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Indústria paulista fecha 13 mil vagas em agosto
Queda no setor de transformação foi de 0,49% com ajuste sazonal sobre julho
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Paulo Francini apresenta o resultado do
Índice de Emprego de agosto |
Segundo o Índice de Emprego, divulgado nesta quarta-feira (14) pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp, a indústria paulista registrou fechamento de 13 mil vagas no mês de agosto. Levando em conta os efeitos sazonais, a queda no setor de transformação foi de 0,49% sobre julho.
Paulo Francini, diretor do Depecon considerou o resultado de agosto fraco e ressaltou que o índice continua em uma trajetória de queda, aproximando-se do zero. Quando isso acontecer, significará que nenhuma vaga de emprego foi criada em doze meses, explicou.
Não se encontra, na série desde 2006, um agosto que tenha apresentado resultado tão ruim quanto o deste ano. E não há de ser uma exceção, ele é apenas o primeiro mês que mostra uma variação negativa de determinado porte.
Para Francini, a situação é ainda mais preocupante ao considerar que agosto é um mês de geração de empregos e, historicamente, tende a ter resultados positivos.
No acumulado do ano foram gerados 107 mil empregos em relação a 2010, o que representa um crescimento de 4,13% de janeiro a agosto. Excluindo-se o ano de 2009, durante o qual o índice sofreu impactos da crise mundial, o resultado atual configura-se como o pior, desde 2006. Se levados em conta os últimos doze meses, o índice de emprego na indústria também é positivo, 1,46%.
Do total de vagas fechadas, 4.189 são correspondentes ao setor sucroalcooleiro, o qual apresentou queda de 0,15% em agosto, embora ainda registre variação positiva (1,99%) no acumulado do ano. Os outros setores também registraram resultado positivo de 2,14%, gerando 55.369 novos postos de trabalho no acumulado do ano.
Setores e regiões
Dos setores analisados pela pesquisa, cinco registraram comportamento positivo, dez ficaram negativos e sete estáveis. Para Francini, o quadro é preocupante. Entre os setores em queda e aqueles estáveis, temos 77% do universo pesquisado. Não era para acontecer isso em agosto, já que é um mês de crescimento.
O setor de Bebidas apresentou alta de 1,1%. Em seguida vieram os setores de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos (1%); Produtos de Borracha e Material Plástico (0,4%); Celulose, Papel e Produtos de Papel (0,2%); Outros Equipamentos de Transportes, exceto veículos automotores (0,2%); Produtos de Mineração não metálicos (0,1%); Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos (0,1%) e Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias (0,1%)
Os setores que registraram maiores quedas foram: Couros e Fabricação de Artigos de Viagem e Calçados (-3,9%); Produtos Alimentícios (-1,8%); Produtos Têxteis (-1,7%) e Produtos de Metal, exceto máquinas e equipamentos (-0,6%).
O que tem de errado é que enquanto os produtos importados entrarem da forma que estão entrando, substituindo a produção doméstica e, portanto, trazendo esse abatimento vigoroso sobre a atividade industrial, o emprego na indústria estará ameaçado, analisou o diretor do Depecon.
O Índice de Emprego também apresentou dados regionais sobre o emprego na indústria em todo o estado. Das 36 regiões analisadas, onze registraram alta na criação de vagas, três mantiveram-se estáveis e 22 tiveram queda no quadro de funcionários.
A região de Bauru revelou o melhor índice positivo, 2,18%, puxado pelos setores de Veículos Automotores e Autopeças (10,28%) e Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (2,89). Seguida de Santos (1,63%), impulsionada pelos setores de Produtos Alimentícios (4,52%) e Produtos Químicos (1,42%); e Jacareí (1,41%), onde destacam-se os setores de Produtos de Metal, exceto máquinas e equipamentos (6%) e Produtos de Borracha e Plástico (1,31%).
Dentre as regiões com comportamento negativo estão Franca (-3,61%), São Carlos (-2,82%) e São João da Boa Vista (-1,95%). A primeira foi influenciada pelos setores de Artefatos de Couro e Calçados (-6,66%) e Produtos de Borracha e Materiais Plásticos (- 0,77%).
O índice de São Carlos sofreu interferência dos setores de Produtos Alimentícios (-11,85%) e Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (-1,35%). Em São João da Boa Vista os setores que mais apresentaram queda foram o de Máquinas e Equipamentos (-1,37%) e Veículos Automotores e Autopeças (-1,77%).
Revisões
Ante o cenário desalentador, Francini confirma que pode rever as previsões do índice de emprego e do nível de atividade industrial do ano. Existe uma indefinição no mundo e isso nos motiva a alterar as previsões do início do ano. Nós já reduzimos a previsão de emprego de 3,7% para 3,5%, disse. Também baixamos de 3% para 2,5% a previsão do Índice de Atividade da Indústria e temo que na próxima revisão chegaremos perto de 2%, para a indústria de transformação, concluiu.
Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp
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