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Encontro de Energia
São Paulo - 16/08/2011


Impostos e encargos financeiros contribuem para alto custo de energia no Brasil

Segundo especialistas, tarifas altas também afetam a competitividade do País e motivam a desindustrialização


Antonio Neiva, presidente da Associação Brasileira de Geradoras de Energia Elétrica
"Entre os fatores que elevam o preço de energia praticado no Brasil estão a dificuldade para construção de usinas com reservatório de regularização e os tributos sobre a aquisição de equipamentos e insumos”, declarou nesta terça-feira (16) o presidente da Associação Brasileira de Geradoras de Energia Elétrica, Flávio Antonio Neiva.

Durante o painel A Gestão do Setor Elétrico Pós-Leilões, no 12º Encontro Internacional de Energia, Neiva afirmou que, mesmo que o custo de produção de energia hidrelétrica seja barato, os tributos cobrados sobre os investimentos primários oneram o custo futuro e acabam sendo repassados para o consumidor. “No Japão, por exemplo, produzir energia é mais caro, porém, como os encargos não passam dos 8%, o preço final é bem menor do que no Brasil”, explicou. “Aqui, essa parcela chega a 35%.”

Para Adilson de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aumento das tarifas também tem efeitos impactantes na desindustrialização da economia brasileira, uma vez que “motiva a importação de bens intermediários, de componentes e, futuramente, de consumo duráveis”.


Adilson de Oliveira, professor da
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Ele também chamou a atenção para o fato de termos tarifas mais elevadas que a França e Estados Unidos. “O custo de oportunidade de gás e energia elétrica no Brasil é baixíssimo, então por que os preços são tão altos?”, questionou.

“A parcela referente à amortização dos investimentos nas usinas, também encarece a conta de luz”, lembrou o diretor da Fiesp, Paulo Cézar C. Tavares. Ele comparou a continuação dessa cobrança a compra a prazo de um eletrodoméstico. “É como se você fizesse um crediário para comprar uma geladeira e, após quitá-la, viesse alguém e dissesse que é preciso continuar pagando por mais dez anos.”

Tavares enfatizou, ainda, que é por esse motivo que a Fiesp defende, com tanto afinco, o fim das renovações das concessões vigentes. “Quando acaba a concessão a usina está amortizada e é por isso que deve haver novos leilões. Só assim poderemos retirar essa parcela da conta paga pelo consumidor”, concluiu.

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

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