[ editar ]
 
 
 
   
INFORMAÇÕES DA INDÚSTRIA  
NEWSLETTER  
REVISTA DA INDÚSTRIA
CAPITAL HUMANO
MACRO VISÃO
INFORMATIVO REGIONAL
 
   
 
Integração
São Paulo - 15/09/2010


Brasil quer investir no Mercosul e nos países da região

Política externa brasileira trabalha na tentativa de corrigir distinções para fortalecer o bloco sul-americano


Embaixador Antonio José Ferreira Simões

Equacionar diferenças comerciais e políticas é o principal desafio para concretizar a integração da América do Sul. O diagnóstico foi apontado pelo embaixador brasileiro, Antonio José Ferreira Simões, subsecretário-geral do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para a região, que participou nesta terça-feira (14) da reunião do Conselho de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp.

O diplomata apresentou a cronologia do processo de integração da América do Sul, destacando a participação brasileira desde os primeiros passos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em 1960, até a formação do Mercosul, em 1991.

“A ideia era eliminar barreiras tarifárias e criar um ‘mercadão’ para viabilizar a industrialização da região”, explicou. Entretanto, a divergência entre os países que queriam uma integração “profunda” e aqueles que não queriam impediu o processo de aproximação, na visão do embaixador.

Mesmo assim, Simões lembrou que em 1970, o Brasil respondia por 30% do PIB da América do Sul e a previsão é que este ano feche em 52% do PIB da região. Além disso, o intercâmbio comercial no bloco era de 5 bilhões de dólares em 1991 e deverá superar os 40 bilhões de dólares neste ano.

“Com exceção da Bolívia, todos os países da América do Sul representam renda líquida para o Brasil, com os quais temos superávits expressivos”, salientou.

Fortalecimento

O embaixador defendeu que o fortalecimento da economia e a internacionalização das empresas brasileiras têm contribuído com a integração. “Hoje temos o processo econômico empurrando o processo político”.

A política externa brasileira tem atuado em duas vertentes: a pragmática, na qual o governo atende a necessidade de acompanhar as direções do comércio; e a solidária, em que o governo acompanha os investimentos da iniciativa privada.

Problemas

À frente do processo de integração do bloco sul-americano, Simões disse que o Mercosul “vive uma situação muito difícil” com a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) e com a falta de um código aduaneiro comum. A questão foi endossada pelos membros do Coscex.

Segurança jurídica é outra preocupação que tem dificultado o processo de aproximação. Da mesma maneira, estão os serviços, que os sócios deveriam ter prioridade e atualmente são comprados de países extra-bloco.

Em relação aos investimentos, Simões acredita que é preciso criar um acordo de proteção aos aportes da iniciativa privada. O mesmo deveria valer para compras governamentais.

Institucionalização

“A área institucional tem ideia de dar um choque no Mercosul”, comentou. Segundo o diplomata, é necessário criar uma instituição que represente o consenso dos quatro países membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). “É preciso ter uma visão única do bloco”, reiterou.

Outro fator que atrapalha o desenvolvimento do grupo é a instabilidade de temas importantes que precisam ser tratados de maneira linear, influenciada pela rotatividade da presidência do Mercosul.

A política externa brasileira também vê com bons olhos a entrada de outros países da região no bloco. É o caso da Venezuela (que já foi aceita pelo Brasil e aguarda aprovação do Paraguai), da Colômbia e do Peru.

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp