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Brasil quer investir no Mercosul e nos países da região
Política externa brasileira trabalha na tentativa de corrigir distinções para fortalecer o bloco sul-americano
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Embaixador Antonio José Ferreira Simões
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Equacionar diferenças comerciais e políticas é o principal desafio para concretizar a integração da América do Sul. O diagnóstico foi apontado pelo embaixador brasileiro, Antonio José Ferreira Simões, subsecretário-geral do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para a região, que participou nesta terça-feira (14) da reunião do Conselho de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp.
O diplomata apresentou a cronologia do processo de integração da América do Sul, destacando a participação brasileira desde os primeiros passos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em 1960, até a formação do Mercosul, em 1991.
A ideia era eliminar barreiras tarifárias e criar um mercadão para viabilizar a industrialização da região, explicou. Entretanto, a divergência entre os países que queriam uma integração profunda e aqueles que não queriam impediu o processo de aproximação, na visão do embaixador.
Mesmo assim, Simões lembrou que em 1970, o Brasil respondia por 30% do PIB da América do Sul e a previsão é que este ano feche em 52% do PIB da região. Além disso, o intercâmbio comercial no bloco era de 5 bilhões de dólares em 1991 e deverá superar os 40 bilhões de dólares neste ano.
Com exceção da Bolívia, todos os países da América do Sul representam renda líquida para o Brasil, com os quais temos superávits expressivos, salientou.
Fortalecimento
O embaixador defendeu que o fortalecimento da economia e a internacionalização das empresas brasileiras têm contribuído com a integração. Hoje temos o processo econômico empurrando o processo político.
A política externa brasileira tem atuado em duas vertentes: a pragmática, na qual o governo atende a necessidade de acompanhar as direções do comércio; e a solidária, em que o governo acompanha os investimentos da iniciativa privada.
Problemas
À frente do processo de integração do bloco sul-americano, Simões disse que o Mercosul vive uma situação muito difícil com a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) e com a falta de um código aduaneiro comum. A questão foi endossada pelos membros do Coscex.
Segurança jurídica é outra preocupação que tem dificultado o processo de aproximação. Da mesma maneira, estão os serviços, que os sócios deveriam ter prioridade e atualmente são comprados de países extra-bloco.
Em relação aos investimentos, Simões acredita que é preciso criar um acordo de proteção aos aportes da iniciativa privada. O mesmo deveria valer para compras governamentais.
Institucionalização
A área institucional tem ideia de dar um choque no Mercosul, comentou. Segundo o diplomata, é necessário criar uma instituição que represente o consenso dos quatro países membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). É preciso ter uma visão única do bloco, reiterou.
Outro fator que atrapalha o desenvolvimento do grupo é a instabilidade de temas importantes que precisam ser tratados de maneira linear, influenciada pela rotatividade da presidência do Mercosul.
A política externa brasileira também vê com bons olhos a entrada de outros países da região no bloco. É o caso da Venezuela (que já foi aceita pelo Brasil e aguarda aprovação do Paraguai), da Colômbia e do Peru.
Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp
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