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Congresso da Indústria
São Paulo - 08/11/2010


Oneração da mão de obra influi na capacidade produtiva do País

Direitos trabalhistas conquistados devem ser mantidos, mas é preciso atacar problemas pontuais, concluíram especialistas


Adauto Duarte, pres. da Comissão de Relações do Trabalho da Anfavea

“O Bric vai se transformar em Ric, pois o B está cada vez mais caro”. A redução da sigla que agrega Brasil, Rússia, China e Índia foi sugerida por Adauto Duarte, presidente da Comissão de Relações do Trabalho da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A crítica, feita nesta segunda-feira (8), durante o Congresso da Indústria 2010, foi uma forma de contextualizar o alto custo interno do País enquanto outras nações apostam firme na competitividade e na geração de emprego e renda.

Para Duarte, quem determina o preço é o consumidor. Mas ele apontou fatores que não podem ser repassados para o custo, como o aumento real de salários – 13,4% de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), nos últimos quatro anos –, sobrecarregando a conta.

Outro ponto nevrálgico, segundo o representante da Anfavea, é o plano de saúde corporativo com inflação média duas vezes superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e que abriga 25 milhões de brasileiros.

A alternativa apontada por Duarte é a suspensão “temporária” dos mais de mil projetos que se encontram hoje no Congresso Nacional. "A criação do Conselho

Ney Prado, presidente da Aide
Nacional de Relações do Trabalho, com composição tripartite – governo, empregadores e empregados –, é o espaço adequado para que haja uma discussão apropriada", salientou.

Hoje vigoram 2.496 normas trabalhistas, no Brasil, somando códigos, determinações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e jurisprudências, citou o integrante do painel “Modernização das Relações de Trabalho”.

O presidente da Academia Internacional de Direito e Economia (Aide), Ney Prado, explicou que as normas criadas no campo trabalhista não surgiram por motivação política, mas foram de ordem econômica, a fim de disciplinar o sistema.

Prado disse não ter ilusões: “Não há reforma pacífica, haverá resistência”. E acrescentou que é necessário adaptar o Direito diante de um novo cenário do trabalho.

Combate a problemas pontuais


José Pastore, economista

O economista José Pastore ressaltou a necessidade de se cortar despesas governamentais para diminuir juros e equilibrar a balança comercial. E criticou os altos gastos públicos diante do déficit da Previdência Social dos setores público e privado.

"O ralo desta conta negativa é a informalidade, na qual se concentram 50% dos trabalhadores, especialmente empregadas domésticas e autônomos. E os mais prejudicados são as micro e pequenas empresas, além do empreendedor do campo", apontou o especialista.

Pastore defendeu a manutenção dos direitos conquistados e o enfrentamento dos “problemas tópicos” que promovam, inclusive, a segurança jurídica para as empresas. Entre as sugestões:

  • Desoneração da folha de pagamento, que hoje tem incidência de despesas da ordem de 102%;
  • Mudanças de natureza tributária e utilização de outras fontes de tributos, como já fazem outros países;
  • Criação de um “Simples” trabalhista que não requer alterações constitucionais;
  • Incremento da contratação de jovens recém-formados com menor encargo social;
  • Amparo legal à terceirização;
  • Regulação do seguro-desemprego, praticando melhor justiça social.


  • Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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