Com MDIC e Itamaraty, empresários avaliam impactos das restrições norte-americanas às importações

Reunião executiva sobre os reflexos das ações dos EUA sobre o Brasil aconteceu na sede da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Das pequenas e médias empresas familiares às grandes corporações, o interesse em traçar uma estratégia de exportação de produtos é crescente no país. No entanto, neste momento, essa demanda se choca com as recentes restrições norte-americanas às importações de todo o mundo, que ficaram conhecidas pelas chamadas Section 232 e Section 301. Diante deste cenário, nesta quarta-feira (25 de outubro) empresários e representantes do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) avaliaram os impactos das novas diretrizes presidenciais dos Estados Unidos sobre o Brasil em reunião realizada na Fiesp.

Para o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, este debate é extremamente complexo e deveria passar por propostas como a esterilização da influência do câmbio flutuante sobre o setor produtivo por meio de um fundo soberano, como a Fiesp sugeriu recentemente em documento enviado aos presidenciáveis. “O Brasil precisa de paz e previsibilidade interna para tratar de questões de comércio exterior”, defendeu durante a abertura do encontro.

Como mediador do evento, o diretor de Política Comercial do Derex, Mario Marconini, frisou como a passada e a atual confusão geopolítica criaram condições para aceleração econômica e política das economias da Ásia, deslocando o histórico centro de inovação e riqueza global.

Na visão do diretor do departamento de Defesa Comercial do MDIC, Adriano Macedo Ramos, o contexto global atual é bastante imprevisível, pressionando cada vez mais regras e ritos processuais em todos os mercados, além da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Podemos ter em um futuro próximo uma revisão de regras e por isso o Brasil tem que estar preparado, com corpo técnico maduro sobre as regras do comércio, nos setores público e privado”, afirmou.

Zanotto durante a abertura da reunião executiva na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Finalmente, o chefe substituto da divisão de Defesa Comercial e Salvaguardas do MRE, Rodrigo de Macedo Pinto, assinalou a disposição do Itamaraty em receber demandas e consultas do setor privado relacionados aos assuntos envolvendo exportações enviadas aos EUA após as novas medidas implementadas pelo presidente americano Donald Trump. “Vemos o resultado das ações do governo americano, com todo o processo de contra medidas, retaliações e fragilidade na OMC, como negativo. Ainda que haja oportunidades específicas, o Brasil perde, pois essas medidas provocam menos comércio, menos crescimento, menos demandas por nossas exportações e uma situação de fragilidade nas regras internacionais que é ruim para os nossos objetivos”, completou.