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Trem-bala
São Paulo - 18/04/2011


Média velocidade para trem Rio-SP é discussão inócua, diz ANTT

Para o governo federal, crítica sobre alto custo de trem-bala é infundada. Projeto original tem apoio da Fiesp e dos governos de São Paulo e do Rio de Janeiro


Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, refutou nesta segunda-feira (18) qualquer possibilidade de discutir a construção de infraestrutura para operação de trens de média velocidade na ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo. A proposta é lançada por críticos do projeto original do Trem de Alta Velocidade (TAV) com a justificativa de baratear o custeio da obra.

“Hoje se alardeia que a média velocidade é mais barata sem se aprofundar em estudos técnicos”, rebateu Figueiredo. Ele participou da abertura de seminário sobre o TAV Rio-SP na sede da Fiesp, na capital paulista.

O diretor da ANTT disse não fazer “o menor sentido” discutir média velocidade. “Se fizer para média, em cinco anos estaremos arrependidos e teremos de fazer outra [ferrovia]. Mas se construirmos uma infraestrutura física que contemple velocidades maiores, o investimento é definitivo, e a diferença de custo é desprezível”, defendeu.

Modelo de concessão

O leilão para licitação está marcado para 29 de julho, após dois adiamentos. A obra é orçada em R$ 33 bilhões. O setor público investirá 10% desse valor e financiará R$ 20 bilhões ao consórcio vencedor, que deterá a concessão por 40 anos.

Segundo a ANTT, caso a obra fique mais cara, o único prejuízo será o do investidor. “Se estourar orçamento, o risco que o concessionário assume é cair o faturamento, de 10,5% para 7,5%. O governo não vai suportar isso”, garantiu Bernardo Figueiredo.

Ele disse ainda que, no caso de haver frustração de receita nos 10 primeiros anos da concessão, o governo se propõe a flutuar o prazo de amortização do financiamento e a taxa de juros, até que a manobra represente R$ 5 bilhões de subsídio adicional.

Apoios


Paulo Skaf, presidente da Fiesp
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, lembrou que o Brasil ainda está discutindo a construção dos primeiros 500 quilômetros de TAV, enquanto a China já tem 3 mil quilômetros de malha para alta velocidade e terá 13 mil até 2016.

“Nós não podemos aceitar essa discussão medíocre, ficar na dúvida se vale a pena ou não ter um trem. O Brasil demanda tudo, porque já está parado há muito tempo. Temos que pensar do tamanho do país e parar de ter medo de crescer”, afirmou Skaf.

O projeto do TAV prevê algumas paradas obrigatórias, principalmente no lado paulista. As conexões regionais da capital até São José dos Campos, Campinas e entre os aeroportos de Viracopos e Cumbica são tidas como fundamentais para desafogar o tráfego no Estado.

O secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, declarou total apoio do governo paulista ao projeto e descartou rivalidades partidárias.

“Quando ouvimos que 70% do gasto do TAV será com infraestrutura, e que servirá também para as ligações regionais, como o governo de São Paulo vai ser contra isso?”, questionou. “Fazer mais do mesmo não basta para nós. Temos que pensar 30 anos à frente”, defendeu o secretário paulista.

Júlio Lopes, secretário dos Transportes do Estado do Rio de Janeiro, também manifestou apoio ao projeto ferroviário de alta velocidade. “Fazer uma via que condene o nosso trem à média velocidade não condiz com o paradigma de mobilidade que precisaremos para a nossa megalópole”, reforçou.

Demanda firme

O eixo Rio-São Paulo abriga cerca de 50 milhões de habitantes em um trecho de 500 quilômetros, o que, na visão do governo federal, torna o projeto especialmente atraente aos olhos de investidores externos. A demanda estimada na ligação direta é de 10 milhões de passageiros por ano, e nas ligações regionais, 20 milhões. Ao final dos 40 anos, esse total poderá chegar a 100 milhões de passageiros anuais.

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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