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Atividade industrial surpreende e sobe 0,8% em agosto
Apesar de alta inesperada, previsão para a indústria até o fim do ano é de acomodação, afirma diretor-titular-adjunto de economia da Fiesp
O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista cresceu 0,8% em agosto sobre julho, na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice avançou 6,1% na comparação com o mês anterior, informou nesta quinta-feira (29) Walter Sacca, diretor-titular-adjunto do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp.
Em agosto nós apresentamos um crescimento contrariando o que falamos no mês passado: que não esperávamos coisa muito brilhante na evolução do INA para esse mês, afirmou Sacca, embora tenha mantido perspectiva de acomodação da atividade até o fim de 2011.
O destaque foi a alta de 2,6% do componente de vendas reais. Entre janeiro de 2010 e agosto de 2011, o item mostrou um incremento de 14,5%. Os motivos de crescimento das vendas, no entanto, podem ser o aumento da participação da produção importada no movimento de vendas domésticas.
Há bastante força na suposição de que essa exuberância de mercado não tenha uma ligação muito grande com a exuberância da produção industrial, mas sim tenha um componente de produtos importados maior do que havia no passado, explicou Sacca.
No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi de 3,1%. De janeiro a agosto de 2011, o índice acumula variação positiva de 2,6% em relação ao mesmo período de 2010 sem ajuste sazonal.
Apesar da melhora, a expectativa para o final de 2011 continua sendo de perda de ritmo da produção. A gente mantém um quadro de perspectiva de arrefecimento na atividade industrial no final desse ano, afirmou Sacca, acrescentando que depois da recuperação no desempenho acumulado, não há muito brilho.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) registrou ligeira alta na série livre de influência sazonal, de 83% em julho para 84,1% em agosto. Na comparação com agosto do ano passado, o componente se manteve praticamente estável.
Dos setores avaliados pela pesquisa, destacam-se os ganhos em:
Metalurgia básica, com expansão de 1,2% sobre julho com ajuste sazonal, embora o resultado não seja capaz de compensar a queda de 4,8% acumulada pelo indicador ente junho e julho;
Produtos minerais não metálicos, com aumento de 1,5% em agosto contra julho com ajuste sazonal.
No universo das quedas, o componente de celulose, papel e produção de papel registrou baixa de 0,9% em agosto versus julho com ajuste sazonal.
Expectativa
A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico em setembro, medida pelo Sensor Fiesp, ficou em 48,9 em setembro contra 48,5 em agosto. Abaixo de 50, a medição indica uma tendência negativa. Mas tem estabilidade porque no mês passado já estava abaixo dessa pontuação, reforçou Sacca.
A apuração de setembro registrou estoque a 38,1 pontos ante 42,9 no mês anterior, sugerindo acumulo das reservas. Este é o pior nível desde o abril de 2009, quando chegou a 34,7.
Câmbio
Walter Sacca avalia que o atual patamar do dólar trará mais ganhos do que perdas para a indústria no longo prazo. Infelizmente tudo na vida tem um lado positivo e um lado negativo. Dentro do panorama da macroeconomia e dentro do dinamismo do mercado global, todas as mudanças bruscas podem deixar algum respingo negativo, mas os efeitos de médio e longo prazo sem dúvida deverão ser muito mais positivos para a indústria de transformação.
Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp
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