Em palestra na Fiesp, PhD prevê ‘fim da morte’ até 2045

Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp

O PhD José Cordeiro, conselheiro da Singularity University, durante reunião do Conic da Fiesp

O PhD José Cordeiro, conselheiro da Singularity University, durante reunião do Conic da Fiesp

“A era das enfermidades será curada. Parkinson, Alzheimer e até as paralisias físicas serão erradicados. Os avanços da ciência permitirão inclusive que nos tornemos imortais. A morte ‘morrerá’ até 2045. Muitos cientistas acreditam que envelhecimento é doença e será curado”, disse Cordeiro em palestra nesta sexta-feira (11/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento foi promovido pelo Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic).O fim das doenças e a imortalidade. O que por muito tempo foi tratado apenas como ficção científica, pode se tornar realidade bem antes do que a humanidade espera, afirma o PhD Jose Cordeiro.

Além de falar sobre as inovações tecnológicas que permitirão acabar com mazelas hoje incuráveis, Cordeiro explicou o conceito da singularidade tecnológica que norteia esses estudos, apontando semelhanças entre o corpo humano e um computador.

“As quatro tecnologias do futuro serão Nano, Bio, Info e Congo. Nano e Bio seriam como o hardware, enquanto as outras duas, o software. Juntas, elas formarão o corpo humano do futuro. Os japoneses já estão inclusive criando um cérebro artificial que deverá ser concluído até 2018”, declarou o doutor e também conselheiro da Singularity University, iniciativa da Nasa e do Google para estudar e formar cientistas.

Segundo Cordeiro, o que pode explicar a proximidade desta revolução é a velocidade da tecnologia nos dias de hoje e o fato de os computadores ficarem mais rápidos e inteligentes a cada ano.

“O Deep Blue [supercomputador da IBM] venceu Gary Kasparov, em uma partida de xadrez no ano de 1996, e custou milhões de dólares para ser produzido. Hoje, você compra algo igual na internet por 10 dólares. Recentemente, o Watson [também da IBM) venceu o Jeopardy [jogo norte-americano de televisão] com larga vantagem sobre os concorrentes e mostrou que não temos como competir com a máquina no que tange a processamento. Em 30 anos, teremos computadores mais inteligentes que irão superar, por conta própria, a mente humana”, apontou o PhD, lembrando que o Brasil comprou exemplares do Watson para usar em hospitais.

Comunicação pela mente

Cordeiro também acredita que no futuro as pessoas falarão menos e se comunicarão pela mente, o que irá acelerar decisões no mundo todo, melhorando na prática a qualidade de vida de uma forma geral.

“Em 20 anos deixaremos de falar. Essa é uma técnica primitiva. Claro que é um avanço em relação aos macacos, mas eles não falam. Hoje temos alguns jogos de videogame que já leem nossas ondas cerebrais e entendem os movimentos, mas os estudos vão além disso. Com as conversas mentais, tomaremos decisões mais rápidas e precisas”, explicou ele, que também afirmou que um futuro com robôs é cada vez mais provável.

“Os robôs irão evoluir e estarão completamente no nosso dia a dia. Terão, inclusive, sentimentos como os humanos, mas serão totalmente superiores, pois não cansam e processam informações de forma muito mais rápida. Na Coreia já se discute uma lei para criar direitos para os robôs, como fazemos para nós, humanos. E um dia veremos uma Copa do Mundo disputada por robôs. Pode ser que os robôs brasileiros ganhem, mas não serão humanos”.

Porém, por mais que inove, o próprio ser humano poderá ser o obstáculo para acessar toda essa tecnologia. Para Cordeiro, as multiculturas existentes e a diferença com que o Oriente e o Ocidente encaram as novidades, além da questão religiosa, que em muitos países freia o progresso, podem frear o desenvolvimento.

“A Ásia vê os robôs como salvação, inova e investe. Mas o Ocidente teme, muito por causa do cinema. Acham que podem nos dominar. E o lado religioso também é complicado. O Islã, por exemplo, é uma barreira. São países fortes e que vivem na idade média ainda”, declarou, apontando o lugar do Brasil nessa questão. “Se o Brasil não quiser participar, vai ser deixado de lado. Eles [os asiáticos] não vão esperar”, concluiu.