Cempre apresenta sistema brasileiro a países dos Bálcãs

Mais uma vez, o modelo de coleta seletiva com inclusão de catadores organizados em cooperativas está servindo de exemplo para outros países que se veem diante da necessidade de introduzir esses trabalhadores em seus sistemas. Foi para compartilhar a experiência brasileira que o Cempre esteve presente, a convite da organização turca Cevko, no “Workshop Internacional e Seminário sobre Implementações de EPR e Impacto dos Catadores de Rua na Coleta Seletiva”, realizado em maio, em Istambul, na Turquia.

Participaram do encontro representantes da Albânia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Macedônia, Grécia, Kosovo, Montenegro, Romênia, Sérvia, Eslovênia e Turquia. Em comum, eles têm que lidar com a crescente influência dos catadores e sucateiros na cadeia de reciclagem, tornando necessária a revisão do modelo adotado na região.

As organizações responsáveis pelo planejamento e apoio a projetos de coleta seletiva e reciclagem (licenciadas pelo Green Dot como a Cevko e a Ecopack) enfrentam, no momento, o desafio de incorporar esses setores às suas ações, uma vez que eles têm reduzido a quantidade de material recolhido pelas estruturas oficiais.

notável que o modelo atualmente adotado nos países europeus não se sustenta e a inclusão dos catadores é uma tendência irreversível nos Bálcãs. O impacto da atividade desses trabalhadores reduziu a importância das estruturas de coleta tradicionais que não conseguem mais alcançar as metas quantitativas estabelecidas”, analisa André Vilhena, diretor do Cempre.

Após sua apresentação, Vilhena esclareceu dúvidas dos participantes sobre a legislação brasileira e o conceito de responsabilidade compartilhada, a inclusão dos catadores na cadeia formal de reciclagem, os tipos de investimentos feitos pelas empresas nas cooperativas de catadores a fim de cumprir seu papel na responsabilidade compartilhada e como medir a efetividade do sistema, entre outros aspectos.

 “A experiência do Brasil merece  ser avaliada em nossas discussões na Turquia sobre como integrar esses trabalhadores ao sistema formal de gerenciamento de coleta de embalagens pós-consumo.”  Mete Imer, secretário-geral da Cevko

Segundo Mete Imer, secretário-geral da Cevko, “as maiores contribuições do modelo brasileiro estão ligadas ao aspecto social, sobretudo no que diz respeito à segurança social, capacitação, utilização de equipamentos de proteção individual e à esperança e ao otimismo dados aos catadores que passam a se sentir efetivamente parte do sistema”. Na avaliação de Imer, o encontro permitiu colocar a questão dos catadores em evidência.

“Registramos as opiniões de diferentes organizações da região, incluindo a Turquia, ouvimos autoridades e associações locais turcas e tivemos a oportunidade de analisar o exemplo brasileiro. Chegamos à conclusão que a situação dos catadores nos países dos Bálcãs é prejudicial para as atuais práticas de gestão de resíduos de embalagens, estabelecidos de acordo com a legislação europeia. No entanto, cada país deve encontrar uma solução para o problema, considerando suas condições locais. Como participantes do seminário, vamos continuar a colaborar e trocar experiências.”

Fonte: http://cempre.org.br/cempre-informa/id/43/cempre-apresenta-sistema-brasileiro-a-paises-dos-balcas