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Congresso
São Paulo - 22/10/2010


Instalações públicas esportivas no Brasil, Equador e Portugal são debatidas no Cidyr

Durante congresso na Fiesp, especialistas ilustraram situação real da infraestrutura em seus países

O brasileiro Eduardo Castro Mello, o equatoriano Ramon Gomes Castillo e o português Dimas Pinto – três dos maiores especialistas mundiais em instalações esportivas e recreativas com foco em instalações públicas – apresentaram um cenário do setor durante o 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas, realizada na Fiesp até esta sexta-feira (22).

Com inúmeros prêmios no currículo, Eduardo Castro Mello é um dos profissionais em atividade que mais tem se empenhado para que o Brasil desenvolva estruturas sustentáveis voltadas à formação do atleta brasileiro, descartando a necessidade de buscar centros de treinamento no exterior.

Ele mostrou alguns projetos que resultam, atualmente, em obras arrojadas e modernas para a Copa 2014, como o estádio do Maracanã (Rio de Janeiro), a pista de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (São Paulo) e o fitness center do Alphaville Tennis Clube (São Paulo).

O que mais chamou atenção, porém, foi um vídeo sobre o projeto do Estádio Nacional de Brasília, antigo Mané Garrincha, que foi demolido e, desde agosto, está sendo transformado em uma arena multiuso, totalmente sustentável, com capacidade para receber até 76 mil pessoas, seguindo as rigorosas exigências da Fifa.

De acordo com Castro Mello, o estádio cujas obras estão previstas para terminar no final de 2012 será um dos destaques para a Copa de 2014 e mostrará ao mundo que a capital do Brasil é Brasília. “É uma questão de valorização de nosso País”, observou. 

Elefantes brancos

O arquiteto equatoriano Ramon Gomes Castillo pontuou sua apresentação com várias críticas à infraestrutura esportiva de seu país: “Mais de 2 milhões de equatorianos precisam de atividade física e não têm espaço adequado para isso.”

Segundo ele, algumas instalações foram mal planejadas para uso social após os eventos e se tornaram elefantes brancos. “Existe uma desproporção significativa em relação ao uso dessas instalações pela população e seus usuários”, sublinhou.

Castillo contou que, durante os anos 80, foi gasto muito dinheiro na construção de mais de cem coliseus que se transformaram em verdadeiras “bombas de tempo” nas últimas décadas. "Esses espaços ficam parados, sem utilização, e ilustram falta de planejamento. Muitos deles já entraram em colapso há muito tempo.”

Na avaliação do arquiteto, muitas das obras para fins esportivos realizadas no Equador foram concebidas sem análise prévia de objetivos finais ainda na fase de planejamento, revelando criatividade bastante escassa quanto ao projeto em si. E complementou que 80% da infraestrutura esportiva do país ficou concentrada em Guayaquil, Quito e Cuenca, setores urbanos.

Castilho criticou também a iniciativa privada que apenas investe em futebol: “Prefiro não me estender nesse assunto. Futebol é uma empresa, um tipo de negócio e atrai mais os empresários.”

Segundo o arquiteto equatoriano, o regime atual de governo está gerando leis que causam alguns empecilhos para a mudança do quadro que se apresenta. “Estamos à espera de uma regulamentação definitiva para o setor de infraestrutura esportiva”.

Mas ele acredita que a situação pode melhorar com a transferência do aeroporto de Quito para a cidade de Tababela, transformando-se em um grande parque e pulmão verde para a cidade. “É um grande estímulo, e pode gerar novas propostas para infraestrutura esportiva no Equador.”

Cauda da Europa

Dimas Pinto iniciou sua apresentação afirmando que, apesar da importância do aumento significativo do número e variedade de instalações esportivas, Portugal continua na “cauda da Europa” no que se refere à participação no esporte.

Ele mostrou dados para corroborar sua tese: “Cerca de 32% da população pratica esporte, no entanto, apenas 9% o fazem com regularidade e, o mais alarmante, 55% dos portugueses estão totalmente inativos.”

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Desporto sublinhou que o problema português não é a falta de equipamentos desportivos e, sim, a de praticantes.

Em relação à necessidade da construção de instalações sustentáveis no país, Dimas Pinto considera que isso é fundamental para seu país, especialmente dos pontos de vista econômico, social, ambiental e cultural.

O problema, segundo ele, porém, tem estado na construção de instalações muito formatadas nas práticas esportivas tradicionais, nem sempre de dimensões adequadas à procura local e à evolução do esporte. Faltam estratégias e programas que utilizam de forma sustentável as condições naturais existentes”, alertou.

De acordo com Dimas Pinto, não existe uma política esportiva governamental clara e com objetivos concretos a curto, médio e longo prazos em Portugal.

Para ele, a regulamentação da edificação e o uso dos espaços e infraestruturas para as atividades físicas e esportivas, assim como as políticas de financiamento, não têm sido suficientes para garantir uma política integrada, com base em critérios de distribuição territorial equilibrada, de valorização ambiental e urbanística e de sustentabilidade econômica, visando à criação de um parque esportivo diversificado e de qualidade para a população.

Dimas observou, ainda, que faltam especialistas para acompanhar todas as fases de planejamento das infraestruturas desportivas. E isso é um dos fatores que mais preocupam.

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

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