Cooperativas são alternativa em acesso e custo do crédito, afirma Roriz

Seminário na Fiesp tem apresentação de resultados da pesquisa Cooperativas de Crédito: Alternativas aos Bancos Tradicionais

Agência Indusnet Fiesp

Alternativa aos bancos convencionais, as cooperativas de crédito foram tema de seminário nesta quarta-feira (26 de setembro) na Fiesp. José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, disse na abertura do evento que as cooperativas têm papel importante no direcionamento do crédito e no aumento da concorrência na oferta de recursos.

Roriz relatou a elaboração, pela Fiesp e pelo Ciesp, de várias propostas enviadas aos candidatos à Presidência do Brasil, ligadas ao aumento da competitividade do país. E o crédito, nas conversas e levantamentos feitos para embasar as propostas, é uma preocupação predominante – tanto o acesso a ele quanto seu custo. “É preciso que o crédito seja pelo menos minimamente atrativo para o investimento.”

Isso, destacou, tem importância fundamental para enfrentar o grave problema do desemprego. Para criar empregos seria preciso crescer de 4% a 5% ao ano, o que exige taxa de investimento mais alta que a atual, indo para algo perto de 23%. Roriz citou a grande concentração em 5 bancos dos recursos oferecidos. “Precisaríamos ter maior concorrência no crédito, com linhas mais dirigidas, e as cooperativas fazem isso.”

O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp ressaltou a importância de estabelecer um canal direto de comunicação com as cooperativas. Fiesp e Ciesp vão trabalhar em conjunto com as cooperativas por mais acesso a crédito no Brasil, a taxas competitivas, disse Roriz. Não são apenas as empresas que ganham com o menor custo de financiamento, destacou. Os benefícios disso se estendem a áreas como educação e saúde, graças à liberação de parte da renda das pessoas, refletindo-se também na segurança.

Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP e vice-presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ, lembrou da origem da instituição no Ciesp ABCD. Ressaltou a importância do cooperativismo daqui em diante. O avanço exponencial da tecnologia leva à necessidade de busca de alternativas, e as cooperativas terão papel importante. Diferenciou a presença nacional das cooperativas da atuação dos bancos dando como exemplo a restrição ao crédito por parte desses últimos, que generalizam o fechamento de linhas. Enquanto o crédito em geral sofreu queda de 0,5% em 2017, o volume nas cooperativas cresceu 34%.

A atuação proporcionalmente mais forte das cooperativas ocorre em cidades do interior. “Estamos em regiões a que bancos não vão.” E segundo Basso, em São Paulo é muito mais baixo o preço da Sicredi para empresas de menor porte.

Marcio Lopes, diretor administrativo da Sicoob, disse na abertura do evento que a instituição em que trabalha atua em diversos ramos da economia. Há mais de 496 cooperativas no Brasil, presentes em mais de 1.000 municípios – e em 200 deles, é a única instituição de crédito. “Nossos cooperados participam dos resultados, e isso é nosso objetivo, o desenvolvimento”.

Sylvio Gomide, diretor titular do Departamento da Micro, Pequena, Média Indústria e Acelera Fiesp, deu as boas-vindas ao seminário. Lembrou da importância do crédito, destacando que há 400 bancos somente no Vale do Silício na Califórnia, enquanto no Brasil fica concentrada em 5 bancos a oferta de crédito.

Gomide também apresentou os resultados da pesquisa Cooperativas de Crédito: Alternativas aos Bancos Tradicionais, feita pela Fiesp entre 24 e 26 de agosto. Número interessante, destacou, é que 9,8% das empresas participantes participam de cooperativas de crédito. Dois terços das que participam avaliam como positiva a experiência. A mesma proporção aponta como principal motivo para participar das cooperativas as tarifas e taxas diferenciadas. E um terço delas cita a menor burocracia.

O desconhecimento é o principal motivo (48,7%) para não aderir às cooperativas de crédito. “Isso é uma oportunidade”, disse Gomide.

O crédito para operações de giro é insuficiente nos bancos tradicionais, segundo 56,1% das entrevistadas.

Para passar a trabalhar com cooperativas, 51,9% das empresas que ainda não aderiram a elas buscariam menores tarifas, mostra o levantamento.

Seminário Cooperativas de Crédito: Alternativas aos Bancos Tradicionais. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Seminário Cooperativas de Crédito: Alternativas aos Bancos Tradicionais. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp