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Fiesp debate aperfeiçoamento regulatório do setor de energia
Relação entre consumidores e prestadores foi um dos temas do 11º Encontro Internacional de Energia
O primeiro painel sobre aperfeiçoamento regulatório do setor de energia elétrica teve como tema Estado, Concessionárias e Consumidor: uma Relação em Desequilíbrio, mediado por Pedro Francisco Moreira, diretor-titular-adjunto do Departamento de Logística da Fiesp, durante o 11° Encontro Internacional de Energia Fiesp/Ciesp, em São Paulo.
Alex Sandro Feil, superintendente de mediação administrativa setorial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), classificou como natural o desequilíbrio apontado pelo tema. Ele afirmou que há assimetria de poder, de interesses e de informações nas relações da Agência com seus diversos públicos.
Segundo Feil, a Aneel tem como missão proporcionar condições favoráveis para que o desenvolvimento do mercado de energia elétrica ocorra com equilíbrio. O superintendente também destacou que a Agência quer trabalhar sempre com a maior transparência possível.
Renata Farias, consultora técnica do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), confirmou que existe esse desequilíbrio, e citou a Constituição brasileira, que diz que O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.
A consultora do Idec afirmou que a regulamentação existe para defender o direito do consumidor, e que é dever do governo reestabelecer o equilíbrio entre direitos e deveres.
Farias fechou sua apresentação lembrando da necessidade de boa governança: É necessário ter transparência e acesso à informação; participação da sociedade; sistemas de prestação de contas; e capacitação dos atores envolvidos.
Problemas práticos
O advogado Maury Sérgio Lima e Silva, do Instituto Brasileiro de Estudos do Direito da Energia (IBDE), chamou atenção para problemas práticos no setor elétrico. Um deles foi o racionamento de energia, ocorrido entre setembro de 2001 e fevereiro de 2002.
Segundo Silva, tratou-se de um erro de planejamento governamental. Declarou ele: As agências reguladoras não estão preparadas para este tipo de problema.
O advogado também mencionou o caso do erro na formulação da tarifa de energia elétrica, revelado no ano passado. Ele causou, entre 2002 e 2008, o pagamento de R$ 7 bilhões a mais pelo consumidor que o devido.
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional do Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, também falou sobre o erro, e disse que houve prejuízo sem compensação aos consumidores.
A coordenadora sublinhou o problema de falta de clareza na metodologia do cálculo da tarifa de energia elétrica no Brasil. Ela comparou os preços praticados no mercado nacional com o de outros países: As indústrias brasileiras têm a quinta tarifa mais pesada do mundo, ressaltou.
Elcio Cabral, Agência Indusnet Fiesp
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