Presidente da Petrobras descarta aumento da produção de gasolina para compensar etanol

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, descartou por ora qualquer mudança no plano de negócios 2012-2016 da estatal relacionada ao aumento da capacidade para produção de gasolina para suprir o buraco da oferta de etanol.

Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras

“Vamos dar tempo ao tempo. Os grupos estão estudando, mas hoje eu digo para vocês que o que está no plano de negócios e gestão não prevê a incorporação de novas unidades de processo com vocação para gasolina”, afirmou a presidente da petroleira estatal.

Após participar da cerimônia de encerramento do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, Graça Foster disse que a Petrobras está “trabalhando forte para que o etanol volte”. Ela ainda sugeriu que os usineiros do setor sucroalcooleiro devem resolver com o Ministério de Minas e Energia “equações” como a formação de política de preços.

Crise do etanol

Depois de comemorar um salto da produção em 2008, chegando 648,85 milhões de toneladas, a produção brasileira de etanol amarga uma forte crise, na qual muitas usinas, endividadas, estão sendo colocadas à venda.

“A gente entende o discurso dos usineiros. Eles colocam que têm algumas dificuldades no mercado e que há um desequilibro entre os preços que podem praticar. Eu considero importante que eles resolvam essa equação junto ao Ministério de Minas e Energia, junto à Agência Nacional de Petróleo”, afirmou a executiva da Petrobras.

Ultimamente, falta etanol para abastecer até mesmo à demanda interna, por conta de quebra de safras, condições climáticas adversas, endividamento e ausência de novos investimentos. Ainda assim, a presidente da Petrobras não considera mudanças nos projetos da estatal para atender à demanda deixada pelo biocombustível.

“Eu sou meio rígida nas questões de mudança de escopo. Li outro dia que está decidido mudar o escopo do projeto das novas refinarias para mudar o perfil. Se a gente faz isso agora, você pode colocar aí mais um atraso expressivo em cima dessas refinarias que nós tanto precisamos e que nós já estamos há um ano e meio trabalhando”, reiterou.

Para Graça Foster, a capacidade aumentada de produção da gasolina oferece um alívio momentâneo, mas criará um novo problema: o excedente de oferta do combustível fóssil quando o etanol retomar o fôlego, comportamento que ela acredita ser possível em 2014.

“E quando o etanol voltar, como é que nós ficamos com esse investimento para uma gasolina que hoje falta, mas com a volta do etanol se completa? O mercado aponta que no próximo ano a oferta já esteja maior e que em 2014 já esteja resolvido”, ponderou a presidente da Petrobras, sem deixar claro se haverá novos ajustes de preço da gasolina. “Preço também é um assunto que está sempre sendo colocado em pauta.”

O mundo busca uma matriz energética mais limpa, diz presidente da Petrobras

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“O mundo busca uma matriz energética mais limpa”, afirmou Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras, durante o painel “O futuro do petróleo e do gás natural no Brasil e no mundo”, que encerrou o 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (07/08).

Graças Foster, presidente da Petrobras

Graça Foster apresentou comparativos de 2000 a 2011 sobre as reservas e produção de óleo e gás natural. No que se refere à produção de óleo, o Brasil cresceu 73%, enquanto que o mundo cresceu 12%. Já na produção de gás natural, o crescimento foi de 61% e 36%, respectivamente. “Nós crescemos muito mais do que a média mundial”, avaliou a executiva da Petrobras.

De acordo com ela, 60% das reservas globais de petróleo estão concentradas em cinco países e 35%, em 47 países. O Brasil ocupa a 14ª. posição em tamanho de reserva. “Nós temos um futuro promissor”, sublinhou.

Sobre o valor de mercado das reservas, Graça Foster informou que 98% do que a Petrobras produz tem sido consumido no Brasil.

“Essa aproximação tão grande das nossas reservas com o melhor do mercado no Brasil – com o sul e sudeste, onde temos 47% do consumo de derivados, 62% do consumo de energia, 55% do PIB [Produto Interno Bruno] e 65% do consumo de gás natural – está a no máximo 300 quilômetros da costa. E isso traz para nós competitividade”,  destacou, explicando que o custo logístico desse petróleo e desse gás “é significamente menor porque está muito próximo da costa e do melhor do mercado no Brasil”.

Segundo a executiva, a Petrobras não tem negado esforços em investimentos. “Na área de exploração e produção, nós (sem somar os parceiros) temos U$ 131,6 bilhões de investimento”, informou.

Política de conteúdo local

A presidente da Petrobras explicou que todo projeto apresentado à diretoria da empresa precisa mostrar porque há conteúdo que não é feito no Brasil. “Não é um dogma e nem uma ordem do governo. Para nós, é uma decisão gerencial, porque representa grande competitividade”, afirmou.

“Nós temos esse compromisso porque acreditamos, não só por uma questão meramente nacionalista, mas porque traz competitividade para a Petrobras”, acrescentou Graça Foster, ao lembrar que a política de conteúdo local também gera empregos e renda para o Brasil, além de eficiência nos serviços. “Faz muito bem para a Petrobras ter a base de bens e serviços aqui no Brasil”, concluiu.

Brasil precisa reforçar externalidades positivas do seu etanol

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

É preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, apostar em novas tecnologias na agricultura e na mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE). A bioenergia moderna também deve gerar renda.

As observações feitas pela embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores, abriram o debate sobre “Mercado de Combustíveis no Mundo”. O painel foi mediado pelo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, em São Paulo.

embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores

Mariângela Rebuá tratou de importantes indicadores que auxiliam na tomada de decisão de políticas públicas e que passam pelo tripé econômico, social e ambiental.

“O Brasil tem produtividade altíssima e trabalhamos mais em desenvolvimento tecnológico”, ressaltou. Ao apontar que a produção de biocombustíveis promove mudanças sociais, somou o fato de que também garante empregos bem pagos.

Atento ao desenvolvimento sustentável e aos países mais vulneráveis, o Banco Interamericano de Desenvolvimento Econômico e Social (BID) investiu em projetos U$ 12 bilhões/ano, em 2007-2001, volume que representa o dobro de empréstimos no período anterior.

Marco Aurélio Castro, especialista em energia do BID para a América Latina e o Caribe, exemplificou o apoio com o financiamento de Tauá, a primeira usina fotovoltaica no Brasil, mais 1MW ao sistema.

Castro também sinalizou com o financiamento de estudos de mecanização da colheita de cana-de-açúcar, que requer requalificação da mão de obra. Por outro lado, apresentou pontos do Scorecard do BID para a sustentabilidade quanto aos biocombustíveis com foco no setor privado.

Ele citou experiências recentes de voos da Azul e da Gol com biocombustível para aviação, em 19 de junho, durante a realização do Humanidade 2012, no Rio de Janeiro. A vantagem é redução de 82% na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp

Na avaliação de João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-ppresidente da Fiesp, a exigência de maior carga de biodiesel no diesel, 25% em São Paulo, deverá gerar mais empregos.

No campo internacional, os maiores consumidores de petróleo, Estados Unidos, países desenvolvidos e integrantes do BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) dependem de políticas públicas no incentivo aos biocombustíveis, segundo Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Para ele, os Estados Unidos têm programa audacioso de consumo com uso da segunda geração de biodiesel e de elevação de 10 para 15% da adição de etanol até 2013.

Expansão do gás natural depende de planejamento de oferta e demanda, diz diretora do MME

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento do gás natural no Brasil depende de estudo e planejamento de oferta e demanda, com condições concorrenciais que permitam a sua expansão – esse fator é mais importante do que pensar em ampliar a rede distribuidora, segundo a diretora do Departamento de Gás Natural do ministério de Minas e Energia (MME), Symone Christine Araújo, uma das participantes do painel “Planejamento Estratégico para a Indústria do Gás”, agenda da manhã desta terça-feira (07/08) no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Symone Christine Araujo, diretora do departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia

Para Symone Christine Araújo, levar o gás até o consumidor não significa apenas “ligar os pontos”. É necessário muito trabalho de conhecimento de oferta, da demanda, dos mecanismos do mercado e seu comportamento para se pensar em instalação de infraestrutura.

“A quantidade disponível de Gás Natural no pré-sal, por exemplo, ainda é uma incerteza, pois se grandes quantidades tiverem de ser reinjetadas para aumentar a produção de óleo, certamente isso será feito e vai alterar o volume a ser ofertado.”

