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Brasil do diálogo
São Paulo - 26/05/2011


Câmbio traz sério risco à indústria nacional, afirma Pimentel

Ministro do Desenvolvimento não vê solução rápida e pede modernização. Fiesp e sindicalistas rebatem: indústria tem capacidade, mas quer isonomia


Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior

O atual cenário econômico internacional e os desafios que a questão do câmbio impõe ao Brasil dominaram os discursos de empresários, trabalhadores e governo na manhã desta quinta-feira (26), no primeiro debate do seminário Brasil do Diálogo, da Produção e do Emprego, iniciativa conjunta da Fiesp com as centrais sindicais.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, reconheceu que a indústria de transformação é o segmento da economia mais afetado pelas condições externas, mas disse que o câmbio sobrevalorizado é uma “equação sem solução no curto prazo”.

“Os Estados Unidos praticam uma política monetária claramente expansionista com efeitos perversos no mundo todo, sobretudo nas economias emergentes como o Brasil”, analisou o ministro. “Isso atinge de maneira dura as relações de troca no mundo inteiro. Não temos como escapar ou inventar outro cenário”, admitiu.

Isonomia

Pimentel também entrou no tema China para demonstrar sua preocupação com a indústria brasileira de manufaturas, que deixa de gerar 3,5 milhões de empregos, segundo a Fiesp, por conta da avalanche de importações.

“É um adversário que não imaginávamos há alguns anos. O modo de produção asiático, com custos mais baratos, é um desafio a todos os países e, de fato, nos ameaça”, disse o ministro.


Paulo Skaf, presidente da Fiesp
A saída para tornar competitiva a sólida indústria do século 20, para Pimentel, é modernizá-la. Em discurso oposto, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, garantiu que o setor industrial brasileiro tem total capacidade de fornecimento, mas quer competir em condições iguais.

“Não creio que falta competitividade. É inegável que da porta para dentro temos no Brasil as fábricas mais modernas do mundo em inúmeros setores”, defendeu Skaf. “A questão é o câmbio, os juros, a infraestrutura. O custo Brasil não é culpa da indústria. Se tudo isso acabar com a nossa indústria, vamos perder 200 anos de trabalho de todos os brasileiros”, sublinhou.

Concordância

O avanço dos importados preocupa igualmente a classe trabalhadora, que defende a qualificação do emprego no Brasil. Para Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a produção nacional puxa o bom emprego, e com ele o consumo, o poder de compra e o crescimento econômico.

“As importações trazem embutidos os empregos lá de fora. Quanto custa um desempregado? Quanto custa o atraso tecnológico? É o preço de não se produzir no País, isso tem que entrar na conta”, resumiu o sindicalista.

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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