Professor destaca tratamento para filtrar a água na 16ª Semana de Meio Ambiente

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O professor de Processos Industriais e Gestão Ambiental da Escola do Senai-SP Maria Amato, de São Bernardo do Campo, e diretor técnico da empresa Poluição Zero, Rosvaldo Catino, fez uma palestra, na tarde desta terça-feira (03/06) no ciclo de atividades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) que faz parte da programação da 16ª Semana de Meio Ambiente.

Catino destacou o processo chamado Membrane Bioreactor (Mbr), “um tratamento biológico associado ao processo de ultrafiltração”.

Entre as vantagens da utilização do método, Catino apontou a redução da área de implantação do maquinário, a remoção de substâncias recalcitrantes e a retenção de moléculas poluentes e microrganismos.

“O Mbr, através de membranas de nanofiltração, retém a matéria sólida, retirando bactérias e microrganismos indesejados do recurso hídrico”, explicou o especialista. “É um dos projetos de maior destaque atualmente, pois remove materiais que outros processos não filtram”, acrescentou.

Catino: remoção de materiais não filtrados em outros processos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Catino: remoção de materiais não filtrados em outros processos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo Catino, o processo fornece, no fim da cadeia, água livre de toxinas e efluentes industrias purificados, e, em sua visão, terá papel fundamental para atender às demandas futuras por água.“É um processo importante para o reuso de água, especialmente em locais onde há escassez do recurso”, afirmou.

A tecnologia já começa a ser incorporada por indústrias e empresas brasileiras. “Esse processo tecnológico já começa a ser utilizado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em algumas plantas em São Paulo”, disse. “Indústrias também seguem esses passos, assim como lugares como Campos do Jordão e outras cidades brasileiras com águas termais, onde a qualidade do recurso hídrico é indispensável”.

Semana do Meio Ambiente

A 16ª Semana de Meio Ambiente é promovida pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Senai-SP.

Aberta na segunda-feira (02/06), a Semana tem prosseguimento até sexta-feira (06/06).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Estão transferindo para a indústria responsabilidades dos consumidores

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O marketing ambiental é reflexo dos interesses comuns da indústria, do comércio, da sociedade e do meio ambiente, mas a indústria tem sido responsabilizada não só por suas ações, mas por decisões e escolhas pessoais dos consumidores, avaliou nesta terça-feira (03/06) o professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) Euclides Alves Vital Junior. Ele participou da rodada de palestras  organizadas pela instituição para a 16º Semana de Meio Ambiente, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Estão transferindo para a indústria responsabilidades que, de fato, são da indústria e mais as nossas responsabilidades pessoais”, alertou Vital.

O especialista em Marketing Ambiental ponderou, no entanto, que há uma “inversão de papéis” que começa a ser percebida na relação da indústria com entidades dedicadas à preservação ambiental.

Junior: compatibilidade ecossistêmica entre produtor, consumidor e meio ambiente. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Junior: compatibilidade ecossistêmica entre produtor, consumidor e meio ambiente. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“Antes eles estavam em campo, do lado de fora da Fiesp, mas hoje eles sentam com a gente aqui dentro para discutir soluções. Eles perceberam que a indústria também precisa existir”, afirmou.

Na avaliação de Vital, o atual modelo de consumo ainda não prioriza a compatibilidade ecossistêmica entre produtor, consumidor e meio ambiente.“Ainda não há compatibilidade ecossistêmica, há uma melhor compatibilidade, mas essa é a estrutura que gostaríamos em marketing ambiental”, reiterou.

Semana de Meio Ambiente

A 16ª Semana de Meio Ambiente é promovida pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Senai-SP.

Aberta na segunda-feira (02/06), a Semana tem prosseguimento até sexta-feira (06/06).

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Alcance do Jornalismo Ambiental é discutido na 16ª Semana de Meio Ambiente

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

A presença da temática ambiental na grande mídia esteve em debate na 16ª Semana de Meio Ambiente, evento promovido pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Aberta nesta segunda-feira (02/06), a Semana terá prosseguimento até sexta-feira (06/06).

No painel “Meio Ambiente e Comunicação da Indústria”, palestrantes e debatedores foram unânimes em afirmar que a indústria precisa intensificar seus esforços em comunicar mais e melhor suas ações sustentáveis, desmitificando a antiga e equivocada imagem de que o setor produtivo é destruidor do meio ambiente.

Mario Hirose, diretor do Departamento do Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, relembrou que a preocupação ambiental dentro da indústria não é recente. “Há 40 anos foi criado na casa o Departamento de Meio Ambiente, logo depois da Conferência de Estocolmo, em 1972. Essa criação é bem anterior à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)”.

Hirose relembrou que a Fiesp nos últimos 20 anos vem valorizando e destacando as boas práticas ambientais da indústria, por meio do Prêmio Mérito Ambiental que chegou, hoje, a sua 20ª edição.

Hirose: destaque para o Prêmio Mérito Ambiental. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Hirose: destaque para o Prêmio Mérito Ambiental. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em sua palestra, Walter Lazzarini Filho, presidente do Conselho do Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, lamentou o fato de grande mídia privilegiar a divulgação de notícias negativas, em detrimento a notícias de fatos edificantes e inspiradores. Um exemplo claro disso, segundo ele, é a própria repercurssão do Prêmio Mérito Ambiental da Fiesp. “Embora haja uma divulgação boa do ponto de vista interno, há uma divulgação muito pobre da grande imprensa, que, de maneira geral, sempre noticia algum fato negativo que é provocado pela indústria”, afirmou.