A especialista no setor Ieda Gomes, da Energix Strategy, afirma que o gasoduto é decorrente de oferta e demanda. “No Brasil, a fatia de gás natural ainda é pequena, por volta de 9% da matriz energética, mas deve dobrar nos próximos oito anos. No mundo, essa participação ultrapassa os 23% da matriz.”

Ieda Gomes reclama da alta carga tributária incidente sobre o energético, por volta de 30%, e alerta para a falta de incentivo para o uso de energias menos poluentes. “Quem quer fomentar energia mais limpa não poderia cobrar tanto imposto.”

 

Brasil tem gargalos logísticos na distribuição de combustíveis, afirma presidente da BR

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Como superar o desafio abastecer lugares de difícil acesso em um país de dimensões geográficas como o Brasil? A questão foi tratada nesta segunda-feira (06/08) por José Lima de Andrade Neto, presidente da BR Distribuidora, durante o painel “Oferta, demanda e segurança do abastecimento de derivados” no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Jose Lima de Andrade Neto, presidente da BR Distribuidora

“O Brasil tem 37 mil postos de serviços para atendimento ao consumidor, uma cadeia expressiva que tem movimentado mais de R$ 100 bilhões”, explicou Andrade Neto, justificando que o consumo  brasileiro é representativo no volume: mais de 100 bilhões de metros cúbicos de combustíveis em 2011.

O executivo afirmou que o mercado cresceu abaixo do PIB e que é preciso aumentar a logística de distribuição. “Outro fato é que a região centro-oeste do Brasil passou a demandar mais estrutura e logística”, ponderou.

Com uma estimativa de mais de 39 milhões de veículos leves no país, sendo 80% de automóveis “flex fuel” (que podem funcionar com dois ou mais combustíveis), é difícil antecipar qual será o consumo com a oferta de álcool e gasolina. “Isso nos introduz alguns desafios, e há incertezas quanto à demanda de combustível substituto devido à relação de preços”.

Gargalos logísticos

Ernani Filgueiras do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis

De acordo com Ernani Filgueiras, gerente de abastecimento do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a entidade desenvolveu um trabalho que identifica os entraves logísticos e que investimentos devem ser feitos para saná-los. “Contratamos uma consultoria que mapeou os gargalos na malha de distribuição de combustíveis, e identificamos alguns na região amazônica”, detalhou.

Naquela região, prosseguiu Filgueiras, boa parte dos combustíveis é distribuída por caminhões e dutos trabalhando na capacidade quase que máxima, mas as rodovias são um modal pouco utilizado.

Na opinião do gerente do IBP, é preciso repensar a política nacional de abastecimento para que seja mais regionalizada – incluindo o biodiesel – e substituir o óleo diesel pelo gás natural conforme a disponibilidade, visando a utilização em ônibus híbridos nas principais capitais.

‘Hidrelétrica ainda é fonte mais competitiva e não podemos abrir mão’, afirma Tolmasquim

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Hidrelétricas ainda são a fonte de energia mais competitiva para o Brasil, apesar de críticas de representantes da sociedade civil à construção de usinas. A visão é de Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ao participar do painel “Visão Estratégica da Matriz Energética”, programação desta segunda-feira (06/08) no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Maurício Tolmasquim, presidente da EPE

“Eu acho que tem uma batalha de comunicação com a questão da hidrelétrica, que é um recurso que qualquer país do mundo gostaria de ter e que a gente não pode abrir mão. Isso não é uma batalha do governo contra uma ou outra ONG. Tem pequenos grupos que falam que  representam a sociedade, mas a sociedade é mais ampla. A Fiesp e a Firjan também representam a sociedade civil”, afirmou Tolmasquim.

Hidrelétrica sob ataque

A opinião de Tolmasquim encontra eco no diretor da PSR Consultoria, Jorge Trinkenreich, para quem a hidrelétrica continua sendo âncora por conta do menor custo no portfólio da energia elétrica renovável, mas ainda assim tem sido alvo de ataques da mídia e de campanhas sociais.

“A hidroeletricidade é atacada por campanhas locais e internacionais. Ela é atacada na questão de reservatórios em termos de regularização, mudança climática e o problema do licenciamento ambiental”, provocou Trinkenreich. “É importante que a comunicação com a sociedade seja feita para que ela aceite essas hidrelétricas.”

Tolmasquim lembrou que todo processo de licitação para a construção de usinas conta com uma avaliação ambiental integrada, na qual “há uma série de audiências públicas para discutir abertamente. O Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] não dá licença de operação se todas as condicionantes que estavam na licença prévia e de instalação não forem cumpridas. Claro que é bom ter talvez um crivo a mais.”

Em convergência com a fala do presidente da EPE, o consultor da PSR, Jorge Trinkenreich, acrescentou ainda que não adianta “demonizar” o Ibama se o problema estiver então na qualidade do projeto hidrelétrico.

13º Encontro de Energia: painel debate aperfeiçoamentos regulatórios para o mercado livre

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A ampliação do mercado livre de energia foi um dos temas centrais do painel “Aperfeiçoamentos Regulatórios para o Mercado Livre”, uma das agendas desta segunda-feira (06/07) do 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O painel, coordenado por Dorel Ramos, diretor de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, discutiu a flexibilização dos requisitos para se tornar cliente livre, as regras de comercialização, a complexa revisão de valores do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) – e seus reflexos – a viabilização do processo de venda de excedentes entre consumidores, os recentes sistemas de “bolsa de energia” e os aperfeiçoamentos no sistema de garantias.

Marco Delgado, diretor da Abradee: 'Temos que olhar não só o momento vigente, mas também o futuro'

Marco Delgado, diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), assinalou que a regulamentação visa garantir a segurança do suprimento de energia elétrica, mas que é preciso analisar o contextual atual e as perspectivas. “Temos que olhar não só o momento vigente, mas também o futuro”, afirmou.

Delgado sugeriu algumas questões imediatas para o desenvolvimento do mercado livre, visando estímulos à eficiência e à estabilidade. Entre elas, avaliar a pertinência e dimensionamento de subsídios.

“As distribuidoras não são contrárias à ambição do mercado livre, desde que se desenvolva de forma responsável, saudável e, principalmente, sem subsídios”, concluiu o diretor da Abradee.

Diretor da Aneel: apefeiçoamento melhora regulamentação

João Julião Silveira, diretor da Aneel: 'O aperfeiçoamento é importante para melhorar a regulamentação de um ambiente livre”

Representando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o diretor Julião Silveira Coelho fez uma análise dos aperfeiçoamentos regulatórios sob o ponto de vista estrutural que, segundo ele, é também cultural.

Para Silveira Coelho, essa análise é essencial para haver menos intervenções desnecessárias e desmotivadoras, como o recálculo do PLD, por exemplo. “É uma falta de objetivo e causará a refação  de diversos negócios fechados”, afirmou.

Segundo o diretor da Aneel, o aperfeiçoamento estrutural da Análise do Impacto Regulatório (AIR), implica diversas fases, como ilustrar as intervenções, defini-las, mostrar os benefícios que trará, entre outras. “O aperfeiçoamento é importante para melhorar a regulamentação de um ambiente livre”, explicou.

Usando como exemplo um formulário da Inglaterra, que será implantado na Aneel, Coelho defendeu mais clareza nos processos regulatórios brasileiros e garantiu que a Aneel sairá na frente nesse processo. “Não custa sonhar. Quem sabe isso seja adotado pelo poder legislativo?”, provocou.

Também estavam presentes no debate Ricardo Lima, conselheiro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Flávio Cotellessa, presidente do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE).

Deputado federal diz que bilhões foram arrecadados indevidamente na conta de luz do povo

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Convidado da cerimônia de abertura do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, o deputado federal Eduardo Da Fonte, 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados, afirmou nesta segunda-feira (06/08), durante o evento, que um dos principais méritos da CPI das Tarifas de Energia, presidida pelo parlamentar pernambucano, foi o de haver colocado na ordem do dia do Congresso Nacional os altos preços pagos pelo povo brasileiro na conta de luz.

Deputado federal Eduardo Da Fonte, 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados

“Graças a um pedido de nossa autoria ao Tribunal de Contas da União [TCU], foi identificado um erro na metodologia de reajuste das tarifas que causou um prejuízo de bilhões de reais ao povo brasileiro”, disse Da Fonte.

