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São Paulo - 21/06/2011


Epidemia de obesidade no País pode reduzir esperança de vida em 10 anos, diz especialista

Segundo dia de encontro sobre alimentação, no Teatro do Sesi São Paulo, debate transição nutricional


Claudio Leone, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, alerta sobre elevado índice de sobrepeso e obesidade das crianças
A preocupação atual entre os especialistas em saúde e educação no Brasil deixou de ser apenas com a desnutrição infantil, afirmou nesta terça-feira (21) o professor-titular do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Claudio Leone.

O alerta está voltado para o elevado índice de sobrepeso e obesidade, doenças que podem encurtar a expectativa de vida do brasileiro.

Durante palestra sobre transição nutricional e doenças crônicas para o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP, Leone destacou uma pesquisa realizada com mais de 1.500 crianças de creches filantrópicas de Santo André, Grande São Paulo.

O estudo produzido entre 2001 e 2002 revela que tanto para peso e idade quanto para Índice de Massa Corpórea (IMC) há menos crianças desnutridas. Em contrapartida, existe um excesso de peso em mais de 25% do total apurado, o equivalente a uma criança em cada quatro. “Isso é um dado alarmante se considerarmos o nível socioeconômico dessa população.”

No Canadá, um levantamento feito em 2003 apontou um crescimento de 40% do sobrepeso ou obesidade em crianças com idade escolar, acrescentou o professor da USP.

“Em breve, a esperança de vida hoje tão comentada vai diminuir. Se essa epidemia continuar nesses moldes, vamos ter nos próximos anos uma esperança de vida 10 anos a menos da que se espera hoje”, alertou Leone durante palestra para mais de 400 pessoas, entre elas nutricionistas, educadores e especialistas, no Teatro do Sesi São Paulo.

Atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 73 anos, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Transição nutricional

Segundo Leone, nos últimos 15 a 20 anos ocorreram algumas mudanças que englobam o crescimento econômico sustentado e políticas de governo que contribuíram para um cenário de obesidade e sobrepeso acima da taxa da desnutrição.

O professor explicou que essa fase da transição nutricional no mundo globalizado se traduz no aumento do consumo de alimentos processados, além do salto na tecnologia, sugerindo atividades de lazer e trabalho muito mais sedentárias. “Dentro disso começa a surgir a obesidade.”

“Vão ocorrer os mesmos 15 a 20 anos para que essa transição nutricional seja revertida ante o quadro de sobrepeso e obesidade. Estamos criando gerações que terão um encurtamento de vida”, acrescentou o palestrante.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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