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São Paulo - 20/10/2010


Brasil investe em infraestrutura esportiva, mas gargalo está na gestão dos equipamentos

Eficiência e sustentabilidade das construções foram debatidas durante Cidyr

Sediar as Olimpíadas em 1976 levou Montreal a arcar com um déficit de US$ 223 milhões, zerado apenas no ano de 2000. Desta forma, a gestão eficiente dos equipamentos é fundamental quando se trata de grandes eventos esportivos.

A opinião partiu de José Montanaro, Gestor Técnico de Voleibol do Sesi-SP, que supervisiona as categorias de base e integrou a equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984). O esportista participou do 2º Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr), na quarta-feira (19).

Como mediador da mesa-redonda Planejamento e administração esportiva e recreativa–Foco na gestão dos serviços em consonância com a construção de instalações, Montanaro questionou as condições atuais dos equipamentos após o Pan de 2007, no Rio de Janeiro: “faltam escolas no entorno dos aparelhos projetados para esportes de alto rendimento”.

Já Alexandre Pflug, à frente do Departamento de Esportes e Lazer do Sesi-SP, frisou a necessária adaptação da metodologia às especificidades de cada região com foco na qualidade dos serviços oferecidos.

Pflug citou como exemplo o Programa Atleta do Futuro (PAF), idealizado pelo Sesi em parceria com a Unicamp, em 1991, e remodelado com a Unesp, em 2002. O resultado atual, além da forte parceria estabelecida com diversas prefeituras, é o atendimento de 40 mil alunos, na faixa de 6 a 17 anos, em 53 unidades do Sesi-SP e em 82 cidades paulistas, envolvendo 60 empresas industriais. Pflug dimensionou o maior ganho do projeto: envolvimento da comunidade e inclusão devido às práticas esportivas.

O arquiteto urbanista Juan-Andrés Hernando López, envolvido com o novo Módulo Desportivo do Centro de Alto Rendimento de Sant Cugat del vales (Barcelona/Espanha), lembra que os problemas de gestão não estão restritos ao Brasil. Na Espanha também se investe pouco em manutenção. “Nós comemos todos os dias e a instalação também se desgasta” e precisa de atenção permanente, disse López, fazendo uma analogia.

Nos últimos oito anos, o governo federal investiu cerca de R$ 2,9 bilhões em infraestrutura esportiva, segundo informou Ricardo de Avellar Fonseca, gerente de ação de implantação de Centros de Treinamento do Ministério do Esporte.

O gargalo, segundo o especialista, está na gestão e capacitação de profissionais, apesar do potencial competitivo e de marketing que o esporte oferece. Outro problema detectado é o comprometimento da sustentabilidade do equipamento construído, além dos serviços oferecidos aos usuários.

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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