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Medidas do Plano Brasil Maior para o Comércio Exterior são "tímidas", diz Fiesp
Embaixador Rubens Barbosa reforçou que o PMB é importante e sinaliza uma direção, porém, insuficiente
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Renato Corona, gerente do Decomtec/Fiesp
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Em agosto passado, dois dias após o governo federal ter lançado o Plano Brasil Maior que estabelece sua política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior para o período de 2011 a 2014 , o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp avaliou as medidas constantes no Plano como tímidas, mas ressaltou o mérito da manutenção da indústria na agenda.
Para Renato Corona, gerente do Decomtec, o Plano Brasil Maior não tem característica de política industrial. "Na verdade, tem característica de distorção do desequilíbrio do ambiente macroeconômico que temos em relação às demais economias, e ainda assim são tímidas", destacou durante a reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, nesta terça-feira (13). Ele disse ainda que a desoneração do PBM será de R$ 13,4 bilhões, e não R$ 24,5 bilhões, como anunciado pelo Ministério da Fazenda.
Descompasso
Na avaliação do coordenador de Análise Econômica do Comércio Exterior do Derex da Fiesp, Fabrizio Panzini, o governo errou o "timing" das medidas em relação ao comércio exterior. "Em 2008, quando foi lançado o Plano de Desenvolvimento Produtivo (PDP 1), que tinha como base o estímulo às exportações, a penetração de produtos importados já era muito forte, mas nada foi feito", lembrou.
Fabrizio afirmou que o PDP 1 previa o aumento em 10% das empresas exportadoras, diversificação da pauta e destino e a ampliação dos produtos de maior densidade tecnológica na pauta de exportação. "Entretanto, os resultados mostram que houve concentração da pauta, com centralização nas exportações para a China e redução de 7% no número das empresas exportadoras. Os instrumentos não foram corretos no estímulo de objetivos e metas, e a crise internacional teve peso importante para frustrar a PDP 1", revelou.
Para reverter o quadro, o coordenador assinalou como aspectos positivos do Plano Brasil Maior:
A intervenção da presidente Dilma Rousseff contra a postura refratária do Ministério da Fazenda;
Ampliação de propostas para o Comércio Exterior em comparação ao PDP 1;
Maior coordenação entre ministérios (Fazenda e Desenvolvimento, Indústria e Comércio);
Anúncio de medidas não esperadas pelo setor privado.
Insuficiência
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Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex/Fiesp
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O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp, reforçou que o Plano Brasil Maior é importante e sinaliza uma direção, porém, insuficiente. "Em minha opinião, grande parte do Plano não vai ser cumprida. O sucesso da política econômica e das exportações brasileiras esconde os problemas aqui apresentados, e isso vai continuar", sentenciou.
Para o presidente do Coscex, a desvalorização do câmbio a R$ 1,71 será usada como justificativa para a não implementação das medidas. Ele emendou que o fato dos ministérios estarem conversando não significa coordenação: "Se a presidente Dilma Rousseff não interviesse, o pacote não teria saído".
No campo inovação, o embaixador analisou que os incentivos dados pelo governo federal terão pouco efeito, pois não toma nenhuma medida proativa. "Nossa capacidade de investimento se encontra estagnada há muito tempo. A Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil, ao contrário dos países desenvolvidos, está em cerca de 20% apenas no setor privado, e os outros 80% estão no setor público", apontou.
Rubens Barbosa afirmou ainda que há cinco anos o número de empresas exportadoras era maior que as importadoras, e que atualmente a situação é inversa. "Acho que o sucesso da política econômica, com a inflação controlada, crescimento de 7% e baixo número de desemprego no Brasil escondem uma realidade muito mais complexa. As exportações estão caindo, há comoditização do comércio exterior brasileiro e a concentração do número de empresas. Esperamos que medidas positivas sejam, de fato, aplicadas", completou.
Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp
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