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Transporte aquaviário seria solução para reduzir poluição em São Paulo
Autoridades discutem na Fiesp saídas para transporte, responsável por 57% das emissões de CO2 na capital
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Frederico Bussinger, durante reunião do Cosema/Fiesp |
O transporte representa 13% das emissões totais planetárias, mas São Paulo ocupa posto crítico nesta contabilidade: tem mais de 90% do seu transporte concentrado no sistema rodoviário, enquanto no Brasil soma 60%. Os dados foram apresentados por Frederico Bussinger, que já esteve à frente da Secretária dos Transportes de São Paulo e do Metrô e foi secretário-executivo do Ministério dos Transportes.
Ao tratar da "Modalidade, Logística e Meio Ambiente: aliados estratégicos", na reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, realizada nesta terça-feira (25), Bussinger lembrou que o Brasil sofre de um fenômeno perverso: tem matriz energética limpa comparada a outros países e, ao mesmo tempo, uma das matrizes de transporte mais sujas do mundo, cenário desenhado por conta do que chamou de "rodoviarismo".
Ele também criticou o fato de os transportes representarem um subconjunto dentro do setor de energia nas políticas públicas, quando deveria ser prioritária. O transporte representa 23% das emissões mundiais de Gases de Efeito Estufa (GEE). Em São Paulo, é bem mais.
Bussinger explicou que, apesar da dificuldade real na obtenção de dados, tendo como referência o balanço energético de 2008 (ano-base 2007), o resultado é que o setor responde por 57% das emissões totais.
Previsões
Ao comentar sobre a Lei da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) que prevê a redução de 20% na emissão de GEE até 2020 para todos os setores , o palestrante reforçou: "Ou há mudanças na matriz do transporte ou não será atingida a meta estabelecida nem para São Paulo, nem para o Brasil". E recomendou: "O sistema precisa duplicar a sua eficiência".
De acordo com dados de 2005, ano base da PEMC, São Paulo emite 40 milhões/toneladas de CO², patamar que pede redução para 32 milhões até 2020. As projeções, segundo Bussinger, é que São Paulo cresça 75% (2005-2020), tendo como principal vilão o transporte individual, que dobrará se nada for feito. A emissão alcançaria, então, 76 milhões/ton.
"Para que se cumpra a lei, seria necessário reduzir 44 toneladas, mais do que se emite hoje", disse o especialista. E citou o fato de aproximadamente 46% dos caminhões transitarem, em São Paulo, sem carga, indicando o baixo grau de eficiência sistêmica e a concentração do transporte no sistema rodoviário.
Como solução, apontou o que já foi feito em outros países: a condução de mercadorias sobre águas com baixo impacto ambiental. "O transporte aquaviário é parte da solução, mas é preciso estar no planejamento de São Paulo", concluiu.
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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