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Macroeconomia
São Paulo - 30/08/2010


Déficit comercial pode levar o País a um processo de desindustrialização

Isso poderá ocorrer se o governo federal não mudar alguns problemas antigos como juros altos, moeda valorizada, reforma tributária e avanço das importações


Benjamin Steinbruch, no exercício da presidência da Fiesp

No exercício da presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o empresário Benjamin Steinbruch voltou a chamar atenção para o aumento desenfreado das importações e o crescente déficit das exportações de manufaturados que, neste ano, deverá amargar um saldo negativo de US$ 60 bilhões.

De acordo com Steinbruch, embora a situação econômica brasileira apresente o melhor desempenho dos últimos 25 anos, alguns problemas já crônicos podem levar o País a sofrer um vertiginoso processo de desindustrialização. Ele explicou que este processo poderá ser iniciado caso o Brasil não contenha a valorização do real frente ao dólar, não reduza os juros reais e não segure o crescimento das importações.

“O Brasil está em uma curva positiva e crescente com o aumento da renda, do consumo e do emprego, porém, se uma dessas variáveis for quebrada, aliada a entrada descontrolada de produtos importados, corremos sérios riscos de enfrentar um forte processo de desindustrialização [...] Só neste ano, vamos registrar um déficit de US$ 60 bilhões nas transações correntes”, projetou Steinbruch, nesta segunda-feira (30), durante o 7º Fórum de Economia, da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.


Guido Mantega, ministro da Fazenda
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou acalmar o mercado, dizendo que este saldo negativo será revertido em um ou dois anos e que o Brasil não está na iminência de uma desindustrialização.

Ele explicou que com a crise de 2008 houve uma redução das exportações de manufaturados, mas que isso não poderia ser caracterizado como desindustrialização. “A produção industrial deverá fechar o ano com crescimento expressivo ante 2009", avaliou.

Na outra ponta, Steinbruch refutou a declaração do ministro e salientou que o Brasil não pode esperar dois anos para diminuir esse déficit econômico. “Não podemos aguardar esse tempo todo; é preciso fazer algo, agora, para conter a avanço do déficit em conta corrente. Poderíamos investir muito mais se não fossem as condições que favorecem as importações”, argumentou. "Trata-se de uma luta constate que ainda não conseguimos vencer", completou.

Crescimento econômico

Questionado sobre as perspectivas do anúncio do crescimento da economia no segundo trimestre, que será anunciado na próxima sexta-feira (3/9), Guido Mantega afirmou que o resultado será marcado por uma desaceleração, mas que acredita em uma alta de 0,5% a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre, o País cresceu 2,7% em relação aos três meses anteriores, impulsionado pelo desempenho da indústria e investimentos.

Para 2010, o ministro prevê um avanço na economia de 7%, o que, segundo ele, será o maior crescimento do Brasil desde 1986. “O Brasil está junto com os países que mais crescem, e não se trata de um crescimento pontual, mas sim do resultado de um processo”, explicou.

O ministro ainda estimou que os investimentos medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo cheguem a 22% do PIB, e previu a criação de dois milhões de empregos formais. Sobre os desafios que o próximo governo enfrentará, Mantega destacou a modernização do sistema financeiro, como a ampliação do mercado de debêntures como fonte de financiamento; maior participação dos bancos privados no financiamento de longo prazo; e a aprovação da reforma tributária.

“Essas medidas obrigatoriamente precisam ser feitas, porque a população exige isso”, sentenciou o ministro da Fazenda.

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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