento

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

“A construção de uma nova ferramenta, a Manifestação de Interesse Privado (MIP), abriu um mundo de oportunidades para as Parcerias Público Privado (PPPs) em São Paulo”, afirmou Luciano Almeida, presidente da Investe São Paulo, em palestra realizada nesta segunda (13/05) durante o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha.

Luciano Almeida, presidente da Investe São Paulo, no EEBA 2013. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Normalmente, os projetos de PPPs eram desenhados dentro dos governos, partiam para licitação e não apareciam interessados. O Estado de São Paulo inovou e inverteu a lógica: o governo convida os empresários do setor privado a oferecer ao governo as propostas de parceria.”

De acordo com Almeida, os MIPs resultaram em um aumento de projetos e na diversificação de áreas de atuação.

O presidente do Investe São Paulo ressaltou a importância do ajuste financeiro feito pelo Estado: “Isso permite um grau de endividamento, ou de projetos de parceria, que remontam US$ 71 bilhões, sendo 24 para PPPs, e US$ 46 bilhões de projetos diretos de investimento”.

Aproveitando a presença de empresários alemães no encontro, Almeida trouxe informações sobre a economia do Estado e apresentou o Investe São Paulo, criado pelo Governo de São Paulo há quatro anos com objetivo de impulsionar o emprego e a renda no Estado.

‘Com MP dos Portos teremos terminais mais eficientes e redução de custos’, diz Skaf

Alice Assunção, Agencia Indusnet Fiesp

Paulo Skaf: com maior concorrência dos portos, teremos terminais mais eficientes e redução do custo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A expectativa para aprovação da Medida Provisória 595, a MP dos Portos, é positiva, afirmou na segunda-feira (13/05), no WTC São Paulo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

“Não é possível que um projeto que seja do interesse do Brasil não seja aprovado. Minha confiança é de que isso acontecerá nesta semana, sim”, disse Skaf em entrevista coletiva durante o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2013.

A MP 595 institui novo marco regulatório para o setor portuário. Governo e sua base parlamentar têm até quarta-feira (15/05) para colocar a medida em votação na Câmara e no Senado.

“O governo está defendendo os interesses do Brasil. Nesse momento, ele defende a maior concorrência dos portos. Com ela, teremos terminais mais eficientes e redução de custos. Isso é a busca da competitividade”, explicou o presidente da Fiesp.

Negócios Brasil-Alemanha

Ao menos 2.000 empresários participam do 31º Encontro Brasil-Alemanha, que prossegue até terça-feira (14/05) na capital paulista, e esperam por oportunidades de negócios e investimentos de ambos os países.

Em seu discurso de abertura, o presidente da Federação das Indústrias da Alemanha (BDI), Ulrich Grillo, mencionou interesse de empresários alemães em investir em infraestrutura no Brasil (leia mais aqui).

Segundo Grillo, a Copa do Mundo em 2014 representa o primeiro desafio logístico para o Brasil. “Certamente há muito o que fazer. O governo brasileiro está atacando esse tema de forma intensa, mas [infraestrutura de transportes] é algo que sabemos fazer e gostaríamos de aplicar também ao Brasil”, disse.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu bem as intenções de investimento por parte do empresariado alemão nesta área. “É muito bom. O Brasil tem grande necessidade de investimentos em infraestrutura. A participação dos alemães aqui no Brasil não é novidade e coincide com o momento no qual o Brasil vai investir fortemente na infraestrutura”, afirmou Skaf.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, também se manifestou favorável ao investimento alemão, mas ponderou que leva tempo para que esses investimentos gerem retorno para o país.

“Precisamos de duas coisas: recursos financeiros e empresas capacitadas. O arcabouço ideal é as empresas alemãs e brasileiras se unirem para fazer esses investimentos”, afirmou Robson de Andrade. “Não vamos resolver esses problemas num curto espaço de tempo. Realmente vai demorar”, concluiu.

Governo da Alemanha quer o Brasil como parceiro forte e com novos acordos comerciais

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O primeiro painel de discussões do 31º Encontro Econômico Brasil–Alemanha  – evento que acontece até esta terça-feira (14/05), na capital paulista – abordou o tema parceria estratégica e econômica entre os dois países e contou com a presença do ministro Fernando Pimentel, que analisou as formas de fomentar parcerias cada vez mais efetivas de lado a lado. No entendimento do ministro, há um forte impulso para o fortalecimento da cooperação (leia mais aqui).

Anne Ruth Herkes, secretária de Estado do Ministério de Economia e Tecnologia da Alemanha. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Anne Ruth Herkes, secretária de Estado do Ministério de Economia e Tecnologia da Alemanha, enfatizou o interesse de seu país em se engajar cada vez mais com o Brasil, criando novas parcerias e desenvolvimento. “Nosso objetivo é cada vez mais aprofundar nossas relações, com muito otimismo e trabalho”, disse.

Ela acrescentou: “Fazemos parte do mesmo sistema de valores. Queremos o Brasil como parceiro forte, com novos acordos comerciais, para trabalharmos ainda com mais profundidade. Precisamos identificar o que queremos para os nossos países. Um acordo de bitributação é importante neste momento”.

Robson Andrade, da Confederação Nacional das Indústrias. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade, destacou os benefícios que um intercâmbio com a Alemanha pode trazer ao Brasil. “A indústria brasileira passa por dificuldades em competitividade”, pontuou, acrescentando que a indústria alemã é “um exemplo a ser seguido por nós: preparada para concorrência com o mercado internacional, inovadora e avançada”.

Conforme Andrade, uma grande oportunidade é a criação de parceiras em inovação tecnológica. “O Brasil é grande oportunidade de investimentos para todos os países”, destacou, ressaltando que uma indústria forte e a criação de um acordo de tributação devem ser olhadas com atenção pelos governos.

Stefan Zoller, do BDI. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Já o presidente do Conselho para o Brasil do BDI, Stefan Zoller, enfatizou a expectativa de que as parcerias “adentrem uma nova dimensão, com relacionamentos novos e ainda mais produtivos”. De acordo com ele, as pautas entre os dois países são próximas, principalmente em tecnologias verdes: “O ambiente é muito propício para o desenvolvimento mútuo”, salientou.

Ao encerrar o painel, Ingo Ploger, presidente do Conselho Empresarial da América Latina, indicou as novas dimensões comerciais internacionais: “Deve haver um trabalho muito forte entre os governos brasileiro e alemão para tecermos acordos com visão a longo prazo”, concluiu.

Brasil deve aprender com modelo alemão que fortalece pequenas e médias empresas, afirma Skaf no EEBA 2013

Alice Assunção e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A modelagem alemã para as pequenas e médias empresas (PMEs) é um dos principais pontos da pauta do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2013), disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, na manhã desta segunda-feira (13/05), durante cerimônia de abertura.

Na abertura do EEBA 2013, presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que as relações comerciais bilaterais entre Brasil e Alemanha são intensas, mas podem ser ainda mais. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“O modelo alemão das pequenas e médias empresas é muito importante e devemos trazê-lo para o Brasil e aprender com ele”, afirmou Skaf. Segundo ele, as PMEs representam 66% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão. “Estudos mostram que uma das razões para a resistência à crise da Alemanha é graças à política de pequena e média empresa”, completou.

De acordo com Skaf, o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha é mais uma oportunidade para estudar formas de impulsionar as relações comerciais bilaterais. “A participação das empresas alemãs no Brasil ajudou muito o crescimento do nosso país. As relações são intensas, mas podem ser ainda mais. A corrente de comércio entre os nossos países ainda é pequena”, alertou Skaf.

Para o presidente da Fiesp, as relações comerciais entre Brasil e Alemanha podem ser ainda mais estreitas e o fluxo de exportação entre os dois países, mais equilibrado, já que em 2012 o Brasil exportou o equivalente a US$ 7,22 bilhões, enquanto as exportações alemãs chegaram a US$ 14,2 bilhões.

Comércio exterior

Ulrich Grillo, presidente da BDI, citou a inovação como uma chave para fortalecer a indústria. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias Alemãs (BDI),  Ulrich Grillo, projetou um crescimento de 3,5% das exportações alemãs fora da zona do Euro neste ano.

Grillo alertou, no entanto, que a preocupação do empresariado alemão é o protecionismo adotado por alguns mercados estrangeiros. “O protecionismo é um perigo para a capacidade de crescimento de um país. Precisamos criar melhores caminhos multilaterais”, afirmou ao elogiar a nomeação do embaixador brasileiro Roberto Azêvedo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Isso mostra que o poder econômico do Brasil ganhou importância. Esperamos que Azêvedo dê novos impulsos nas OMC”, acrescentou.

Infraestrutura na Copa

Segundo o presidente do BDI, a Copa do Mundo em 2014 representa o primeiro desafio logístico para o Brasil.

“Certamente há muito o que fazer. O governo brasileiro está atacando esse tema de forma intensa, mas [infraestrutura de transportes] é algo que sabemos fazer e gostaríamos de aplicar também ao Brasil”, disse Grillo ao elogiar as concessões de aeroportos e de portos brasileiros para a iniciativa privada.

O representante da indústria alemã citou a inovação como uma chave para fortalecer a indústria. Apesar de o Brasil ocupar posição de liderança em agronegócio e matérias-primas, “o futuro também necessita de uma indústria forte”, ponderou Grillo.

Em seu pronunciamento, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que o momento da indústria brasileira é de busca por capacitação e inovação. “Nosso principal objetivo é proporcionar a melhoria do ambiente de negócios entre ambos os países”, concluiu.

Dilma Rousseff e Joachim Gauck confirmam presença no Encontro Empresarial Brasil-Alemanha 2013

Agência Indusnet Fiesp

Dilma Rousseff (Brasil) e Joachim Gauck (Alemanha) estão confirmados

A presidente da República Dilma Rousseff e o chefe de estado alemão, o presidente Joachim Gauck, têm presença confirmada no 31° Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2013).

O evento, que será realizado no Centro de Convenções World Trade Center, em São Paulo (SP), nos dias 13 e 14 de maio, é promovido em parceria entre a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), sua congênere BDI e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A inscrição é gratuita, e os empresários que a efetivarem poderão fazer parte de rodadas de negócios, nas quais serão discutidas parcerias em grandes projetos de infraestrutura, energia, inovação e saúde. A credencial também dá acesso a painéis que tratarão sobre parcerias estratégicas bilaterais, fundamentais para a competitividade dos dois países.

Os interessados em participar do evento devem preencher a ficha de interesse no site oficial do 31° Encontro Econômico Brasil-Alemanha.

Para saber mais sobre o evento e conhecer a programação completa, acesse o site do EEBA no Portal da Indústria.