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Emprego
São Paulo - 11/11/2010


País deve equilibrar câmbio e juros para aproveitar crescimento econômico

Segundo Fiesp/Ciesp, índice de emprego deverá crescer 4% esse ano sobre o fraco 2009; alta esconde efeito da ocupação dos importados no mercado

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) esperam um crescimento de 4% para o índice de emprego ao final do ano, o que corresponde à geração de 110 mil postos de trabalho em relação a 2009. O número, no entanto, carrega o efeito da comparação com um ano ruim para a indústria, que fechou com baixa de 4,5% no emprego.

Em outubro, o índice ficou estável (+0,07%), com um saldo líquido de 1.500 vagas. O dado dessazonalizado (-0,06%) também indica estabilidade em relação a comportamento do mês na série histórica da pesquisa. Os números foram divulgados pela Fiesp/Ciesp nesta quinta-feira (11).

Mas, segundo o diretor-adjunto de Economia da Fiesp/Ciesp, Walter Sacca, os bons resultados obtidos no ano dão uma falsa impressão de tranquilidade.

"Comparado com uma base deteriorada, esse crescimento é ilusório. Os números estão bonitos porque o ano passado foi negro. À medida que a comparação com o período ruim chega ao fim, vemos uma nítida deterioração do crescimento industrial", analisou Sacca.

Para o diretor, os principais vilões são juros e câmbio, que favorecem o aumento das importações no mercado brasileiro. E essa tendência, de acordo com ele, não mostra sinais de mudança em curto prazo.

"Teremos uma convivência penosa com essas dificuldades, até chegarmos ao equilíbrio desses fatores, que impedem que tenhamos um melhor fruto do crescimento econômico que vive o nosso país", alertou.

Na avaliação do diretor, a indústria brasileira continuará "patinando" caso não seja adotada uma política de defesa da moeda que contemple uma série de medidas integradas, a exemplo da baixa de juros, a elevação da alíquota de IOF para as operações de câmbio e a adoção de barreiras não-tarifárias.

"A pujança do nosso PIB não está significando melhorias para quem produz. Quem está se aproveitando do crescimento econômico são os fornecedores de fora do Brasil", avaliou Walter Sacca.
 
Ele emendou: "Não só o índice de máquinas e equipamentos importados é crescente, como também a desnacionalização da produção industrial. Esse processo é maior do que a estatística aponta, se considerarmos o efeito cascata dos itens importados que compõem a produção nacional".

Análise estadual

Apesar de ter obtido o resultado mais modesto para o mês de outubro desde 2005 – com exceção de 2008, início da crise financeira –, a geração de vagas nas indústrias da Grande São Paulo superou a baixa do setor sucroalcooleiro, concentrado no interior paulista, que já começa a devolver os empregos gerados no ano (mais de 42 mil), devido à entressafra.

Cerca de 4.500 trabalhadores de usinas de açúcar e álcool foram desligados de seus postos no último mês, por conta do esvaziamento do campo, movimento que deve se intensificar nos meses de novembro e dezembro. Essa devolução de empregos é que fará o índice geral fechar em torno de 4% – hoje a variação acumulada é de 8,13%, a maior dos últimos cinco anos (195,5 mil vagas).

Os demais setores industriais responderam pela abertura de 6.000 postos de trabalho no período.

Setores e regiões

Em setembro, 13 setores analisados pela pesquisa tiveram comportamento positivo na geração de emprego. A atividade com melhor desempenho no período foi a impressão e reprodução de gravações (1,2%). Vestuário e acessórios fechou com alta de 1,1%, seguido de móveis (1%).

O setor de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis novamente concentrou as baixas no mês, com fechamento de 4,2% das vagas de trabalho. Bebidas computou queda de 2%, e o segmento de produtos diversos caiu 1,6% no período.

Quanto ao comportamento das Diretorias Regionais do Ciesp, 20 tiveram aumento no quadro de funcionários, 13 fecharam vagas e três ficaram estáveis. O destaque fica com Botucatu (4,72%), região que mais contratou no mês, revertendo a queda ocorrida em setembro. São Caetano do Sul aparece em segundo lugar com acréscimo de 1,08% no número de vagas, seguida de Guarulhos, que avançou 1,04%.

Entre as regiões com desempenho negativo, Marília teve o pior resultado de outubro, com queda de 2,8%. As outras duas regiões com maior redução de empregos foram Araraquara (-1,41%) e Jaú (-1,35%).

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp