‘Portos podem funcionar 24 horas virtualmente’, diz diretor do Porto de Santos

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Dos temas principais, a maior agilidade e o uso da inteligência nos serviços portuários e aeroportuários, foram debatidos em painel sobre os portos e aeroportos 24 horas no Brasil, na tarde desta quarta-feira (21/05), na Semana da Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Diretor de Planejamento Estratégico e Controle do Porto de Santos, Luis Claudio Montenegro, destacou ações como o chamado Porto sem Papel, com informações disponíveis e que possam “ser compartilhadas por todo mundo”.

“Portos podem funcionar 24 horas virtualmente”, explicou. “De qualquer lugar, posso fazer a liberação de cargas e navios.”

Segundo Montenegro, os navios podem mandar as informações para serem analisadas pelo sistema antes mesmo de chegarem ao seu destino. Todos esses dados são armazenados e organizados pelo sistema. “O Porto de Santos foi o primeiro a adotar o Porto sem Papel”, disse.

Montenegro: “De qualquer lugar, posso fazer a liberação de cargas e navios”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Montenegro: “De qualquer lugar, posso fazer a liberação de cargas e navios”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Outra medida sugerida foi a adoção de etiquetas eletrônicas, inteligentes, protegidas por lacres também eletrônicos, com informações sobre as mercadorias, sempre com o foco na agilidade dos processos. “A informação eletrônica deve estar disponível”, destacou o diretor de Planejamento Estratégico e Controle do Porto de Santos.

Navio parado

Advogado da Portonave S/A – Terminais Portuários de Navegantes, Diego de Paula destacou que a Nova Lei dos Portos  veio para aumentar a eficiência nos terminais portuários. “Hoje não se aceita mais navio parado”, disse.

Conforme De Paula, no país, hoje, são necessários 17 dias para embarcar um produto. “Na Europa, são três dias, em média”. Nessa linha, o delegado-chefe da Receita Federal na delegacia de Foz do Iguaçu, Gilberto Tragancin, afirmou que o tempo médio da atracação do navio até o registro de presença da carga no porto, no Brasil, é de 2,55 dias.

Entre os pontos apontados por Tragancin como entrave para o melhor funcionamento dos portos estão a baixa demanda pelos serviços no horário noturno e o baixo aproveitamento da mão de obra. “Precisamos que exportadores e importadores se envolvam mais nas etapas que lhes competem”, disse.

Funcionamento integral

Especialista pleno em competitividade industrial e investimentos no Sistema Firjan, que inclui a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Riley de Oliveira, lembrou que o Brasil tem “alguns dos melhores portos do mundo”, mas que é preciso pensar no funcionamento integral desses locais, não na operação parcial dos serviços.

Para isso, diz ele, o funcionamento 24 horas deve ser regra em todos os terminais. Nesse ponto, é fundamental a integração do Portal Único do Comércio Exterior com os órgãos estaduais. “A conclusão total do Portal está prevista para 2017, quando precisamos disso há duas décadas”, disse.

Oliveira: funcionamento integral dos portos e aeroportos.  Foto: Everton Amaro/Fiesp

Oliveira: funcionamento integral dos portos e aeroportos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A ampliação do programa Aeroporto 24 Horas para os oito principais aeroportos de carga do país é, na opinião de Oliveira, outra medida essencial.

Rumo ao futuro

Consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e também participante do debate, Adalberto Febeliano destacou a integração proporcionada ao comércio pela internet, com transações cada vez mais individualizadas, levando em conta os comportamentos dos consumidores. Isso seguindo a lógica das “informações sobrepostas”.

O que tudo isso tem a ver com os portos e aeroportos 24 horas? “É preciso ser competitivo nesse ambiente, estar no ar 24 horas por dia, sete dias por semana”, explicou. “Boa parte das ações pode ser automatizada com o apoio da rede”.

Segundo Febeliano, o preenchimento de fichas com mil itens de informação pelos importadores no Brasil é uma forma de tratar esses agentes como “contrabandistas”.

“Será que precisamos de tudo isso?”, questionou.

L.E.T.S

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets