Câmara ambiental do setor de abate, frigorífico e graxaria

Histórico

 A Câmara Ambiental do Setor de Abate, Frigorífico e Graxaria nasceu da iniciativa do Sindicato Nacional dos Coletores e Beneficiadores de Sub Produtos de Origem Animal (SINCOBESP), quando em agosto de 2007, procurou a CETESB com a preocupação de discutir problemas ambientais que envolvem o setor em questão, de forma a promover a melhoria continuada da qualidade ambiental e em relação a problemática específica que o setor enfrenta no período de final de ano em relação a emissão de substâncias odoríferas, com o aumento de geração de matéria-prima a ser processada.

Desta forma foi criado um Grupo de Trabalho visando solucionar os principais problemas  de logística e armazenamento de matéria prima enfrentados pelas empresas nesse período específico, sob a coordenação do Engº Armando Brandini.

Esse grupo tinha como principal meta a ser atingida, a elaboração de um Plano Estratégico Emergencial que definiu, entre outras medidas, um plano contemplando estocagem compartilhada com os fornecedores, planejamento logísticos com racionalização do transporte, manutenção preventiva de equipamentos, planejamento de socorro entre as empresas e envio emergencial para aterros. Tais medidas vem surtindo efeito nos finais de ano.

Surgiu a necessidade de continuidade de trabalho, bem como ampliar o escopo, atingindo a cadeia toda produtiva, assim, surgiu a Câmara Ambiental contemplando os setores de abate, frigorífico e graxaria.

Contexto econômico, social e ambiental do Setor de Abates, Frigoríficos e Graxarias no Estado de São Paulo

Abatedouros: realizam o abate dos animais, produzindo carcaças (carne com ossos) e vísceras comestíveis. Algumas unidades também fazem a desossa das carcaças e produzem os chamados “cortes de açougue”, porém não industrializam a carne.

 Frigoríficos: podem ser divididos em dois tipos: os que desossam os animais abatidos, separam sua carne, suas vísceras e as industrializam, gerando seus derivados e subprodutos e aqueles que apenas compram a carne em carcaças ou cortes, bem como vísceras, dos matadouros ou de outros frigoríficos para seu processamento e geração de seus derivados e subprodutos, ou seja, somente industrializam a carne.

Distribuição espacial dos frigoríficos sob inspeção federal SIF (2005).

Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.
Sistema de Produção de Gado de Corte no Brasil: Uma Descrição com Ênfase no Regime Alimentar e no Abate.

Graxarias: processam subprodutos e/ou resíduos dos abatedouros ou frigoríficos e de casas de comercialização de carnes (açougues), como sangue, ossos, cascos, chifres, gorduras, aparas de carne, animais ou suas partes condenadas pela inspeção sanitária e vísceras não-comestíveis. Seus produtos principais são o sebo ou gordura animal (para a indústria de sabões/sabonetes, de rações animais e para a indústria química) e farinhas de carne e ossos (para rações animais). Há graxarias que também produzem sebo ou gordura e/ou o chamado adubo organo-mineral somente a partir de ossos. Podem ser anexas aos abatedouros e frigoríficos ou unidades de negócio independentes.

Existem estudos de formas alternativas para o aproveitamento dos subprodutos e resíduos de abatedouros e frigoríficos, bem como das próprias farinhas e do sebo produzido pelas graxarias como o uso para a obtenção de biogás, biodiesel, na produção de novas substâncias comerciais e na compostagem.

A tabela a seguir mostra a estimativa das produções brasileiras de sebo/gordura animal industrial e de farinhas de carne e ossos, provenientes de materiais derivados do abate de bovinos e suínos – Janeiro, 2006.

Bovinos

Suínos

Abate no ano (milhões de cabeças)

45,5

34,5

Peso médio por cabeça (Kg)

400

105

Sebo / gordura animal Industrial (t/ano)

1.382.472

194.876

Farinhas de carne e ossos (t/ano)

1.893.528

239.824

Bovinos:

O rebanho bovino brasileiro é o maior rebanho comercial do mundo, superando o indiano e o chinês com 191,2 milhões de cabeças. (2008)

A taxa de abate neste mesmo ano foi de 22,36%, totalizando 42,8 milhões de cabeças e uma produção de 9.000,0 mil ton. equivalente de carcaça (teq.), além das 25,8 mil teq. importadas.

Deste total, 7.025,8 mil teq. carcaça foram destinadas para o consumo interno e com um total de 2.163.309,80 teq. de carne exportada, somando aproximadamente US$ 5,3 bilhões, o Brasil liderou o ranking dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, sendo 75% desse valor representado pela carne in natura, 16% carne Industrializada, 5% tripas, 3% miúdos e 1% salgada.

Os principais países de destino foram Rússia com um total de 562.423,15 teq. gerando uma receita de 1.430.286,16 US$, seguida de Venezuela 418.307,86 US$ – 142.390,52 teq., Ira 322.835,89 US$ – 119.416,31teq., Hong Kong 224.743,95 US$ – 94.637,97 teq., Egito 210.231,48 US$ – 95.579,86 teq. e Argélia 164.834,45 US$ – 70.973,82 teq.

Apesar de deter apenas 6% do rebanho bovino nacional, o Estado de São Paulo responde por 16% dos abates do país, ocupando o segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas do Mato Grosso.

Sendo superada somente pela cultura da cana-de-açúcar, a carne bovina correspondeu a 13% do VPA (Valor da Produção Agropecuária) estadual em 2008, quando contabilizou US$ 2,7 dos US$ 20,6 bilhões totalizados no Estado, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola – IEA.

As exportações de carne ocupam o segundo lugar na pauta dos agronegócios, respondendo por mais de 20% desse total, o que correspondeu a US$ 1,3 bilhão em 2008.

As principais regiões produtoras do Estado são Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Araçatuba e Bauru.

Frangos:

A produção brasileira em 2007 foi de 10,2 milhões de toneladas, resultado que manteve
o país no terceiro lugar entre os maiores produtores mundiais, atrás somente de Estados Unidos e
China, que apresentaram produção de 16,2 e 11,5 milhões de toneladas respectivamente.

Em 2007 do total produzido, 68% foi destinado para o consumo interno e os 32% restantes para exportação (dos quais 55,99 % cortes, 35,5% inteiros, 8% carnes salgadas, 4,73% industrializados), que tiveram como principais destinos:

Japão e Hong-Kong , Países Baixos e Alemanha – cortes de frango
Arábia Saudita, Emirados Árabes,Iêmen e Coveite, além de países como Venezuela,
Rússia e Angola. – frango inteiro
Uniao Européia – industrializados e carne salgada

O Brasil teve participação de 45% nas vendas no mercado internacional, mantendo sua posição de maior exportador mundial de carne de frango.

São paulo é o 4° maior estado exportador do Brasil com 269.161 das 3.286.775 toneladas exportadas pelo Brasil todo, representando 8,19% do total (2007)

O abate em 2008 foi superior ao de 2007 durante todos os 12 meses do ano, totalizando 4,875 bilhões de unidades de frango. A região Sul responde por 60,0% de toda a produção nacional; seguida pelo Sudeste, com 24,0%.

FONTE: CETESB