Roriz analisa efeitos da greve dos caminhoneiros sobre o desempenho da indústria no 2º trimestre

Panorama político atrasa investimentos, diz presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp

Agência Indusnet Fiesp

Dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (31 de agosto) mostram que a economia brasileira cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre deste ano. E a indústria encolheu 0,6% no período.

Na análise do presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, a queda da indústria, de 0,6%, elevada na comparação com o que aconteceu com o agronegócio e com serviços, tem como fatores a greve dos caminhoneiros, em maio, e o tabelamento do preço dos fretes, em junho.

Roriz destaca que o frete afeta a indústria de transformação duas vezes – na hora de receber os insumos e na hora de despachar seus produtos. Foram 11 dias em maio sem receber insumos, e depois houve dificuldade na definição do valor do frete.

Também houve no segundo trimestre queda de 1,8% no investimento da indústria, devido à indefinição trazida pela política. “Vão esperar para saber quem é o próximo presidente”, afirma. “As propostas colocadas não convenceram o investidor de que será bom negócio.”

“Estamos empurrando a saída da crise para o segundo semestre de 2019”, diz Roriz, em vez de 2018. Isso depende de haver um presidente com propostas que passem confiança para o investidor. E, lembra, algumas reformas, como a da Previdência, são imprescindíveis.

O presidente da Fiesp e do Ciesp ressalta o peso do Congresso para a aprovação das reformas. O novo presidente precisará ter liderança sobre o Congresso para que as reformas sejam aprovadas com celeridade.

Câmbio indefinido, comércio internacional com ambiente de negócios muito pior que um ano atrás e eleição de novo presidente tornam o momento desfavorável ao investimento. Depois será necessário ver se o novo presidente vai ter punch suficiente para unir o país, motivando o Congresso a acelerar a análise de projetos.

Antes de comprar equipamentos novos, fazer investimentos, as indústrias tentarão reduzir a ociosidade, que está acima de 30%, diz Roriz.