Especialistas holandeses destacam desafios na implantação das cidades inteligentes

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Dirigentes de empresas e professores de universidades da Holanda participaram do seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes” na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quinta-feira (05/06).

Em sua apresentação, o professor adjunto da Universidade de Wageningen, na Holanda, Karol Keesman, sublinhou a necessidade de inovação no tratamento de resíduos sólidos em cidades inteligentes.

Keesman relatou alguns dos projetos desenvolvidos pela universidade. Inclusive os atuais estudos que os acadêmicos da Universidade de Wageningen realizam em reúso e abastecimento de resíduos líquidos.

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Keesman destacou ainda a relevância da utilização de uma rede de informação integrada nas cidades, para que esta gere melhorias e ganhos na redução do consumo de água e de energia.

Em seguida, o professor da Universidade de Twente e diretor executivo da IGS, Sjoerd van Tongeren, destacou os principais desafios que as mudanças climáticas representaram para as cidades inteligentes. O acadêmico também falou sobre consumo de energia, projetos de transferência energética, smart grids e cidades inteligentes. “A abordagem na construção de uma cidade inteligente é multidisciplinar, envolve ciências sociais, engenharias, psicologia, tecnologia de ponta”, disse.

Maurice Geraets, vice-presidente de Novos Negócios da NXP, destacou as atividades que a multinacional holandesa desenvolve na área de semicondutores e soluções seguras para aplicação em cidades inteligentes.

Tongeren: cidade inteligente é multidisciplinar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Tongeren: cidade inteligente é multidisciplinar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para Geraets, a distribuição de energia elétrica em cidades inteligentes brasileira será um dos maiores desafios a serem enfrentados.  “Não se pensa na importância cada vez maior dos medidores de energia”.

Durante o encontro também foi destacada a importância de projetos inovadores para o abastecimento de água e construção de localidades sustentáveis sem consumo de carbono.

Semana do Meio Ambiente

O seminário faz parte da  16ª  Semana do Meio Ambiente, uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Empresas holandesas apresentam soluções sustentáveis para as indústrias

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Trazendo a experiência holandesa para o Brasil, empresários da área de soluções sustentáveis apresentaram seus produtos no Seminário Tecnologia & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes, realizado nesta quinta-feira (05/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Sérgio Cruz, da Paques – Efluentes biológicas e tratamento de gás, falou sobre o processo de geração de recursos de efluentes por biotecnologia. “É possível converter água desperdiçada em energia e fertilizante”, afirmou ele, que trouxe exemplos práticos de empresas no Brasil e no exterior que já utilizam o processo de tratamento anaeróbico. “Uma cervejaria que produz 1 milhão de litros por dia pode produzir 3 mil metros cúbico de biogás por dia”, disse.

Cruz: “É possível converter água desperdiçada em energia e fertilizante”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Cruz: “É possível converter água desperdiçada em energia e fertilizante”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Sobre o resíduo de cana de açúcar, Gerben Timmer, diretor de vendas da NEM Energy, mostrou que é possível, por meio do tratamento da vinhaça, produzir energia renovável, diminuir os custos de transporte e evitar a contaminação de água e do solo.

“A vinhaça é uma substância que pode criar problemas, mas já existem tecnologias para transformar isso em uma co-geração de energia renovável para neutralizar seu impacto ambiental.”

O gerente de estratégias da Waternet – Companhia de águas de Amsterdam, André Stuker, acredita que a solução para o setor de águas e resíduos sólidos nas cidades depende do trabalho conjunto de todos os interessados.

“Em Amsterdam, a Prefeitura colocou algumas metas, como chegar ao ano de 2040 sem desperdício de recursos naturais. Mas não dá para fazer isso sozinho, é preciso integrar empresas, governos e sociedade”, afirmou. “Espero que a nossa experiência inspire vocês.”

Stuker: trabalho conjunto em busca de soluções para a água e para os resíduos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Stuker: trabalho conjunto em busca de soluções para a água e para os resíduos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Por fim, Marjolein Brasz, gerente da unidade de negócios de bioenergia da Ecofys, apresentou ideias para a gestão de energia. “Podemos integrar, por meio da tecnologia, os sistemas de energia de diversas fontes, para dar flexibilidade ao uso e influenciar o tipo de energia que será utilizado em cada situação”, sugeriu Marjolein.

Semana do Meio Ambiente

O seminário faz parte da  16ª  Semana do Meio Ambiente, uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

 

 

Projetos sustentáveis do Senai-SP são expostos na 16ª Semana do Meio Ambiente

Fernanda Barreira, Agência Indusnet Fiesp

Alunos dos cursos de tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) promoveram ao longo desta terça-feira (03/06), no edifício-sede da Avenida Paulista, uma exposição de projetos que visam a redução de resíduos e otimização de processos industriais durante a 16ª Semana do Meio Ambiente, que acontece até 6 de junho.

Um dos projetos expostos foi a Eco lixeira de resíduos têxteis, desenvolvida pelos alunos da Faculdade Senai Antoine Skaf.

Com o objetivo de reciclar os resíduos sólidos da indústria têxtil, a ideia foi apresentada na última edição do Inova Senai, feira tecnológica que em setembro de 2013 reuniu 80 trabalhos desenvolvidos por alunos do Senai-SP no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

A Eco lixeira de resíduos têxteis: inovação e sustentabilidade. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A Eco lixeira de resíduos têxteis: inovação e sustentabilidade. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A proposta do projeto é reduzir o impacto ambiental aproveitando matérias-primas da indústria têxtil, de vestuário e, até mesmo, os cones plásticos de linhas, para compor a estrutura da lixeira. “A Eco Lixeira aumenta o clico de vida dos produtos, já que ela mesma pode ser reciclada e reaproveitada”, afirmou Alexandre de Caprio Ferreira, professor do curso Superior e da pós-graduação da Faculdade Senai Antoine Skaf.

Regador sustentável e campainha sem fio

Outro destaque da mostra é o compósito de manta têxtil, que transforma resíduos em um material que mantém as plantas úmidas por mais tempo, sem a necessidade de regar com frequência, além de evitar o acúmulo de água nos vasos, prevenindo contra a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Os alunos do Senai-SP também idealizaram uma campainha para ônibus sem fio. Quando o botão é pressionado, o sistema aciona um chip que emite som e ascende uma luz no painel do motorista, indicando que o passageiro solicitou a parada. As principais vantagens do experimento são a economia na utilização de fios de cobre, maior segurança e o tempo de montagem do sistema, que é reduzido em 95%.

A campainha para ônibus sem fio:  economia na utilização de fios de cobre. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A campainha para ônibus sem fio: economia na utilização de fios de cobre. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Arte e consciência

Parceria entre o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e o Senai-SP, o Sustent’ARTE é um projeto que incentiva a produção de 15 produtos utilitários e de mobiliário – petisqueira, mesa de centro e lavabo, entre outras peças – com cacos de cerâmica para mosaico. Os principais objetivos são ampliar o reaproveitamento de materiais descartados e transmitir esses ensinamentos para a população.

Projetados por alunos do Senai-SP, esses produtos são apresentados pelo Sesi-SP para moradores de comunidades carentes, que aprendem a fabricá-los para que depois possam comercializar.

Semana do Meio Ambiente

A 16ª Semana de Meio Ambiente é promovida pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Senai-SP.

Aberta na segunda-feira (02/06), a Semana tem prosseguimento até sexta-feira (06/06).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

‘A educação ambiental é a chave para o desenvolvimento do país’, diz professora

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

No segundo dia da 16ª Semana do Meio Ambiente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), que teve início nessa segunda-feira (02/06), foi realizado um debate sobre educação ambiental com a professora Rosimeire Oliveira, da escola Senai Mario Amato, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O evento está sendo realizado na sede da Fiesp e do Ciesp, na Avenida Paulista, em São Paulo, seguindo até esta sexta-feira (06/06).

De acordo com ela, a cultura de preservação e preocupação ambiental adquirida no ambiente de trabalho, muitas vezes, não é levada pelos funcionários ao ambiente externo, como a sua comunidade e residência. “A questão da reciclagem na indústria é muito forte, e até mais fácil do que em sua própria casa, porque está tudo à mão e organizado”.

Rosimeire criticou a falta de conscientização sobre este assunto e questionou se as pessoas fazem isso por uma “ordem ou imposição da indústria”, uma vez que, em casa, esse tipo de ação raramente ocorre. “Na indústria somos condicionados a não desperdiçar nada e em casa isto não acontece”, reiterou.

Rosimeire: diferenças de comportamento na indústria e em casa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Rosimeire: diferenças de comportamento na indústria e em casa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A professora destacou que a educação ambiental é a chave para o desenvolvimento de um país.  “Não é possível existir uma população que tem todas as oportunidades e condições de desenvolvimento se ela não tem esse olhar para o meio ambiente”, explicou. “Se esgotarmos os nossos recursos, não há mais nada que possamos fazer”.

Consequências

Rosimeire apresentou ainda problemas recorrentes no que diz respeito ao meio ambiente e analisou as mudanças climáticas globais e suas consequências para a biodiversidade, como o aquecimento global. Foram expostas pesquisas, estudos e relatórios sobre o meio ambiente e os impactos de problemas ambientais no Brasil.

Para a especialista no tema, o crescimento urbano, por exemplo, é um forte agente de pressão para o desmatamento, além de promover o aumento da poluição doméstica e industrial, principalmente por conta da queima de combustíveis fósseis e da crescente demanda por energia.

A importância da reciclagem de eletrônicos que não são utilizados também foi colocada em pauta. Segundo Rosimeire, a maioria das pessoas não está informada e não sabe onde é possível descartar esses objetos, quem podem causar um impacto ambiental muito grande caso não sejam jogados fora em locais adequados.

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp/Ciesp 

Diminuição de gases de efeito estufa não deve trazer prejuízos para a economia

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Desde 1860 há crescimento da temperatura global e isso não é explicado sem a constatação de que há participação humana no processo. A opinião é do pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), Luiz Gylvan Meira Filho, que participou da abertura da 16ª Semana do Meio Ambiente, na manhã desta segunda-feira (02/06).

O evento é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). E segue até a sexta-feira (06/06).

Para Filho, doutor em astrogeofísica pela Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, o controle do aumento da temperatura do planeta dependerá inteiramente das ações humanas a serem desenvolvidas pelos governos e entidades civis.

Filho: debate sobre as emissões futuras de gases de efeito estufa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Filho: debate sobre as emissões futuras de gases de efeito estufa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo o especialista, o clima futuro da Terra “depende do ser humano decidir qual será a quantidade de emissões do futuro, variável esta que dependerá do consumo e da natureza da matriz energética”.

Caminho possível

Para o futuro, Filho acredita que o cenário mais provável é aquele em que haverá limitação de emissões de gases de efeito estufa. “Limitar as emissões é uma alternativa considerada segura pelos participantes da Convenção do Clima de Copenhague, realizada em 2009”, diz.

Com a limitação estipulada para as emissões, a temperatura, segundo o especialista, não deverá crescer mais de 2ºC até 2100.

Há uma questão importante na visão de Filho quando se fala em limitação ou diminuição de emissões de gases que contribuem para a mudança climática. “Para que haja redução é preciso haver coordenação de ações para que não ocorram prejuízos para as economias globais”, alerta.

O presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, Ruy Martins Altenfelder Silva, também participou do evento. Para ele, a importância do debate em torno de questões relacionadas às mudanças climáticas é enorme.

“Não devemos nos deixar incomodar com as verdades inconvenientes relacionadas ao clima. Devemos enfrentá-las”, afirmou.

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Desmatamento caiu desde 2004, afirma secretário do Ministério do Meio Ambiente

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O desmatamento na Amazônia caiu de 30 mil quilômetros quadrados, em 2004, para 6,4 mil quilômetros quadrados em 2010, segundo o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA) do Governo Federal, Carlos Augusto Klink.

Klink participou, nesta segunda-feira (02/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da abertura da 16ª Semana do Meio Ambiente. O evento é uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Na visão do secretário, a redução do tamanho de áreas afetadas por atividades ilegais de desmatamento indica que a prática está “desaparecendo deste país”. A redução significa poupar o que o Reino Unido produz em emissão de gases estufa durante um ano.

Durante a sua apresentação no evento, Klink ainda sublinhou as recentes ações da secretaria do MMA. “O ministério está realizando um planejamento estratégico, com estruturação de políticas públicas, algo que não havia sido feito antes”.

Klink também cobrou do setor privado ações mais eficientes para a redução de emissões de gases poluentes. “Precisamos do setor privado mais atuante, caminhando na direção de uma solução, com ganhos de eficiência e inovação”.

Klink: necessidade de setor privado mais atuante. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Klink: necessidade de setor privado mais atuante. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O secretário encerou sua participação ressaltando a necessidade de “as industrias entenderem como as mudanças climáticas irão afetar seus negócios”.

Iniciativa privada

Em seguida, o diretor de Desenvolvimento Sustentável da indústria química Brasken, Jorge Soto, falou sobre possibilidades de atuação de empresas privadas no combate às mudanças climáticas.

Para Soto, o setor empresarial precisa se colocar como parte das soluções, seja na mitigação ou na adaptação às mudanças climáticas. “A iniciativa privada precisa se colocar voluntariamente, mantendo compromisso abrangente e funcionando em cadeia”.

Soto: indústria química é exemplo de atuação na área ambiental. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Soto: indústria química é exemplo de atuação na área ambiental. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Além disso, ele ressaltou a necessidade de atuações transparentes e proativas, apoiando e influenciando o posicionamento governamental.

De acordo com Soto, a indústria química brasileira é exemplo de setor que enfrenta os problemas ambientais com bons resultados a curto-prazo. E isso com redução, desde 2005, de mais de 50% de emissão de gases estufa.

Sociedade ainda não compreendeu a gravidade das mudanças climáticas

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Para Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da instituição, a sociedade “global” ainda não acordou para a gravidade das mudanças climáticas e suas consequências.

Entretanto, para o dirigente, que participou do primeiro painel da 16ª Semana do Meio Ambiente, evento aberto na Fiesp nesta segunda-feira (02/06) e que segue até a sexta (06/06),  se a sociedade ainda não se atentou completamente para as questões, o setor privado, ciente da necessidade de rápidas ações, já avança e dá sua contribuição.

A iniciativa é uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Para Reis, é preciso assinalar a necessidade maiores ações para enfrentar a questão ambiental. “Precisamos de harmonização nas políticas públicas e nos acordos internacionais”.

Reis: “Precisamos de harmonização nas políticas públicas e nos acordos internacionais”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Reis: “Precisamos de harmonização nas políticas públicas e nos acordos internacionais”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Entre os problemas a serem solucionados, Pereira dos Reis destacou a importância da criação de acordos mais “vinculantes”, entre eles, uma mudança política para o etanol. Segundo ele, a atual política energética do Brasil “pune” esse tipo de combustível. “Precisamos trabalhar para evitar a possível perda dos benefícios do etanol”, disse.

Além disso, na visão de Pereira dos Reis, é necessário buscar a convergência e posicionamentos fortes diante dos acordos internacionais. “Um novo compromisso deverá ser mais vinculante, caso contrário não haverá avanço nas questões”.

Em 2015

O gerente geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Rodrigo Lima, também participou do primeiro dia da 16ª Semana do Meio Ambiente.

Segundo ele, é grande possibilidade de que o país, depois do acordo internacional na conferência climática da United Nations Framework Convention on Climate Change (Unfccc), em 2015, na França, precise atingir metas iguais às dos países desenvolvidos.

Caso isso se concretize, na visão de Lima, o Brasil precisará revisar políticas nacionais e estaduais sobre a preservação climática, com “valorização do estoque de carbono brasileiro e de recursos naturais”. O acordo, segundo Lima, poderá “reduzir o desempenho de setores industrias, agropecuários e da construção civil”.

16ª Semana do Meio Ambiente vai debater consequências das mudanças do clima

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Os impactos, vulnerabilidades e a adaptação às mudanças do clima serão os assuntos centrais da 16ª Semana do Meio Ambiente, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a partir desta segunda-feira (02/06). O evento segue até sexta-feira (06/06).

A iniciativa é uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Participaram da abertura da Semana  o vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de mudanças do clima, João Guilherme Sabino Ometto, o vice-presidente e diretor titular do Departamento de meio ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Rubens Naman Rizek Junior, o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Carlos A. Klink, e o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Vanderlei Meira Nascimento.

Nelson Pereira dos Reis destacou os eventos que serão promovidos pela Fiesp e também pelo Sesi-SP e pelo Senai-SP no decorrer da semana, entre eles a entrega do 20º prêmio de mérito ambiental, na noite desta segunda (02/06).

“Durante esses dias vamos desenvolver uma série de atividades, lembrando toda questão do meio ambiente e fazendo reflexões sobre os temas que vivemos diariamente e sobre os quais nem sempre temos oportunidades de refletir, discutir e trazer propostas e soluções”, disse Reis.

16ª Semana do Meio Ambiente: abertura com debate sobre parcerias com a indústria para discutir questão. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

16ª Semana do Meio Ambiente: abertura com debate sobre parcerias com a indústria. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Educação ambiental

A importância da educação ambiental foi destacada pelo secretário municipal do Verde, que falou sobre as ações desenvolvidas pela Prefeitura, como a criação do projeto de compostagem nos parques, a implantação da coleta seletiva em toda a cidade e a construção da primeira central de triagem automatizada da América Latina, que será inaugurada no dia 5 de junho.

“A educação ambiental é o investimento nº 1 nessa área, porque nenhum outro tipo de mitigação vai chegar a lugar nenhum se não tivermos mudança de hábitos”, afirmou Nascimento. “Nesse momento, o investimento fundamental, sem prejuízo das tecnologias e de outros projetos, é a educação”.

O representante do governo estadual aproveitou para agradecer a parceria com a Fiesp em diversas áreas. “Graças à parceria do governo com a Fiesp, avançamos em questões como resíduos sólidos, qualidade do ar, recuperação de áreas contaminadas, inventário de emissões e a comissão paulista de biodiversidade”, declarou Rizek Junior, que destacou que, com ajuda da Fiesp, mais de 10 mil CNPJs firmaram termos de compromisso de logística reversa.

Rizek Junior: avanços em função da parceria com a Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Rizek Junior: avanços em função da parceria com a Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Mas, segundo ele, há ainda outros temas a serem desenvolvidos em parceria com a indústria paulista. “Falta melhorar a questão da construção civil sustentável, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a organização da legislação ambiental, os acertos fiscais e a renovação de frota de veículos.”

A Fiesp e o meio ambiente

Falando sobre o trabalho realizado pelo Comitê de Mudanças Climáticas, formado por representantes dos departamentos de Meio Ambiente, Infraestrutura, Agronegócio, Competitividade e Comércio Exterior da federação, Ometto mostrou a importância que a Fiesp dá ao meio ambiente.

“Há vários anos, a visão da Fiesp é que as questões ambientais são transversais aos processos econômicos e sociais. A conservação e o uso racional dos recursos naturais é essencial para os processos industriais e para a manutenção da qualidade de vida.”

Para o vice-presidente da Fiesp, é fundamental o equilíbrio entre meio ambiente, economia e sociedade. “Estamos construtivamente trabalhando em prol do meio ambiente somando esforços para que as soluções sejam práticas, economicamente viáveis e com a colaboração de todos os órgãos ambientais”, explicou. “Na gestão ambiental, social e econômica, o objetivo é melhorar a qualidade de vida e gerar riqueza para o País, em um ambiente de sustentabilidade.”