“Inclusive será inserido na ordem do dia da próxima quarta-feira (08/08), no TCU, o julgamento justamente da devolução do que foi cobrado a mais nos últimos sete anos”, acrescentou Da Fonte.  “Só em 2009, a Eletropaulo arrecadou indevidamente 174 milhões de reais; a Cemig, arrecadou 107 milhões de reais; a Copel, R$ 90 milhões. Ou seja, em apenas um ano, o prejuízo em dez instalações foi de mais de 630 milhões de reais”, completou o deputado federal.

De acordo com Da Fonte, estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas projeta que cada real liberado na conta de luz representa um retorno de R$ 8,60 a mais na economia.

“O mais importante é podermos discutir uma conta de luz justa e que não pese tanto nem na indústria, nem no setor produtivo e muito menos no orçamento familiar, para que possamos ter competitividade internacional e ter uma energia elétrica que não atrapalhe o crescimento do nosso país”, concluiu.

O evento

O 13º Encontro Internacional de Energia acontece nos dias 06 e 07 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo, com o tema “Energia no Brasil: tão limpa, tão cara”. Durante dois dias são realizados vários debates com presença de autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros. Ao todo serão 27 painéis, mais de 110 palestrantes do Brasil, América do Sul e dos Estados Unidos. A realização é da Fiesp com correalização da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Sistema Firjan).

O evento também pode ser acompanhado pela internet por meio de transmissão on-line.

Energia: Paulo Skaf reforça necessidade de governo decidir ainda em 2012 sobre leilões

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

A realização dos leilões para as concessões do setor de energia elétrica, cujos contratos vencem em 2015, tem que ser definitivamente resolvida até o final deste ano, defendeu nesta segunda-feira (06 /08), na capital paulista, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, em coletiva de imprensa, logo após a abertura do 13º Encontro Internacional de Energia.

Da esquerda para a direita: Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, Paulo Skaf e Carlos Cavalcanti

 

Skaf elogiou o anúncio do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de que o governo pretende retirar encargos que podem levar a descontos de 10% nas taxas de energia, mas alertou: “É uma notícia muito boa essa redução de taxas em 10%, mas isso não tem nada a ver com os 20% do preço da energia”.

“Se antes, só por conta dos leilões, a baixa do preço da geração, transmissão e distribuição refletia um desconto em torno de 20% na conta de luz de todos os brasileiros, agora, com os 10% de encargos e taxas reduzidas, chegaremos a 30%. E isso tem um reflexo positivo também para a competitividade do país”, enfatizou o presidente da Fiesp e Ciesp.

Skaf ressaltou, no entanto, que é importante distinguir a retirada de impostos da redução do preço de energia por conta da realização dos leilões, e também da desindexação da economia.

Skaf explicou, ainda, que oferecer esclarecimento de grandes juristas à sociedade foi o principal objetivo do convite feito a três ex-ministros do Supremo Tribunal Federal [Nelson Jobim, Ellen Gracie e Sydney Sanches] para participar do evento.

Eduardo Eugenio, da Firjan: interesse é da sociedade

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Sistema Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, comentou o motivo pelo qual a Fiesp e o Sistema Firjan estão unidas desse tema.

“Enquanto o governo tem dificuldade do diálogo, se eu entendi bem, nós aqui somos duas entidades fortes que representamos juntos mais de 75% do parque empresarial e industrial brasileiros, e que temos um ponto de vista que concerne o interesse não só da indústria, mas de toda a sociedade. Por este motivo, convidamos os [ex-]ministros [do Supremo] aqui para nos iluminar. Numa democracia, são mais que fundamentais o diálogo e a discussão”.

Carlos Cavalcanti, diretor do Deinfra/Fiesp: TCU deve acompanhar discussões

Em sua participação na entrevista coletiva, o diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, enfatizou a importância da transparência das informações. “Suponho que o governo conheça dados que a sociedade desconhece. O que eu acho grave.”

A posição da Fiesp é que se realize um processo de consultas publicas. Segundo Cavalcanti, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem que vir a público e explicar seu entendimento sobre os cálculos e submetê-los a uma discussão pública.

