Brasil e Suécia debatem na Fiesp mecanismos de cooperação para o desenvolvimento sustentável

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Estado de SP tem obrigatoriedade de reduzir 20% de suas emissões, em todos os setores, até 2020, tendo por ano-base 2005, segundo a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), a fim de atender ao Acordo do Clima. A lembrança desse compromisso foi trazida por Mario Hirose, diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), na abertura de evento, realizado no dia 28 de setembro, entre Brasil e Suécia para debater como acelerar o desenvolvimento sustentável, com foco na geração de bioenergia a partir de biogás, que pode ser obtido de resíduos orgânicos e lodo.

Em 2009, Brasil e Suécia assinaram parceria estratégica de apoio à criação de plataformas colaborativas para a troca de conhecimento e desenvolvimento de projetos conjuntos.

Nosso país tem muito a oferecer quando o tema é desenvolvimento de biocombustíveis avançados a partir do etanol. Por sua vez, a Suécia é case de crescimento sustentável por meio da combinação de diferentes métodos e do desenvolvimento de tecnologia inovadora de ponta. Economia circular. Resíduos tornam-se fonte adicional de receita financeira.

A economia circular traz benefícios a muitos setores da sociedade, como, por exemplo, ao setor de transportes, com o biogás e sua contribuição para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Portanto, o objetivo deste encontro é detectar novas áreas nas quais os dois países possam estabelecer cooperação na indústria, no governo e na academia (tripla-hélice).

José Augusto Corrêa, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), pontuou que os dois países têm muito a fazer em conjunto quando o tema é sustentabilidade, especialmente pela tecnologia, de um lado, e pelo fato de o Brasil ter grande incidência de sol em seu território.

Já Cecília Lif, conselheira da Suécia no País, frisou que esta é a sexta vez – VI Semana de Inovação Suécia-Brasil – que se realizam esses ciclos de debates, somando mais de 30 eventos em sete Estados brasileiros em uma parceria que se fortalece cada vez mais. Para ela, o desafio é como criar cidades sustentáveis, dando a devida atenção à agricultura e energia renováveis. “No setor de transporte, até 2030 deverá haver 70% de redução nas emissões”, pontuou. Lig explicou a importância da geração de biogás na Suécia, obtido a partir de plantas de saneamento, com foco na economia circular e na tripla hélice.

Dusan Raicevic, gerente da Vera Park Sustainable Hub, explicou que é possível obter biogás a partir de resíduos orgânicos e lodo, com o manejo correto. “Nosso projeto é apoiado por um conjunto de empresas de gestão de lixo e ONG representada por cientistas ambientais. Pensamos o lixo como recurso e lucro. E temos aproveitado os aterros e a incineração, considerando que o lixo é um conjunto de tudo, um material que está no lugar errado e deve ser reutilizado de modo ideal. Assim, recuperar o que der, minimizar e não gerar resíduo. No futuro, é preciso fazer as coisas de forma diferente”, explicou.

As empresas fazem a separação dos elementos e com o apoio do sistema de logística é possível impulsionar um negócio novo, que resulta em gás veicular, gás líquido, reciclagem de papéis, plásticos e madeira, que era muito usada para o aquecimento e isto foi resolvido, segundo Raicevic. O plástico era uma grande preocupação, pois ele impedia a fermentação de outros materiais a fim de obter o biogás. A solução compartilhada com universidades foi o desenvolvimento de material compostável em duas semanas que substituiu o plástico e vem de 85% de fonte renovável.

São retirados metais pesados, e cinzas de incineração passam a integrar rodovias. As madeiras recicladas são mais apropriadas do que as madeiras virgens para utilização em ambientes internos. Portanto, o que era problema virou recurso, informou o painelista Raicevic. Ele explicou que foi criado parque solar aberto ao público onde antes era aterro, e a energia produzida é deduzida do seu consumo. “O Vera Park é o único da Europa que conseguiu desenvolver a economia circular”, finalizou.

Encontro realizado na Fiesp entre especialistas da Suécia e do Brasil para discutir desenvolvimento sustentável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp