Desenvolvimento de parcerias entre Brasil e Holanda em bioeconomia em debate

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas em bioeconomia participaram do seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes”, nesta quinta-feira (05/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro faz parte da 16º Semana de Meio Ambiente.

O diretor geral de Empresas e Inovação do Ministério de Assuntos Econômicos da Holanda, Bertholt Leeftink, destacou o atual panorama na Holanda em inovação e projetos sustentáveis.

Para Leeftink, as oportunidades entre os dois países são inúmeras, já que 75% da população global residirá em centros urbanos até 2050. Para atender à demanda futura, Leeftink acredita que será necessária uma reprogramação dos principais centros urbanos do mundo.

“Para a qualidade de vida dos habitantes desses centros cada vez mais complexos, precisaremos de soluções holísticas, com envolvimento de muitas áreas do conhecimentos e de  nações e centros de pesquisas internacionais”, afirmou.

Leeftink falou também sobre os atuais projetos holandeses em energia. O panorama energético atual do planeta passa por uma série de mudanças importantes, segundo ele, com o consumo energético aumentando “drasticamente’.

Leeftink: soluções para a qualidade de vida nos grandes centros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Leeftink: soluções para a qualidade de vida nos grandes centros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Uma das opções encontradas pela Holanda na área é a ligação entre redes baseadas em energia solar com as redes inteligentes “smart grids”.

Segundo o diretor, a Holanda possui know-how na questão, através da atuação de empresas especializadas e institutos de conhecimento, e pode ajudar a criação de soluções semelhantes no Brasil.

Outro tema abordado por ele foi a chamada bioeconomia, uma economia sustentável, que reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos. Na visão de Leeftink, o Brasil possui muita ambição no setor, pretendendo se tornar um país, até 2030, de matriz energética baseada em recursos biológicos.“A Holanda quer ser parceira para o desenvolvimento da atividade no Brasil”, afirmou.

A Holanda possui três indústrias líderes em qualidade no mundo que operam em setores ligados à bioeconomia, segundo o diretor.

“O Brasil já possui ótimos resultados na área de bioeconomia, mas, para atingir o objetivo estipulado pelo governo, muito ainda precisa ser feito, e a Holanda pode ser parceria para que isso aconteça”, disse.

Inovação

Markus Leuenberger, diretor de Desenvolvimento de Negócios do Instituto Holandês de Energia, destacou as qualidades das cidades inteligentes. Para ele, uma saída para os atuais problemas urbanos está na construção delas.

Para ele, inovação é a “palavra base” para a mudança do paradigma urbano, principalmente em cidades como São Paulo. “A inovação opera através da colaboração entre indústrias, governos e institutos de pesquisa”.

Leuenberger explicou como os holandeses trabalham os projetos de cidades inteligentes. “Desenvolvemos políticas públicas para o governo holandês, com visão a longo prazo, implantando programas nacionais e operando com unidades técnicas com energia solar, eólica e de biomassa.”.

Processos holandeses

Na visão de Tatjana Komissarova do Instituto Holandês de Energia, apesar de o Brasil ser o maior e melhor produtor de bioetanol do mundo, desafios surgem à frente.

Um dos problemas a serem trabalhados pelo Brasil, na visão de Tatjana, é o melhor aproveitamento da cana de açúcar. “A cana não é inteiramente utilizada aqui, com desperdícios de partes importantes da biomassa”, alertou.

Tatjana: desafio do melhor aproveitamento da cana de açúcar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Tatjana: desafio do melhor aproveitamento da cana de açúcar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em seguida, a especialista apresentou alguns projetos do Instituto Holandês de Energia. Entre eles, a torrefação, processo através do qual há transferência de biomassa para propriedades próximas àquelas encontradas no carvão vegetal. A tecnologia produzida na Holanda já está sendo comercializada, e, para Tatjana, deveria ser objeto de atenção dos brasileiros.

Além da torrefação, ela citou outras tecnologias, como a torwasch (um tratamento especial para a biomassa contaminada) e a gaseificação termal (um método de conversão de biomassa e resíduos de carvão em gás de alto valor energético).

 Kwant: mais ações em bioeconomia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kwant: mais ações em bioeconomia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kees Kwant, da Netherlands Enterprising Agency, fechou o encontro, e ressaltou a necessidade de ações em bioeconomia. “Temos que utilizar biorecursos que resultem em ganhos econômicos, com proteção ambiental e crescimento do bem estar social”.

Semana do Meio Ambiente

A Semana do Meio Ambiente é uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Panorama da biotecnologia e soluções inovadoras são apresentados em seminário

Dulce Moraes, Agência Indusnet

O Seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes” abriu a programação desta quinta-feira (05/06) dentro da 16º Semana de Meio Ambiente, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Nelson Vieira Barreira, diretor doDepartamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, abre Seminário. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

O encontro contou com a presença do Cônsul Geral do Reino dos Países Baixos [Holanda] em São Paulo, Jan Gijs Schouten, participação elogiada pelo diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Vieira Barreira.

“Esse evento tem grande importância não só pelo momento tecnológico vivido pela biotecnologia mas também pela presença do Cônsul Geral da Holanda que tem dado uma grande colaboração a essa Casa”, destacou o diretor do DMA.

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Consul-Geral da Holanda, Jan Shouten. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Shouten classificou a Fiesp como fiel parceira de seu país em São Paulo e agradeceu o convite. “Hoje estamos aqui para apresentar as melhores empresas da Holanda na área de biotecnologia e soluções inovadoras para cidades criativas. E o que eu posso dizer é que não é a última vez que o Consulado Geral e a Fiesp irão trabalhar em conjunto”, afirmou o Consul-Geral.


A Biotecnologia do Brasil

Em sua palestra “Panorama da Biotecnologia do Brasil”Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e Biotecnologia (Bio Brasil/Combio) da Fiesp, destacou que é uma honra realizar esse evento no Dia do Meio Ambiente e com parceiros holandeses.

Ele relembrou que, desde 2006, a Holanda vem estabelecendo constantemente parcerias e eventos com a Fiesp, entre eles, a vinda do Rei da Holanda, em 2012, momento que coincidiu com a própria criação do Bio Brasil/Combio da Fiesp.

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Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio da Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

“O Comitê da Bioindústria representa as empresas de diversos setores, na área da Saúde Humana (como cosméticos e setor farmacêutico), da Saúde Animal, da Agricultura, da Energia, no Meio Ambiente (serviços e insumos) e na área de Defesa. E essa ação multissetorial tem sido fundamental para mostrar à indústria que biotecnologia e bioindústria não significam um setor, mas, uma ação coordenada entre setores. Por isso, ela precisa, necessariamente, ser multidisciplinar”.

Ele relembrou que o Brasil vem trabalhando sua base biotecnológica desde 1887, quando foi criado o Instituto Agronômico de Campinas, que trouxe a base de desenvolvimento de todas as novas espécies de cana-de-açúcar, algodão e café produzidas no país.

Giacomazzi fez questão de desmistificar a crença de alguns países estrangeiros de que a larga produção agrícola do Brasil provoca o desmatamento da Amazônia. No mapa do cultivo de cana-de-açúcar, ele sinalizou que as produções se concentram principalmente na região Sudeste do país, bem distante da região amazônica. “O Sudeste representa 90% dessa produção de cana, 10% está na região Nordeste. Portanto, o Brasil está muito consciente em relação a sua expansão da sua fronteira agrícola, sem desmatar a Floresta Amazônica.” Além disso, ele destacou 64% das nossas florestas estão preservadas, 30% é utilizado para produção agrícola, onde temos 1% da produção da cana-de açúcar e 0,4% dessa cana-de-açúcar vai virar etanol”.

Liderança paulista

Segundo Giacomazzi, o estado de São Paulo concentra 40% das empresas de biotecnologia. Essas, somadas as dos estados de Minas Gerais e Rio Grande Sul, representam 80% das empresas de biotecnologia do Brasil. “A liderança paulista é bem percebida, o que faz se ter uma responsabilidade ainda maior da Federação das Indústrias [Fiesp] em liderar esse processo”, afirmou.

Giacomazzi destacou uma preocupação das indústrias em torno da nova Lei da Biodiversidade que deve ser votada em agosto. “O resultado dessa Lei terá impacto direto no desenvolvimento da bioindústria no Brasil, pois a lei atual não incentiva, mas pune as empresas”.

O coordenador do Combio ressaltou as diversas parcerias internacionais que a entidade vem realizando, inclusive com a Holanda e enfatizou a necessidade de se pensar, tanto na economia como nas cidades, dentro de um conceito circular e sustentável.

Economia Circular

Refletindo sobre o futuro, Giacomazzi, acredita que a Economia Criativa, que vem da educação para essa nova economia, ainda está por vir. “Vamos precisar pensar como vamos fazer o gerenciamento das nossas águas e como vamos tratar da nossa saúde relacionado a isso. Significa também que vamos precisar pensar também em energia, agricultura e novas formas de economia”.

O coordenador do Combio expressou que o que se busca na interação com parceiros holandeses é a realização de programas conjuntos que sejam específicos para atender a realidade do país. “Aqui já começa essa primeira sinergia para descobrir como vamos transformar o que é linear circular, fechando o ciclo de água, energia, nutrientes. E quando estamos falando de economia circular estamos falando de novos materiais, de arquitetura e de novos modelos construtivos para as cidades”, afirmou.

Indústria de plástico investe em ações para derrubar imagem de vilã do meio ambiente

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Não é mais uma certificação. Empresas têm investido na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), um recurso que avalia o impacto ambiental de produtos industrializados para ganhar, inclusive, participação de mercado. Entre os setores, os que mais se destacam são os fabricantes de plástico, avaliou na manhã desta terça-feira (03/06) o engenheiro Pedro Márcio Munhoz. Ele é professor de Tecnologia em Processos Ambientais e Tecnologia em Polímeros da Faculdades Senai –SP.

“A indústria de polímeros (matéria-prima do plástico) está buscando fazer  a Avaliação de Ciclo e Vida justamente mostrar que o plástico não é esse vilão para o Meio Ambiente como todo mundo imagina que é”, afirmou Munhoz ao participar de uma rodada de palestras durante a 16º Semana de Meio Ambiente da Fiesp.

O professor avaliou ainda que a aplicação de ferramentas com a ACV é um recurso a mais para a empresa que quer competir no mercado uma vez que ela pode ganhar vantagem com um produto com design e função sustentável.

“Se eu tenho uma empresa que faz um produto mais sustentável, eu posso comparar e comprovar que esse produto é mais sustentável em relação ao meu concorrente”, explicou. “Também posso usar a avaliação para desenvolver o ecodesign, ou seja, produtos inovadores que sejam mais sustentáveis para a sociedade”, disse Munhoz.

Munhoz: ecodesign e produtos mais sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Munhoz: ecodesign e produtos mais sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ele explicou ainda que a fase mais complexa da ACV é o fazer o levantamento do inventário, um balanço da massa e energia empreendida na produção. Embora haja softwares dedicados a esse cálculo, outro obstáculo se coloca a frente desse processo: a base de dados desses programas recomendados é formada segundo a realidade de empresas norte-americanas e europeias.

“Nem todas as profissões têm essa competência para fazer esse balanço, então as empresas usam softwares com uma base de dados não brasileiras. Mas com uma pequena adaptação consegue-se fazer esses inventários”, disse.

Apesar dos desafios, Munhoz afirmou que um número expressivo de empresas de grande porte tem incorporado a Avaliação de Ciclo de Vida em seus processos. Ele destacou a Rede Empresarial de Avaliação de Ciclo de Vida, criada em outubro do ano passado e formada por nove corporações, entre elas a petroquímica Braskem, o grupo Bosch, a indústria de alimentos Danone e outras.

“A Bosch, por exemplo, fez a Avaliação de Ciclo de Vida do seu ferro de passar e mostrou que poderia reduzir a massa em 30%, tendo uma economia em matéria-prima, no transporte e na logística”, exemplificou.

A 16º Semana de Meio Ambiente é promovida pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Aberta nesta segunda-feira (02/06), a Semana terá prosseguimento até sexta-feira (06/07).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp