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Comércio Exterior
São Paulo - 10/05/2011


Brasil pode perder mercado se aceitar travas argentinas, diz Fiesp

Para o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex/Fiesp, oferecer compensações ao vizinho é visão equivocada de integração


Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex/Fiesp 
As barreiras impostas pelo governo argentino aos produtos brasileiros atingem hoje mais de um quarto (27,6%) das exportações nacionais. Os números revelam a escalada protecionista do vizinho sul-americano: em outubro de 2009, 53 itens estavam sob licenciamento não automático; hoje são 577 produtos sujeitos a esta restrição.

O prazo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberação das licenças não automáticas é de 60 dias, mas a Fiesp afirma que alguns registros já superam os 180 dias. Só no setor de balas, chocolates e massas alimentícias, que enfrenta barreiras sanitárias, a entidade estima um prejuízo de R$ 6 milhões.

O assunto foi debatido nesta terça-feira (10) em reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp. Diagnóstico: o Brasil vem adotando a paciência estratégica com relação às travas argentinas desde 2008, tentando liberar seus produtos no “varejo”.

Para o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, essa posição precisa mudar. Caso contrário, o Brasil acabará perdendo mercado para produtos chineses no Mercosul.

“O governo acaba não defendendo o setor industrial brasileiro por conta da mesma visão de parceria estratégica que adotava há oito anos, quando não havia a ameaça da China”, avaliou Barbosa. “Isso é aceitar o conceito de assimetria [entre Brasil e Argentina], que é uma visão equivocada. A integração hoje tem que ser vista sob nova ótica”, disse o embaixador.

A grande questão, para a Fiesp, é saber se as restrições impostas à entrada de produtos brasileiros estão beneficiando o próprio parque industrial argentino ou países de fora do Mercosul, o que comprometeria as regras do bloco.

A corrente de comércio entre os dois países totalizou US$ 33 bilhões em 2010. O saldo foi superavitário para o lado brasileiro, pelo sétimo ano consecutivo, em US$ 4,1 bilhões. De janeiro a abril de 2011, o volume acumulado está em US$ 1,4 bilhão, com previsão de chegar a US$ 6 bilhões positivos para o Brasil no final do ano.

Pesquisa

Na primeira parte da reunião do Coscex, técnicos da área de Comércio Exterior da Fiesp apresentaram os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI), referentes ao 1° trimestre do ano. Os resultados foram divulgados na segunda-feira (9) em coletiva de imprensa. Clique aqui para ver a pesquisa na íntegra.

Veja a íntegra da apresentação Barreiras às exportações brasileiras para a Argentina.

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp