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Indústria perde 35,5 mil vagas em dezembro e fecha ano com desempenho "melancólico"
Índice de Emprego divulgado pela Fiesp e Ciesp aponta corte de 500 postos de trabalho no acumulado de 2011
Em dezembro, a indústria paulista fechou 35 mil postos de trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste sazonal. Mas na leitura com ajuste sazonal, o índice ficou com taxa positiva de 1,72% versus o mês anterior.
A variação positiva, no entanto, não alivia o cenário de baixa percebido ao longo do ano no qual houve um desempenho melancólico do mercado de trabalho da indústria, alertou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon).
Um único mês não conta grande coisa. Não dá para extrair de um mês uma verdade. Em um conjunto de meses é possível extrair uma tendência, argumentou Francini durante divulgação do Nível de Emprego da Fiesp e Ciesp, na tarde desta quinta-feira (12).
A entidade acredita que o crescimento da indústria deve ter ficado em torno de 1% em 2011, resultado que segundo o diretor é medíocre.
De acordo com Francini, a entrada de produtos importados no Brasil persistiu durante todo o ano de 2011, expandindo o valor negativo de manufaturados na balança comercial para US$91 bilhões, contra saldo negativo anterior de US$71 bilhões.
No acumulado do ano, o setor produtivo paulista registrou um corte de 500 vagas, o que equivale a uma taxa praticamente estável (-0,01%) na comparação com dezembro do ano anterior. O levantamento de novembro apontou um ganho de 1,40% de janeiro a novembro, o que representa a criação de 36 mil empregos.
Do total de vagas fechadas, 7.426 correspondem ao setor sucroalcooleiro, o qual apresentou queda de 0,28% em dezembro. Em contrapartida, os demais setores da indústria de transformação foram responsáveis pelo fechamento de 28.074 postos de trabalho no mês, o equivalente a uma variação negativa de 1,08%.
De janeiro a dezembro, o setor sucroalcooleiro criou 170 vagas, com variação estável, enquanto o restante da indústria fechou 670 postos, com taxa ligeiramente negativa em 0,01%.
Olhando para 2012
Na avaliação de Francini, o emprego da indústria em 2012 não deve ser tão melancólico como foi o comportamento verificado no ano passado. Mas alerta que, assim como o desempenho da economia global, a atividade econômica será ruim. Disso ninguém tem dúvida.
Ele afirmou ainda que, livre de qualquer acidente econômico como a quebra de alguma instituição financeira ou um possível não pagamento de dívida por algum país da Europa, a economia brasileira deve crescer em torno de 3% para o próximo ano de 2012, a indústria deve crescer alguma coisa em torno de 1,5%, podendo chegar a 2%, e o emprego deve aumentar até 1%.
Por outro lado, Francini avalia que para se chegar a uma previsão mais clara do desempenho econômico do país, ainda falta contabilizar alguns agentes econômicos verificados ao longo do ano. Entre eles a redução da Selic, incentivo para consumo de produtos de linha branca e materiais de construção, bem como o dólar de volta ao patamar de R$1,80.
Portanto são vários agentes soltos por aí para estabelecer o desempenho de 2012, afirmou.
Setores e regiões
Das atividades analisadas no levantamento de dezembro, 19 apresentaram efeitos negativos e três computaram variação positiva. Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Viagem e Calçados apresentou a maior queda com 6,9% em dezembro, seguido por Fabricação de Coque, Produção de Derivados do Petróleo e Biocombustíveis, com recuo de 6%.
Os segmentos de Produtos Químicos e Móveis registraram leve alta de 0,6% e 0,3% respectivamente.
O índice apurou ainda que das 36 regiões analisadas, 34 apresentaram quadro negativo, uma ficou estável enquanto outra mostrou variação positiva.
A região de Franca concentrou o maior comportamento negativo com 7,68%, seguido por Jaú, com baixa de 4,10%, e São Carlos, com queda de 3,08%. A região de Santos apresentou a alta mais expressiva do mês com variação positiva de 1,84%.
Fonte:FIESP
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