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Sustentabilidade
São Paulo - 24/08/2010


É possível envelhecer bem e de maneira saudável

Modelo mecânico de avaliação do paciente não permite diagnóstico eficiente. A receita é o sistema quântico, segundo médicos da Unifesp

É preciso estabelecer novo paradigma quando o assunto é saúde e envelhecimento bem-sucedido. Ao invés de se lidar com a doença crônica, a prescrição é o controle crônico.

A receita foi dada nesta terça-feira (24) pelo médico Luis Roberto Ramos, chefe do Departamento de Medicina Preventiva, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "A qualidade de vida não é etérea, hoje ela é quantificável”, brincou.

O processo de envelhecimento saudável e a manutenção da capacidade funcional foram temas debatidos na 4ª Mostra de Responsabilidade Socioambiental Fiesp/Ciesp, na mesa-redonda Envelhecimento e capacidade funcional – Desafio para as empresas e o País.

Para Ramos, a enfermidade é só a ponta do iceberg. O problema a ser sanado é a manutenção da capacidade funcional e como o indivíduo enfrenta a moléstia. Aliás, ele alerta que "o céu é o limite, e praticamente todo mundo precisa gerenciar uma ou outra doença crônica na vida".

Por meio do financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), serão incentivados projetos que promovam o exercício físico – com o bairro amigo dos idosos –, visando tornar ativos os que se encontram sedentários e, de quebra, promover a inclusão social.

Ramos deu, inclusive, uma dica preciosa: computador não é só para os jovens. É uma ótima ferramenta para o treinamento cognitivo e, além do mais, promove a inclusão digital, na opinião dele.

Pesquisa para o bem-estar

Estudo realizado pela Unifesp ao longo de quatro anos junto à comunidade de pessoas idosas, na Vila Clementino (zona Sul de São Paulo), confirmou o que senso comum diz: é fato que os homens morrem mais do que as mulheres.

E revelou novos dados. Quem já esteve anteriormente internado é portador de um marcador: tem mais chance de morrer do que aquele que nunca frequentou corredores hospitalares.

Outra constatação é que os que sofrem perdas de memória morrem duas vezes mais do que os sãos e os indivíduos com problemas de funcionalidade morrem três vezes mais do que aqueles que conseguiram preservar sua autonomia. Diante dessa radiografia, o melhor é manter-se mais do que ativo.

Para Ramos, o geriatra não consegue vislumbrar sozinho todo esse cenário do paciente e necessita do apoio de especialidades diversas: enfermaria, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, assistência social, psicologia, nutrição, odontologia e educação física.

Estilo de vida

Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento e do Núcleo de Transdisciplinaridade aplicada à Saúde Corporativa da Unifesp, complementou esse exame acrescentando que a maneira como se vê a vida – um copo vazio ou cheio – tem impactos no bem-estar do indivíduo.

O médico citou estudo publicado pela renomada revista Nature, em 2001, constatando que o diabetes tipo II é motivado mais pelo estilo de vida (53%) do que pela genética (17%). Já o estudo Aging Well (2002) detectou outro termômetro: o papel do perdão na longevidade. "A doença é também um fenômeno ecológico", diagnosticou.

Bignardi apresentou, ainda, case de “gerenciamento de crise” entre quinze executivos de uma grande rede de São Paulo. A mudança veio acompanhada da perda do centro de equilíbrio, encurvando a postura física, fato que gerou reflexos no sistema respiratório, no sono e no excessivo consumo de carne vermelha, devido à cobrança de agressividade em um ambiente fortemente competitivo, levando a alterações metabólicas. Esses fatores associados criam um indicador de "insustentabilidade pessoal", explicou o médico, ao tratar do tema saúde corporativa.

A profilaxia foi a mudança de hábitos alimentares, a higiene do sono, o uso da homeopatia e técnicas de relaxamento que, após oito meses, resultaram em boa resposta sistêmica. "O modelo médico mecânico convencional não atende à complexidade do ser humano", disse ao defender a avaliação quântica do ser humano como um todo.

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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