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Estudos Avançados
São Paulo - 30/01/2012


"O Judiciário deveria aprender com as empresas", diz corregedor geral da Justiça de SP

Para José Renato Nalini, Brasil precisa de mais conciliação, negociação, arbitragem, mediação e menos processos, recursos e instâncias


Desembargador José Renato Nalini fala durante reunião do Consea da Fiesp
O corregedor geral da Justiça do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, criticou nesta segunda-feira (30) a estrutura do judiciário brasileiro, considerada por ele como ineficiente: "O Judiciário deveria aprender com as empresas", declarou ao participar da reunião mensal do Conselho Superior de Estudos Avançados, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na avaliação de Nalini, o Brasil tem uma cultura de judicialização de conflitos de todos os tamanhos e naturezas, o que torna a estrutura jurídica nacional tão inchada quanto ineficiente. "Precisamos de mais conciliação, negociação, arbitragem, mediação e menos processos, recursos, instncias etc", disse.

"A estrutura empresarial sobreviveu e se desenvolveu mesmo sem a proteção do dinheiro garantido proveniente dos impostos. É esse o modelo que deveríamos implantar no Poder Judiciário. Precisamos de metas, qualidade, agilidade e sobretudo compromisso com o atendimento das expectativas do usuário final que é quem paga por isso: a população.”
 
O corregedor geral chamou atenção para a instrumentalização do judiciário brasileiro e deixou claro que a ineficiência leva a Justiça à injustiça: "Os grandes conglomerados brasileiros estão utilizando cada vez menos o recurso à Justiça, exceto quando querem se valer da morosidade das decisões e medidas protelatórias. No Brasil, o infrator fala para a vítima 'procure seus direitos na Justiça', certo de que a ineficiência vai tratar de promover a injustiça", apontou.

Falando a uma plateia de membros do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) e do Conselho Superior Jurídico (Conjur), o desembargador José Renato Nalini dividiu a mesa conduzida por Ruy Martins Altenfelder Silva com o ex-governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho; o ex-embaixador, Adhemar Bahadian; o reitor da Universidade de São Paulo, José Grandino Rodas, o ex-senador, Jorge Bornhausen, o ex-ministro Patrus Ananias e a presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo, Ivette Senise Ferreira.

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp