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Governo e indústria paulistas aproveitam aquecimento interno em favor da habitação
Na Fiesp, diretor da CDHU-SP disse que estão previstas 60 mil novas unidades para o estado
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João Abukater, diretor-técnico da CDHU
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Representantes da indústria paulista e do governo estadual juntaram esforços com a finalidade de viabilizar medidas para encaixar o setor da construção no ciclo aquecido da economia interna brasileira. A conversa ocorreu nesta terça-feira (17), durante reunião mensal do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, na sede da entidade.
O governo de São Paulo deu bons sinais aos empresários. O diretor-técnico da CDHU, João Abukater, informou que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU-SP) prevê a entrega, até o início do próximo ano, de 60 mil unidades habitacionais, de 2 e 3 dormitórios, em todo o estado. Nossa meta é incluir a construção, mais especificamente a habitação, na conjuntura de crescimento do mercado interno, enfatizou.
Segundo Abukater, o processo de licitação de 15 mil das unidades prometidas já foi instaurado e as construções devem iniciar o quanto antes. Em sua avaliação, a perspectiva é de otimismo, uma vez que os projetos da CDHU recebem, atualmente, mais que dobro do que arrecadavam há cinco anos.
"Trabalhávamos com uma faixa de R$ 400 milhões por ano para a habitação. Hoje, esse número está em torno de R$ 1 bilhão, e com a economia aquecida temos chance de aumentá-lo ainda mais", destacou.
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José Carlos de Oliveira Lima,
presidente do Consic
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Terreno baldio
Apesar disso, Abukater disse que o governo tem enfrentado empecilhos para tirar estes planos do papel, sobretudo em grandes áreas metropolitanas, como a cidade de São Paulo, onde os terrenos disponíveis encontram-se em péssimas condições.
"O Jardim Santo André, por exemplo, é uma área de risco onde temos que colocar duas mil unidades. Compramos três terrenos e tivemos que desistir de todos", reclamou o diretor-técnico da CDHU.
Mesmo em terrenos deteriorados, o diretor esclareceu que "o custo da construção é alto, em torno de R$ 20 mil a R$ 30 mil por metro quadrado construído". E acrescentou: "A nossa solução é encontrar instrumentos de engenharia urbanística para viabilizar essas casas com preço mais baixo".
O presidente do Consic, José Carlos de Oliveira Lima, elogiou as iniciativas apresentadas, pois acredita que, ao modo em que estão sendo feitas, integram-se políticas de responsabilidade social e fomento da indústria nacional.
"Antigamente, eu achava que o 1% do ICMS repassado à habitação era muito mal usado. Hoje em dia, vejo diferente, pois percebo que com ele várias frentes da sociedade brasileira estão ganhando, concluiu.
Desafios agendados
Durante o debate, a secretária nacional da Habitação, Inês da Silva Magalhães, disse que o primeiro e "mais importante" passo foi dado, pois "o próprio setor já possui uma foto de boa resolução dos desafios que tem de enfrentar e dos caminhos que tem de tomar".
Nesse sentido, a secretária destacou a iniciativa do Construbusiness, "que tem se caracterizado como uma importante agenda do setor da construção, quando fala de marcos regulatórios e medidas externas que devem estar casadas à área", enfatizou.
Magalhães também chamou a atenção à questão do aporte de investimentos. Em sua opinião, as regiões devem passar por um mapeamento completo, para que suas dificuldades específicas sejam superadas. Além disso, argumentou que, para o segmento, o melhor seria pensar uma logística de distribuição de materiais com mais equilíbrio nacional.
"Ou a gente melhora a questão da produtividade e qualidade de distribuição, reduzindo à metade o tempo de produção que vimos na última década, ou não conseguiremos realizar nem as metas da habitação e nem os desafios infraestruturais que teremos nos próximos anos", finalizou.
Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp
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