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Cosec avalia participação da indústria de transformação no PIB
Tripé carga tributária, custo de capital e taxa de câmbio atrapalha competitividade
Pautada nas pesquisas e estudos realizados pelos Departamentos de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) e de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, a reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) debateu na segunda-feira (13) fatores que afetam a competitividade da indústria brasileira.
A indústria de transformação, por exemplo, vem sofrendo perda de espaço e redução precoce de participação no Produto Interno Bruto (PIB). Em 1985, quando atingiu o nível mais alto da história, chegou a representar 27,5% do PIB. Hoje, encontra-se no patamar de 14,5%, indicando baixo desempenho se comparado aos índices de países que se encontram em estágios similares.
Na avaliação de Paulo Francini, diretor do Depecon, a evolução vivida até então pelo Brasil foi interrompida antes que se completasse um ciclo virtuoso e a indústria carregasse a economia. A curva ascendente geralmente começa a declinar diante de uma renda per capita de US$ 12 a 13 mil. No cenário brasileiro, o movimento de redução se dá bem antes, explicou Francini.
O diretor também assinalou que em outros países industrializados, como Reino Unido e Estados Unidos, a participação da indústria no PIB é da ordem de 14%, em 2007. Já no Mercado Comum Europeu, somando a Alemanha, o índice alcança 23%, na Coréia, 29%, na China, expressivos 39%.
No mesmo contexto, José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec, apontou alguns fatores agressivos que atrapalharam o crescimento da indústria: carga tributária, custo de capital e taxa de câmbio. Elevada em relação à renda média da população, em 2008, os tributos deveriam girar em torno de 28% do PIB ao invés dos 34,9%.
Além de não condizer com a renda per capita dos brasileiros, os impostos não geraram reflexos positivos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Entre 1994 e 2007, o IDH cresceu 10,7% e a carga tributária, 24,4%.
Segundo explicou Roriz, a indústria de transformação paga 2,24% a mais do que a média dos outros setores. De 2005 a 2009, contribuiu com 37,4% do total de tributos arrecadados entre os 12 setores de atividade da economia. A incidência sobre as exportações é outro fator que pesa negativamente para a competitividade brasileira
Os impostos embutidos nas compras de insumos das empresas representam 22,9%:
5,8% não-recuperáveis: INSS, IPTU, IOF, taxas municipais etc.;
17,1% que podem ser compensados no caso das exportações (ICMS, IPI, PIS, COFINS).
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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