“Além disso, nós vamos exortar o TCU [Tribunal de Contas da União] a acompanhar esses processos e os critérios.”

Queda do preço da energia tem que devolver competitividade brasileira, diz Eduardo Eugenio

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A possibilidade de o governo federal reduzir a carga tributária como medida para baixar o preço final da energia elétrica não basta para a retomada da competitividade brasileira. O alerta é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Sistema Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, em sua participação na cerimônia de abertura do 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

13 Encontro de Energia - Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira. Foto: Everton Amaro

Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente do Sistema Firjan: 'É preciso que o governo force essa queda mais expressiva no preço da geração'

De acordo com o presidente do Sistema Firjan, se houver um corte de apenas 20%, o país continuará com a média superior à da tarifa cheia de países como China, Estados Unidos e Argentina.

“Mesmo se tirarmos impostos e encargos, temos o custo mais alto que nossos concorrentes, o que nos coloca em desvantagem competitiva”, apontou Eduardo Eugenio nesta segunda-feira (06/08), no Hotel Unique, em São Paulo.

“É importante que haja uma redução que nos coloque no patamar de competitividade a nível internacional”, reforçou Gouvêa, pedindo ao governo Dilma a “mesma ousadia que teve para a redução dos juros.”

“É preciso que o governo force essa queda mais expressiva [no preço] da geração”, sugeriu. “Essas usinas já foram amortizadas, a matéria-prima é de graça. Os custos administrativos são ridículos”, completou.

O presidente do Sistema Firjan disse ainda que a posição de sua entidade é a mesma da Fiesp. “Nós precisamos abrir a caixa preta, o que está lá nos balanços e nos contratos de concessão. Esse é um fator decisivo.”

“Vamos estar juntos para fazer valer nossa voz do setor produtivo, que representa mais de 70% das indústrias”, exortou Gouvêa.

O líder das indústrias fluminenses lembrou ainda que, segundo estudos da Firjan, o Brasil é o primeiro no ranking na qualidade de emissão de energia elétrica entre os 10 maiores países do mundo, e que a energia brasileira é limpa, enquanto as 10 maiores economias do mundo contribuem com mais de 70% da emissão.

Kassab afirma que energia não recebe ‘preocupação que merece’ do poder público

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, no 13º Encontro de Energia da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo: 'A saída é baratear os custos com energia elétrica e infraestrutura'

O desenvolvimento do Brasil está em uma encruzilhada, afirmou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, nesta segunda-feira (06/08), durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

E a saída, segundo Kassab, é baratear os custos com energia elétrica e infraestrutura.

“Infelizmente, a energia não tem tido, de parte do poder publico, a preocupação que ela merece, não tem tido a consideração e priorização que ela precisa ter”, disse Kassab em seu rápido discurso na abertura do evento.

“Esse é um encontro, Paulo Skaf, que pode contribuir muito para que seja criada na opinião pública brasileira uma onda de pressão legítima para que tenhamos uma conscientização, principalmente no poder público, de que sem uma energia mais barata, ao lado da energia renovável e limpa, nós não vamos conseguir retomar o patamares desenvolvimento da nossa economia de que precisamos para gerar emprego e riquezas”, acrescentou o prefeito de São Paulo.

O 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acontece nos dias 06 e 07 de agosto, no hotel Unique, em São Paulo, com o tema “Energia no Brasil: Tão Cara, Tão Limpa”.

O evento tem a correalização da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Sistema Firjan), e tem 27 painéis que incluem debates sobre temas como as oportunidades para o mercado livre de energia, diálogos estratégicos com os Estados Unidos, integração energética na América do Sul e a elevada tarifa da energia.

‘Queremos energia a preço justo para toda a sociedade. Não abrimos mão disso’, afirma Skaf

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Na abertura do 13º Encontro Internacional de Energia, o presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, afirmou nesta segunda-feira (06 /08), no hotel Unique, na capital paulista, que as entidades e o Sistema Firjan não abrem mão do compromisso com a campanha que visa a redução do preço da energia para todos os brasileiros.

