14º Encontro de Energia: painel debate soluções de eficiência energética

Patricia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Isac Roizenblatt, da Abilux: tecnologia dos leds vieio para ficar. Foto: Everton Amaro/Fiesp

No segundo dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 06/08, o painel sobre “Inovação Tecnológica e Eficiência Energética” reuniu profissionais do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),  da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e da empresa Expertise, Consultoria e Ordenamento em Energia Eficiente (Ecoee) no hotel Unique, em São Paulo.

Para o diretor da Abilux, Isac Roizenblatt, o sistema de iluminação vai se transformar totalmente. “Temos de investir em iluminação de longa duração, como no Japão, em que 68% da iluminação são com lâmpadas de leds. Isso é uma decisão política rumo à melhoria, além da consciência da população.”

“Os leds estão superando as outras tecnologias. Esta tecnologia veio para ficar na indústria, farmácia, hospitais, iluminação pública, dentre outros lugares. Outra tecnologia que está se ampliando é a isoleds, que tem espessura de uma folha de papel e baixo consumo se comparado com a nível de iluminação”, disse Roizenblatt, para quem o Brasil deve investir mais em iluminação compatível com sustentabilidade e economia.

Cyro Bocuzzi, diretor da Ecoee: "por falta de planejamento da demanda, consumidores comerciais e industriais pagam mais do que necessitam". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo o diretor da Ecoee, Cyro Bocuzzi, para que haja inovação tecnológica e eficiência energética, é necessário haver prioridade mundial, progresso tecnológico, equipamentos que usem menos energia, gerenciamento de demandas, dentre outras ações.  “Por falta de planejamento da demanda, muitos consumidores comerciais e industriais pagam mais do que necessitam de energia. É necessário que se faça um enfileiramento digital dos equipamentos para que o uso de energia seja menor”, alerta.

Bocuzzi abordou, ainda, a tecnologia “eCurv”, com patente americana e que deve operar tão logo no Brasil. “Esta tecnologia proporciona inteligência acionável para desempenho aprimorado. Sem contar que os sistemas têm fluxos de informação, análise de ciclo de vida, medições contínuas e elaboração de relatórios em tempo real. Estamos falando de um sistema completamente diferente com integração de software, que pode trabalhar isoladamente ou não, dependendo da demanda. Os resultados principais são: a mudança imperceptível na eletricidade menores custos com serviços elétricos”, concluiu.

Por que inovar?

Enrique Rodriguez Flores, do BID: papel do Energy Innovation Center. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Enrique Rodriguez Flores, especialista regional em energia do BID, disse que a divisão da Energy Innovation Center trabalha para levar acesso às tecnologias e melhorar o mundo. “Temos um banco de dados com 26 países latino-americanos, com sistema de incentivo de energia. Além disso, focamos em publicar nossos estudos tecnológicos modernos na mídia. Nesse sentido, trabalhamos com programas de capacitação em eficiência energética, gás natural, energia marina, dentre outros”, explicou.

Já o diretor geral do Cepel, Albert Geber de Melo, apresentou projeções de pesquisas elétricas do Brasil e do mundo. “Não há desenvolvimento sustentável sem energia sustentável. O desenvolvimento sustentável é o progresso que procura atender às necessidades do presente”, disse.

Albert Geber de Melo: atuação do Cepel. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Geber acrescentou que o Cepel tem reconhecimento internacional pelo seu sistema de planejamento das operações desenvolvidas no Brasil. Ele citou inclusive o caso da hidrelétrica de Itaipu.

“Não basta encontrar uma solução de equilíbrio. Temos de ter soluções com compromisso. Nesse sentido, primeiro temos de reconhecer os recursos e depois ter uma visão de longo, médio e, por fim, curto prazo para planejar as soluções. Ainda temos um grande potencial a ser desenvolvido no Brasil e o Cepel tem trabalhado em pesquisa com otimização de linhas de longa distância.”

 

 

 

Brasil precisa acreditar mais na concorrência se quiser ser competitivo em energia, diz presidente do CBIE

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A excessiva intervenção estatal no mercado de petróleo e gás impede a competitividade desejada pelo setor energético, afirmou o presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, ao participar do encerramento do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Se o Brasil quer se competitivo precisa tomar providências não só na área petróleo e gás como na área de energia em geral: intervir menos no mercado, planejar mais e acreditar mais na concorrência que no monopólio”, alertou Pires.

Pires: setor precisa de mais concorrência e planejamento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pires: setor de energia precisa de mais concorrência e planejamento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Ele afirmou que o mercado de gás do Brasil enfrenta o monopólio “desregulado” da Petrobras. “O que impera no mercado de petróleo e gás do Brasil é a ideologia. Estamos à margem da revolução energética”, afirmou o presidente da CBIE.

Lei do Petróleo

Também presente no encerramento do Encontro, a diretora da Energix Strategy, Ieda Correa Gomes, lembrou que, após 16 anos da Lei 9478, a “Lei do Petróleo”, a competitividade do País no mercado pouco avançou.

“Decorridos 16 anos, houve um progresso substancial do consumo final de gás. Houve aumento de produtores, mas não houve correspondente aumento de supridores”, disse. “E o Brasil ainda aumentou fortemente as importações de gás, enquanto os preços ao consumidor final são poucos competitivos”.

Ieda: poucos avanços, mesmo com a Lei do Petróleo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ieda: poucos avanços, mesmo com a Lei do Petróleo e com o aumento de produtores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Sancionada em 1997, a Lei do Petróleo foi tinha o objetivo de regulamentar a queda do monopólio estatal, promover a livre concorrência e ampliar a competitividade de petróleo e gás no mercado brasileiro.

“É uma pena porque a lei teve algum sucesso, particularmente em exploração de petróleo”, disse Pires. “Mas na indústria não tivemos sucesso nenhum porque continuamos com 16 refinarias, praticamente todas de propriedade da Petrobras”, concluiu.

 

Setor de petróleo e gás vai receber investimentos de US$ 277 bilhões até 2017, informa secretário do MME

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O setor petróleo e gás no Brasil vai receber investimentos de US$ 277 bilhões entre 2013 e 2017. A perspectiva foi apresentada na tarde desta terça-feira (06/08), no encerramento do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), pelo secretário adjunto da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis do Ministério das Minas e Energia (MME), João José de Nora Souto. O evento foi realizado no hotel Unique, na capital paulista.

“Temos mais de 70 empresas trabalhando na área de petróleo e gás no país”, disse Souto. “Dos US$ 277 bilhões em investimentos previstos, US$ 162 bilhões são apenas para exploração e produção”.

Souto: áreas costeiras estão entre as mais promissoras para exploração. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Souto: áreas costeiras estão entre as mais promissoras para exploração no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Nesse cenário, de acordo com o secretário adjunto da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis do MME, são promessas para a exploração áreas como as bacias do Parnaíba, do Solimões e as costeiras, espalhadas pelo litoral brasileiro, essas últimas apontadas como as mais promissoras.

O gás natural também merece atenção. E promete. “Podemos ter uma produção de 150 mil metros cúbicos de gás natural por dia em 2022”, afirmou Souto.

Para chegar lá, conforme Souto, é preciso vencer desafios como “descobrir formas de estimular a evolução da tecnologia para o pré-sal” e “elaborar políticas que estimulem as pequenas empresas produtoras”, entre outras iniciativas.

Gás de xisto

Também convidado a participar do encerramento do 14º Encontro de Energia da Fiesp, o professor Francisco Gonzáles, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, destacou a exploração do gás xisto como fonte de oportunidades futuras para o setor de energia.

Gonzáles: xisto em abundância em países como o Brasil, o Paraguai e a Argentina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Gonzáles: xisto em abundância em países como o Brasil, o Paraguai e a Argentina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Segundo Gonzáles, há produção em países como o Brasil, Rússia, México e Argentina, entre muitos outros. “Existe uma abundância de  xisto no Brasil, no Paraguai e na Argentina”, explicou.

“O xisto vai ser contribuir muito para a segurança energética da América do Sul”, disse o professor.

O estudioso fez questão ainda de elogiar o evento promovido pela Fiesp. “Obrigada por esses dois dias maravilhosos de debates que tivemos aqui”, afirmou.

 

14º Encontro de Energia: painel debate operação do Sistema Integrado Nacional

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A operação do “Sistema Integrado Nacional (SIN) frente às mudanças da matriz elétrica” foi tema de painel que reuniu especialistas de grandes empresas no segundo e último dia (06/08) do 14º Encontro Internacional de Energia realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi mediado por Carlos Faria, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da instituição.

Antes de passar a palavra para os convidados, Faria iniciou o debate afirmando que o consumidor tem assistindo à expansão do sistema energético com diminuição da capacidade de armazenagem e da geração hídrica, a “fonte mais barata que temos”.

Os debatedores do painel. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel sobre o SIN no 14º Encontro de Energia da Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Após o mediador, João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia, falou sobre matriz energética brasileira, que, em sua opinião, está mudando. “O setor elétrico atravessa um momento de transição estrutural importante de sua matriz. A presença de projetos termelétricos é uma realidade.”

Segundo Mello, os novos projetos de geração hidráulica e eólica com produção intermitente farão com que as térmicas sejam despachadas com maior frequência para assegurar suprimento. “As novas regras do setor buscam priorizar a segurança do suprimento energético, o que resultará num despacho térmico mais significativo”, disse.

Mello garantiu que o Brasil verá uma evolução da matriz até 2020. “A geração hidrelétrica vai baixar para 67% do total. Enquanto as térmicas se manterão em 17%. Já as renováveis saem de 9% para 16%, até o fim da década”, afirmou. “A complementação térmica é necessária”, acrescentou.

Leontina Pinto, diretora da consultoria Engenho, também abordou a operação do sistema brasileiro. “Sem geração e sistema, não tem abastecimento. E o sistema precisa ter modicidade, segurança e sustentabilidade”, iniciou.

Para atingir esse modelo, para Leontina, é necessário levar em consideração os recursos naturais existentes no Brasil. “O modelo adotado foi o de leilões. O perigo do planejamento energético atual é que não temos recursos para atender e, assim, faltará energia. A segurança do sistema deve ser considerada”, alertou.

“Precisamos de um serviço que contenha modicidade e segurança. Segurança é um produto a ser precificado. Uma usina eólica no Nordeste não trará certeza de abastecimento para o Sudeste”, encerrou.

Hermes Chipp, diretor geral do Operador Energético do Sistema Elétrico (ONS), compartilhou dados recentes sobre o sistema nacional. “No último ano, as regiões Sudeste e Centro-oeste, grandes produtoras energéticas, tiveram que transferir altos montes de energia para as regiões Norte e Nordeste. O que nos faz olhar com mais cuidado essa expansão energética, já que temos um problema de integração”, disse.

De acordo com o diretor, a grande previsão de expansão térmica será proveniente de usinas hidráulicas, com aumento de 20,1% e crescimento de produção de 17 mil Megawatts, sendo mais de sei mil provenientes da Usina Hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.

Para Chipp, expansão térmica é a saída para o desenvolvimento.

 

Corrigir em 26% o preço da gasolina ajudaria a destravar o setor de biocombustível, diz presidente da Datagro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com estimativa de 80% de veículos flex na frota brasileira em 2020, a produção de cana-de-açúcar poderia chegar a 1,4 bilhão de toneladas caso houvesse políticas apropriadas para o setor. Entre elas o realismo tarifário para combustíveis líquidos em uso de transporte, industrial e comercial, afirmou nesta terça-feira (06/08) o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, em participação no 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em debate no evento, Nastari sugeriu que a primeira solução para destravar o setor de biocombustíveis deveria ser uma correção do preço da gasolina, o qual ele chamou de “realismo tarifário”.

Nastari: discussão em torno de "realismo tarifário". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nastari: discussão em torno de "realismo tarifário" no 14º Encontro de Energia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Pelas contas do presidente da Datagro, o preço da gasolina deveria ser corrigido em 26% para permitir que o biocombustível possa competir no mercado doméstico.“Dá para corrigir o preço da gasolina em 26% de uma hora para outra? Infelizmente talvez não, mas esse deveria ser o objetivo a ser buscado no médio prazo, de forma gradual”, afirmou.

A presidente União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, defendeu ainda uma política que garanta maior previsibilidade dos preços de combustíveis fósseis.“Os preços de combustíveis fósseis de fato fazem muita diferença para qualquer programa de energia renovável. E nos programas de energia renovável eu preciso ter previsibilidade”, disse.

Elizabeth: é preciso otimizar os investimentos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Elizabeth: é preciso otimizar os investimentos. feitos no passado. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Elizabeth o problema não é falta de investimento do setor na produção de biocombustíveis. Atualmente os investimentos são para otimizar os investimentos que foram feitos no passado, travados pela falta de planejamento e por um “conjunto de políticas públicas insuficientes”, avaliou.

Ela informou que, de 2006 a 2012,foram investidos US$ 4,5 bilhões em equipamentos para mecanização da colheita, enquanto  em 2012 foram  US$ 4 bilhões em renovação e expansão do canavial .

Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, engrossou o coro dos que pedem por planejamento.

Para desembargar a promissora produção de etanol do Brasil, ele sugeriu rever o marco tributário para o setor, já que “os tributos são decisivos na formação desse mercado”.

 

Desenvolvimento das energias renováveis em debate no 14º Encontro de Energia

Adriana Santos, Agência Indusnet Fiesp

No segundo dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 06/08, o painel sobre “Desenvolvimento de energias renováveis na América Latina e Caribe” reuniu profissionais de Itaipu, Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),  no hotel Unique, em São Paulo.

Com coordenação de Luis Pescarmona, do Departamento de Infraestutura da Fiesp,  os participantes falaram  não apenas dos benefícios para o meio-ambiente, mas principalmente os de ordem financeira, com o desenvolvimento das comunidades locais proporcionado pelas energias renováveis.

Segundo Jorge Samek, diretor-geral de Itaipu, a integração de energia na América Latina e Caribe ainda é muito carente. “Devido a processos estritamente políticos”, disse ele.

“A pior energia é aquela que falta, que não existe”, disse Samek, apontando, como prova, a crise enfrentada pelo Panamá, que utiliza rodízio de energia em indústrias e centros comerciais.

Samek: "A pior energia é aquela que falta". Foto: Julia Moraes/Fiesp

Samek em debate no Encontro: "A pior energia é aquela que falta, que não existe". Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Entre as boas notícias, Samek mencionou Fernando de Noronha (PE), que, em aproximadamente três anos, não utilizará mais energia fóssil.

Já a apresentação de Gustavo Aishemberg, representante da Onudi no Brasil, baseou-se principalmente nas três metas estabelecidas na Rio+20  –  a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável: garantir o acesso universal à energia; duplicar a participação das energias renováveis e duplicar a taxa de melhoria na eficiência energética.

“Se queremos desenvolver um país, temos que produzir mais energia”, defendeu Aishemberg.  E o caminho para o desenvolvimento de um país com energia renovável é a educação. “Informação, educação e disseminação de conhecimento são fundamentais para a expansão das energias renováveis”, complementou o especialista.

E é na internet que a Onudi está realizando esse trabalho. A partir de outubro de 2013, a organização disponibilizará cursos online gratuitos sobre energias renováveis que poderão ser utilizados inclusive pelo ensino médio. O site provedor desse conteúdo é o www.renenergyobservatory.org.

Sem investimento, não é possível desenvolver nenhum tipo de energia renovável. Então, por fim, Arnaldo Vieira de Carvalho, especialista da divisão de Energia do BID, mostrou como a instituição vem apoiando o financiamento e doação de verbas principalmente para projetos hidrelétricos, responsáveis por quase 40% do volume de empréstimos do BID para a América Latina nos últimos 60 anos.

Carvalho também defendeu a inovação e apresentou o “Concurso Ideias” (www.iadb.org/ideias), que gera doações a ideias ou conceitos inovadores em energia renovável.

 

Em encontro da Fiesp, especialistas discutem a formação de preço no mercado livre

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O segundo dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, em São Paulo, contou com o debate “Formação de preço no mercado livre”, moderado pelo diretor da divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Paulo Auriemo.

O gerente de risco e inteligência de mercado da Ecom, Carlos Caminada, falou sobre a visão geral das características do sistema elétrico brasileiro. Isso para então entender a formação dos preços no mercado livre. “O que mais chama a atenção no nosso mercado é a nossa matriz, 70% focada em fontes hídricas e, o restante, nas fontes térmicas”, afirmou alertando para o problema de sermos totalmente dependentes da chuva.

Caminada: evoluções são necessárias no campo da regulação. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Caminada: evoluções são necessárias no campo da regulação. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para ele, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) atual é o principal balizador para os contratos de curto e médio prazo. “O mercado reage instantemente às mudanças regulatórias, que por isso devem ser feitas com muita calma e depois de muita discussão”, destacou Caminada, ao enfatizar que ‘evoluções são necessárias’.

Ao finalizar, ele lembrou que “o mercado com maior transparência favorece a todos os agentes e tende a melhorar a locação de recursos da cadeia”.

Pela redução dos custos

O assessor da secretaria executiva do Ministério de Minas e Energia, Igor Alexandre Walter, falou do esforço do governo na redução estrutural dos custos, com a prorrogação das concessões de serviços públicos de transmissão e geração. E dos encargos setoriais, somados a políticas públicas. “Com isso, chegamos a uma redução significativa do preço da energia”, afirmou.

Segundo Walter, “a redução de encargos e tarifas beneficia igualmente os dois segmentos de mercado: livre e regulado”.

O professor da Unifei, José Wanderley Marangon Lima destacou: “do ponto de vista da comercialização, o sistema de garantias financeiras melhorou a questão da inadimplência”. Além disso, falou sobre o modelo atual do setor elétrico brasileiro e de seus processos regulatórios.

Walter: "a redução de encargos e tarifas beneficia igualmente os dois segmentos de mercado: livre e regulado". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Walter: "edução de encargos e tarifas beneficia o mercado livre e o regulado". Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

O vice-presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Paulo Cezar Tavares, apresentou diversas incertezas do setor. “O atual modelo de mercado livre está acabando com a competitividade da indústria brasileira”, afirmou ao alertar para o fato de que esse é um tema muito complexo: “ninguém tem as respostas sobre este assunto”.

Tavares explicou que “hoje, o mercado livre tem grande potencial de crescimento”, mas destacou, principalmente, as deficiências do âmbito regulatório. “É um campo de incertezas, pois ninguém entende algumas coisas que foram feitas e nem outras em discussão”.

 

Para especialistas, processo de integração elétrica na América Latina ainda é lento

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“Todos os sinais dizem que o melhor caminho é a integração, mas esse processo tem se desenvolvido de maneira muito lenta”, declarou o secretário de Planejamento energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, na manhã desta terça-feira (06/08) durante o 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, na capital paulista.

Participante do painel “Integração Elétrica na América Latina”, Ventura Filho explicou que, se a região fosse um único país, seu sistema de energia seria muito parecido com o que temos no Brasil, formado principalmente por hidrelétricas e com alta capacidade de interligação, o que permite benefícios como a redução de custos de operação, aumento da confiabilidade e segurança quanto ao suprimento da demanda. “O que limita [os processos de integração] são as distâncias geográficas entre as nações, o que exige investimentos maiores.”

Os debatedores do painel sobre a integração elétrica na América Latina. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel sobre a integração elétrica entre os países da América Latina. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Para o presidente do CIER, Hermes Chipp, outra dificuldade para se concretizar um sistema de conexão multinacional é o fato de os governos preferirem a autossuficiência – mesmo que a um custo mais alto – à dependência de outro país. “É preciso resgatar a confiança dos governos”, alertou. “Temos plenas condições de fazer uma integração e é uma pena que, hoje, somente 5% da energia gerada na América Latina seja transacionada.”

Bons Exemplos

Flores: bons resultados, mesmo que processo de integração seja lento. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Flores: bons resultados, mesmo que processo de integração seja lento. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A integração elétrica, no entanto, não é algo impossível, como mostrou o especialista em energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Rodriguez Flores, ao apresentar o Projeto de Integração Energética da América Central (Siepac).

O Siepac une seis países da América Central através da interconexão elétrica e da criação de um mercado elétrico regional. Suas linhas de transmissão ligam, atualmente, 37 milhões de consumidores no Panamá, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala.

O processo, todavia, é demorado. Para se ter uma ideia, os estudos para a implementação do projeto começaram em 1987.

 

Representantes do setor discutem alternativas para comercialização de energia no 14º Encontro de Energia da Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“Criação do mercado secundário e tendências do mercado livre” foi o tema de debate conduzido pelo diretor da divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luiz Sergio Assad, no segundo dia do 14º Encontro de Energia da entidade, na manhã desta terça-feira (06/08).

O conselheiro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luciano Freire, destacou algumas resoluções normativas e explicou as ações de agenda da CCE para os próximos anos.

Entre os tópicos, destacou o programa “White paper: construindo um mercado inteligente de energia”, que consiste, entre outras coisas, em desenvolver produtos para facilitar o funcionamento do mercado, organizar o monitoramento do mesmo e estudar a viabilização da ‘clearing house’. “Entendemos que esse é o caminho para trazer mais segurança e competitividade, para tornar esse mercado mais sustentável”, afirmou.

Freire: mais competitividade por um mercado mais sustentável. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Freire: mais competitividade para tornar mercado mais sustentável. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Ao citar os smart grids, Freire disse que há medidas recentes para o desenvolvimento dessa nova fonte de mercado. “Entendo isso como uma série de novas oportunidades que temos pela frente”, disse ao destacar que acredita no mercado integrado. “Há sinergia entre todos esses mercados, então, para mim, faz todo sentido trabalhar isso em conjunto”, concluiu.

O presidente da Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), Victor Kodja, concorda com Freire e acredita o sistema de clearing house é a melhor opção para o mercado. “O clearing dá garantias hoje não existentes no mercado, além de trazer inovação para o setor e de ser uma importante ferramenta para a participação de investidores financeiro”, explicou.

Bolsa de Energia

Kodja: "clearing house" é melhor opção para o setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kodja: "clearing house" é melhor opção para o mercado. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Outra opção bastante viável para o mercado, segundo Kodja, é a ‘Bolsa de Energia’. “Há uma convergência dos objetivos das ideias do mercado sobre o que é necessário para o desenvolvimento dessa ideia”, afirmou.

O presidente da Brix (bolsa eletrônica de energia), Marcelo Mello, também acredita que hoje o “caminho do mercado é a clearing house”. “Esse me parece o caminho correto para o mercado trilhar”, afirmou.

 

Brasil ainda terá déficit de petróleo e derivados em 2025, diz diretor da Gas Energy

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Mesmo como a concretização de projetos como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a construção das refinarias Premium 1 e Premium 2 da Petrobras, o Brasil deve enfrentar um déficit de 400 mil barris por dia em petróleo e derivados em 2025 – já admitindo um crescimento mais moderado da demanda no país.

A projeção é do diretor da Gas Energy, Carlos Alberto Lopes, ao participar o painel “Estrutura de refino: até quando o Brasil importará derivados de petróleo?”, na manhã desta terça-feira (06/08), no segundo dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Lopes: “Temos de olhar o que está acontecendo com toda essa cadeia e precisamos encontrar uma solução”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Lopes, da Gas Energy: “Temos de olhar o que está acontecendo com toda essa cadeia”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Não podemos olhar somente o primeiro processamento, nem a questão do uso só como combustível”, avaliou o diretor. “Temos de olhar o que está acontecendo com toda essa cadeia e precisamos encontrar uma solução”.

A Petrobras enfrenta dificuldades para financiar seus 947 projetos do plano de investimentos de US$236,5 bilhões.  As refinarias Premium 1 e Premium 2 ficaram fora da lista de 770 projetos da estatal para implantação e, por sua vez, incluídas na carteira dos 177 projetos cuja viabilidade está avaliada.

Com problemas para emplacar os projetos, a companhia importa gasolina e diesel a preços internacionais e comercializa combustíveis com defasagem no mercado doméstico.

“Temos que saber quem vai construir essas refinarias. Alguém tem de construir essas refinarias ou então vamos ser um país importador”, alertou Lopes, acrescentando que “o Brasil precisa se alinhar a esses preços internacionais para trazer investimentos”.

Segundo Lopes, sem essas novas refinarias, o Brasil deve importar o equivalente a um milhão de barris por dia de derivados em 2020.

Adriano Pires: '"Setor de energia não funciona com intervenção". Foto: Everton Amaro/Fiesp

De acordo com Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), além de o país não ter uma estratégia de crescimento para o setor energético, o governo “confunde intervenção com planejamento”.

“O setor de energia não funciona com intervenção. Ele vai estar sempre em crise porque intervenção não funciona”, afirmou Pires.

Segundo ele, a importação de gasolina cresceu cerca de 300% no período entre os anos de 2010 e 2011. A balança comercial de gasolina no país gerou um déficit de US$1,7 bilhão de janeiro a junho deste ano.

 

Especialistas debatem necessidade de melhora na qualidade dos serviços no 14º Encontro Internacional de Energia

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A procura pela qualidade dos serviços foi o tema do painel que reuniu especialistas no setor de energia elétrica na manhã desta terça-feira (06/08), durante o 14º Encontro de Energia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e realizado no Hotel Unique, na capital paulista.

Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), iniciou sua apresentação com o questionamento: “de que qualidade no serviço de energia elétrica estamos falando?”.

Para Leite, uma das inúmeras formas de se medir qualidade no setor de energia é analisando o número de interrupções no fornecimento e a duração média dessas interrupções. “A boa qualidade é filha da saúde financeira das empresas”, disse.

Leite: nível de satisfação de 79,9% com a prestação dos serviços. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Leite, da Abradee: “A boa qualidade é filha da saúde financeira das empresas”. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Leite apresentou os números de 2013 da pesquisa anual de satisfação do cliente residencial da Abradee. “De 1999 até 2005, o nível de satisfação dos clientes cresceu sem interrupções. Em 2009 atingimos o melhor resultado, com 79,9% de satisfação da população em relação ao setor de energia elétrica. Essa satisfação se mantém próxima desse nível em 2013. O cliente mais satisfeito é o do sul do país, em torno de 87,6%. Mas o objetivo é 100%”, informou.

De acordo com o presidente da Abradee, o atual cenário faz com que o setor tenha alcançado um bom nível de serviço, mas próximo do esgotamento, com limites em qualidade, eficiência e financiamento. “Hoje as empresas têm dificuldades em realizar investimento e ter retorno: R$ 1 vale R$ 0,80, o que desestimula o setor”, afirmou.

Nesse cenário, a saída, para Leite, é revisar o modelo de negócios adotado hoje. “Nós da Abradee propomos uma revisão do modelo de negócio, para isso é necessário uma interlocução entre todos os agentes do setor”, disse. “Buscamos o estabelecimento de um plano de investimentos para modernização dos ativos, garantia de sinais econômicos corretos para o setor e o estimulo à evolução de um novo modelo de negócios”.

Para ele, “o foco permanente é a oferta irrestrita, a universalização do atendimento e um novo modelo para as tarifas”. “A evolução da sociedade demandará transformações estruturais dos servidores de energia”, encerrou.

As demandas do setor e da sociedade

O professor titular da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, José Policarpo, foi bastante critico em relação à qualidade do serviço de energia elétrica do País. “Será que a indústria está ciente dos problemas de qualidade da energia elétrica e suas soluções? Será que todos os agentes têm a capacidade de atender as demandas do setor e da sociedade?”, questionou.

Os debatedores do painel: melhor definição dos critérios e regras para a prestação dos serviços. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel: melhor definição dos critérios para a prestação dos serviços. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“Precisamos ter responsabilidades compartilhadas e não socializar os custos de eletricidade é fundamental”, acrescentou o acadêmico.

Marcelo Pelegrini, membro da consultora Sinapsis, fechou o debate, abordando os indicadores de Qualidade de Energia Elétrica (QEE).  “A correta apuração dos indicadores é importante para comparar as empresas e o desempenho do setor”, disse.

De acordo com Pelegrini, o nível ótimo de qualidade precisa ser definido para que o consumidor perceba o valor e os custos agregados ao serviço.  “O cliente atualmente percebe que o valor do serviço é alto demais para a qualidade. Esse é o desafio. Como equacionar essa percepção e atrelar custo e qualidade?”.

O painel foi mediado pela advogada Flávia Lefèvre, diretora do Departamento de Infraestrutura da Fiesp.

 

No 14º Encontro de Energia, profissionais indicam ações para garantir abastecimento energético do Brasil

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas de diversos setores fizeram uma análise sobre o mercado livre de energia no seminário “Desregulamentação: liberdade para o consumidor em ambiente competitivo”, realizado na tarde desta segunda-feira (05/08), no 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ashley Brown. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Com coordenação do diretor da Fiesp, Nelson Barreira, o painel foi aberto com o professor da Harvard Kennedy School, Ashley Brown. Com o olhar americano, Brown fez uma análise do mercado brasileiro de energia. “O atual modelo energético do Brasil foi criado como uma reação ao apagão de 2001, com novos investimentos em produção.”

Para o professor, o modelo foi bem sucedido, já que não houve outro evento como aquele e também não houve uma alta de preços.

No entanto, disse ele, é preciso retomar os investimentos. “Agora é o momento de reavaliar a questão energética e investir para desenvolver o setor“, afirmou Brown, que colocou como caminhos importantes o mercado de gás natural, no potencial hidroelétrico do país e nos avanços tecnológicos.

Outra questão citada pelo professor foi a necessidade de melhorar a distribuição. “Investimento em tecnologia é uma das ações mais fundamentais. A implementação e a otimização dos smarts grids no Brasil serão muito importantes para melhorar a distribuição de energia no país.”

Mercado livre

Reginaldo Medeiros. Foto: Julia Moraes/Fiesp

O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros, fez uma apresentação do estágio atual do mercado livre de energia do Brasil.

“Há uma série de vantagens no mercado livre, porque ele desindexa contratos, uma redução 10 a 15% na compra de energia, e permite uma maior competitividade para a economia”, defendeu.

“É um mercado maduro, com análise de risco, diversificação de produtos, profissionalismo.”

Medeiros disse que o mercado é um instrumento de pressão permanente para reduzir custos. Para ele, a medida provisória 579 foi uma “bala de prata” porque o preço da energia para a indústria ainda é muito cara.

Legislação

Alexandre Santos de Aragão. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Sócio da Chediak Advogados, Alexandre Santos Aragão, falou sobre os nós da regulamentação e destacou a necessidade de diferenciar a gestão da rede e a prestação de serviço por meio da rede.

“Não é bom quem distribui ser também o trader, porque isso limita desnecessariamente a concorrência do acesso do consumidor diretamente à fonte de energia e também pela questão da eficiência,” afirmou.

“Até em infraestruturas consideradas maiores monopólios naturais, como as ferrovias, a empresa que detém a rede não é a mesma que detém o vagão.”

Analisando a situação mundial, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adilson Oliveira, afirmou que todos os países vivem hoje uma situação de “encruzilhada”, com aumentos crescentes dos custos energéticos e as variações do mercado internacional.

Adilson de Oliveira. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os obstáculos da legislação, que são motivo de debate em diversos setores da economia, também atingem a energia.

“Uso de energia ‘velha’, encargos tarifários, preços crescentes. Meu cenário para o Brasil é o seguinte: em 2015, teremos um ‘big bang’, porque evidentemente a economia brasileira não vai suportar essas tarifas indexadas e vai haver uma resistência dos consumidores residenciais e industriais”, criticou.

“Não dá para ficar nesse caminho”, alertou o professor da UFRJ.

 

Futuro do crescimento do uso do petróleo em debate no 14º Encontro de Energia

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O painel “A Eterna busca pela autossuficiência”, que aconteceu na tarde desta segunda-feira (05/08), durante o 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), debateu a as alternativas de fontes energéticas a serem exploradas no Brasil. O Encontro segue até essa terça-feira (06/08) no Hotel Unique, em São Paulo.

O presidente da World Petroleum Council (WPC), Renato Bertani, abordou as tendências de demandas de energia global. “O consumo de energia no mundo é de 250 milhões de barris por dia e os Estados Unidos são os maiores consumidores, com certa de 25% do consumo, seguido da Arábia Saudita”, disse. “Quando se olha pra o futuro, temos em vista um crescimento de 35% por conta da demanda populacional. Nesse sentindo, nas próximas décadas, os combustíveis fósseis vão predominar, ainda que haja uma pequena mudança neste cenário”.

Bertani: crescimento de 35% da demanda por conta do aumento populacional. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bertani: crescimento de 35% da demanda por conta do aumento populacional. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Segundo ele, no ano 2000, imaginava-se que já tinha chegado o pico de uso do petróleo, com 1,25 trilhão de barril. No entanto, Bertani lembra que chegamos em 2013 e o consumo continua intenso. “As indústrias descobriram novas reservas e devem continuar a se reinventar, apesar dos inúmeros desafios. A tendência de longo prazo é que os preços também subam. Não acredito que o objetivo é perseguir a autossuficiência. Acho que temos condições de nos tornarmos uma potência maior”.

Derivados              

A professora do IEE/USP, Suani Teixeira Coelho, chamou a atenção do público para a implementação de derivados. “Tínhamos uma produção elevada de etanol e, agora com a quebra de safra, a produção vem caindo e o consumo da gasolina aumentando por conta do valor mais baixo. É preciso que o etanol produzido no Brasil não seja exportado”, disse.  “No entanto, o entrave está na falta de competitividade do produto. Como podemos ser mais sustentáveis, com esta realidade?”, questionou.

A professora disse que o problema maior do preço do etanol no País é o ICMS em torno de 25%. A gasolina segue com preço inferior, comparada com o resto do mundo.  “Se pensarmos que temos de melhorar o meio ambiente, este é um gargalo a ser discutido. Precisamos urgentemente de políticas mais adequadas e renumerar as vantagens ambientais e sociais dos biocombustíveis de gordura animal e soja, por exemplo”, enfatizou.

Na mesma esteira, o professor do IE/UFRJ, Marcelo Colomer, trouxe para a discussão as questões chaves na análise da dependência externa. Dentre elas estão: a autossuficiência no mercado de gasolina; a expansão de produção de petróleo; a política de preços dos combustíveis e de misturas; a reestruturação da indústria; a expansão da frota de biocombustível e do Parque de Refino e a reestruturação da indústria sucroalcoleira.

“Temos um gargalo muito grande na indústria e não temos como crescer, se não sair o Refino. Assim, teremos um déficit absurdo no mercado até 2020. É claro que não adianta só expandir o petróleo. Isso não resolverá o problema de autossuficiência dele no Brasil e no mundo”, concluiu.

 

Energias alternativas precisam de incentivos e menos tributos, dizem participantes do 14º Encontro de Energia

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

No painel “Inserção e regulamentação da minigeração”, agenda da tarde desta segunda-feira (05/08) do 14º Encontro de Energia, foram apresentadas alternativas sustentáveis, mas todo o debate levou a duas conclusões: ainda faltam mecanismos de incentivo e sobram críticas à cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Elbia Melo. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Elbia Melo, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), ressaltou que o primeiro leilão de energia eólica ocorreu em 2009 e entrou em operação apenas em 2012, proporcionando resultados somente agora.

Esta foi uma primeira fase incentivada pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), explicou ela. “Agora, estamos em uma segunda fase, competitiva, em um modelo que está sendo copiado por outros países”, disse.

Em 2012, foram realizados seis leilões específicos para esse tipo de energia. Elbia observou que a “safra de ventos” é inversamente proporcional à sazonalidade da produção hidrelétrica, ambas complementando-se.

Outro ponto positivo apontado, segundo ela, diz respeito à possibilidade de reduzir a presença das condenadas termoelétricas na matriz energética nacional com a força dos ventos.

Se por um lado a energia eólica reduz custos e evita encargos de serviços de sistema – economia de aproximadamente R$ 1,6 bi em 2012 – e a Resolução 482 regula o setor, falta discutir incentivos, apesar de o Plano Brasil Maior ter dado um impulso ao setor.

“Em 2021, a previsão é de 9% de participação da eólica na matriz, o que significa 16 GW”, segundo sinalizou a representante da ABEEólica.

Já o sistema fotovoltaico conta hoje com somente 14 projetos de sistemas solares registrados na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Energia fotovoltaica

Osvaldo Soliano, do CBEM: ICMS atrapalha sistema de energia alternativa que ainda engatinha. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Os projetos emblemáticos ficam por conta dos estádios solares e do Projeto Juazeiro, o Brasil Solaire, integrado ao programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, que possibilitará, inclusive, a geração de renda”, revelou Osvaldo Soliano, diretor do Centro Brasileiro de Energia e Mudança do Clima (CBEM).

Ele criticou a introdução de cobrança do ICMS em um sistema de energia alternativa que ainda engatinha no país, antes de se tornar rentável, atrapalhando seus primeiros passos e o pay back (tempo da taxa de retorno do investimento). O setor imobiliário dos Estados Unidos já teria despertado para essa possibilidade: há uma Itaipu instalada nos telhados privilegiando a energia fotovoltaica.

Sua viabilidade é compartilhada pelo diretor de planejamento da AES Eletropaulo, Otávio Grilo. “Das tecnologias existentes no campo da geração sustentável, apenas a fotovoltaica possui algum potencial real.”

Ele apontou que o único caso em São Paulo é do Greenpeace, no Butantã, projeto existente desde 2008 e anterior à Resolução Normativa n. 482/2012 da Aneel.

Para Otávio Grilo, ainda é preciso vencer questões culturais e contar com incentivos para resolver os gargalos que atrapalham a competitividade.

Biogás

Cicero Bley, da Itaipu: minigeração proporciona vantagens quanto ao autoabastecimento e geração de renda Foto: Julia Moraes/Fiesp

Todas as regiões do país têm vocação para o biogás, uma energia “invisível” para o governo e o produtor, destacou o superintendente da Itaipu Binacional, Cícero Bley.

Ele reforçou que a minigeração proporciona vantagens quanto ao autoabastecimento e geração de renda, abrindo novas perspectivas de desenvolvimento local e industrial, com forte contribuição do agronegócio.

Bley foi mais um a criticar a incidência do ICMS, classificando-a como “um banho de água fria no processo”.

 

Tecnologia de exploração de gás na América do Norte pode não ser ideal para a América do Sul, diz executivo do setor de exploração de gás

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A Schlumberger reduziu de 48 para oito dias o período de exploração de gás não convencional. Em um dos campos no quais a prestadora opera, maquinários perfuram com 56 mil cavalos de potência reservatórios não convencionais. Mas o Brasil pode não conseguir aproveitar essas tecnologias criadas pela companhia uma vez que para cada região e tipo de rocha há um método de perfuração e fraturação diferente, explicou nesta segunda-feira (05/08) o vice-presidente da gigante norte-americana, Jeff Meisenhelder.

O executivo participou de um dos painéis do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, em São Paulo. O evento continua nesta terça-feira (06/08).

“Não dá para usar na América do Sul as mesmas tecnologias utilizadas na América do Norte, simples assim. Cada sonda tem um design especifico para uma fraturação específica. A maneira como a rocha é fraturada faz toda a diferença no quanto de gás é possível extrair”, afirmou.

Meinsenhelder: métodos diferentes em cada região. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Meinsenhelder: métodos diferentes para fraturação na América do Sul e na do Norte. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Meisenhelder, o potencial de reservas não convencionais no Brasil é evidente, mas é preciso uma estrutura política e econômica que facilite o acesso aos poços, um mercado de prestadores de serviços aptos, um modelo regulatório acessível, entre outros pontos.

Na avaliação do vice-presidente da Schlumberger, os resultados da prospecção, exploração e produção de um recurso natural como gás não convencional aparecem no médio e longo prazo.

“De 1985 a 2002 nós continuávamos tentando fraturar rochas com diferentes métodos e tivemos uma mudança radical em 2005. Então não é algo que acontece num piscar de olhos. Testamos diferentes tecnologias e buscamos o gás não convencional em diferentes regiões da América do Norte. Essa é a chave”, contou ao participar do 14º Encontro de Energia da Fiesp.

Políticas e regulações

Para Silvie D´Apote, sócia-diretora da consultoria Gas Energy, que também participou do debate sobre gás não convencional no mundo, o desenvolvimento relativamente acelerado da exploração e produção de gás natural na América do Sul vai depender de políticas e regulações.

Silvie: ainda faltam condições de investimento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Silvie: ainda faltam condições de investimento na América Latina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Na América Latina parece que temos muitos recursos, mas a taxa de crescimento das reservas dos maiores países da região decresceu na última década e isso é totalmente consequência de uma falta de política adequada para incentivar a produção de gás”, disse Silvie. “E se não existem condições para as empresas investirem na exploração convencional, quanto mais na exploração não convencional”, completou.

Meta ambiciosa

Também presente no Encontro, o superintendente de gás da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Roberto Ferreira Borges, afirmou que seria “muito ambiciosa” a meta de implantar o modelo norte-americano de exploração de gás não convencional no Brasil.

Borges: modelo dos EUA como referência pode ser opção equivocada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Borges: modelo dos EUA como referência pode ser opção equivocada para o Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“A gente não necessariamente tem de começar com isso. Temos condição de começar com 12 mil cavalos de cavalos de potência. Mas essa nossa referência (modelo dos EUA) pode estar equivocada e acho que cabe pensar um pouco mais em cima disso”, alertou.

Segundo Borges, uma das travas à exploração ainda é superar deficiências de infraestrutura e logística. Já no âmbito de formação e ampliação de mercado para reservas não convencionais, o desafio será a construção de térmicas a gás.

 

Mercado de Gás Natural na América do Sul é tema de painel do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O mercado de Gás Natural na América do Sul foi tema de painel do 14º Encontro de Energia na tarde desta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, na capital paulista. Para isso, representantes de empresas e governos da América Latina falaram sobre a relação de seus países com o recurso natural. O encontro prossegue até esta terça-feira (06/08).

Frank Look Kin, assessor especial do Ministério de Energia de Trindad e Tobago, abriu o debate falando sobre a história e crescimento da indústria de gás natural em seu país. A produção atual é de 81 753 barris de gás natural por dia. E supera a produção de óleo. “De 1908 a 2012 foram produzidos 3,5 bilhões de barris de óleo. E 3,8 bilhões barris de gás”, disse.

Kin: produção de gás natural super a de óleo em Trindad e Tobago. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kin: produção de gás natural já supera a de óleo em Trindad e Tobago. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Kin, o futuro da exploração e comercialização do recurso está no campo de extração de gás em parceria com a Venezuela,  exploração de gás em águas profundas e no aumento da ligação entre energia e manufatura. “O gás é o combustível econômico sustentável do século 21. E temos um futuro promissor em Trindad e Tobago”, disse. “Cerca de 56% do mercado é alimentado por gás natural”.

 

No Chile

Antonio Bacigalupo, gerente geral da GNL Quintero, falou sobre a experiência com gás natural no Chile. “Nosso mercado é dez vezes maior que o de Trindad e Tobago e dez vezes menor que o brasileiro. Somos cada vez menos dependentes de combustível importado através de gasodutos”, disse.

Bacigalupo: menos dependência de combustível importado no Chile. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bacigalupo: menos dependência de combustível importado no Chile. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bacigalupo destacou o trabalho realizado no Terminal de extração de Quintero, na zona central do Chile. “No terminal, o principal que temos, a produção já atingiu 10 milhões de metros cúbicos por dia. Em breve alcançaremos 15 milhões. O objetivo final é 20 milhões”, informou.

Para Bacigalupo, o Chile precisa urgentemente de energia sustentável para apoiar seu crescimento econômico. “A sociedade pede projetos limpos e seguros, os clientes e governo também. O potencial do gás natural é enorme”, encerrou.

Mais integração

Ieda Correa Gomes, diretora de Energia Strategy, fechou o painel, abordando a questão da integração gaseífica na América Latina.  “Há muitos anos sonhamos com uma grande  integração de mercado entre os países da América Latina”.

Ieda analisou os processos de integração gaseífica da União Europeia, afirmando que este seria o modelo sustentável ideal para a região latino americana. “Na Europa há 24 terminais de GML em operação e sete em construção, com 200 mil quilômetros de gasodutos. Na América do Sul, são seis em operação, com quatro em construção ou licitação, sendo 40 mil quilômetros de gasodutos”, informou. “Não somos um mercado gaseífico por natureza”.

Ieda: necessidade de mais integração na América Latina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ieda: necessidade de mais integração na América Latina, a exemplo da Europa. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ieda apontou outra questão do mercado latino-americano: o domínio dos empreendimentos estatais como a Petrobras, a YPFB e a Ecopetrol. “Esse modelo cria limitação ou nenhum acesso ao mercado para os produtores independentes”.

Ieda pediu integração entre os mercados para uma melhoria e evolução do setor energético no continente. “Na Europa há uma integração de infraestrutura entre as nações e mercados, uma interligação de transporte, mobilidade, conexões de gasodutos e pontos de entrada de gás natural. Isso resulta em preços altos e não condizentes com as práticas ideias”, concluiu.

O painel foi presidido por Jaime da Seta Filho, diretor de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

 

Brasil só tem a ganhar com a exploração do pré-sal, afirmam debatedores do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Adriana Santos, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no painel “Pré-sal: A nova era do petróleo no Brasil” todos os participantes concordaram num ponto: o Brasil só tem a ganhar com a exploração do pré-sal. O debate foi coordenado por Marcos Nascimento, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, tendo sido realizado na tarde desta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, em São Paulo. O Encontro segue até esta terça-feira (06/08).

O pré-sal é uma parte do subsolo localizada sob uma camada de sal nas profundezas do mar, com alto potencial de exploração de gás e óleo.

“Primeiro veio o desafio tecnológico, depois os regulatórios e, em seguida, a coordenação de políticas setoriais”, explicou Helder Queiroz Pinto Jr, diretor da ANP, apresentando uma linha do tempo do pré-sal.

Pinto Jr apresentou uma linha do tempo do pré-sal em debate no 14º Encontro de Energia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Pinto Jr apresentou uma linha do tempo do pré-sal em debate sobre o assunto. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Nos últimos 15 anos, o mercado de energia passou por uma grande transformação, com ampliação do horizonte para exploração. Nessa mesma linha de análise, Helder mostrou a evolução financeira arrecada pela União por meio dos royalties de gás e óleo. Para se ter uma ideia, em 1998 foram arrecadados US$ 200 milhões, valor que saltou para US$ 30 bilhões no ano passado.

Uma nova era

O pré-sal colocou o Brasil no caminho da inovação desde o princípio. As técnicas de perfurações das estruturas, inclusive, foram os primeiros desafios a serem enfrentados com o uso de tecnologia. A avaliação é de  outro painelista do debate, Armando Guedes, conselheiro do IBP. Segundo ele, em dez anos o pré-sal será responsável por quase 50% da produção de óleo no Brasil.“Esse crescimento e a demanda internacional fará com que a nação busque ainda mais inovação, para, por exemplo, criar ilhas artificiais que facilitem o transporte do petróleo do fundo do mar para a costa”.

Segundo ele, o horizonte aponta para um futuro promissor.“A utilização do gás e petróleo como grandes geradores de energia ainda deve predominar até o final do século, quando outras formas – como a energia solar – começarão a conquistar seu espaço”.

Competitividade 

Para Arthur Ramos, sócio da Booz Company, que também participou do painel, “a inovação transformou o Brasil em posição de líder em águas profundas”.  Arthur acredita que a discussão sobre o pré-sal deve percorrer toda a cadeia produtiva e a competitividade deve ser o foco, uma vez que essa é uma indústria geradora de muita renda.

O empresário ressaltou a pertinência e importância do tema para a Fiesp, uma vez que esse mercado necessita de capacitação de recursos humanos e tecnologia. Ele também destacou, assim como seus companheiros de debate, que a indústria naval teve a oportunidade de renascer com o advento do pré-sal. 

Futuro da geração e conservação de energia é tema de painel em evento da Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O painel “Segurança energética: o futuro sem apagão?”, que aconteceu na tarde desta segunda-feira (05/08), durante o 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), debateu as alternativas de fontes energéticas a serem exploradas no Brasil. O Encontro foi aberto segue até essa terça-feira (06/08) no Hotel Unique, em São Paulo.

“Esse é o lema deste Encontro de Energia, mas mais do que isso, é um tema que preocupa a todos, e por isso temos que trabalhar para não termos preocupações futuras”, explicou o diretor da divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Newton José Leme Duarte, que coordenou a discussão.

“O Brasil tem um grande privilégio por se basear em fontes hídricas e queremos entender que vamos continuar, por muitas décadas, a explorar essas grandes fontes. Mas precisamos desenvolver outras fontes renováveis, como eólica e térmicas, por exemplo”, afirmou.

Ainda as hidrelétricas 

O presidente da Empresa de Pesquisa de Energia (EPE), Maurício Tolmasquim, abordou a questão da segurança do ponto de vista do planejador, para entender como se deve olhar para o futuro visando garantia e abastecimento.

“O carro-chefe da expansão, nos próximos anos, continuará a ser as hidrelétricas”, afirmou Tolmasquim ao lembrar que utilizamos apenas um terço do potencial total. “Nos próximos dez anos há a projeção de instalar 30 mil MW [de hidrelétricas] sendo que desse total, 71% já foram contratados”, disse.

Tolmasquim: hidrelétricas seguirão como carro-chefe da expansão do setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Tolmasquim: hidrelétricas ainda seguirão como carro-chefe da expansão do setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Na opinião do presidente da EPE, outra fonte importante é a eólica. “O Brasil tem um potencial estimado de 130 mil MW e, em 2014, já teremos mais de 8 mil MW contratados”, afirmou ao informar que, ainda em 2013, haverá um leilão para reforçar essa modalidade para setembro de 2015. “A eólica teve uma queda de preço bastante expressiva e é possível perceber um crescimento exponencial dessa fonte na nossa matriz”, destacou.

No que se refere à exploração da biomassa, Tolmasquim explicou que já se tem quase 10 mil MW instalados de capacidade. “É quase uma Belo Mote de biomassa instalada”, afirmou ao ressaltar que essa é uma fonte de energia com ‘boas oportunidades’.

Sobre a questão nuclear, no entanto, Tolmasquim explicou que não a insere no planejamento porque esse ainda não é um cenário concreto no Brasil. “Atualmente, não existe uma decisão sobre o programa nuclear e, portanto, não me sinto à vontade de considerar num planejamento de médio-longo prazo. Mas temos ciência que o Brasil é um dos poucos países que tem Urânio e tem enriquecimento e, portanto, é algo que tem ser considerado”, explicou.

Segurança energética 

O assistente da presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimaraes, fez uma reflexão sobre segurança energética. “No nosso entendimento, esse conceito engloba a continuidade e sustentabilidade do suprimento de energia, o que deve garantir o equilíbrio entre a oferta e a demanda, no curto, médio e longo prazo”, afirmou.

Guimaraes: equilíbrio entre oferta e demanda. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Guimaraes: equilíbrio entre oferta e demanda em nome da sustentabilidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Ao lembrar que no caso de energia o ‘o consumo é simultâneo à produção’, Guimaraes ressaltou os riscos das fontes energéticas renováveis e não-renováveis. “O Brasil tem uma situação confortável por ter alta renovabilidade e baixa dependência dos não-renováveis externos”, destacou ao enfatizar que essas características são positivas para o Brasil e fazem de seu setor elétrico ‘único no mundo’.

“Vivemos numa matriz elétrica em transição hidrotérmica”, afirmou Guimarães ao explicar que, no Canadá, essa transição foi feita para incluir a geração térmica em seu modelo. Ao finalizar, questionou: “seria esse um modelo seguro de geração de energia para o Brasil?”.

Na América Latina

O secretário-executivo da Comissão de Integração Energética Regional (CIER), Juan José Carrasco, afirmou que o problema da América Latina é que, em 2030, precisará produzir 188 TWh de energia elétrica. “A região representa 5,6% da demanda energética do mundo e se  espera um crescimento de 4,4% acumulado”, afirmou ao destacar que o aumento demográfico dos últimos anos resultou em uma tendência de melhorar a qualidade de vida e desenvolvimento da classe média o que, por sua vez, desencadeou maior necessidade de energia elétrica.

Carrasco: aumento da demanda por energia ligado ao desenvolvimento da região. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Carrasco: aumento da demanda por energia ligado ao desenvolvimento da região. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Na última década, houve um aumento significativo pela demanda de energia, mas a América Latina está muito bem posicionada tanto nos recursos renováveis como nos não-renováveis”, afirmou Carrasco ao explicar que a região cresceu mais do que os países desenvolvidos. “O consumo enérgico saltou de de 5,6% para 8,2% entre 1990 e 2010”, disse

“A América Latina possui características únicas, pois tem uma matriz muito limpa, com diversos recursos hídricos, eólicos e térmicos, o que permite um grande potencial de desenvolvimento”, finalizou.

Papel das hidrelétricas no desenvolvimento econômico em destaque na conferência de abertura do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Isabela Barros,Agência Indusnet Fiesp

O papel das hidrelétricas como fator de desenvolvimento social e econômico do Brasil esteve no centro das discussões da conferência de abertura do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O debate teve como tema “A importância das hidrelétricas para um Brasil Competitivo”. O evento começou nesta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, na capital paulista, e segue até esta terça-feira (06/08).

Sob a coordenação da embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues, a diretora-titular-adjunta do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), a conferência teve como participantes o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC) e o professor da UFRJ Jerson Kelman.

Em sua apresentação, Márcio Zimmermann destacou que, num país como o Brasil, com áreas desenvolvidas e outras não, as hidrelétricas podem estimular o crescimento social e econômico. “Os municípios com hidrelétricas apresentaram Índice de Desenvolvimento Humano (IDH ) acima dos outros da região”, disse.

Zimmermann defendeu que esses sistemas de geração de energia elétrica são “imprescindíveis para países em desenvolvimento”. “Uma hidrelétrica é feita hoje e vai durar, com poucos investimentos, centenas de anos”, disse. O secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia explicou ainda que as usinas com reservatórios não são “achismos”, mas projetos feitos com “engenharia por trás”.

“A grande discussão a respeito da energia elétrica no Brasil é aquela em que a sociedade, cada vez mais, começar a cobrar a respeito do uso múltiplos da água”, afirmou. “São pontos importantes para o país pensar”.

Em defesa da segurança hídrica

Segundo debatedor da conferência, Benedito Braga destacou a importância do conceito de segurança hídrica num cenário em que ainda existem 1,8 bilhão de pessoas sem acesso à água potável no mundo. E mais 1,3 bilhão que não usam eletricidade. “O desenvolvimento econômico e social é essencial para garantir um meio ambiente favorável para o trabalho e a vida”, disse.

Braga: uso do "capital ambiental" de forma menos "impactante". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Braga: uso do "capital ambiental" de forma menos "impactante" é desafio. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

De acordo com o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC), os capitais “ambiental, econômico, humano e social” devem conviver em equilíbrio nos países. “O desafio é usar o capital ambiental de forma menos impactante”, explicou.

Dessa forma, a chamada segurança hídrica existiria sempre que todos os habitantes de determinada nação tivessem acesso à água em quantidades suficientes. “Existe uma correlação entre infraestrutura hídrica e crescimento econômico”, afirmou Braga.

Para ele, a água e sua gestão devem fazer parte da agenda política mundial. “O tema da água é essencialmente de natureza política”.

Veja a apresentação completa de Braga.

Rigor nos licenciamentos

De acordo com o terceiro debatedor da conferência, Jerson Kelman, o licenciamento ambiental de novas usinas tem ocorrido “em doses homeopáticas”. “O rigor ambiental nos licenciamentos tem provocado um paradoxo ambiental”, explicou. “É burocraticamente mais simples produzir energia elétrica queimando derivados de petróleo ou carvão, que contribuem para o efeito estufa, do que usando água”.

Kelman: “Não dá para dizer apenas que não pode”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kelman foi um dos três debatedores: “Não dá para dizer apenas que não pode”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Assim, para Kelman, é preciso “priorizar os interesses da maioria”. “Não dá para dizer apenas que não pode”, colocou. “É preciso dizer o que pode também”.

Diante desse quadro, segundo o professor, não haveria outro caminho que não o “diálogo baseado no conhecimento e na boa fé”.

Para conferir a apresentação de Kelman na íntegra, só clicar aqui.