Benjamin Steinbruch: economia brasileira precisa de medidas imediatas

Juan Saavedra e Nina Proci, Agência Indusnet Fiesp

O governo eleito este ano precisa implementar mudanças na economia logo após as eleições. A opinião é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch. “O que for para fazer de reforma tem que ser tratamento de choque”, disse o presidente da Fiesp na manhã desta segunda-feira (15/09) ao conversar com a imprensa.

A entrevista aconteceu logo após a palestra o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na abertura do 11º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

Segundo Steinbruch, as principais medidas devem ser tomadas imediatamente logo após as eleições. “As demais podem ser progressivas.”

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De acordo com o presidente da Fiesp, o que antes era um problema que afetava a indústria já é mais amplo e atinge toda a economia. “Não só na indústria. Começou na indústria e está se estendendo a outros setores. E é isso o que nos preocupa. Todos queremos aumento de emprego e temos tentado enfatizar isso nas reuniões com o governo”, disse ele, cobrando medidas como desoneração fiscal e redução de juros.

Steinbruch: só é possível aumentar a confiança dos setores produtivos por meio de medidas concretas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Steinbruch: só é possível aumentar a confiança dos setores produtivos com medidas concretas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Se o governo for reeleito, Steinbruch disse que só é possível aumentar a confiança dos setores produtivos por meio de medidas concretas. Mas ele disse esperar o anúncio de medidas antes mesmo das eleições. “Se o governo fizer tudo certo vamos colher benefícios depois do Carnaval. E o problema é chegar ate lá. Não podemos deixar cair tanto porque o difícil depois é a reversão. O governo tem que tomar medidas concretas agora. E eu espero que o ministro [ da Fazenda Guido] Mantega faca isso o mais rápido possível.”

Entre as medidas imediatas esperadas, observou Steinbruch, estão melhorias de condições para manter o crescimento e o emprego. “Tem que abrir um caminho para aumentar a exportação, seja através da flutuação do câmbio, seja através do Reintegra, sejam medidas para aumentar o consumo”, afirmou, ressaltando que o pais precisa reduzir a taxa de juros. “Sem esse ajuste o Brasil não é competitivo. É uma das coisas que complica nossa vida.”

O presidente da Fiesp rebateu a tese de que a indústria tenha “mamado” em políticas do governo. “O que a gente vê lá fora são medidas muito mais eficazes para manter a indústria. O Brasil tem essa distorção de achar que faz sem fazer. Lá fora eles realmente fazem.”