Paulo Skaf: "não abrimos mão daquilo que nós nos comprometemos e envolvemos toda a sociedade"

 

“Estou de acordo caso o governo crie uma possível política industrial e reduza ainda mais para a indústria. Mas nós não abrimos mão daquilo que nós nos comprometemos e envolvemos toda a sociedade. Nós queremos energia a preço justo para toda a sociedade. Baixar o preço da luz para a indústria, os hospitais, para as casas, para todas as residências”, afirmou.

“É lógico que é importante baixar o preço para a indústria. É a recuperação da competitividade”, assinalou Skaf, lembrando que o Brasil tem na hidroeletricidade a forma mais barata de se produzir energia e o “terceiro ou quarto” preço de conta de luz mais caro do mundo.

O presidente da Fiesp reforçou que quando se fala da redução do preço de energia não se deve misturar assuntos como a carga tributária os índices de indexação. “Se a intenção do governo é de fazer uma redução de encargos e de taxas em torno de 10%, então a nossa proposta é de no mínimo 30%. E algumas contas do Sistema Firjan me convenceram que o certo é 35%.”

De acordo com Skaf, o sistema Eletrobras – assim como Cesp e Cemig, exemplificando algumas das concessionárias – terá todo o direito de participar dos leilões. “Só que vai ter que baixar os preços”, destacando que no regime de preço livre, vigente desde 1995, não há mais direito de se falar em amortização de investimentos na geração de energia como motivo para renovar concessões.

O presidente da Fiesp disse ainda que Fiesp e Firjan estão juntas no sentido de buscar encaminhamento e soluções para as questões. “O Brasil não tem mais tempo. Estamos muito atrasados”, ressaltou.

O evento

O 13º Encontro Internacional de Energia acontece nos dias 06 e 07 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo, com o tema “Energia no Brasil: tão limpa, tão cara”. Durante dois dias são realizados vários debates com presença de autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros. Ao todo serão 27 painéis, mais de 110 palestrantes do Brasil, América do Sul e dos Estados Unidos. A realização é da Fiesp com correalização da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Sistema Firjan).

O evento também pode ser acompanhado pela internet por meio de transmissão on-line.

Veja as fotos do evento de abertura, realizado na manhã desta segunda-feira.

Geopolítica energética está na pauta do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A relação de países quanto ao planejamento estratégico será um dos focos de discussões entre empresários e autoridades no 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), evento que será realizado nos dias 6 e 7 de agosto, no Hotel Unique, na capital paulista. Com seis temas centrais, o encontro propõe o tema “Geopolítica Energética”, com debates sobre a energia no contexto da economia sustentável, visão estratégica e diálogo entre os mercados.

“No capítulo geopolítica energética nós não falamos exclusivamente de planejamento energético no Brasil, mas retomamos no encontro todas as discussões sobre energia e emissões de gases efeito estufa e seus efeitos na mudança do clima”, destaca Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

Cavalcanti antecipa que no centro das discussões do evento estará o papel da hidroeletricidade como fonte de energia mais competitiva e de menor emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) no mundo.

Segundo levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE), dois terços (66%) das emissões mundiais de GEE derivam da produção de energia. O estudo aponta ainda que o Brasil – que figura na lista das maiores economias do mundo – tem a matriz energética mais limpa, com 47% de utilização de fontes renováveis e de baixa emissão de GEE.

No Brasil, a hidroeletricidade predomina com 84%. E a Fiesp defende que os recursos hídricos disponíveis não só no país, mas no mundo, devem ser aproveitados por meio da construção de usinas hidrelétricas, já que o nível de emissão de GEE é baixo, cerca de 6 kg de CO2e/MWh contra 878 kg de CO2e/MWh gerados pela produção de eletricidade a partir do carvão mineral.

Preço da tarifa

O preço da tarifa de energia está entre os problemas do setor de energia em pauta no encontro da Fiesp, segundo Carlos Cavalcanti. “Para dar um exemplo, o governo desonerou o imposto para não subir o preço da gasolina. É isso que eles têm de fazer com a energia elétrica”, disse o diretor do Deinfra/Fiesp sobre a decisão do governo, no mês passado, de zerar a alíquota da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para manter o preço do combustível que chega ao consumidor final.

Serviço
13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp
Data/horário: 6 e 7 de agosto de 2012, das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 4.700, Jardim Paulista, capital
Veja a programação no site: http://www.fiesp.com.br/agenda/encontro-energia/