Lazzarini também criticou o enfoque exclusivamente momentâneo dados as notícias, especialmente na era atual, de total confluência de mídias, com disseminação rápida e quase instantânea das informações. Ele relembrou que o o poeta sul-americano Jorge Luis Borges costumava dizer que, para a imprensa, o agora é o ápice do tempo. “È o que vemos hoje. O que vale é o momento. E o pior:  só aquele momento que se divulga a notícia, sem a preocupação de quais são as causas e consequências”.

Lazzarini Filho: grande mídia privilegia a divulgação de notícias negativas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Lazzarini Filho: grande mídia privilegia a divulgação de notícias negativas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Citando o exemplo da cadeia produtiva da construção civil, muitas vezes criticada pela geração de resíduos sólidos, Lazzarini afirmou que é preciso se divulgar também o que se tem feito de inovador no setor, tanto na reciclagem desses resíduos como nas tecnologias ambientais aplicadas, altamente sustentáveis.

Espaço na TV aberta

O jornalista Figueiredo Junior, que apresenta o programa sobre FJR Sustentabilidade na Mix TV e locutor na Rádio Iguatemi, destacou que a grande imprensa tem pouco interesse em falar da temática ambiental. “A imprensa não gosta de falar sobre meio ambiente. Se tiver nove atitudes do bem pra falar aqui e cair um avião na Avenida Paulista tenho certeza que o espaço vai ser da tragédia. É o efeito aqui agora”.

Segundo Junior, na televisão aberta brasileira o espaço dedicado a programas voltados à sustentabilidade e ao meio ambiente é pequeno. “É muito pouco perto do que eu tenho observado, nos últimos três anos, e em relação ao que a indústria tem feito”.

O disse que ao conhecer o trabalho de reuso de água de uma indústria paulista ficou impressionado e decidiu visitar outras indústrias. “A conclusão a que eu cheguei é de que, de cada 20 indústrias que visitei, 18 tinham programas de reuso”. E acrescentou: “Eu sinto que chegou a hora da indústria ter um programa próprio para divulgar o que tem feito”.

Figueiredo Junior: “A imprensa não gosta de falar sobre meio ambiente”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Figueiredo Junior: “A imprensa não gosta de falar sobre meio ambiente”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Bons exemplos setoriais

Para o empresário do setor do agronegócio, Maurílio Biagi Filho, que é presidente da Agrishow e membro do Cosema da Fiesp, a falta de investimentos em comunicação por parte das empresas contribui negativamente para a distorção das informações. “Os empresários de usinas nunca acreditaram em comunicação, acham que isso é despesa e não investimento. Por isso deu no que deu”.

Comentando números sobre áreas proteção ambiental de outros países, Biagi Filho citou a atuação do setor sucroalcooleiro. “A cana (de açúcar) recicla anualmente cerca 200 toneladas de carbono por hectare. Eles são retirados da atmosfera como CO2 durante o crescimento e cultivo. Nenhuma vegetação nativa apresenta tal produtividade”, disse. “A cana é cortada, o bagaço é queimado, o etanol é usado nos veículos. Esse carbono acumulado retorna à atmosfera na forma de CO2, mas será retirado com o novo ciclo e crescimento da cana. O balanço anual desse ciclo será zero. Por isso o etanol é um combustível renovável”.

Biagi Filho:  “Os empresários de usinas nunca acreditaram em comunicação”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Biagi Filho: “Os empresários de usinas nunca acreditaram em comunicação”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Biagi Filho destacou que a inovação e o empreendedorismo voltados aos resíduos da cana de açúcar no estado de São Paulo e a gradual mecanização das lavouras estão contribuindo ainda mais para a proteção do meio ambiente e a qualidade do ar.

Não compreensão

O gerente de Sustentabilidade da Votorantim Industrial, David Conassa, apontou que um grave problema em termos de comunicação ambiental decorre da não compreensão dos conceitos dentro da própria empresa.

“Nós, no Brasil, temos uma das leis ambientais mais rigorosas do planeta. Isso nos últimos anos levou a indústria nacional a um patamar de excelência muito diferenciado em relação aos nossos concorrentes internacionais. E as pessoas não sabem disso.”

Conassa sugeriu que os empresários divulguem de forma direta e com uma linguagem simples o que suas empresas estão fazendo.  “Precisamos nos comunicar melhor e mostrar essas coisas para a população. A indústria tem que ter orgulho do que faz”.

Antes de abrir para perguntas dos participantes, a especialista Laura Maria Regina Tetti, que moderou os debates, deu exemplos de divulgações equivocadas veiculadas na mídia, em virtude tanto da falta de uma apuração mais aprofundada por parte dos jornalistas, como as decisões editoriais das emissoras de TV. Segundo ela, que foi consultora na área ambiental para a Rede Globo, muitas vezes, uma reportagem é mutilada devido a falta de tempo e espaço na programação, comprometendo seriamente a qualidade e veracidade da informação. “Nesse sentido, eu concordo com o Figueiredo Junior. É  importante a indústria ter um espaço próprio para fazer a sua  pauta. Desta forma, ela [a indústria] também vai pautar a grande mídia”, afirmou.

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp