Especialistas debatem ‘Princípios do Equador’ em evento da Semana do Meio Ambiente na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Nesta quinta-feira (06/06), durante seminário “Politicas ambientais do sistema financeiro e os impactos para o setor produtivo”, evento realizado dentro da 15ª Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente, especialistas debateram os reflexos dos “Princípios do Equador” para o financiamento de indústrias.

Micheline Ntiru, gerente do IFC na América Latina e Caribe, durante 15ª Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Os “Princípios de Equador” são critérios exigidos pelo International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, para a concessão de crédito, que asseguram que os projetos financiados sejam desenvolvidos com responsabilidade socioambiental.

No debate, o tema foi motivo de controvérsias.

De acordo com Micheline Ntiru, gerente do IFC na América Latina e Caribe, a corporação estipula regras obrigatórias do que as empresas devem fazer para obter crédito, que envolvem cálculos dos riscos sociais, segurança e saúde da comunidade e condições de trabalho. “As empresas hoje precisam trabalhar esses aspectos com muita seriedade para serem beneficiadas. Norteando a política social, econômica e ambiental de todos os setores produtivos”, acrescentou Ntiru.

Ao comentar o assunto, Roberto Luis Troster, ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), questionou o apelo dos “Princípios do Equador” junto às indústrias brasileiras. “Temos que gerenciar os riscos ambientais da cadeia produtiva. Isso é inquestionável. O problema é que, por diversas questões, os princípios não são seguidos aqui no Brasil. O Brasil se preocupa com o meio ambiente por vocação ou por obrigação?”, provocou.

“Precisamos discutir quais normas do princípio realmente fazem sentido aqui”, sugeriu.

Segundo José Carlos Redondo, gerente executivo de sustentabilidade da área industrial da Itautec, Duratex e Elekeiroz, a evolução da questão ambiental dentro da indústria nos últimos 20 anos foi espantosa. “Hoje as questões ambientais são tão importantes quanto as comerciais. A sustentabilidade veio para ficar”, disse.

Redondo deu sua opinião sobre as regras estipuladas pelo IFC para crédito. “Ao ver a criação dos “Princípios de Equador” vemos uma ação muito importante. Mas há ajustes a serem feitos, sem dúvidas. Alguns critérios precisam ser revistos ou adaptados para que não haja problema de cumprimentos pelas indústrias brasileiras.”

Manoel Pires da Costa, membro do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ex-presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) cobrou ações mais coerentes por parte do governo em relação à temática ambiental.

“Há uma série de dificuldades que vão se diluindo com o tempo e vamos chegando perto das práticas ideais dentro das empresas e indústrias. Devemos nos preocupar com a evolução do tema e das leis para criar um ambiente aceitável para as sociedades futuras. Gostaria de ver mais precisão do governo para acelerarmos os processos ambientais”, disse Pires da Costa.

Nelson Pereira dos Reis, titular do DMA/Fiesp: ‘Devemos nos empenhar na criação de alternativas energéticas, sem nos esquecer das leis de demanda e do desenvolvimento do país’. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, que abriu o seminário, houve grande evolução dentro dos setores produtivos quanto aos cumprimentos de regras e leis ambientais. Entretanto, o dirigente fez ressalvas sobre o momento atual no país na questão ambiental. “A questão da sustentabilidade no Brasil, apesar de adiantada, ainda não está solucionada. Devemos nos empenhar na criação de alternativas energéticas, sem nos esquecer das leis de demanda e do desenvolvimento do país’, encerrou.

O painel foi mediado por Nelson Vieira Barreira, diretor titular adjunto do DMA.