‘O Brasil pode crescer, desde que a gente tenha as políticas corretas’, diz José Ricardo Roriz

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Nesta terça-feira (06/08), foi realizado o seminário “Oportunidades para o setor privado: do poço à chama”, com a coordenação do diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Guiro Pacheco. Como parte do 14º Encontro de Energia, o evento discutiu as recentes atividades do mercado privado de petróleo e gás no Brasil.

O coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás (Competro) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, fez um previsão otimista para os próximos anos. “O Brasil pode crescer, a gente pode ser muito mais ambicioso, desde que tenhamos as políticas corretas”, afirmou Roriz, que projetou uma maior presença do Brasil no mercado internacional.

Coelho: mercado aquecido e com altos salários no futuro. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Coelho: mercado aquecido e com possibilidades de crescimento no Brasil, no futuro. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“Nesse cenário positivo, o País sairia da participação do setor de petróleo e gás de 12% em 2012 para quase 20% em 2020, já considerando os investimentos anunciados”, disse. ”Em 2029, seria provavelmente o setor de maior produtividade e gerando emprego com altos salários”.

Para assegurar esse cenário, Roriz sugere ações como a melhoria no planejamento da demanda, revisão da política de conteúdo local, redução de preços e a criação de políticas de educação, desenvolvimento e tecnologia. “Isso é fundamental para os projetos dessa  indústria, que tem um nível de investimento alto, saiam do papel.”

Conteúdo local

Para falar sobre a questão do conteúdo local, Bruno Musso superintendente da Onip, também defendeu uma mudança na política para o setor. “Tínhamos que ter um olhar mais cauteloso para as políticas que foram adotadas, sem perder de vista a participação da indústria local e usar isso como mecanismo de eficiência.”

Para Musso, um “olhar novo para a questão” inclui a ampliação do escopo das políticas de compras locais, investimentos em capacidade instalada e o comprometimento dos investidores com esse processo. “Do jeito que está, a política de compras locais não interessa a ninguém. Nem aos compradores, nem às indústrias, nem ao governo.”

Clarisse Rocha, gerente regional da EIC, apresentou sua empresa e fez uma análise das mais recentes rodadas de leilões e a participação das operadoras internacionais. “Hoje a produção de gás no Brasil é praticamente dominada pela Petrobras, mas esse cenário pode vir a mudar com a participação de novos operadores.”

A gerente também apresentou uma série de projetos em diversas áreas do setor de G&O, como a ampliação de oferta de GNL, aproveitamento de gás e geração de energia.

Oportunidade de investimento

Com foco no gás natural, Jorge Delmonte, gerente de gás natural do IBP, focou em temas como a infraestrutura de transporte e a regulação para o setor. “O Brasil ainda está em um estágio inicial de desenvolvimento da indústria de gás natural”, disse. “Um exemplo disso é a densidade de gasodutos no Brasil e em outros países. Só como comparativo, os Estados Unidos têm hoje 480 mil quilômetros de gasodutos. No Brasil, temos 11 mil”.

Mas, segundo Delmonte, isso pode ser visto como oportunidade de investimento. “Se for concretizado o tão esperado choque de ofertas, a demanda na área de transporte será muito grande, o que será uma oportunidade para empresas fabricantes de tubos e de engenharia, entre outras.”